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31 May 2020

todas as vidas negras importam

Importante ressaltar, em pleno 2020, que a pauta da igualdade racial no Brasil é bem recente, embora tenha sido necessária desde a colonização das Américas.
No final da década de 90, com as políticas afirmativas  finalmente desenhadas e gradativamente sendo instituídas em lei, começamos a compreender a necessidade urgente pelo que denominamos um projeto de “reparação” para garantir os objetivos de proteger, valorizar e afirmar as vidas negras, por todos os danos, prejuízos e violências de todas as ordens, pelo não acesso e (portanto) não direito à liberdade, ao voto, à propriedade privada, ao trabalho, à saúde pública e a educação pública de qualidade. 
Mas uma vez pautadas tais políticas, penso que esse é um caminho (felizmente) sem volta. 
Não há lugar para retrocessos. 
Há lugar para o combate à discriminação racial, aos ataques de covardes e desonestos que querem usurpar as cotas nos concursos públicos e nas universidades. 
Há lugar para denúncias que estão cada vez mais presentes entre nós. 
Não por acaso, em plena pandemia, a onda de mobilização e protestos nas ruas e nas redes sociais se intensificaram não somente nos EUA, país que inaugurou as políticas afirmativas e, só por isso, não pode abrir mão da justiça e da defesa intransigente pelo direito a pertencer a territórios e espaços sociais e estimular continuamente a mobilidade social de negros e negras. 
Não é possível aceitarmos retrocessos, não pode ser natural nem permitido o genocídio da população negra, nem que a violência de policiais truculentos vitimem crianças, jovens, homens e mulheres a céu aberto, dentro de suas casas e até de carros, como o caso Marielle.
A pauta do racismo estrutural, do preconceito racial e da importância das políticas de igualdade racial permeiam nossas vidas e só tendem a ser ampliadas. Estão nos jornais do mundo inteiro, nas pesquisas científicas das universidades comprometidas com o fim das desigualdades, está presente nas legislações dos países, na ONU, nas novelas, nos filmes, nas séries, nas mídias e nas vozes vorazes dos milhões de negros e negras e não negros e não negras que compreendem se tratar de um problema social da humanidade, não apenas do movimento negro. 
Pautar a igualdade racial no Brasil e em qualquer lugar no mundo deve ser uma prioridade máxima para plena garantia dos direitos humanos. 
Desumanos como Trump e Bolsonaro, e suas equipes racistas, não passarão!!!

Jusciney Carvalho Santana, 31/05/2020.

4 April 2020

e rolou uma lasanha de abobrinha...

A verdade precisa ser dita, doa a mim, o quanto doer: o meu blog já não é mais o mesmo. 
Comecei tematizando minhas viagens, mas desde que foi criado, em 2009, já tive que justificar a mudança de pauta principal algumas vezes, em decorrência, sobretudo, da minha necessidade de escrever com liberdade, sobre o que me move ou inquieta.
Inquietações, no entanto, nem sempre são inspiradoras de novas crônicas, por exemplo. Nesse momento de isolamento social necessário, ao ficar em casa, para contribuir para contermos a expansão da pandemia, tem me forçado a pensar em demasiado sobre muitas coisas: do sentido da vida a como manter a varanda limpa, sem folhas secas de plantas alheias dos vizinhos menos cuidadosos.
Eis que no meio desse turbilhão de afazeres, sentimentos e pensamentos, muitas vezes sombrios, dada a quantidade de circulação de informações sobre o coronavírus, a necessidade de se alimentar com mais qualidade, tem se tornado o grande desafio pra mim, amante de pães, frituras e fast food. 
Antes da quarentena, e com a rotina de trabalho incorporada, em casa só rolava mesmo café da manhã e algum lanchinho no final da tarde. Almoços e jantares sempre em restaurantes, pizzarias e lanchonetes. Apesar de gostar muito de cozinhar e fazer petiscos, a verdade é que preparar um prato mais elaborado só mesmo para receber afetos. 
Como nos lembra Mia Couto, cozinhar é sempre um jeito de amar o outro. E isolada, a despeito da minha escolha, me vi sem direito a frequentar meus cantinhos de comida prediletos e por isso tive que aderir a ideia de que precisava cozinhar, com afetividade, apenas para mim.
Dessa decisão pra cá, a lua já mudou de formato, já rolou muitas chuvas, muito calor, muitas angústias, muitas séries vistas, muitas lágrimas, muitas tensões e muitas comidinhas também.
Chega de blá-blá-blá... vou narrar como foi que rolou uma lasanha de abobrinha maravilhosa neste sábado de sol e casa, só pra variar.... 
Vou mesclar a receita com algumas dicas, porque assim funciona meu pensamento em ação, quando abro a geladeira, antes de decidir o que vou preparar.

