Melancolia combina com musiquinha dos anos 80, 90. Ouço sempre e com paixão, Renato e sua Legião, Titãs, A-Ha, Blitz, Paralamas, Capital, Lulu, Zero, Cássia Eller. Nada me conforta em saber que esse tempo não volta mais. Tenho saudade da minha juventude. Já me sinto adulta o suficiente pra entender que ser jovem, sem grandes preocupações com o futuro, ou apenas com o dia de amanhã, é ser leve, apostar no momento, sem pesar prós e contras. Basta marcar com os amigos para a festa seguinte, a praia seguinte, o sorvete seguinte.
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14 July 2012
4 June 2012
Coisa pra se guardar
Queria começar dizendo que o texto é um pouco longo. Desculpas. Tenho mesmo dó de quem não suporta textos longos na internet, sobretudo em blogs. A impressão que tenho é que não gostam ou não levam muito a sério o que escrevemos, em terras desamparadas pelo crivo das normas técnicas. A lógica do pensamento deve ser mais ou menos assim: se não é um texto 'sério', 'científico', pra que perder tempo lendo, não é mesmo?
Claro que, em tempos de controles de caracteres sugestionados pelo twitter, venho tentando ser mais objetiva. Disse, tentando. A enxurrada de palavras e parágrafos saem nervosos de mim. Me atropelam, me vencem e daí me perco, me afogo.
Por outro lado, não posso me policiar se escrever pra mim é sinônimo de liberdade de expressão. Deve ser por isso que exagero tanto, quando preciso me libertar mais.
Claro que, em tempos de controles de caracteres sugestionados pelo twitter, venho tentando ser mais objetiva. Disse, tentando. A enxurrada de palavras e parágrafos saem nervosos de mim. Me atropelam, me vencem e daí me perco, me afogo.
Por outro lado, não posso me policiar se escrever pra mim é sinônimo de liberdade de expressão. Deve ser por isso que exagero tanto, quando preciso me libertar mais.
E, independentemente da seriedade ou não, aqui presente, as minhas narrações são todas resultantes de afetos. De situações, lugares e pessoas que me afetam. O enredo abaixo reflete uma afetação em grau máximo! Apreciem sem moderação...
Local:
Maceió - AL, Brasil
9 August 2011
Lá no sudeste...
Viajei tanto, e por tantas horas, que na tentativa de voltar à minha rotina em Maceió, preciso descarregar a memória. Na bagagem, felizmente, tenho histórias engraçadas, românticas, hilárias, inesquecíveis, do que vivenciei nesse último roteiro feito.
Tudo começou no carnaval.
6 January 2011
Verde, que te quero verde
O blog está mais verde que nunca! Como a Jujuba Verde, um apelido antigo que amo de paixão.
No último dia do ano, vesti verde. Foi eleita a cor espiritualmente mais adequada para projeção dos meus novos dias.
Essa cor me lembra planta, cheiro de mato, fruta em crescimento, jardim do éden, caules, flores. Me remete à renovação.
Nem leio revistas de cromoterapia mas, no senso comum, já se sabe que amarelo é energia, azul,calmaria, vermelho, paixão, e verde, esperança. Por isso é tão reconfortante descobrir um grilo verde, em nosso canto.
Dessas definições, amaria ter um arco-iris inteiro pra me proteger dos maus tempos. Ou dos maus pensamentos. Ou dos maus ventos. As superstições, temática interessante; de algum modo, respeitá-las é como se pudéssemos controlar o futuro. Claro que se fosse assim, não teríamos angústias, ansiedades, doenças, depressões, medos, tristezas, mortes, misérias, dores...isso tudo nem existiria, quiçá se propagaria como peste, pelo mundo.
Acordei mais cedo e assisti Segredos do Coração. O filme fala de amor, de reencontro, de desencontro, de falha de comunicação, de felicidade, e portanto, de esperança, também.
E foi assim, que o verde chegou no blog. Igual a Jujuba Verde que sou, presente de amiga querida, que me lembra uma valquíria, planta linda que me lembra romance.
No último dia do ano, vesti verde. Foi eleita a cor espiritualmente mais adequada para projeção dos meus novos dias.
Essa cor me lembra planta, cheiro de mato, fruta em crescimento, jardim do éden, caules, flores. Me remete à renovação.
Nem leio revistas de cromoterapia mas, no senso comum, já se sabe que amarelo é energia, azul,calmaria, vermelho, paixão, e verde, esperança. Por isso é tão reconfortante descobrir um grilo verde, em nosso canto.
Dessas definições, amaria ter um arco-iris inteiro pra me proteger dos maus tempos. Ou dos maus pensamentos. Ou dos maus ventos. As superstições, temática interessante; de algum modo, respeitá-las é como se pudéssemos controlar o futuro. Claro que se fosse assim, não teríamos angústias, ansiedades, doenças, depressões, medos, tristezas, mortes, misérias, dores...isso tudo nem existiria, quiçá se propagaria como peste, pelo mundo.
Acordei mais cedo e assisti Segredos do Coração. O filme fala de amor, de reencontro, de desencontro, de falha de comunicação, de felicidade, e portanto, de esperança, também.
E foi assim, que o verde chegou no blog. Igual a Jujuba Verde que sou, presente de amiga querida, que me lembra uma valquíria, planta linda que me lembra romance.
| Valquíria, um amor de flor |
21 December 2010
A pressão do período
16 December 2010
Pára o mundo, que eu quero descer!
Desço.
Para segui-lo.
Sigo só?
Não.
Mais à frente
o novo caminho
a nova viagem
os bons amigos
o mar
o infinito
o sol
o futuro
2011
2012
2013
2014
...
![]() |
| Presente dos amigos Luis e Patiinha |
7 September 2010
Tudo é velho, mas tão novo...
Eduardo Resende, amigo blogueiro, preciso começar esse post com uma fala sua, quando me escreveu "a viajante, que em tempos de feriadão, deve estar viajando... simples assim!".
Muito obrigada por me inspirar, via pedido indireto de uma nova postagem. Assim me sinto, quando coloco o pé na estrada e retorno: com a deliciosa obrigação de narrar mais uma aventura. É o banho especial da semana, em meu filho!
