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22 September 2019

1 mês atrás

Dia 22 de agosto de 2019 meu bloguito ficou 1 ano mais velho. 1 mês atrás a mamãe dele estava às voltas com a visita de avaliadores externos do Mec, para fins de recredenciamento da educação a distância da Ufal.
Dito isso cabem minhas desculpas, por esse atraso no registro de minhas felicitações ao môblog, por não ter conseguido pausar e escrever sobre essa data tão redonda, tão decenal, tão importante em minha trajetória como blogueira.
10 anos atrás eu vivia viajando de ônibus, pelas estradas da Bahia, aos finais de semana, para ministrar aulas de pós-graduação em Psicopedagogia. Por falar nisso, já me lembro que 2009 foi um ano que quase não curti minha morada em Salvador. A onda de trabalho era assustadora.
E de lá pra cá, será o que mudou? Mudou muita coisa em mim, na minha caminhada, mas o trabalho sempre foi prioridade, isso se manteve.
10 anos passaram voando, mas lentamente. Vivi cada mudança como se fosse a última. Festejei cada novo endereço, mesmo ciente de que era provisório. A provisoriedade vem me acompanhando e essa sensação de que "ainda vou mudar de novo" é uma constante em meus dias.
10 curtos anos me fizeram passear e atuar em diferentes espaços da educação, nos três setores da sociedade. Trabalhei em instituições privadas, mergulhei no universo das ONGs e, a partir de 2011, cá estou eu, dedicada exclusivamente à educação superior pública.
A escrita acadêmica e também a escrita livre permearam boa parte dessas experiências.
Aprendi a fazer relatórios técnicos, projetos pedagógicos, artigos científicos, organizei um livro, defendi uma tese e a partir dela, publiquei "Tem preto de jaleco branco?"
Já os desabafos espontâneos, por meio de crônicas e diários de bordo me renderam a calmaria. O blog sempre foi meu espaço predileto para despejar meus sentimentos, só que o ingresso no serviço público federal me despertou para militância, para necessidade de escrever sobre as muitas indignações que fui acumulando, nos últimos 8 anos.
O blog nasceu em 2009 e foi criado por uma pessoa muito diferente da que sou hoje e de quem estou me tornando. Há quem sinta saudade daquela blogueira das narrativas autobiográficas. Eu sinto saudade dessa fase, de mim, claro, da minha juventude, da minha leveza também.
Mas é importante destacar que gosto muito mais de mim agora, assim mesmo, do jeito que me manifesto. A ingenuidade foi sendo diluída e sumindo, a partir das águas de março de 2011, quando em apenas 1 mês de universidade pública, quando a ficha caiu, eu já me sentia profundamente comprometida com debates importantes envolvendo desigualdades étnico-raciais, democracia, a onda privatista na educação e a  consequente descoberta da necessidade de rever tantas coisas em mim, para compreender melhor meu papel nesse cenário.
Lembro que na nomeação para o cargo de docente do magistério superior, da rede federal, eu assinei o documento de posse já consciente dessas transformações tão necessárias quanto urgentes.
10 anos se passaram e essa liberdade de escrever tem sido muitas vezes cerceada ou criticada, pelos leitores e leitoras que me seguem e dão retornos tão importantes.
Eu não faço ideia de como conseguirei resgatar aquela comicidade tão presente em meus textos de antes. Talvez a comédia não seja o meu forte. Talvez a melancolia me represente mais. Escrevo com paixão sobre as ausências físicas de pessoas muito amorosas e queridas que partiram desse tempo e espaço e, infelizmente, nunca mais vou poder conversar olhando nos olhos.
10 anos se passaram, meu corpo mudou, meu cabelo mudou e, sem dúvida nenhuma, minha apreensão do mundo, graças aos céus e orixás, também segue mudando.
Por isso a minha alegria ao finalizar essa reflexão. O foiassimdoispontos continua sendo meu, meu espaço livre, sem patrocínio, com minhas marcas, com minhas angústias, com minhas franquezas e com minhas fragilidades.
Me sinto e sei que sou muito mais humana e interessada na humanidade que antes. E os meus textos vão continuar refletindo quem escolho ser, considerando as minhas experiências como pessoa, como mulher e como profissional. Desejo mais 10, 20, 30 anos de escritos reflexivos e que a minha escrita continue me acalmando!

