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11 May 2019

cenas no shopping

Cena 1

“Quando você está sozinha comigo você é um saco, fica reclamando o tempo inteiro”.
A menina ouviu calada e seguiram de mãos dadas, shopping a dentro.
A única melhor parte do que acompanhei: não soltaram a mão uma da outra. ❤️

Cena 2

-filho, senta aqui.
- e meu almoço?
- seu pai foi comprar.
(menino com cara de tédio,ficou em silêncio)
- quer meu celular?
(menino continuou indiferente, enquanto a mãe colocava um joguinho no celular dela pra ele)
- toma.
(o menino começou a jogar e ela ficou ali, olhando pro chão, batendo os dedos na mesa...)

Cena 3

Choro de bebê é batata! Não tem quem não olha curioso e segue o olhar acompanhando de onde vem o som até chegar no pranto desesperado.
E eu ali, à toa, filmando....
A mãe estava super arrumada para o passeio no shopping. Ela vestia uma saia longa com estampa de um felino. Seria uma estampa de onça? Não faço ideia, mas percebi que tentava distrair sua filhinha, que devia ter uns 7, 8 meses.
A garota chorava muito e notei rapidamente que também usava uma roupinha encomendada, só que com estampa de outro felino, que também não consegui identificar qual era!
É que tem detalhes muito parecidos, inclusive nas cores, a exemplo de muitas pintas pretas mescladas com tons de amarelo ou laranja. A guria também tinha um laço em volta da cabeça.
Eu não posso comprovar mas é muita coincidência: toda criança que chora muito e tem algo amarrado na cabeça, bem... penso logo que deve ser esse enfeite feio, exagerado, que pode estar doendo, machucando, irritando. Deu vontade de levantar rápido, dizer “oi, com licença” e retirar aquele laço antes da mãe reagir.... quem não??

1 March 2019

que o amor prevaleça

Toda morte nos coloca em alerta sobre quem somos, sobre quem nos tornamos com o passar dos anos... e sobre como precisamos nos acostumar com um fato muito doloroso: a vida é um piscar. Somos impotentes. Isso não muda, embora gostemos de milagres.
A gente se apega a tanta besteira, deixa de dar atenção e valoriza tão pouco as pessoas com quem convivemos! Tudo em função do tempo dedicado ao trabalho e às nossas muitas vaidades. Tudo é matéria? Não. Tudo evapora. Tudo se vai.
Aos 49 já entendi que, diante das minhas escolhas, eu não tive como gerar outra vida. Mas sou aquele tipo de ser humano que sofre pela dor alheia, como se mãe fosse.
É uma dor abstrata, intensa. E como a gente consegue se reinventar, para vida fazer algum sentido ou voltar a ter alguma graça, após a partida de um alguém que muito amamos?
A empatia nasce com a gente? É do ser humano ser solidário? Deveria ser de nascença.
Todo ser humano, a despeito de qualquer condição, deveria sair do seu umbigo e se colocar no lugar do outro. Esse é um exercício que nos humaniza.
Lula tem que ir abraçar o filho. É um tipo de elo, de amor, que nunca deveria ser impedido.
Que o abraço e o silêncio nos libertem das nossas mazelas e dos nossos egoísmos.