E longe de mim querer ser redundante, mas Foi assim: estava aqui, quietinha, desanimadinha, com a rotina me engolindo, uma tpm absurda, querendo explodir, de tanta vontade de sumir do frio de 9 graus da minha nova morada... uma colega me disse "Vamos Ju!" e não deu outra. Eu fui. Simples assim, Eduardo!
Só precisei desse empurrãzinho mínimo, pra me lançar no asfalto e retornar à Salvador. Na poltrona 12, óbvio, vivenciei dez horas de estrada, ouvindo a 'seleção' musical do motorista, mesclando Kenny G (que antes disso me lembrava o ambiente de todas as churrascarias), Celine Dion (que não me lembrava nada), além dos sertanejos de todos os tempos (que me lembram meus sobrinhos e quase todos os moradores de Vitória da Conquista) e claro, o famoso que não consigo lembrar o nome, mas que lembro que só namora loiras, e que repete sem parar em seu "novo"projeto de dvd "fica dentro do meu peito, sempre uma saudade...".
Depois do (muito) que ouvi, cheguei a conclusão que talvez os motoristas não tenham censura ou problemas de audição. Escutam de tudo, sempre no volume 100... será que o tempo passa mais rápido pra eles, ao trocarem um estilo para outro? Vai saber...
Especulações à parte, busquei o sol e encontrei o calor. Então, só me ocorreu alegria: praia, amigos, acarajé(!), o cheiro da maresia que tanto sinto falta, baladinha de sempre, o abraço apertado em Prito, o carinho e a diversão da Véa Loura, o deleite de uma missa dominical na Vitória, um tricô vital com amiga barriguda (ela vai ter um baby), outros encontros, reencontros, ida ao cinema, novas amizades, programações de novas viagens, novas despedidas, fechar malas, voltar pra casa de carro, em ótimas companhias, almoçar num hotel fazenda ao som de uma cachoeira (de verdade) e aqui chegar, renovada, querendo viver mais, sempre mais...
---------
A imagem esquisitinha aí sou eu, quer dizer, parte (montada) de mim: a minha mão que tenta tocar o mar (na praia de Vilas).
Muito obrigada por me inspirar, via pedido indireto de uma nova postagem. Assim me sinto, quando coloco o pé na estrada e retorno: com a deliciosa obrigação de narrar mais uma aventura. É o banho especial da semana, em meu filho!
E longe de mim querer ser redundante, mas Foi assim: estava aqui, quietinha, desanimadinha, com a rotina me engolindo, uma tpm absurda, querendo explodir, de tanta vontade de sumir do frio de 9 graus da minha nova morada... uma colega me disse "Vamos Ju!" e não deu outra. Eu fui. Simples assim, Eduardo!
Só precisei desse empurrãzinho mínimo, pra me lançar no asfalto e retornar à Salvador. Na poltrona 12, óbvio, vivenciei dez horas de estrada, ouvindo a 'seleção' musical do motorista, mesclando Kenny G (que antes disso me lembrava o ambiente de todas as churrascarias), Celine Dion (que não me lembrava nada), além dos sertanejos de todos os tempos (que me lembram meus sobrinhos e quase todos os moradores de Vitória da Conquista) e claro, o famoso que não consigo lembrar o nome, mas que lembro que só namora loiras, e que repete sem parar em seu "novo"projeto de dvd "fica dentro do meu peito, sempre uma saudade...".
Depois do (muito) que ouvi, cheguei a conclusão que talvez os motoristas não tenham censura ou problemas de audição. Escutam de tudo, sempre no volume 100... será que o tempo passa mais rápido pra eles, ao trocarem um estilo para outro? Vai saber...
Especulações à parte, busquei o sol e encontrei o calor. Então, só me ocorreu alegria: praia, amigos, acarajé(!), o cheiro da maresia que tanto sinto falta, baladinha de sempre, o abraço apertado em Prito, o carinho e a diversão da Véa Loura, o deleite de uma missa dominical na Vitória, um tricô vital com amiga barriguda (ela vai ter um baby), outros encontros, reencontros, ida ao cinema, novas amizades, programações de novas viagens, novas despedidas, fechar malas, voltar pra casa de carro, em ótimas companhias, almoçar num hotel fazenda ao som de uma cachoeira (de verdade) e aqui chegar, renovada, querendo viver mais, sempre mais...
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A imagem esquisitinha aí sou eu, quer dizer, parte (montada) de mim: a minha mão que tenta tocar o mar (na praia de Vilas).
20 July 2010
Isca do amor
Imagem: bonitinha e disponível na net
Sempre achei que amor a gente procurava, corria atrás, pescava. Mas descobri, a tempo, que amor a gente encontra, alimenta, sustenta, estimula, valoriza, busca ser parceiro, busca estar perto, dar colo, rir ou chorar pelos tropeços da vida.
Dizem que, como amiga, faço mais rir que chorar. E é bom ser espirituosa e saber confortar com minhas bobagens! Gosto de ser assim: útil, apenas por ser engraçadinha.
E como eu gostaria de me teletransportar hoje, para conseguir dar um abraço apertado em cada um dos meus amigos.
7 April 2010
Mais do mesmo
Ok, amigos. Ok, SER HUMANO. Estarei em Salvador, no dia 09, para também comemorar 'o' enlance matrimonial do momento. Viajo amanhã à noite. Quero rever todos e viver a cidade, desta vez como visitante....e como será isso? Nem sei.
14 January 2010
Reserva da fantasia a 65km
Ao que tudo indica, pelos sintomas, parece que me tornei viciada em transitar pela linha verde.
Após um refrescante banho de piscina, um almoço muito divertido com os amigos do sul e amiga aniversariante, tomei um banho, me enchi de coragem, escolhi umas roupas, e enfrentei o engarrafamento do final de tarde, rumo à Imbassaí.
Após uma chatice de congestionamento, tudo por conta de mais uma festinha dos triveleiros de plantão, já passavam das 19 horas, quando avistei a entrada de acesso à Praia do Forte.
Chegando ao meu destino, e quase (metida à) besta, adentrei em uma reserva recheada de muito verde, mapeada com uma margem construída com lindos coqueirais, contrastando com o mar, azul e imenso. Alguém me contou de um rio existente por aquelas bandas, mas me deu uma certa 'preguiça' de ir ao seu encontro.