14 March 2019

a sociedade brasileira e a educação pública

Velórios coletivos são tendência no nosso país.
A cultura da violência está intimamente ligada à concepção de sociedade que vem sendo moldada pelas nossas mazelas, pelas desigualdades sociais e étnico-raciais. 
Também pelo projeto de estado que estimula a competição, o individualismo, a vaidade e o porte de arma da população e, com isso, estimula a banalizar a injustiça social e, de forma direta, desqualificar a escola pública.
Esse modo de conceber a vida em sociedade diminui drasticamente a possibilidade da educação ser a via mais concreta para transformação social. 
Aqui ou acolá, na história da civilização, a educação, deveria continuar ser a área mais priorizada para contribuir para o desenvolvimento humano e pacificar nossas gerações de crianças, jovens e sobretudo dos velhos burros que (infelizmente) estão no poder, e, em tese, teriam essa chance de mudar o rumo das coisas, embora aparentam que não aprenderam foi nada sobre humanidade. 

1 March 2019

que o amor prevaleça

Toda morte nos coloca em alerta sobre quem somos, sobre quem nos tornamos com o passar dos anos... e sobre como precisamos nos acostumar com um fato muito doloroso: a vida é um piscar. Somos impotentes. Isso não muda, embora gostemos de milagres.
A gente se apega a tanta besteira, deixa de dar atenção e valoriza tão pouco as pessoas com quem convivemos! Tudo em função do tempo dedicado ao trabalho e às nossas muitas vaidades. Tudo é matéria? Não. Tudo evapora. Tudo se vai.
Aos 49 já entendi que, diante das minhas escolhas, eu não tive como gerar outra vida. Mas sou aquele tipo de ser humano que sofre pela dor alheia, como se mãe fosse.
É uma dor abstrata, intensa. E como a gente consegue se reinventar, para vida fazer algum sentido ou voltar a ter alguma graça, após a partida de um alguém que muito amamos?
A empatia nasce com a gente? É do ser humano ser solidário? Deveria ser de nascença.
Todo ser humano, a despeito de qualquer condição, deveria sair do seu umbigo e se colocar no lugar do outro. Esse é um exercício que nos humaniza.
Lula tem que ir abraçar o filho. É um tipo de elo, de amor, que nunca deveria ser impedido.
Que o abraço e o silêncio nos libertem das nossas mazelas e dos nossos egoísmos.

9 February 2019

culpados não existem?

Na nossa vida privada, assim como na vida pública, a morte está sempre a espreita. É bem verdade que é a única certeza: todos iremos morrer, mais cedo ou mais tarde. 

4 September 2018

é tudo mentira nesse bilhete

A solução  é privatizar tudo!
Escolas, universidades, hospitais, estradas. Imaginem aí... museus sendo administrados por organizações sociais e empresas... querem queimar (ops) e acabar com todos os nossos bens públicos e o discurso que predomina e convence quem não lê a realidade com lentes críticas, também acredita e propaga a ideia que as instituições públicas não sabem fazer gestão dos seus recursos....  bom... a mídia golpista tem ajudado a consolidar a ideia, tão impregnada da intenção política de desqualificar gestores públicos... assim o estado deixa de arcar com suas obrigações e passa a ser cada vez mais mínimo... estado pequenino que vai trabalhar para isentar impostos e conceder vantagens para os ricos e abastados... 0,1% da população vai ficar feliz, porque 99,9% não terá nenhum direito social assegurado.
O ódio partidário tem a ver com a ideia de que a desigualdade social é natural e legítima: tem que continuar existindo assimetria sim.
Pobre e preto cursando medicina? Nem combina com jaleco branco.
Pobre e preto com iPhone? Roubado.
Pobre e preto circulando em shopping? É vandalismo na certa.
Pobre e preto andando de avião, comprando carro? Não pode, não deve.
Pobre e preto na mesma praia que aqueles que odeiam a galera da esquerda radical? Não podem. Precisam de ilhas. Precisam de muros altos e cercas elétricas.
O Brasil global que alguns querem não tem imigrante, não tem favelado sonhando com ascensão, porque sabe que tem que servir o patrão, a patroa.