PRIMEIRO -  a opção por um prato único, para quem mora só, deveria ser uma regra. Digo isso porque a quantidade de utensílios que precisamos usar e higienizar depois é muito maior, quando decidimos montar um cardápio com mais de um item. 

SEGUNDO - a escolha do que fazer, deve ser também pensando em quantidades menores, intercalando o que comeu no dia anterior e o que pretende comer no dia seguinte, ou no jantar. Eu, por exemplo, não gosto de repetir seguidamente, então faço sempre porções menores, ou que eu possa conservar para consumir nos próximos três dias.

TERCEIRO - como as saídas estão contingenciadas, melhor evitar desperdícios e escolher o que vai cozinhar, levando-se em conta o que tem sobrando na geladeira, com validade próxima. E #foiassimdoispontos, que rolou essa minha receita de lasanha de abobrinha:

  • 2 colheres de chá de azeite de oliva
  • 1 colher de manteiga
  • 1 cebola média picada
  • 1 dente de alho grande pisado com 1 colher de sal
  • 1 abobrinha grande
  • 1 lata de tomates pelados
  • 1 colher de sopa de açúcar 
  • 1 colher de chá de pimenta do reino
  • 100 gr de queijo de minas (pode ser queijo coalho)
  • 100 gr de queijo mussarela
  • Folhas frescas de manjericão (usar após a lasanha estar pronta, para servir no prato)
O modo de preparar é muito simples. Veja o passo a passo, a seguir:
Antes de preparar o molho, rale os dois queijos em ralador grosso e reserve. Depois disso, lave a abobrinha, seque e depois corte ao meio, e depois em fatias grossas, justamente para servir do tamanho da fatia da lasanha, ao servir no prato. 
Coloque as fatias da abobrinha num escorredor, salpique sal (isso ajuda a eliminar a quantidade de água da abobrinha) e deixe por 15 minutos, em seguida retire o excesso do sal e da água com papel toalha.
Para o molho, junte numa panela pequena, a cebola picada, o azeite e a manteiga. Deixe que frite por 1 a 2 minutos, no máximo, junte o sal e alho pisado, os tomates pelados, o açúcar e a pimenta do reino. Mexa bem para misturar os ingredientes e deixe cozinhar por 5 minutos.
A montagem da lasanha deve começar pelo molho, no refratário, intercalando em cada camada, o molho, abobrinha, molho, queijos, molho de novo e um fio de azeite, para completar o estrago.
Deixe assar por 15 minutos, no máximo, para que a abobrinha fique "al dente" e não amoleça demais. Sirva quente e não esquece das folhinhas de manjericão!


Muito afeto no prato: lasanha de abobrinha pra mim (04.04.2020)