Enquanto conhecia as coloridas casinhas, que custam fortunas, com suas belas suítes, espaços de massagem e churrasqueiras, pensei melhor e conclui tratar-se de uma nova ilha (de milionários ou novos ricos), com direito a idas à praia em vans disponíveis somente para o público seleto, espreguiçadeiras eternamente fincadas nas piscinas redondas, parecidas com aquela global, da casa dos grandes brothers... um salão de jogos, quadras esportivas, uma academia imensa, e vazia (ninguém de regime, querendo perder calorias?), dúzias de jardins, coqueiros, garagens, carrões, bicicletas, e até sinaleiras(!)...
Para ampliar a visão desse mundo, absurdamente sedutor, é preciso contar mais.
Na barraca da praia particular, constam no cardápio os muitos aperitivos caros, afinal nada há de barato por lá, obviamente. Roscas com frutas da época, e no balcão, espanhóis e portugueses, astutos e bonitões, propagandeando esse empreendimento com (só) 196 unidades.
Quanto encantamento a céu aberto, meu Deus...
Não, eu sei que não pertenço a esse universo, embora tenha curtido estar provisoriamente nele. Envolvida fiquei.
De verdade, pareceu-me ainda uma típica série de tv das antigas: a ilha da fantasia. Hoje a chamariam de ilha de 'alguma revista que ama publicar famosas loiras, com frases de efeito' do tipo: feliz e solteira! Ou então: flagra com seu novo affair! Nossa, mundo líquido insustentável!
Ora, por que me lembrei dessas coisas?
Sei que muito em função desses pensamentos, me mantive quieta, atenta às novidades daquele espaço arquitetonicamente planejado e bem cuidado. Fiquei pensando sobre os meus sonhos de consumo, e os dos casais dali, das famílias circulantes, e os dos meus amigos anfitriões. Sonhos outros, que dinheiro nenhum dá cabo deles.
Preciso agradecer ao casal, pelo convite feito, e aceito prontamente, para comigo dividirem seus espaços e somarmos nossas alegrias, em mais um final de semana agradável e gastronômico.
Se tenho como comprovar essa narrativa, com uma memória viva, além dos meus devaneios aqui expostos? Claro. Essa imagem aí abaixo, perfeita, prova que consegui eternizá-la, num único flash, sem necessidade de reedição.
Lembrando dele, na contramão disso tudo, desse espaço paradisíaco, artificialmente planejado para satisfazer a todos os endinheirados e sonhadores, que gostam de vida boa (e mansa), fiquei com essa música na cabeça, martelando o meu juízo:
Após um refrescante banho de piscina, um almoço muito divertido com os amigos do sul e amiga aniversariante, tomei um banho, me enchi de coragem, escolhi umas roupas, e enfrentei o engarrafamento do final de tarde, rumo à Imbassaí.
Fonte: A viajante jan.2010
Sozinha na estrada, curti o sol se pondo pelo meu retrovisor. Fiquei encantada com aquela luz sumindo, aos pouquinhos.Após uma chatice de congestionamento, tudo por conta de mais uma festinha dos triveleiros de plantão, já passavam das 19 horas, quando avistei a entrada de acesso à Praia do Forte.
Chegando ao meu destino, e quase (metida à) besta, adentrei em uma reserva recheada de muito verde, mapeada com uma margem construída com lindos coqueirais, contrastando com o mar, azul e imenso. Alguém me contou de um rio existente por aquelas bandas, mas me deu uma certa 'preguiça' de ir ao seu encontro.
Enquanto conhecia as coloridas casinhas, que custam fortunas, com suas belas suítes, espaços de massagem e churrasqueiras, pensei melhor e conclui tratar-se de uma nova ilha (de milionários ou novos ricos), com direito a idas à praia em vans disponíveis somente para o público seleto, espreguiçadeiras eternamente fincadas nas piscinas redondas, parecidas com aquela global, da casa dos grandes brothers... um salão de jogos, quadras esportivas, uma academia imensa, e vazia (ninguém de regime, querendo perder calorias?), dúzias de jardins, coqueiros, garagens, carrões, bicicletas, e até sinaleiras(!)...
Para ampliar a visão desse mundo, absurdamente sedutor, é preciso contar mais.
Na barraca da praia particular, constam no cardápio os muitos aperitivos caros, afinal nada há de barato por lá, obviamente. Roscas com frutas da época, e no balcão, espanhóis e portugueses, astutos e bonitões, propagandeando esse empreendimento com (só) 196 unidades.
Quanto encantamento a céu aberto, meu Deus...
Não, eu sei que não pertenço a esse universo, embora tenha curtido estar provisoriamente nele. Envolvida fiquei.
De verdade, pareceu-me ainda uma típica série de tv das antigas: a ilha da fantasia. Hoje a chamariam de ilha de 'alguma revista que ama publicar famosas loiras, com frases de efeito' do tipo: feliz e solteira! Ou então: flagra com seu novo affair! Nossa, mundo líquido insustentável!
Ora, por que me lembrei dessas coisas?
Sei que muito em função desses pensamentos, me mantive quieta, atenta às novidades daquele espaço arquitetonicamente planejado e bem cuidado. Fiquei pensando sobre os meus sonhos de consumo, e os dos casais dali, das famílias circulantes, e os dos meus amigos anfitriões. Sonhos outros, que dinheiro nenhum dá cabo deles.
Preciso agradecer ao casal, pelo convite feito, e aceito prontamente, para comigo dividirem seus espaços e somarmos nossas alegrias, em mais um final de semana agradável e gastronômico.
Se tenho como comprovar essa narrativa, com uma memória viva, além dos meus devaneios aqui expostos? Claro. Essa imagem aí abaixo, perfeita, prova que consegui eternizá-la, num único flash, sem necessidade de reedição.