7 July 2018

minha irmã partiu

Eu estive e continuo chorando todos esses dias. Anamelea era como uma irmã pra mim. A gente não tinha quase nenhuma característica parecida, além de sermos aquarianas e professoras do Centro de Educação da Ufal, mas nos tornamos grandes amigas, cúmplices, parceiras de caminhadas, de compras de supermercado, de baladinhas, de diálogos, de almoços, de muita troca e respeito.
Eu vou sentir muito a falta dela. Já estou seguindo, com esse vazio. Porque ela preenchia todos os espaços com sua amorosidade e alegria e mesmo quando estava triste, ainda assim era muito generosa.
Ana era amor. Só queria amar. Só queria receber amor de volta. Espero que ela esteja num lugar melhor.
Não entendo nada de vida após a morte mas só desejo que ela esteja em paz, que descanse desse mundo hostil.

2 December 2017

hoje vou fazer uma sopa

Todo sábado me permito faxinar. A casa, as unhas, o carro empoeirado.
Todo sábado prolongo aquela horinha preguiçosa na cama e decido ali permanecer: sem pressa, sem correria, sem relógio apontando que o sol segue alto.
Minha rotina não é das piores. Cabe música, paradinhas pra responder mensagens, olhadela nos grupos, nas redes, tempo pra um café caprichado.
Não sei até quando terei energia para limpar a casa, os cantos e organizar armários. Não sei até quando a faxina seguirá sendo minha terapia. Mas tem funcionado. Ao fim do dia, como agora, parece que limpei todas as arestas. Parece também que fiz uma espécie de peeling na mente e esvaziei quilos de perguntassempropósitos, respostaspranemseioquê.
Claro que eu poderia contratar alguém pra fazer esse trabalho. Claro que posso me dar a esse luxo. Mas cuidar da minha casa é um luxo. Ora, se eu moro só e vivo na rua, por que não curtir esse momento a sós, eu e a minha bagunça? Quem mais deveria estar aqui, se sou eu quem provoco a sujeira? Não cabe ninguém. Não quero ninguém bisbilhotando minha lixeira, minhas compras, minhas esquisitices. Não pega bem alguém me ouvir conversar sozinha. Mais de uma mulher habita em mim. Eu pergunto e eu respondo. Não são monólogos. Ouso a dizer que são diálogos doidos, que não começam nem terminam.
Por isso, insisto em dizer que simplesmente não cabem estranhos no meu apartamento. Aqui só entra quem eu convido. Não cabe ninguém que vai mudar as coisas de lugar. Eu gosto de controlar, sim. Que mal há nisso se o que controlo me pertence? Problema seria se eu estivesse por aí, tirando as coisas dos outros do lugar. Ok, confesso. Faço isso na casa de minha mãe. Mas ela ama que eu esteja lá e fazendo tudo do meu jeito. Dona Nalva confia em mim. Ela sabe que faço tudo pra deixá-la confortável, com tudo fácil de apanhar.
Ao final da limpeza, além de fome, dá mesmo a sensação de que está tudo em ordem. Ao menos piso descalça e sinto que o caminho está livre e o ar mais leve. 
E além do estômago que pede atenção, o coração também anuncia que parece querer visita quando a casa está limpa. Mas chega dessa conversa fiada que não vai levar a lugar algum. Decidi que eu vou pra cozinha e, por ora, é melhor mesmo esquecer essa segunda parte.