12 November 2019

o 12 da porta do meu quarto

Aos 12 anos eu tinha muito mais imaginação que hoje.
Eu fantasiava que a minha vida seria sempre cercada da família, dos meus irmãos e meus pais.
Eis que a história roubou esse sonho e aos 12 perdi o convívio com meu pai, que partiu sem nem dizer tchau. 
Verdade que eu não quis e nem iria querer uma despedida. Mas essa falta do seu olhar sobre mim me faz questionar qual o sentido para muitas coisas que nos acontecem e nos assombram, aquelas coisas terríveis que machucam, que causam dores, sofrimento, angústia e tristeza nesse mundo às avessas.
Então 12 sempre vai ser isso: uma justa homenagem aos 12 anos que convivemos, meu pai.
E me tornei doutora há 4 anos atrás, no dia 12 de novembro de 2015.
Na minha imaginação bem menor que a de antes, juro que senti você presente, no ar, nos sorrisos, naquele auditório cheio de gente que gosta de mim. O senhor estava ali, para me dar força e me fazer concluir uma etapa tão importante na minha trajetória profissional.
De lá pra cá tudo mudou! De lá pra cá eu já perdi a esperança e a recuperei tantas vezes.
Qual o sentido dessa vida sem você, sem minha mãe e meus manos por perto? Sigo sem resposta.
Só me conforta saber que sigo honrando seu nome e lutando pelo que acredito!
Obrigada por ter ensinado uma menina de 12 anos a seguir de cabeça erguida e continuar a viver, mesmo longe de tanta gente que ama, mesmo sem receber seus abraços e suas broncas. Como fazem falta! Eu acho que preciso de limite. 

❤️

10 August 2019

entre perdas e ganhos: sigo resistindo!

No alto dos meus quarenta e tantos anos penso que já aprendi o que são perdas e o que são ganhos.
Ano passado eu me despedi de um primo querido, de dois tios amadíssimos, de uma amiga-irmã que jamais vou deixar de lamentar a sua ida tão absurda.
Também sofri e sofro pela partida da filha de outra amiga-irmã, como se minha sobrinha fosse. E penso que ainda é. E ainda sinto a saudade de todas essas perdas irreparáveis.
Mas mesmo diante de perdas tão duras e difíceis eu sei reconhecer os meus ganhos. E são muitos!

14 March 2019

a sociedade brasileira e a educação pública

Velórios coletivos são tendência no nosso país.
A cultura da violência está intimamente ligada à concepção de sociedade que vem sendo moldada pelas nossas mazelas, pelas desigualdades sociais e étnico-raciais. 
Também pelo projeto de estado que estimula a competição, o individualismo, a vaidade e o porte de arma da população e, com isso, estimula a banalizar a injustiça social e, de forma direta, desqualificar a escola pública.
Esse modo de conceber a vida em sociedade diminui drasticamente a possibilidade da educação ser a via mais concreta para transformação social. 
Aqui ou acolá, na história da civilização, a educação, deveria continuar ser a área mais priorizada para contribuir para o desenvolvimento humano e pacificar nossas gerações de crianças, jovens e sobretudo dos velhos burros que (infelizmente) estão no poder, e, em tese, teriam essa chance de mudar o rumo das coisas, embora aparentam que não aprenderam foi nada sobre humanidade. 

5 March 2019

antes e depois do glitter

Sabe a diferença do carnaval de rua para o carnaval das elites e das redes sociais? 
O povo aqui não é robotizado, não copia e cola manchetes que sequer checam a veracidade.
O povo com samba, frevo, maracatu, axé ou qualquer ritmo no pé, denuncia as fake news e a onda de corrupção. 
Denuncia o fanatismo político. 
Denuncia a farsa do rombo na previdência.
Denuncia o laranjal do PSL.
Denuncia a impunidade.
Denuncia o racismo.
Denuncia a homofobia.
Denuncia o machismo.
Denuncia o golpe parlamentar que estamos vivendo.
Denuncia a mídia, cúmplice dos mal feitores.
O povo nas ruas grita e exige escuta até de quem não quer ouvir. 
O povo insiste em dizer o que incomoda, sem medo de ser feliz.
Isso é desobediência civil. 
Isso é o que sobrou da nossa frágil democracia.
Isso é o bom combate.
Isso é resistência. 
Isso é #MarielleFranco, mais viva que nunca.
Isso é parte do legado #Lula, mais livre e mais gigante que antes. 
O nome disso é liberdade de expressão. 
É descontentamento.
É também alívio.
E é alegria, porque nos estimula a expulsar a opressão que vivemos, usando nossos corpos e nossas vozes como formas de protestos. Nada de armas nas ruas!
Bom estar presenciando isso porque eu estou e faço parte dessa luta nas ruas neste carnaval!