Fonte: A viajante jan.2010
Será que Tim Maia teve, em sua passagem pela vida terrena, uma experiência parecida com a minha?! Pode ser que sim. Lembrando dele, na contramão disso tudo, desse espaço paradisíaco, artificialmente planejado para satisfazer a todos os endinheirados e sonhadores, que gostam de vida boa (e mansa), fiquei com essa música na cabeça, martelando o meu juízo:
"...de jeito maneira
não quero dinheiro,
quero amor sincero,
isso é o que mais quero,
não penso em dinheiro,
eu só quero amar..."
9 January 2010
No cais
Acordei com uma vontade de estar longe, longe desse porto, que nem seguro é. Salvador se tornou pequena, tosca, repetitiva, sem emoção.
O festival de verão é tão comum. O carnaval, seus trocentos camarotes e blocos, tudo tão igual. O que me importa quanto mede a cintura da rainha do axé? O que me adianta saber sobre sua nova rotina pós parto? O que me interessa a vida dos outros?
Eu quero só saber de mim. E queria viver novas coisas. Ser surpreendida. Estar encantanda. Morar num espaço (ainda) mais plural.
Não culpo a cidade. Muito menos Lula, Obama ou Deus. Não culpo absolutamente nada. O defeito reside numa tecla interna, a de querer sempre mais, de 'um não contentar-se de contente' (como musicou Renato Russo). Isso pode ser descrito com outro nome: solidão.
Me sinto só. Só isso. Tudo isso. E aqui, nessa cidade que sobe e que desce ao som da maré, me vejo cada vez mais só. Nesse lugar programado para carnavalizar tudo. Isso me cansa. Me exaure.
Desejos imediatos? Praia com amigos. E que nenhuma melancolia se aproxime de mim, em dias tão azuis.
Acho que preciso de um cachorro. E de viagens, óbvio.
4 January 2010
Ida pra lua
Começar o ano já alcançando metas é quase como ser vidente. Não é de hoje que me sinto uma perfeita visionária: que vê as coisas, que (pres)sente o que está por acontecer e tem até saudade do que está por vir, do que ainda nem se viveu.
Isso é recorrente em minha vida, em meus dias. Os meus amigos ficam impressionados. Me pedem para falar dos números da megasena, ou para prever o futuro. Não faço isso porque minha intuição não é mercadológica. Não ganho a vida com isso. Sou somente uma mulher com o sexto sentido aguçado.
Quem me dera poder facilitar tudo: resolver os problemas amorosos, financeiros e até de saúde. Se assim fosse, Rodrigo Santoro estaria em minha sala, rindo das minhas bobagens e me olhando nos olhos. Quem dera.
Brincadeiras à parte, de verdade eu sempre atribuí um significado diferente do normal, diria até excepcional, ao que vivencio. Como se eu fosse uma pessoa privilegiada, especial mesmo. Será que isso é viagem demais? Quem me mandou escolher ser uma viajante? Só poderia dar nisso.
É, posso ser apenas uma oportunista. Não em seu sentido perjorativo, e feio. Pelo contrário, daquele tipo de pessoa que quer viver as oportunidades em sua exaustão. E que bom que tenho consciência dessa minha facilidade em intuir e me lançar, oportunadamente, em tudo que me é apresentado.
Essa introdução meio filosófica, e diriam os adolescentes (ou emos), um tanto sinistra, é para narrar os dias de sol, de mar e de lua cheia, lá, no pedaço de paraíso terrestre, a 55km de Salvador.
Engraçado apresentar a praia do forte assim. Outro dia escrevi criticando a vila de PF, e todo seu cenário mágico que existe no ar, por lá.
Claro que não mudei de ideia. Mas possuo pontos de vista diversos sobre as coisas que gosto. De um lado as vejo em todos os seus aspectos positivos, de outro tão somente a (dura) realidade.
E foi assim: dia primeiro, pós impasse e divertida noite da virada, arrumei minha bagagem, coloquei no som do carro um pen drive com (boas) músicas selecionadas pelas sobrinhas, e segui sozinha para PF, confortável e já feliz por ter iniciado o ano com uma viagem curta, mas muito oportuna.
Uma hora e meia depois, cheguei lá e fui recepcionada pela anfitriã, mãe da futura Valentina e por seu par, uma pessoa maravilhosa, que de tão querido, sinto verdadeiramente o quanto ele é a alminha de minha grande amiga.
Fora essa avaliação criteriosa, curti (demais) toda a galerinha conhecida de sempre, e fiz o que mais gosto de fazer nas férias: joguei baralho com minha doctor, fiquei horas ao sol, fui à praia, e contemplei ele se pondo, longe, lá no horizonte, me deliciei com o churrasco de Nuno, com os trocentos mojitos (uma espécie de caipirinha com folhas de hortelã), brinquei com as crianças, fotografei muito os surfistas iniciantes (na câmera de Mai), e em meio às tantas caminhadas, pausa para saborear mais espumante à noite.
Na pracinha da vila, um show maravilhoso aconteceu, do velho e colorido Márcio Mello. Gritei com ele: "se você não me quer mais, por favor, me deixe em paz!!!!". Foi quase uma catarse.
Fiquei com uma vontade de reunir todos, amigos e familiares, para um novo itinerário: uma viagem (só de ida) pra lua, ou para qualquer outro lugar aéreo, flutuante, leve, que fosse suficientemente adequado para nos distanciar desse mundo sombrio, com tragédias absurdas envolvendo tantas perdas humanas.
Isso é recorrente em minha vida, em meus dias. Os meus amigos ficam impressionados. Me pedem para falar dos números da megasena, ou para prever o futuro. Não faço isso porque minha intuição não é mercadológica. Não ganho a vida com isso. Sou somente uma mulher com o sexto sentido aguçado.
Quem me dera poder facilitar tudo: resolver os problemas amorosos, financeiros e até de saúde. Se assim fosse, Rodrigo Santoro estaria em minha sala, rindo das minhas bobagens e me olhando nos olhos. Quem dera.
Brincadeiras à parte, de verdade eu sempre atribuí um significado diferente do normal, diria até excepcional, ao que vivencio. Como se eu fosse uma pessoa privilegiada, especial mesmo. Será que isso é viagem demais? Quem me mandou escolher ser uma viajante? Só poderia dar nisso.