31 October 2017

a vida é um piscar e dói mais do que deveria.

Ontem dois irmãos morreram afogados.
Alisson, 20 anos. Andrei, 16 anos.
Estavam desaparecidos e a família desesperada com o sumiço.
Allison era um jovem estudante de Biologia da Ufal, Campus Arapiraca, que seguia seu sonho de tornar-se pesquisador de insetos. Eis que decidiu trilhar sozinho e levou o irmão junto, certamente como apoiador da aventura pela ciência a céu aberto.
Fico pensando na dor da mãe que antes estava desesperada e, na primeira das seguintes segunda-feiras, dormiu sem receber em casa os seus filhos da volta de um passeio de domingo.
Hoje tivemos outra morte no trânsito.
Foram quase 2h num engarrafamento na via expressa e o que eu sabia é que tinha havido um acidente grave.
Junto com o corpo do jovem estendido no chão, a pista sangrava. Quem chorou por ele? Quem o aguardava? Será que estudava? Será que tinha filho? Será que, assim como eu, estava atrasado para o trabalho? Será no quê ou em quem pensava no momento da batida?
Eu, impaciente, só pensava em mim e no MEU compromisso. Eu só não imaginava que veria a cara da morte, assim, no asfalto, e pior, que eu passaria (de novo) com pressa, sem parar, agradecendo por ter o meu caminho liberado.
Partiram 3 que eu soube, em dois dias.
Eu tenho plena convicção que eu não deveria ser tão egoísta ou considerar natural a morte de ninguém.
Eu não deveria seguir como se nada tivesse acontecido.

10 October 2017

devaneios numa terça

Eu tenho o maior desejo de comemorar a vida, ao ganhar uma foto com o nascer do sol, num dia que começa com notícia triste. 
Eu fico toda loba quando me mandam a imagem de uma lua cheia, transbordando pelo mar, naquelas noites mais solitárias.
Eu sigo toda tia babona quando baixa um novo videozinho do meu sobrinho, justamente quando tudo parece perder sentido.
Eu fico toda emocionada quando sou lembrada por gente querida, e até por simples colegas, com matérias, artigos, teses, livros que tratam de relações étnico-raciais, ensino superior, políticas educacionais.
Eu me desmancho inteirinha quando recebo poesia ou um "passando pra te mandar um beijinho grande".
Eu sou uma sortuda. Já ganhei algumas canções lindas. Recebi uma, por telefone, de um certo alguém que não conheci e incorporou Hebert Viana e me perguntou cantando "quais são as coisas e as coisas pra te prender?". Não respondi e a paixão seguiu platonicamente linda.
Ah... eu já ouvi (só pra mim) a versão de "Lambada de serpente". Isso nunca vai ter preço.
De fato eu enlouqueço quando um mimo virtual me faz sorrir pra uma tela fria, mas tão quente.
#devaneiosnumaterça

22 August 2017

meu blog aos 8 (não parece que foi ontem)

Quando lembro dessa mesma data, oitos anos atrás, após um longo dia de aulas de pós-graduação em Psicopedagogia, surge da memória todo o cenário à minha volta, quando resolvi criar um blog, esse que vos fala, o Foi assim:
Foi naquela noite, sentada num quarto de hotel, numa noite fria do típico inverninho da região sudoeste da Bahia, na cidade de Seabra, considerada a capital da Chapada Diamantina, que está situada a quase 600 km de Salvador, que publiquei a primeira postagem intitulada No interior, o meu interior
Eu procurava, na verdade, dar sentido às vivências daquela época e por isso me sinto até nostálgica ao lembrar desse período da minha vida. Tanta coisa aconteceu. Tanta coisa mudou em mim. Outro dia me dei conta da minha falta de leveza. Do quanto estou pesada. Do peso que é pensar tanto, fazer tanto, lembrar tanto, de tantas coisas que vivi ou que tenho que fazer, providenciar, responder, produzir ou prestar contas. 
É assim que vivo hoje: prestando contas. É um viver quase no automático, sem tempo para ser leve. Sem desejo de ser leve. Isso dói. 