Parabéns às escolas de samba Mangueira e Paraíso da Tuiuti e aos brasileiros e as brasileiras, de norte a sul desse país, que aproveitaram essa festa POPULAR para exigir o compromisso histórico com a verdade, nua, crua e lindamente fantasiada. ❤️

1 March 2019

que o amor prevaleça

Toda morte nos coloca em alerta sobre quem somos, sobre quem nos tornamos com o passar dos anos... e sobre como precisamos nos acostumar com um fato muito doloroso: a vida é um piscar. Somos impotentes. Isso não muda, embora gostemos de milagres.
A gente se apega a tanta besteira, deixa de dar atenção e valoriza tão pouco as pessoas com quem convivemos! Tudo em função do tempo dedicado ao trabalho e às nossas muitas vaidades. Tudo é matéria? Não. Tudo evapora. Tudo se vai.
Aos 49 já entendi que, diante das minhas escolhas, eu não tive como gerar outra vida. Mas sou aquele tipo de ser humano que sofre pela dor alheia, como se mãe fosse.
É uma dor abstrata, intensa. E como a gente consegue se reinventar, para vida fazer algum sentido ou voltar a ter alguma graça, após a partida de um alguém que muito amamos?
A empatia nasce com a gente? É do ser humano ser solidário? Deveria ser de nascença.
Todo ser humano, a despeito de qualquer condição, deveria sair do seu umbigo e se colocar no lugar do outro. Esse é um exercício que nos humaniza.
Lula tem que ir abraçar o filho. É um tipo de elo, de amor, que nunca deveria ser impedido.
Que o abraço e o silêncio nos libertem das nossas mazelas e dos nossos egoísmos.

16 February 2019

o céu em festa no seu dia

Hoje eu acordei, depois de uma noite com insônia, e lá fui eu conferir os aniversariantes do dia.
Isso faz parte da minha agenda diária: espalhar afeto a quem me afeta. Dar os parabéns a alguém de quem gosto é como reafirmar o compromisso com a lealdade.
Ser leal significa legitimar cumplicidade, estar perto na dor e na alegria. É um vazio imenso não fazer um textão pra minha amiga que hoje completaria 56 anos.
Ela amava me ler! Cobrava mais escritos. Dúzia de vezes dizia que me considerava “uma das escritoras mais sensíveis”.
Saiba que eu amaria escrever pra você me ler hoje, minha irmã de fé. E gostaria de poder te dar um abraço, saudar sua nova primavera, aquariana com ascendente em peixes.
Queria te falar da minha saudade da nossa convivência, de enfrentarmos nossos infernos astrais de mãos dadas, de poder festejar sua data e planejarmos a minha, que está quase na esquina. Mas quis a vida terrena deixar você partir. É um lamento que faço principalmente quando estou muito feliz. E aprendi que devo celebrar chegadas e não partidas. É mais animador. Por isso, agradeço de novo e sempre muito por nossos quase 8 anos de amizade, aprendizados, alegrias e partilhas, creio eu, por sermos tão diferentes.
Espero que esteja descansando, num lugar de  leveza, luz e magia, como você merece. Que esteja dedicada a cuidar dos seus, acompanhando, com aquele seu brilho nos olhos, a sua netinha em suas conquistas e peraltices.
Com amor de quem sempre torceu por sua paz. ❤️

9 February 2019

culpados não existem?

Na nossa vida privada, assim como na vida pública, a morte está sempre a espreita. É bem verdade que é a única certeza: todos iremos morrer, mais cedo ou mais tarde. 

24 October 2018

um textão, + um desabafo

24 de outubro de 2018.