É, posso ser apenas uma oportunista. Não em seu sentido perjorativo, e feio. Pelo contrário, daquele tipo de pessoa que quer viver as oportunidades em sua exaustão. E que bom que tenho consciência dessa minha facilidade em intuir e me lançar, oportunadamente, em tudo que me é apresentado.
Essa introdução meio filosófica, e diriam os adolescentes (ou emos), um tanto sinistra, é para narrar os dias de sol, de mar e de lua cheia, lá, no pedaço de paraíso terrestre, a 55km de Salvador.
Engraçado apresentar a praia do forte assim. Outro dia escrevi criticando a vila de PF, e todo seu cenário mágico que existe no ar, por lá.
Claro que não mudei de ideia. Mas possuo pontos de vista diversos sobre as coisas que gosto. De um lado as vejo em todos os seus aspectos positivos, de outro tão somente a (dura) realidade.
E foi assim: dia primeiro, pós impasse e divertida noite da virada, arrumei minha bagagem, coloquei no som do carro um pen drive com (boas) músicas selecionadas pelas sobrinhas, e segui sozinha para PF, confortável e já feliz por ter iniciado o ano com uma viagem curta, mas muito oportuna.
Uma hora e meia depois, cheguei lá e fui recepcionada pela anfitriã, mãe da futura Valentina e por seu par, uma pessoa maravilhosa, que de tão querido, sinto verdadeiramente o quanto ele é a alminha de minha grande amiga.
Confesso. Sou quase uma guardiã das amigas casadas, afinal os escolhidos sempre precisam passar pelo meu crivo.
Também conheci umas criaturas muito interessantes por lá: dois paulos, pai e filho, um sergipano (ou baiano?) muito legal, que por morar na França, logo o apelidamos de 'ui petit petit', uma maneca idêntica à Barbie, que me fez as sombrancelhas, e Amandinha, sua amiga tranquilinha. Juntos, rimos muito.
Retornei para soterópolis com a certeza de que amizades, velhas ou novas, são imprescindíveis para mantermos nossa paixão pela vida. E que pena que a mídia nos revela atrocidades.
Fiquei com uma vontade de reunir todos, amigos e familiares, para um novo itinerário: uma viagem (só de ida) pra lua, ou para qualquer outro lugar aéreo, flutuante, leve, que fosse suficientemente adequado para nos distanciar desse mundo sombrio, com tragédias absurdas envolvendo tantas perdas humanas. Diria Gil, "vamos fugir, pro outro lugar, baby...".
Decidido. Em minhas férias, juro que assistirei menos televisão. Quem sabe assim as coisas ruins não páram de acontecer?
18 December 2009
Confrarias, mimos e desejos
Isso mesmo. Essa é a minha definição para o período natalino, que antecede o ano novo. Pra mim natal é melancolia, tempo de paz, de perdoar, de planejar o futuro, esquecer dissabores, de querer resgatar laços, de abraçar quem amamos, quem admiramos ou quem gostaríamos de nos aproximar mais.
Nas festas de trabalho há lugar para (quase) tudo isso, sobretudo, o prazer das poucas horas da convivência sem regras, sem relatórios para enviar, sem reuniões enfadonhas, sem cobranças (in)devidas.
Ontem, estava eu em Feira City, almoçando ,no restaurante universitário, quando aconteceu, em tempo real, um amigo secreto 100% virtual, desde o sorteio e descoberta do que 'ela' queria ganhar, até o momento de revelar quem seria a minha amiga secreta (por telefone, no viva voz, revelei dados sobre a noiva Déa...viva a tecnologia!).
E após essa primeira confraria, caí na estrada de volta à Salvador, para comemorar outra: a festa 2010 de alma lavada, no estacionamento do meu local de trabalho.
Cenário: banho de pipoca na entrada, puffs espalhados, iluminação nas árvores (lindo isso), palco para atrações de peso (Escola Olodum, saudade, de novo, dos tempos da ong), comidinhas nos quatro cantos, bebida à vontade, gente, gente, gente...
Esqueci de incluir neste dia quase interminável que, antes dessa festança, também enfrentei uma banca de três avaliadores na prova didática daquele concurso (do meu sonho mais real). Não sei como resisti a tanta pressão.
Na estrada, fiz o percurso mental das últimas horas, da aflição de ser avaliada por quem não me conhece, e que, portanto, não sabe do meu alto grau de compromisso com o que faço, pesquiso e gostaria de realizar mais.
Realmente, levar a sério uma carreira, é privilégio (e compromisso) de poucos. Muitos sequer pensam em sua trajetória profissional, muitos nem a planejam, simplesmente dançam conforme a música, e se essa parar de tocar, muda-se o disco (ops, cd, mp3, mp4..) e curte outras tantas, sem a dor da perda ou a frustração de não seguir com o que conscientemente gostaria de realizar, em termos profissionais.
E tenho usado o recurso da água que brota da minha alma e molha os meus olhos, com muita constância. O choro vem numa força, que não resisto e deixo jorrar, sem me preocupar muito se a maquiagem vai borrar ou se vou evidenciar (parte) da minha fragilidade, como pessoa que sente, se desespera e demora para se acostumar com as perdas.
Nem sei se vou perder algo ou o que perdi...estou sensível, só isso. Melancolia natalina, espero. Sei que já tenho trilha sonora pronta, que não me abandona nessas horas. Me alimento de amor romântico, através delas. Renato Russo, apesar de já ter partido pro céu, bem sabia disso e me deixou uma reserva grande, para meu encantamento.
E que bom que ganhei um livro sobre essa personalidade que tanto admiro, com citações de coisas que ele pensava. Um verdadeiro presente de Cris Rodarte, que me tirou no sorteio virtual, e é uma colega, muito cúmplice, de diálogos sobre nossas dúvidas, escolhas, vida, filhos, amor. E ela vai pra longe...mais uma que se distancia de Salvador. Mineirinha querida.
Então, tudo o que preciso focar nesse momento, no qual a estrada tem sido a minha casa, é que a minha vida precisa de um porto (seguro). Quero ouvir de alguém especial, coisas assim, como "ele" já musicou:
Nas festas de trabalho há lugar para (quase) tudo isso, sobretudo, o prazer das poucas horas da convivência sem regras, sem relatórios para enviar, sem reuniões enfadonhas, sem cobranças (in)devidas.