16 February 2019

o céu em festa no seu dia

Hoje eu acordei, depois de uma noite com insônia, e lá fui eu conferir os aniversariantes do dia.
Isso faz parte da minha agenda diária: espalhar afeto a quem me afeta. Dar os parabéns a alguém de quem gosto é como reafirmar o compromisso com a lealdade.
Ser leal significa legitimar cumplicidade, estar perto na dor e na alegria. É um vazio imenso não fazer um textão pra minha amiga que hoje completaria 56 anos.
Ela amava me ler! Cobrava mais escritos. Dúzia de vezes dizia que me considerava “uma das escritoras mais sensíveis”.
Saiba que eu amaria escrever pra você me ler hoje, minha irmã de fé. E gostaria de poder te dar um abraço, saudar sua nova primavera, aquariana com ascendente em peixes.
Queria te falar da minha saudade da nossa convivência, de enfrentarmos nossos infernos astrais de mãos dadas, de poder festejar sua data e planejarmos a minha, que está quase na esquina. Mas quis a vida terrena deixar você partir. É um lamento que faço principalmente quando estou muito feliz. E aprendi que devo celebrar chegadas e não partidas. É mais animador. Por isso, agradeço de novo e sempre muito por nossos quase 8 anos de amizade, aprendizados, alegrias e partilhas, creio eu, por sermos tão diferentes.
Espero que esteja descansando, num lugar de  leveza, luz e magia, como você merece. Que esteja dedicada a cuidar dos seus, acompanhando, com aquele seu brilho nos olhos, a sua netinha em suas conquistas e peraltices.
Com amor de quem sempre torceu por sua paz. ❤️

24 October 2018

um textão, + um desabafo

24 de outubro de 2018.

Hoje meu sobrinho-neto completa 3 anos. Eu tive que sair do grupo de whatsapp dele, porque no dia das crianças comentei sobre o perigo desse discurso de ódio e apologia às armas que o irresponsável do candidato à presidência #JairMessiasBolsonaroNUNCA vem fazendo, estimulando armas e ensinando nossas crianças a fazerem o símbolo do gatilho. É uma dor não estar lá no grupo hoje, pra receber fotos dele, e estar com meus parentes queridos que só querem paz, amor e alegria pra ele e, sei que sim, para todas as nossas crianças.
Queria dizer para meus familiares, meus amigos e colegas, que não sou irresponsável, não espalho fake news e não prego ódio a partido nenhum e nem acho que ESTA ELEIÇÃO SEJA uma eleição de partidos políticos em disputa.
Eu não sou filiada ao PT, nas eleições de 2014 fiz campanha virtual de longe, pois nem estava no Brasil.
Mas fiz campanha sim, pois havia a disputa entre dois candidatos, um pelo PT (Dilma Houssef) e outro pelo PSDB (Aecio Neves).
Naquela ocasião, compreendi que havia uma polarização demarcada entre os que estavam bastante incomodados com o PT no poder e os que buscavam mudanças.
O PT venceu mas não conseguiu governar por muito tempo. Houve disputa política e no dia seguinte ao da votação de segundo turno, um pedido de impugnação da chapa Dilma/Temer.
Entre 2015 e 2016 vivenciamos um ano dificílimo em todas as áreas, inclusive na educação. Vivenciamos uma greve nas universidades federais que se arrastou por meses a fio.
Eu fiquei muito indignada com a falta de diálogo do então ministro Renato Janine. Criamos uma hashtag na época #dialogajanine. Fizemos inúmeros movimentos e tentativas de diálogo. Fechamos o MEC, o MPOG ( ministério do planejamento).
Enfim, não conseguimos reverter quase nada dos nossos pleitos, todos legítimos. Mas ainda assim, havia empatia pela democracia. Havia mobilização nas ruas. As greves eram consideradas direitos trabalhistas respeitados. Havia o entendimento na presidência da república, que o ativismo político é legítimo.
Pois bem, após um #golpeparlamentar, novos golpes nasceram. Os diálogos pioraram. Os orçamentos para as instituições federais dimimuíram. Os concursos públicos diminuíram para educação básica. O sucateamento da educação pública também piorou.
O #temer aprovou reforma trabalhista, super danosa, gerando flexibilização o que ampliou o desemprego e a precarização das condições trabalhistas.
O #temer, senadores e deputados aprovaram a emenda constitucional 95, que limitou o teto de gastos na área social por 20 anos (eu disse 20 anos), o que em outras palavras, modifica o compromisso do Estado Brasileiro com as áreas sociais, especialmente educação e saúde, como a nossa constituição de 1988 determina.
O #temer e deputados também aprovaram a reforma do ensino médio, danosa demais, que dentre outros prejuízos, desqualifica as políticas curriculares especialmente das ciências humanas  também estimula a valorização do ensino privado em detrimento do ensino público.
O #temer parou de investir em farmácias populares e no programa #maismédicos.
o #temer propôs a reforma da previdência que felizmente ainda não foi aprovada, mas que também prejudica enormemente a população que depende do Estado.
E chegamos em 2018, com todas essas medidas desastrosas provocadas por alguém que traiu a sua parceira de gestão pública apenas por vaidade, por poder, não pra cuidar do país e desfazer equívocos e diminuir a crise.
Tudo está sendo destruído por um DESGOVERNO que tem como um dos seus mais assíduos votantes o senhor #JairMessiasBolsonaroNUNCA.
Então, depois dessa exposição, eu só queria dizer que compreendo as mágoas com o PT, mas não compreendo a justificativa de votar em um cara que só quer aprofundar as nossas tragédias sociais.
Ele é homofóbico, odeia pretos, índios, gays, lésbicas, militantes, esquerdistas.
Ele é a favor do armamento.
Ele é um fascista confesso. Os vídeos e as falas dele e dos filhos revelam tratar-se de uma família apoiadora do fascismo.
#BolsonaroNUNCA representa a volta da ditadura, daí a minha aposta em #Haddad.
Daniel, meu sobrinho, é também por seu futuro que escrevo tanto, me preocupo tanto. Me importo com você, lindeza. Me importo com todas as crianças. Me importo com meu país. E amo a minha liberdade de escrever pra registrar a minha indignação frente a essa dura e triste realidade.
E sim, depois do dia 28/10, continuarei usando a cor que eu quiser e na defesa dos princípios que defendo no meu país que eu amo: democracia, amor, paz, justiça social e igualdade de direitos.