Hoje meu sobrinho-neto completa 3 anos. Eu tive que sair do grupo de whatsapp dele, porque no dia das crianças comentei sobre o perigo desse discurso de ódio e apologia às armas que o irresponsável do candidato à presidência #JairMessiasBolsonaroNUNCA vem fazendo, estimulando armas e ensinando nossas crianças a fazerem o símbolo do gatilho. É uma dor não estar lá no grupo hoje, pra receber fotos dele, e estar com meus parentes queridos que só querem paz, amor e alegria pra ele e, sei que sim, para todas as nossas crianças.
Queria dizer para meus familiares, meus amigos e colegas, que não sou irresponsável, não espalho fake news e não prego ódio a partido nenhum e nem acho que ESTA ELEIÇÃO SEJA uma eleição de partidos políticos em disputa.
Eu não sou filiada ao PT, nas eleições de 2014 fiz campanha virtual de longe, pois nem estava no Brasil.
Mas fiz campanha sim, pois havia a disputa entre dois candidatos, um pelo PT (Dilma Houssef) e outro pelo PSDB (Aecio Neves).
Naquela ocasião, compreendi que havia uma polarização demarcada entre os que estavam bastante incomodados com o PT no poder e os que buscavam mudanças.
O PT venceu mas não conseguiu governar por muito tempo. Houve disputa política e no dia seguinte ao da votação de segundo turno, um pedido de impugnação da chapa Dilma/Temer.
Entre 2015 e 2016 vivenciamos um ano dificílimo em todas as áreas, inclusive na educação. Vivenciamos uma greve nas universidades federais que se arrastou por meses a fio.
Eu fiquei muito indignada com a falta de diálogo do então ministro Renato Janine. Criamos uma hashtag na época #dialogajanine. Fizemos inúmeros movimentos e tentativas de diálogo. Fechamos o MEC, o MPOG ( ministério do planejamento).
Enfim, não conseguimos reverter quase nada dos nossos pleitos, todos legítimos. Mas ainda assim, havia empatia pela democracia. Havia mobilização nas ruas. As greves eram consideradas direitos trabalhistas respeitados. Havia o entendimento na presidência da república, que o ativismo político é legítimo.
Pois bem, após um #golpeparlamentar, novos golpes nasceram. Os diálogos pioraram. Os orçamentos para as instituições federais dimimuíram. Os concursos públicos diminuíram para educação básica. O sucateamento da educação pública também piorou.
O #temer aprovou reforma trabalhista, super danosa, gerando flexibilização o que ampliou o desemprego e a precarização das condições trabalhistas.
O #temer, senadores e deputados aprovaram a emenda constitucional 95, que limitou o teto de gastos na área social por 20 anos (eu disse 20 anos), o que em outras palavras, modifica o compromisso do Estado Brasileiro com as áreas sociais, especialmente educação e saúde, como a nossa constituição de 1988 determina.
O #temer e deputados também aprovaram a reforma do ensino médio, danosa demais, que dentre outros prejuízos, desqualifica as políticas curriculares especialmente das ciências humanas  também estimula a valorização do ensino privado em detrimento do ensino público.
O #temer parou de investir em farmácias populares e no programa #maismédicos.
o #temer propôs a reforma da previdência que felizmente ainda não foi aprovada, mas que também prejudica enormemente a população que depende do Estado.
E chegamos em 2018, com todas essas medidas desastrosas provocadas por alguém que traiu a sua parceira de gestão pública apenas por vaidade, por poder, não pra cuidar do país e desfazer equívocos e diminuir a crise.
Tudo está sendo destruído por um DESGOVERNO que tem como um dos seus mais assíduos votantes o senhor #JairMessiasBolsonaroNUNCA.
Então, depois dessa exposição, eu só queria dizer que compreendo as mágoas com o PT, mas não compreendo a justificativa de votar em um cara que só quer aprofundar as nossas tragédias sociais.
Ele é homofóbico, odeia pretos, índios, gays, lésbicas, militantes, esquerdistas.
Ele é a favor do armamento.
Ele é um fascista confesso. Os vídeos e as falas dele e dos filhos revelam tratar-se de uma família apoiadora do fascismo.
#BolsonaroNUNCA representa a volta da ditadura, daí a minha aposta em #Haddad.
Daniel, meu sobrinho, é também por seu futuro que escrevo tanto, me preocupo tanto. Me importo com você, lindeza. Me importo com todas as crianças. Me importo com meu país. E amo a minha liberdade de escrever pra registrar a minha indignação frente a essa dura e triste realidade.
E sim, depois do dia 28/10, continuarei usando a cor que eu quiser e na defesa dos princípios que defendo no meu país que eu amo: democracia, amor, paz, justiça social e igualdade de direitos.