Ontem, estava eu em Feira City, almoçando ,no restaurante universitário, quando aconteceu, em tempo real, um amigo secreto 100% virtual, desde o sorteio e descoberta do que 'ela' queria ganhar, até o momento de revelar quem seria a minha amiga secreta (por telefone, no viva voz, revelei dados sobre a noiva Déa...viva a tecnologia!). E após essa primeira confraria, caí na estrada de volta à Salvador, para comemorar outra: a festa 2010 de alma lavada, no estacionamento do meu local de trabalho.
Cenário: banho de pipoca na entrada, puffs espalhados, iluminação nas árvores (lindo isso), palco para atrações de peso (Escola Olodum, saudade, de novo, dos tempos da ong), comidinhas nos quatro cantos, bebida à vontade, gente, gente, gente...
Diante da cena que observava, só pensava se tratar da cultura: aqui tem pão e aqui tem circo. Mas depois recuei, esqueci desse evento histórico, e me embalei no samba, me diverti com as falas dos colegas, abracei, filmei e fui filmada, e torci para ganhar uma bicicleta no sorteio, este conduzido por Otávio, diversão gararantida, presença marcante nos eventos institucionais.
Esqueci de incluir neste dia quase interminável que, antes dessa festança, também enfrentei uma banca de três avaliadores na prova didática daquele concurso (do meu sonho mais real). Não sei como resisti a tanta pressão.
Na estrada, fiz o percurso mental das últimas horas, da aflição de ser avaliada por quem não me conhece, e que, portanto, não sabe do meu alto grau de compromisso com o que faço, pesquiso e gostaria de realizar mais.
Realmente, levar a sério uma carreira, é privilégio (e compromisso) de poucos. Muitos sequer pensam em sua trajetória profissional, muitos nem a planejam, simplesmente dançam conforme a música, e se essa parar de tocar, muda-se o disco (ops, cd, mp3, mp4..) e curte outras tantas, sem a dor da perda ou a frustração de não seguir com o que conscientemente gostaria de realizar, em termos profissionais.
E tenho usado o recurso da água que brota da minha alma e molha os meus olhos, com muita constância. O choro vem numa força, que não resisto e deixo jorrar, sem me preocupar muito se a maquiagem vai borrar ou se vou evidenciar (parte) da minha fragilidade, como pessoa que sente, se desespera e demora para se acostumar com as perdas.
Nem sei se vou perder algo ou o que perdi...estou sensível, só isso. Melancolia natalina, espero. Sei que já tenho trilha sonora pronta, que não me abandona nessas horas. Me alimento de amor romântico, através delas. Renato Russo, apesar de já ter partido pro céu, bem sabia disso e me deixou uma reserva grande, para meu encantamento.
E que bom que ganhei um livro sobre essa personalidade que tanto admiro, com citações de coisas que ele pensava. Um verdadeiro presente de Cris Rodarte, que me tirou no sorteio virtual, e é uma colega, muito cúmplice, de diálogos sobre nossas dúvidas, escolhas, vida, filhos, amor. E ela vai pra longe...mais uma que se distancia de Salvador. Mineirinha querida.
Então, tudo o que preciso focar nesse momento, no qual a estrada tem sido a minha casa, é que a minha vida precisa de um porto (seguro). Quero ouvir de alguém especial, coisas assim, como "ele" já musicou:
"...vem cá meu bem, que é bom lhe ver, o mundo anda tão complicado que hoje eu quero fazer, tudo com (por) você..."
Ou então:
" ...dorme agora, é só o vento lá fora..."
6 December 2009
Vila da fantasia
Enfim, um sábado à noite atípico.Quase 21h e estávamos em plena linha verde, bem verde com enfeites natalinos iluminados, nos dando a impressão que, aquela lua imensa que alta estava no céu, como poetizou Fernando Pessoa, já era parte do mundo (quase) irreal que se resumia mais na frente, já que estávamos em direção à praia do forte.
Das muitas passagens por PF, como a chamo na intimidade, essa foi a que mais me fez recordar das idas anteriores. Me lembrei, especialmente, das três últimas vezes que me deliciei com aquela vila que de tão mágica, creio que é a que mais reflete o lugar predileto para se viver um grande amor, em meus sonhos mais românticos.
Minhas irmãs e eu, costumamos chamar uma realidade muito perfeita de ilha da fantasia. Explico. Sabe propaganda de condomínio novo: casal, filhos, casa de veraneio, piscina azul, carro grande na garagem, um jardim florido e ao fundo, um cachorro latindo? Esse é o nosso conceito de uma ilha da fantasia, como o são os fakes na internet.
No mundo virtual todos são infinitamente belos, realizados e felizes. Não há lugar para tristeza, dor, decepção, frustração com absolutamente nada. Bauman nos ensina que no mundo líquido, as relações são assim também. Se não deseja mais manter um vínculo, apaga-se o número da criatura do celular, ou qualquer outro vestígio digital, e, num passe de mágica, a pessoa desaparece(rá) e com ela vão-se dedos, anéis, sentimentos, histórias. Tudo some.
Quando uma imagem é muito fantasiosa, sequer imaginamos o oposto, até porque, não nos interessa (muito) o que há por trás das maquiagens dos casais e seus lares, aparentemente de famílias perfeitas. Isso a mídia procura, investiga, e demasiadamente nos apresenta. E essa abusiva invasão também é repudiante, como a falsidade do que é aparente, mas que não é real.
Mas o que o mundo contemporâneo, as relações genuinamente maquiadas tem a ver com PF? Ah, eu creio que tem muito disso por lá. Os casais passeiam enfileirados, charmosos, com suas roupas de grife, perfumes caros, e de mãos dadas, nos indica que ali, tudo é lua de mel. Aliás, o nome dessa vila, deveria ser Vila de Mel, tamanha é a docilidade espalhada pelo ar, pelas velas acesas à noite, músicas românticas nos restaurantes italianos, e nas taças trincadas.
Hoje me sinto meio Fernanda Young, com sua costumeira acidez. Não sou ácida, mas estou somente impressionada com esse mundo falso, vazio do qual faço parte, e tenho certeza, também estimulo a crescer. Queria viver em outro lugar. Talvez seja isso.