14 September 2018

36 anos de uma dor que nunca morre

36 anos. 36 longos anos que meu pai partiu. Durante muito tempo fantasiei que estava só em uma das suas muitas viagens. Que logo voltaria e que chegaria bem cansado, querendo colo. Que pediria seu chinelo pra minha irmã. Que chamaria todo mundo pra almoçar à sua volta. Era uma rotina que eu amava na infância: ouvir a buzina, gritar “chegou” e ir correndo abrir o portão pra receber nosso senhor Waldemar de Carvalho Santana. A vida segue. Nós seguimos com essa ausência. Seguiremos com saudade de sua presença tão forte e marcante. Sempre digo que devemos lembrar dos que partem pelas suas datas de aniversario, mas hoje senti cheiro de estrume de boi, senti muito a falta dele em todos esses anos sem seus conselhos, sem seu abraço, sem me dizer pra onde ir e o que fazer.

22 July 2018

sobre o efêmero

eu quero a sorte de um amor tranquilo
com sabor de fruta mordida
nós na batida, 
no embalo da rede
matando a sede na saliva
ser seu pão
ser tua comida
todo amor que houver nessa vida...


Sempre quis viver essa música. Sempre achei ser possível viver um amor assim, com sabor de fruta mordida, natural, sem artifícios, sem maquiagem. Talvez por isso essa canção faça parte da minha trilha sonora e me acompanha em todos os meus dilemas, durante os estragos amorosos. Digo estragos, mas com muito pesar. Queria (ser capaz de) viver um romance e que também fosse duradouro, resistisse ao tempo, às tempestades. Cansei de desistir das minhas paixões. Já desisti de histórias lindas, fortes, incríveis. Eu não queria mais desistir de viver nada. Queria apenas insistir. Mas me pergunto como conseguiria... porque eu penso que as relações hoje em dia são mais frágeis que as de antes. Será que acompanham a evolução das tecnologias? Do mesmo jeito que surgem, são deletadas, num clique? Será que desaparecem se o sinal da internet oscilar? Alguém me ensina como viver um amor tranquilo? Tem receita pra isso? Onde encontro? Onde estou errando nessa busca? 