21 April 2017

a baleia azul já não é a mesma

Com a rotina engolindo, algumas vezes demoro para querer me envolver ou compreender algumas questões repetidamente postas nas mídias.
O caso da baleia azul, por exemplo, eu não conseguia sequer associá-lo a coisas ruins. Eu simplesmente não parava para ler nada a respeito. Quando via escrito "baleia azul" relacionava imediatamente com infância, filmes, beleza, mar, imensidão, natureza, vida.
Mas nada como mais um feriado num mesmo mês, para nos forçar a dar uma pausa nas questões do trabalho. Parece um "domingo" a mais, né? Então hoje aproveitei o dia de folga, e li algumas matérias, assisti vídeos, procurei entender o universo desta "baleia azul".
Que triste mundo é esse, com tanta gente sofrendo e sendo seduzida por jogos mortais??
Sobre esse jogo, cujo nome é realmente atrativo e estimula justamente as nossas melhores lembranças e conhecimentos prévios, infelizmente descobri que não é bem sobre vida e sobre beleza que ele trata. Embora seja jogo, também não é uma brincadeira e não é divertido. É sobre tudo o que é ruim: morbidez, violência, intimidação, isolamento, repressão, dor, silêncio, depressão, perda, tristeza, morte.
Pais e adultos que cuidam de crianças ou adolescentes que já fazem uso de dispositivos móveis como celular, ipads, tablets e notebooks... atentem-se. Passem mais tempo com seus filhos. Cuidem das suas relações. Dediquem atenção. Doem amor. Escutem mais e melhor. E claro, vigiem o sono, os interesses, as companhias, os (des)afetos. Observem tudo. Sejam próximos. Abracem mais. Levem a sério qualquer sinal de depressão. É doença. Não é frescura. Não é mimimi de "aborrecentes", expressão tão casual e que muitos de nós a usamos, sempre de modo generalizado e tão irresponsável, né? 

Fica aqui a minha indignação e profunda tristeza.
Embora eu não tenha filho, tenho sobrinhos para amar e cuidar, e como professora convivo com estudantes muito jovens. Sempre torço para que só coisa boa aconteça em suas vidas e que o melhor estará reservado para todos eles, no futuro

... mas, que futuro teremos do jeito que o mundo anda??? Não sabemos.

9 April 2017

ainda vivem um luto

A história dos dois começou com doses de troca de olhares. Na correria do trabalho, chegou um momento em que ela precisava admitir que buscava encontrar aquele par de olhos que a fitava profunda e longamente, até mesmo quando estava mais distraída.
Foi um tempo de muitas demandas para ambos. De atropelos. De prazos. O ano estava frenético. Parecia que tudo era urgente. E o que se passava entre eles também se fazia urgente viverem à exaustão.

1 November 2016

sobre o dia do FICO

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades".
"Verdade que uma escolha sempre implica numa renúncia".
"Não dá para fazer uma omelete sem quebrar uns ovos"".
"Uma renúncia nem sempre é prejudicial ou nos fará infelizes".
"O mais legal do fim de um ciclo é saber que vem outro, logo em seguida".

Parecem bem simples esses pensamentos. Mas carregam grandes significados e sentidos. Dependem do tempo para cada um de nós.
Para mim, significam muito.
Para mim, decididamente, viver na corda bamba, na dúvida, não deve ser coisa boa nem para librianXs. (risos)
Enfim, que os novos rumos e deliciosas novidades cheguem (com vontade) em meus dias.
A partir de hoje, viverei numa "Outra Maceió".
Aos meus sonhos, que não envelhecem jamais, sigo com o meu desejo de continuar sonhando em ser feliz.
E quero construir a minha felicidade aqui mesmo, nessa terra ESCOLHIDA, cheia de encantos e sofrimentos, dos quais me sinto responsável e por isso estou obstinada em querer contribuir para romper muros, desfazer nós e (quem sabe) construir outras pontes.