Esse era pra ser um relato divertido, alegre e cheio de dicas legais do que se fazer lá. Minha amiga Nêssa me arrastou, fomos, nos divertimos, escutamos Carlinhos Brown, por somente duas músicas no Festival de Jazz que rolou, e rimos muito das nossas aventuras e desventuras (Patiinha presente).
Com ela me pus a relembrar de coisas que não há tecla delete que eu consiga apagar da memória, muito menos do coração. Porque acreditei a vida inteira que encontraria um príncipe, que eu teria uma alma igualzinha a minha e com isso, busquei os sinais 'dele', me apaixonei de verdade, vivi muita coisa verdadeira, mas que no final, se transformaram em bolhas de sabão. Sumiram, infelizmente. Fantasias, então?
Das muitas passagens por PF, como a chamo na intimidade, essa foi a que mais me fez recordar das idas anteriores. Me lembrei, especialmente, das três últimas vezes que me deliciei com aquela vila que de tão mágica, creio que é a que mais reflete o lugar predileto para se viver um grande amor, em meus sonhos mais românticos.
Minhas irmãs e eu, costumamos chamar uma realidade muito perfeita de ilha da fantasia. Explico. Sabe propaganda de condomínio novo: casal, filhos, casa de veraneio, piscina azul, carro grande na garagem, um jardim florido e ao fundo, um cachorro latindo? Esse é o nosso conceito de uma ilha da fantasia, como o são os fakes na internet.
No mundo virtual todos são infinitamente belos, realizados e felizes. Não há lugar para tristeza, dor, decepção, frustração com absolutamente nada. Bauman nos ensina que no mundo líquido, as relações são assim também. Se não deseja mais manter um vínculo, apaga-se o número da criatura do celular, ou qualquer outro vestígio digital, e, num passe de mágica, a pessoa desaparece(rá) e com ela vão-se dedos, anéis, sentimentos, histórias. Tudo some.
Quando uma imagem é muito fantasiosa, sequer imaginamos o oposto, até porque, não nos interessa (muito) o que há por trás das maquiagens dos casais e seus lares, aparentemente de famílias perfeitas. Isso a mídia procura, investiga, e demasiadamente nos apresenta. E essa abusiva invasão também é repudiante, como a falsidade do que é aparente, mas que não é real.
Mas o que o mundo contemporâneo, as relações genuinamente maquiadas tem a ver com PF? Ah, eu creio que tem muito disso por lá. Os casais passeiam enfileirados, charmosos, com suas roupas de grife, perfumes caros, e de mãos dadas, nos indica que ali, tudo é lua de mel. Aliás, o nome dessa vila, deveria ser Vila de Mel, tamanha é a docilidade espalhada pelo ar, pelas velas acesas à noite, músicas românticas nos restaurantes italianos, e nas taças trincadas.
Hoje me sinto meio Fernanda Young, com sua costumeira acidez. Não sou ácida, mas estou somente impressionada com esse mundo falso, vazio do qual faço parte, e tenho certeza, também estimulo a crescer. Queria viver em outro lugar. Talvez seja isso.
Esse era pra ser um relato divertido, alegre e cheio de dicas legais do que se fazer lá. Minha amiga Nêssa me arrastou, fomos, nos divertimos, escutamos Carlinhos Brown, por somente duas músicas no Festival de Jazz que rolou, e rimos muito das nossas aventuras e desventuras (Patiinha presente).
Com ela me pus a relembrar de coisas que não há tecla delete que eu consiga apagar da memória, muito menos do coração. Porque acreditei a vida inteira que encontraria um príncipe, que eu teria uma alma igualzinha a minha e com isso, busquei os sinais 'dele', me apaixonei de verdade, vivi muita coisa verdadeira, mas que no final, se transformaram em bolhas de sabão. Sumiram, infelizmente. Fantasias, então?
6 November 2009
No imaginário de amiga
O ser humano se lembrou de mim... um postal bem a minha cara:
Amei o presente!
E realmente preciso aprender inglês.. Nova York vem aí...
20 October 2009
Mar no vilarejo
Outro dia li num blog, de um amigo virtual, que a escrita é a (nossa) possibilidade de falar sem ser interrompido. Achei isso maravilhoso. Toda vez que me entrego ao ato de escrever, o faço com prazer, e, abandonada ao meu deleite, em meu canto, teclo, teclo, penso, teclo de novo, e vou tecendo novas tramas, nesse universo mágico que une palavras e forma novas texturas.
E especialmente hoje, em homenagem ao aniversário de minha amiga espirituosa como a Mafalda, para mim, simplesmente Maga, que encurtei de Magalhães, seu sobrenome pomposo, igual ao daquela família que domina todo o estado da Bahia, resolvi escrever minhas impressões sobre Mucuri, pedaço e fim do estado baiano que, enfim, é totalmente de domínio dela, desde que partiu da Soterópolis, em abril de 2008.
A cidade fica a 912 km de Salvador, que contabilizando em horas, dá uma média de quase trezes horas de viagem de ônibus. Eu, como estou muito (bem) acostumada com distâncias tão 'razoáveis', no final das minhas férias, em janeiro de 2009, me aventurei estrada abaixo rumo à Mucuri, mas antes, e mais precisamente, cheguei primeiro no 'Texas', apelido charmoso para Teixeira de Freitas, tida como a capital para os mucurienses, devido ao seu amplo comércio e terminal rodoviário que oferece destinos diversos, mais ainda para as cidades do estado do Espírito Santo, já que Mucuri é tida como a última cidade da Bahia, e bem próxima aos capixabas.
Ou seja, antes de chegar na Vila, tem que se chegar ao Texas e enfrentar mais uns 45 minutos de estrada, toda ela arborizada, reflorestada e adaptada ao estilo 'suzaniano' de crescer.
Vivo me perguntando se escrevo para chorar mais ou para me fazer recordar de cheiros e lugares recheados de afetos e pessoas tão queridas, mas tão distantes fisicamente de mim. Acre, Vitória da Conquista, Rio, Mucuri. Em cada canto, uma saudade diferente, entre melancolias e alegrias, preciso revelar que me sinto melhor perto de todos eles...queria poder reunir todos num só lugar, noutro país, quem sabe?