19 October 2018

mais uma reflexão em tempos eleitoreiros

Fazer propaganda de um sujeito sem nenhuma virtude, é no mínimo contraditório quando se traz à tona a bandeira “de contra a corrupção” e justamente associando isso à Bolsonaro.
Ele, além de corrupto, é desonesto. Esteve no JN anunciando um kitgay que NUNCA foi encomendado nem circulado em escolas.
Ele é desonesto porque sonega impostos.
Ele é desonesto porque faz uso do auxílio-moradia mesmo tendo imóvel próprio. Se fosse honesto, abriria mão desse auxílio, porque é recurso público indo pra alguém que não precisa.
Ele é desonesto porque está fazendo uma campanha sem debate, ferindo a democracia como regime deste Estado chamado Brasil. Se você odeia o PT, e todas as suas propostas, pense em cada criança que está em plena fase de alfabetização. O cara está propondo ensino a distância para crianças!! Isso não te faz pensar quanto  será danoso para todos os brasileiros que não dispõem de recursos e se mães e pais trabalham, não terão como cuidar dos seus filhos que não terão mais escolas??
Veja para além do seu ódio.
Eu tenho inúmeras críticas ao PT, mas sei que nossa democracia está por um fio.
Esse cara é, além de desonesto, corrupto confesso, que não declara todos os seus bens, e ainda é apaixonado pelo torturador USTRA.
Jair Messias Bolsonaro é também homofóbico, machista e racista.

Essa é a mudança que precisamos?
Esse será um Brasil melhor?
Pergunte-se.
Reflita.
Reflita.

20 September 2018

ligação perdida

Recebo em média 3 ligações por dia e sequer me dão bom dia, boa tarde. Perguntam pela minha amiga querida, que infelizmente não está mais entre nós.
Eu e Ana nos tornamos amigas no dia em que nos conhecemos. Lembro que estávamos numa reunião de plenária do Centro de Educação e falávamos sobre o Enade em Pedagogia. O ano era 2011.
Nós éramos muito diferentes no modo de pensar e mais ainda de agir. Era até engraçado! E como aquarianas, não foi nenhum problema conviver, pois o respeito sempre norteou nosso afeto.
Dentre outros bons pactos, a gente incorporou a  tradição de indicar a outra ao fechar algum contrato, serviço, e considero que isso é algo muito bacana entre amigos que residem fora dos seus estados e se apoiam mutuamente. Ana tinha minha chave de casa. Cuidava das minhas plantas e das correspondências. Ela tinha meu chaveiro com a torrezinha Eiffel.
Éramos irmãs.
Em nome de nós, de todas as pessoas que se irritam com ligações insistentes, eu gostaria de dizer a todas as empresas que me ligam que buscassem se informar sobre seus clientes. Mas que o fizessem com respeito e educação.
É sempre doloroso ter que dizer que ela faleceu. Isso agride. Porque eu quero me acostumar com a dureza da ausência dela em minha rotina, na UFAL, no café, no supermercado, na praia, e em todos os lugares que frequentávamos juntas.
A verdade é que ao indicarmos alguém como referência o fazemos porque nos exigem, e com certeza, imaginamos que nunca seremos importunados.
A ligação em si já é uma invasão, mas ter que repetir algo que dói, é uma desumanidade.