7 July 2018

minha irmã partiu

Eu estive e continuo chorando todos esses dias. Anamelea era como uma irmã pra mim. A gente não tinha quase nenhuma característica parecida, além de sermos aquarianas e professoras do Centro de Educação da Ufal, mas nos tornamos grandes amigas, cúmplices, parceiras de caminhadas, de compras de supermercado, de baladinhas, de diálogos, de almoços, de muita troca e respeito.
Eu vou sentir muito a falta dela. Já estou seguindo, com esse vazio. Porque ela preenchia todos os espaços com sua amorosidade e alegria e mesmo quando estava triste, ainda assim era muito generosa.
Ana era amor. Só queria amar. Só queria receber amor de volta. Espero que ela esteja num lugar melhor.
Não entendo nada de vida após a morte mas só desejo que ela esteja em paz, que descanse desse mundo hostil.

28 June 2018

semear milho, colher canjica: por que não?

O mês de junho, melhor do ano depois de fevereiro, trouxe muita coisa boa, mais milho na comida (risos), mais milhas geradas nos ares e nas estradas, mais desejo de viver na simplicidade, sem querer nem mais nem menos, sempre em paz, torcendo por menos dor, mais saúde, mais torcida a favor que contra.
o mês dos santos prediletos me faz surpresa todo ano. O mês de Antônio, João e de Pedro (amanhã), gera milagre pra quem tem fé, pra quem acredita que o mundo pode ser menos hostil e que podemos confiar mais uns nos outros.
Muitas lágrimas secaram. Outras insistem. A luta não cessa.
Torcendo muito pela recuperação de minha amiga querida. Torcendo muito por todos os meus afetos. É que quando perdemos presenças lindas em nossos dias, devemos insistir por vida plena e feliz para os que estão vivos e presentes. 

23 March 2018

Meu Luan formou!





Demorei um pouco pra cumprir a promessa de escrever um textão narrando tudo que aconteceu nos três dias e noites de festa da formatura de Luan Costa Miranda Rayres, para os íntimos apenas o "meu Luan", apelido carinhoso como todos nós familiares o chamamos. 
Aí me dou conta de que "um apelido carinhoso é mais difícil de esquecer", como nos lembra a música mais tocada na balada do meu Luan, que nos embalou 24h por dia e abalou (literalmente) a estrutura da casa de praia da festança, em Stela Mares, situada num dos lugares mais lindos e paradisíacos do litoral de Salvador, da nossa Bahia.
Vamos às lembranças mais recentes:
O evento do núcleo #BatistaRayres começou bem antes de 17 de março de 2018. Foi planejado nos últimos seis meses e festejado nos últimos cinco anos, desde que o Meu Luan começou a faculdade de Engenharia Civil, lá atrás, nos idos 2013.
Antes de falar desse evento em si, é preciso registrar que a nossa família é rainha em realizar festas grandiosas. Nossa família é acostumada com grandes eventos que reúnem todos os núcleos, em um único espaço, com direito a presença de cachorro com nome de príncipe, o famoso Lord, e muita gente circulando: gente pequena, gente grande, que chega de carro, de avião, de carona, de ônibus. 
Momentos com participação de parente que chega de viagem pela manhã, ou à noite, ou de tardezinha, ou de madrugada, ou de surpresa, fazendo barulho, que diz que não vem, mas chega na hora H.
Festa com gente linda que faz (muita) comida o dia todo, gente que bebe mais do que deveria, que passa mal de ressaca, que dorme no chão, no sofá e até de gente que não dorme nunca. 
Voltemos no tempo. 
O formando e o pai do noivo, ops, do formando, choraram juntos, muitas vezes e claro que entendemos o motivo de tanta sensibilidade.
A mãe do noivo, ops, do formando, ficou tensa, chorou um bocado e entrou em desespero, com medo de que as coisas não saíssem como tanto sonhou e investiu. Ela parecia que ia mesmo casar seu filho único, tamanha a sua preocupação com os mínimos detalhes da cerimônia. Flores delicadas e iluminação diferenciada, decorando os espaços, buffet com garçons e mesas dispostas no jardim, bebidas e coquetéis servidos aos convidados, de um lado ao outro da casa, na beira da piscina. Um bolo com um edifício projetado, doces personalizados com os temas da engenharia. Comemos delícias em formato de tijolos e eram doces e macios, contrariando a ideia do concreto, da dureza, do cimento. Não se tratou de obra inacabada ou abandonada. Tudo foi feito com amor, alegria e muita emoção de ver Meu Luan formado e celebrando lindamente com seus muitos amigos e amigas.
Da emocionante missa numa igreja linda, na cidade baixa à colação de grau, tudo foi lindo de ver e viver. Do choro às gargalhadas. Do silêncio no altar aos muitos decibéis do DJ que tocou até o amanhceer, tudo na festa-casamento-formatura do Meu Luan foi incrível, surpreendente.
Eu vou torcer pra que todas as boas novas cheguem na vida desse novo engenheiro, para que possamos continuamente celebrar a lindeza de ser humano, de filho, de primo, de profissional que certamente se tornará.
Deu tudo muito certo. A festa-rave foi perfeita, primos. Meu Luan formou e agora é saudade desse tempo juntinhos e muita esperança num futuro que promete novas conquistas. 