Isso, seria muito divertido: poder ficar mais próxima de quem me faz bem, para curtir mais e mais emoções novas e prazeres simples, como jogar conversa fora, rir de histórias antigas, repetitivas, que já nem tem mais tão graça, mas que são boas de serem narradas de novo.

Conhecer as outras vilas, sabores das moquecas dos restaurantes charmosos e coloridos, comer bolo quente com café, assistir novelas, contemplar o céu com estrelas, jogada na rede ou no sofá, o nascer da lua, o pôr do sol, ou simplesmente ouvir os grilos cortarem o silêncio da noite. E ainda assim, restar mais prosa boa para a manhã seguinte.
Tudo isso foi vivido em Mucuri, e ficou marcado em mim. Maga, querida. A cidade é cheia de graça, e rende muitas histórias, para sua vida inteira. E se rendeu, creio que desde o primeiro dia que lá chegou, aos seus encantos, talento e poesia. E eu volto aí, para caminhar ao entardecer, curtir a noite dos amigos, às quartas-feiras, e quem sabe, conviver mais com as pessoas das casas A, B ou C.
Então, de presente, para minha amiga aniversariante e para Mucuri, escolhi Vilarejo, canção de Marisa Monte, e letra de Carlinhos Brown, que devem ter se inspirado nessa terrinha.

E especialmente hoje, em homenagem ao aniversário de minha amiga espirituosa como a Mafalda, para mim, simplesmente Maga, que encurtei de Magalhães, seu sobrenome pomposo, igual ao daquela família que domina todo o estado da Bahia, resolvi escrever minhas impressões sobre Mucuri, pedaço e fim do estado baiano que, enfim, é totalmente de domínio dela, desde que partiu da Soterópolis, em abril de 2008.
Ou seja, antes de chegar na Vila, tem que se chegar ao Texas e enfrentar mais uns 45 minutos de estrada, toda ela arborizada, reflorestada e adaptada ao estilo 'suzaniano' de crescer.Dados geográficos postos, preciso falar sobre o que Mucuri me revelou e me marcou. Pra começar, o óbvio. Não teria chegado até lá, se não tivesse minha Mana do coração fincado seus pés e sonhos profissionais nessa terra, que tem mar como quintal de um lado, muito verde de todos os outros, uma areia branquinha e um gostinho de veraneio, permanentemente.
Confesso que queria ter achado a cidade uma lástima, para quem sabe, ajudar a remover a ideia de Maga, de ficar por lá. Mas, que nada. Amei o ar mucuriense, os moradores, a vila tão pequena e tão repleta de vida. Amei passear com Ateninha, minha afilhada, e com minha doce Ró, mãe que me adotou desde que entendeu que eu sou apaixonada por toda a sua família.Vivo me perguntando se escrevo para chorar mais ou para me fazer recordar de cheiros e lugares recheados de afetos e pessoas tão queridas, mas tão distantes fisicamente de mim. Acre, Vitória da Conquista, Rio, Mucuri. Em cada canto, uma saudade diferente, entre melancolias e alegrias, preciso revelar que me sinto melhor perto de todos eles...queria poder reunir todos num só lugar, noutro país, quem sabe?
Isso, seria muito divertido: poder ficar mais próxima de quem me faz bem, para curtir mais e mais emoções novas e prazeres simples, como jogar conversa fora, rir de histórias antigas, repetitivas, que já nem tem mais tão graça, mas que são boas de serem narradas de novo.

Conhecer as outras vilas, sabores das moquecas dos restaurantes charmosos e coloridos, comer bolo quente com café, assistir novelas, contemplar o céu com estrelas, jogada na rede ou no sofá, o nascer da lua, o pôr do sol, ou simplesmente ouvir os grilos cortarem o silêncio da noite. E ainda assim, restar mais prosa boa para a manhã seguinte.
Tudo isso foi vivido em Mucuri, e ficou marcado em mim. Maga, querida. A cidade é cheia de graça, e rende muitas histórias, para sua vida inteira. E se rendeu, creio que desde o primeiro dia que lá chegou, aos seus encantos, talento e poesia. E eu volto aí, para caminhar ao entardecer, curtir a noite dos amigos, às quartas-feiras, e quem sabe, conviver mais com as pessoas das casas A, B ou C.Então, de presente, para minha amiga aniversariante e para Mucuri, escolhi Vilarejo, canção de Marisa Monte, e letra de Carlinhos Brown, que devem ter se inspirado nessa terrinha.
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
Toda gente cabe lá
(...) Lá o tempo espera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for...
22 August 2009
Minha viagem dos sonhos
Em janeiro de 2008, partimos para a tão esperada dobradinha Argentina-Uruguai: eu, e duas amigas irmãs, muito queridas, numa viagem bem corrida, e intensa. Ainda em Salvador, os problemas comigo, marinheira em primeiríssima viagem internacional, começaram: minha sacola de mão, foi junto com a bagagem, por conta do meu perfume de 100ml; no vôo, uma quase briga com um americano pedante, muito grosseiro. Mas, enfim, deu tudo certo. Conseguimos chegar rumo ao inusitado!
Na quente Buenos Aires visitamos os lugares que todos os turistas visitam: Casa Rosada, museus e igrejas, Puerto Madero (melhor lugar não há), Caminito...
Ousamos conhecer a costa leste do Uruguai. Conhecemos a Casa Pueblo, e chegamos até Punta Del Leste. Foi muito rápido, mas muito legal...conhecemos muitas imagens de Sto. Antônio em tamanhos e esculturas bem distintas. Foram tantos os pedidos, tadinho deles!
Essa viagem foi mesmo um marco para as três viajantes, já que neste ano muitas mudanças aconteceram, dentre elas uma que está a 912 km da soterópolis, eu, de trabalho e, quem diria, tem até quem já está casadíssima!
Entre compras insanas, micos, jantares, tangos, vinhos, argentinos e uruguaios, ficou a sensação de que preciso voltar lá...não me imagino igual, vivendo coisas parecidas...me vejo ousando mais, realizando coisas que ficaram pela metade...ah...
El Tocororo, me aguarde!!!
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