4 September 2018

é tudo mentira nesse bilhete

A solução  é privatizar tudo!
Escolas, universidades, hospitais, estradas. Imaginem aí... museus sendo administrados por organizações sociais e empresas... querem queimar (ops) e acabar com todos os nossos bens públicos e o discurso que predomina e convence quem não lê a realidade com lentes críticas, também acredita e propaga a ideia que as instituições públicas não sabem fazer gestão dos seus recursos....  bom... a mídia golpista tem ajudado a consolidar a ideia, tão impregnada da intenção política de desqualificar gestores públicos... assim o estado deixa de arcar com suas obrigações e passa a ser cada vez mais mínimo... estado pequenino que vai trabalhar para isentar impostos e conceder vantagens para os ricos e abastados... 0,1% da população vai ficar feliz, porque 99,9% não terá nenhum direito social assegurado.
O ódio partidário tem a ver com a ideia de que a desigualdade social é natural e legítima: tem que continuar existindo assimetria sim.
Pobre e preto cursando medicina? Nem combina com jaleco branco.
Pobre e preto com iPhone? Roubado.
Pobre e preto circulando em shopping? É vandalismo na certa.
Pobre e preto andando de avião, comprando carro? Não pode, não deve.
Pobre e preto na mesma praia que aqueles que odeiam a galera da esquerda radical? Não podem. Precisam de ilhas. Precisam de muros altos e cercas elétricas.
O Brasil global que alguns querem não tem imigrante, não tem favelado sonhando com ascensão, porque sabe que tem que servir o patrão, a patroa.

7 August 2018

Moção de repúdio: em respeito à memória de Anamelea de Campos Pinto

Essa moção de repúdio é contra toda e qualquer forma leviana de exposição desmedida da vida privada de qualquer um de nós, em especial de Anamelea de Campos Pinto, que faleceu em 04 de julho de 2018.

22 July 2018

sobre o efêmero

eu quero a sorte de um amor tranquilo
com sabor de fruta mordida
nós na batida, 
no embalo da rede
matando a sede na saliva
ser seu pão
ser tua comida
todo amor que houver nessa vida...


Sempre quis viver essa música. Sempre achei ser possível viver um amor assim, com sabor de fruta mordida, natural, sem artifícios, sem maquiagem. Talvez por isso essa canção faça parte da minha trilha sonora e me acompanha em todos os meus dilemas, durante os estragos amorosos. Digo estragos, mas com muito pesar. Queria (ser capaz de) viver um romance e que também fosse duradouro, resistisse ao tempo, às tempestades. Cansei de desistir das minhas paixões. Já desisti de histórias lindas, fortes, incríveis. Eu não queria mais desistir de viver nada. Queria apenas insistir. Mas me pergunto como conseguiria... porque eu penso que as relações hoje em dia são mais frágeis que as de antes. Será que acompanham a evolução das tecnologias? Do mesmo jeito que surgem, são deletadas, num clique? Será que desaparecem se o sinal da internet oscilar? Alguém me ensina como viver um amor tranquilo? Tem receita pra isso? Onde encontro? Onde estou errando nessa busca? 

7 July 2018

minha irmã partiu

Eu estive e continuo chorando todos esses dias. Anamelea era como uma irmã pra mim. A gente não tinha quase nenhuma característica parecida, além de sermos aquarianas e professoras do Centro de Educação da Ufal, mas nos tornamos grandes amigas, cúmplices, parceiras de caminhadas, de compras de supermercado, de baladinhas, de diálogos, de almoços, de muita troca e respeito.
Eu vou sentir muito a falta dela. Já estou seguindo, com esse vazio. Porque ela preenchia todos os espaços com sua amorosidade e alegria e mesmo quando estava triste, ainda assim era muito generosa.
Ana era amor. Só queria amar. Só queria receber amor de volta. Espero que ela esteja num lugar melhor.
Não entendo nada de vida após a morte mas só desejo que ela esteja em paz, que descanse desse mundo hostil.

5 July 2018

a saudade já é eterna

- Alô?
- Alô, o que amiga? Tu não tá vendo aí que sou eu? Pra que serve o identificador de chamadas?
- Oh Juju... eu sou da geração baby boom, anos 60...
- Sim, amiga, mas tu é das TICs... identificador de chamadas já existe... não seja contraditória...
- Mas é um hábito antigo... é tocar o telefone e digo "alô".
- Oh senhor...
- Mas diga aí, minha irmã.. o que você manda? Tá por onde?
...
Era assim que nos falávamos TODOS OS DIAS. Anamelea com suas idiossincrasias. Anamelea sendo Anamelea. Anamelea do signo de aquário e de ascendente em Peixes. Anamelea, a brasileira mais francesa, com descendência portuguesa e seu sotaque paulistano, com sua voz lindamente forte, quase uma locutora de rádio.
Eu vou me lembrar sempre disso, toda vez que alguém atender uma ligação minha no celular e me disser "alô".
Eu vou me lembrar dos nossos ricos diálogos, da nossa cumplicidade.