Amo vocês.

Prima Juba do Núcleo Santana

14 December 2017

Catorze do doze

Meu pai foi o primeiro negro que (re)conheci.
O primeiro negro que vi na pele dele, literalmente, o quanto o mundo exclui, intimida e diminui quem não é do universo branco.
Ele nasceu na década de 20, num tempo em que ser preto e bem sucedido era ainda mais exceção que em 2017.
Hoje meu painho faria 93 anos.
Eu queria muito que seu Waldemar de Carvalho Santana estivesse vivo, sorridente, brincalhão e sisudo, ao mesmo tempo.
Eu queria muito que amanhã ele recebesse das minhas mãos, um exemplar do meu livro e me desse um senhor abraço.
Eu queria que ele me visse assim, do jeito que sou: pedagoga, professora, blogueira, escritora e, o principal, muito indignada com essa realidade racista, machista, homofóbica e misógina, em  pleno século 21.
Comemoro somente as datas de nascimento daqueles que eu amo e o tempo em vida que juntos trilhamos juntos, antes da partida. Foram só 12 anos.
Eu tenho 12 bons motivos, 12 meses, todos os anos, para agradecer pelos aprendizados, por ter aprendido que a minha luta nesse mundo, é pelo coletivo que ele (e eu) fazemos parte. É também por ele que sigo inspirada e desejante.

10 October 2017

devaneios numa terça

Eu tenho o maior desejo de comemorar a vida, ao ganhar uma foto com o nascer do sol, num dia que começa com notícia triste. 
Eu fico toda loba quando me mandam a imagem de uma lua cheia, transbordando pelo mar, naquelas noites mais solitárias.
Eu sigo toda tia babona quando baixa um novo videozinho do meu sobrinho, justamente quando tudo parece perder sentido.
Eu fico toda emocionada quando sou lembrada por gente querida, e até por simples colegas, com matérias, artigos, teses, livros que tratam de relações étnico-raciais, ensino superior, políticas educacionais.
Eu me desmancho inteirinha quando recebo poesia ou um "passando pra te mandar um beijinho grande".
Eu sou uma sortuda. Já ganhei algumas canções lindas. Recebi uma, por telefone, de um certo alguém que não conheci e incorporou Hebert Viana e me perguntou cantando "quais são as coisas e as coisas pra te prender?". Não respondi e a paixão seguiu platonicamente linda.
Ah... eu já ouvi (só pra mim) a versão de "Lambada de serpente". Isso nunca vai ter preço.
De fato eu enlouqueço quando um mimo virtual me faz sorrir pra uma tela fria, mas tão quente.
#devaneiosnumaterça