28 June 2018

semear milho, colher canjica: por que não?

O mês de junho, melhor do ano depois de fevereiro, trouxe muita coisa boa, mais milho na comida (risos), mais milhas geradas nos ares e nas estradas, mais desejo de viver na simplicidade, sem querer nem mais nem menos, sempre em paz, torcendo por menos dor, mais saúde, mais torcida a favor que contra.
O mês dos santos prediletos me faz surpresa todo ano. O mês de Antônio, João e de Pedro (amanhã), gera milagre pra quem tem fé, pra quem acredita que o mundo pode ser menos hostil e que podemos confiar mais uns nos outros.
Muitas lágrimas secaram. Outras insistem. A luta não cessa.
Torcendo muito pela recuperação de minha amiga querida. Torcendo muito por todos os meus afetos. É que quando perdemos presenças lindas em nossos dias, devemos insistir por vida plena e feliz para os que estão vivos e presentes. 

14 December 2017

Catorze do doze

Meu pai foi o primeiro negro que (re)conheci.
O primeiro negro que vi na pele dele, literalmente, o quanto o mundo exclui, intimida e diminui quem não é do universo branco.
Ele nasceu na década de 20, num tempo em que ser preto e bem sucedido era ainda mais exceção que em 2017.
Hoje meu painho faria 93 anos.
Eu queria muito que seu Waldemar de Carvalho Santana estivesse vivo, sorridente, brincalhão e sisudo, ao mesmo tempo.
Eu queria muito que amanhã ele recebesse das minhas mãos, um exemplar do meu livro e me desse um senhor abraço.
Eu queria que ele me visse assim, do jeito que sou: pedagoga, professora, blogueira, escritora e, o principal, muito indignada com essa realidade racista, machista, homofóbica e misógina, em  pleno século 21.
Comemoro somente as datas de nascimento daqueles que eu amo e o tempo em vida que juntos trilhamos juntos, antes da partida. Foram só 12 anos.
Eu tenho 12 bons motivos, 12 meses, todos os anos, para agradecer pelos aprendizados, por ter aprendido que a minha luta nesse mundo, é pelo coletivo que ele (e eu) fazemos parte. É também por ele que sigo inspirada e desejante.

31 October 2017

a vida é um piscar e dói mais do que deveria.

Ontem dois irmãos morreram afogados.
Alisson, 20 anos. Andrei, 16 anos.
Estavam desaparecidos e a família desesperada com o sumiço.
Allison era um jovem estudante de Biologia da Ufal, Campus Arapiraca, que seguia seu sonho de tornar-se pesquisador de insetos. Eis que decidiu trilhar sozinho e levou o irmão junto, certamente como apoiador da aventura pela ciência a céu aberto.
Fico pensando na dor da mãe que antes estava desesperada e, na primeira das seguintes segunda-feiras, dormiu sem receber em casa os seus filhos da volta de um passeio de domingo.
Hoje tivemos outra morte no trânsito.
Foram quase 2h num engarrafamento na via expressa e o que eu sabia é que tinha havido um acidente grave.
Junto com o corpo do jovem estendido no chão, a pista sangrava. Quem chorou por ele? Quem o aguardava? Será que estudava? Será que tinha filho? Será que, assim como eu, estava atrasado para o trabalho? Será no quê ou em quem pensava no momento da batida?
Eu, impaciente, só pensava em mim e no MEU compromisso. Eu só não imaginava que veria a cara da morte, assim, no asfalto, e pior, que eu passaria (de novo) com pressa, sem parar, agradecendo por ter o meu caminho liberado.
Partiram 3 que eu soube, em dois dias.
Eu tenho plena convicção que eu não deveria ser tão egoísta ou considerar natural a morte de ninguém.
Eu não deveria seguir como se nada tivesse acontecido.