7 May 2017

sou dela

Eu nasci da junção desses dois lindos. Nasci pra ser inquieta e questionadora como meu pai e tranquila como minha mãe. Passei a entender como funciono quando penso na força de cada um para a construção de mim mesma. Da natureza forte de um e da natureza forte do outro. 
Minha mãe não é apenas uma mãe. Passou a acumular as funções de pai e mãe faz muito tempo. Passou a ter voz e vez entre nós lá nos anos 80, quando nosso velho partiu. E hoje, ao completar 7.6, fico só pensando o quanto ela abdicou dos próprios sonhos em nome de nós, filhos, seres carentes de pai e desejantes de tantas coisas.
De lá pra cá ela conseguiu ser colo, ser escuta, ser presença, sempre, independentemente onde estejamos. Passou a ser caixeira viajante, exatamente como ele era. Passou a fazer conta (ela tem caderninhos), como ele fazia. Passou a pensar em como sobreviver melhor, para tornar nossos sonhos mais possíveis. Então passou a ser muito mais importante pra gente. Fica comigo um tempo, depois com mana Dilma mais tempo, depois com os meninos e com a mana Lila. Sabemos bem qual é a missão dela entre nós: espalhar amor e paz. Mainha, a senhora é linda. 

Enquanto escrevo choro por tudo: por estar longe, por não acompanhar as marcas do tempo em sua história, por suas tristezas, por suas angústias, por não poder te dar um abraço no dia de hoje e sentir seu cheiro que me acalma e me faz tão feliz. 
Te amo muito, muito mais que seu vatapá delicioso!! ❤️🌺❤️ #soudela #mainhafazaniversáriohoje #fbf❤️❤️ #dasmaioressaudades

13 April 2017

historinha de uma tarde chuvosa


- você já viveu uma história de amor?
- já.
- foi um conto de fadas?
- foi sim, e lindo!
- teve príncipe?
- um lindo cavalheiro muito gentil.
- montava um cavalo branco?
- acho que ele nunca montou num cavalo, de nenhuma cor.
- então tinha um carro super cheio de cilindros?
- ele nem sabia dirigir.
- ele entendia e respeitava o seu jeito de ser?
- sim, mesmo falando língua diferente da minha.
- acabou como todo bom conto de fadas?
- não.
- por que acabou?
- acabou porque acabou.
- do que mais sente falta?
- do olhar dele sobre mim.
- como faz pra resolver isso?
- não faz.
- o que mudaria, se pudesse mudar?
- nada, não mudaria nada.
- então foi um final feliz?
- não.
- como foi o final?
- infeliz.
- quer dizer algo mais?
- eu sinto mais falta de "nós" do que dele.

FIM

12 October 2016

pra ser adulto tem que se (re)pensar a infância

É fácil pensar na infância como aquela fase linda da vida onde tudo é paz, fantasia, alegria. Nós adultos precisamos fazer com que o universo infantil seja realmente mágico e seguro para TODAS as crianças, ricas ou pobres. Isso requer investimento em saúde, educação, esporte, cultura, lazer, habitação. Isso exige um Estado que cumpra o seu dever constitucional de prover tudo isso. Isso exige escolas de qualidade. Isso exige parques públicos, museus, brinquedotecas. Isso exige hospitais de qualidade. Isso exige bibliotecas públicas abertas também aos sábados, domingos e feriados.  E com profissionais para estimularem o ambiente de leitura. Isso exige políticas afirmativas para incluir negros, pobres e deficientes em todos  os espaços de aprendizagens e convivências. Comemorar o dia da criança com presentes e guloseimas é certeza de que é muito bom. Mas precisamos comemorar a infância  permanentemente. É necessário percebermos que muitas e muitas crianças não sabem sequer o significado de "ser criança", pois lhes foram roubados esse direito; ou foram escravizadas e trabalham todos os dias. Comemorar, então, requer respeito à diversidade. E requer amor pela humanidade. Hoje eu prefiro dedicar este dia às crianças mortas por falta de hospital: às crianças rejeitadas, mortas e violentadas por seus pais biológicos ou pelos adultos que delas não cuidam. Hoje é preciso pensar nas famílias destruídas e nas crianças perdidas no Haiti.

9 October 2016

sobre separações e divórcios

eu nunca dividi espaço com um namorado. Nunca me casei. Quis a vida que esse tipo de contrato não fizesse parte dos meus dias. Pode ser que ainda aconteça. Mas sou reticente mesmo. Desconfiada. Desconfio que há outras formas possíveis e interessantes de nós nos relacionarmos, sem dividir o mesmo teto, o mesmo banheiro, um mesmo endereço. Mas não sou contra uniões, desde que sejam estáveis e tragam vida feliz aos pares. Não gosto de triângulos. Não sou da matemática. Vai ver é isso. Se há um a mais, ou a menos, penso que é mesmo melhor que cada um siga só, do seu jeito, sem ferir, humilhar, enganar, mentir. Definitivamente, viver uma vida dupla não é uma boa. Não, mesmo. No entanto, o divórcio nos convoca a repensar o que foi aquela relação. Sobre o que poderia ter sido, o que pode ainda ser. Sem nunca ter me casado, acredito que se houve ali uma aliança feita, seja num altar ou apenas entre dois sujeitos comprometidos em seguir juntinhos até... enfim, fico triste. Fico muito triste. Não desejo ver ninguém infeliz, incompleto, sofrendo. Na verdade as famílias também sofrem separações. Mas não deveriam divorciar-se. Vamos torcer para que todos e todas que optem por esse corte mais radical, sobrevivam às suas dores e recuperem o sorriso natural de ambos. Na torcida. 😢

10 August 2016

saudade do meu espelho

Eu queria muito ter meu pai vivo. Pra falar da vida, discutir política, pra ele me contar como sofre sendo negro num país racista que nem o nosso. Meu pai faleceu quando eu tinha apenas 12 anos. Não discutimos nada. Não nos abraçamos tanto. Não apresentei nenhum namorado. Não dançamos. Não fiz nada que uma filha apaixonada gosta de fazer ao lado do seu pai. Eu queria fazer café, bolo, lasanha, pra ele. Queria ouvir todos os seus causos; também poder lhe contar as minhas histórias. Eu queria ter ouvido conselhos. Queria que ele me dissesse palavras de conforto. Que me desse bronca (mais, né?). Queria aprender a gostar de números e finanças, como ele gostava. Queria ter tido o prazer de conversar com ele ao celular, pelo WhatsApp. Trocar fotos e afagos. Queria seu colo. Ainda quero aprender a tocar violão, lindamente, como ele tocava. 

22 June 2016

o doce da vida na academia

A mesa sobre ‪#‎opressões‬, da qual fui convidada por Rafael Morais Adelson Silvestre Jr. CA Sebastião da Hora foi muito prazerosa. Estar entre estudantes-calouros(as) de Medicina, que acabaram de chegar na universidade, com toda a ansiedade pelo mundo a descobrir, por aqueles característicos brilhinhos nos pares de olhos, me fez entender um pouco mais sobre meu percurso como pesquisadora e como profissional da educação. A minha tese foi apresentada novamente, hoje! Para mim,significou mais do que o dia 12 de novembro de 2015. Porque já revisitei os escritos, já escrevi novos artigos sobre e estou disposta a continuar pesquisando mais. Quando terminei a apresentação, estava agitada, satisfeita, sentindo calor, com muita vontade de continuar ali, dialogando.
Minha vida acadêmica, definitivamente, não cabe (nem quero que caiba) no lattes. De todas as experiências que tenho vivido, as atividades de ensino e extensão, sem dúvida alguma me edificam como educadora e muito mais como ser humano. Pouco me importa se isso se transforma em ponto, se estou mais ou menos produtiva, se sou citada ou não. Aos moldes da "indústria" que nos exigem e nos estimulam a produzir mais e mais, sem ao menos refletir se o que estamos produzindo tem ressonância na vida prática,essas produções não me representam. Estou muito feliz de poder fazer parte de um coletivo de mulheres, homens, lgbts, que lutam pelo fim das opressões e por muito mais liberdade e autonomia, muito mais que servir à essa lógica capitalista, esquizofrênica, empresarial e neoliberal do nosso tempo. Obrigada aos que me fazer produzir ciência para intervir na realidade da qual faço e me sinto parte. 

18 April 2016

das faltas insuportáveis

Quando nos conhecemos, nos anos 80, nós estávamos saindo da adolescência, estudando para o vestibular, cheias de espinhas na cara e sonhos na cabeça. Passamos por fases. Passamos por farras. Frequentamos lavagens de medicina, de odonto, de direito. Viajamos com as outras amigas em réveillons, festas juninas. Curtimos em trupe todos os tipos de carnavais possíveis para uma única encarnação. Conhecemos a Argentina juntas. Temos fotos desses momentos todos. Temos memória para todo o sempre. Temos sorrisos acumulados. Atravessamos de um século ao outro. Nos mantivemos próximas, mesmo afastadas pela geografia.
Nunca duvidei nem questionei o valor que tenho por você, amiga. Ou que você tenha por mim. Então estar assim, distante de verdade, é estranho, doloroso, uma infelicidade. Todos os dias me levanto e peço a Deus para remover essa mágoa. Todos os dias peço proteção no seu caminho, como peço para todos os que amo. E, acredite, peço também para os que não amo. É a minha missão assumida semear amor, semear alegria, desejar a paz na humanidade.
Você me recebia na sua casa como se eu fosse parte de sua família. Nunca me senti hóspede. Nunca me senti rejeitada. Nunca me senti uma intrusa. As nossas novelas pessoais, dos amores e paixões, um capítulo que guardarei em segredo. Não imaginei que perderia a nossa cumplicidade. Espero que ainda dê tempo para dizer que lutar por justiça social, por democracia, pelo fim do preconceito racial, isso não faz de mim uma inimiga. Isso deveria fazer de mim mais amiga ainda. Porque se eu estivesse conspirando por coisas ruins, eu não estaria aqui apelando para a escrita, para uma rede social e declarando abertamente que te amo, amiga. E se me excluir da sua vida, como me deletou desse mundinho esquizofrênico pelos erros dos nossos políticos, a minha dor será pra sempre.
Dói muito não te dar o costumeiro bom dia ou mandar um áudio contando a resenha mais besta do dia ou da noite ou da madrugada. Seus olhos, seus ouvidos, seu coração, tudo isso me faz falta. Me deixa menor.

23 November 2015

dos dias mais sensíveis

E quando a gente chora com o que a gente escreve?
As palavras pulsam em formas de lágrimas.

12 October 2015

pergunta rápido!

Medo?
Perder minha memória.
Saudades?
Da família.
Desejos?
Praia, amigos e um churrasco!
Sonho?
Com goiabada!
Surpresa?
Receber uma ligação em tempos de whatsapp...
Felicidade?
Não sei defini-la.
Alegria?
Dar (e receber) um abraço apertado.
Meta?
Tese revisada até sexta.
Vontade de...
ter duas vidas!
A próxima viagem?
Ainda em aberto.
Como comemoro?
Comendo.
E a dieta?
Segunda que vem.