23 October 2016

"eu chovo"

Ando pensando sobre meu presente. Das coisas que me desagradam; das coisas que me fazem bem; das energias que ando sentindo à minha volta; das boas e das más energias. Sempre fui muito cética com essa coisa de "tem que ficar em silêncio" e que o "segredo do sucesso é ficar de boca fechada". Sempre fui muito exposta. Não acredito que mudarei aos 46 do segundo tempo. Se uma das minhas marcas é a exposição na escrita, mais do que na fala, é na escrita que vou materializar o que penso, doa a mim, doa a quem doer.
Esses últimos meses estão sendo muito difíceis. O semestre mais longo na universidade. O estresse mais pesado na feitura dos trabalhos. O cansaço mais intenso todas as noites em que me deito. E o que dizer da tpm? Nossa, parece que o tempo passa e cada mês vem mais forte e imperativa.
Estou rodeada de afazeres, de prazos, de demandas a cumprir. Não sobra muito tempo que nem esses domingos chuvosos, para chover. Hoje é um presente sim. Um dia em que posso chover.
Descobri esse verbo numa canção de Adriana Calcanhotto. A primeira da seleção que fiz e que ainda vou aprender a tocar no violão. Esse é um sonho bom. Que nutro, faça chuva ou faça sol.
Tenho estado arisca, silenciosa, intransigente, intolerante, radical. Há coisas que já resolvi na cabeça. Não tem jeito de voltar atrás. Desisti de seguir alguns (ditos) amigos. Seguir na palavra estrita: estar perto, socorrer, festejar, querer estar perto, querer socorrer, querer festejar. Sigo mais só que acompanhada. Sigo o meu caminho, com muitas incertezas. Se fico mais, se fico menos. Se arrisco mudar, se desisto. Sigo carente, desejando viver um novo amor, porque acredito que amar pode dar certo, mesmo tendo tido frustrações tão fresquinhas, que vez ou outra me atrapalham o sono. Sigo tensa, mas sabendo que não posso contrariar minha intuição que agora me diz que preciso silenciar mesmo, ainda que seja por um tempo. E me despeço daquilo que não acredito ser bom viver. É como se estivesse diante de uma grande encruzilhada. Como se estivesse tentando encontrar a direção, mesmo que não seja 31 de dezembro, ainda. O passado ficou lá atrás. Daqui de onde me enxergo, só quero construir pontes com gentes desinteressadas, de olhares e desejos cúmplices, que me aceitem, me respeitem, que não me invejem. Não quero, não preciso, não sou obrigada.

9 October 2016

sobre separações e divórcios

eu nunca dividi espaço com um namorado. Nunca me casei. Quis a vida que esse tipo de contrato não fizesse parte dos meus dias. Pode ser que ainda aconteça. Mas sou reticente mesmo. Desconfiada. Desconfio que há outras formas possíveis e interessantes de nós nos relacionarmos, sem dividir o mesmo teto, o mesmo banheiro, um mesmo endereço. Mas não sou contra uniões, desde que sejam estáveis e tragam vida feliz aos pares. Não gosto de triângulos. Não sou da matemática. Vai ver é isso. Se há um a mais, ou a menos, penso que é mesmo melhor que cada um siga só, do seu jeito, sem ferir, humilhar, enganar, mentir. Definitivamente, viver uma vida dupla não é uma boa. Não, mesmo. No entanto, o divórcio nos convoca a repensar o que foi aquela relação. Sobre o que poderia ter sido, o que pode ainda ser. Sem nunca ter me casado, acredito que se houve ali uma aliança feita, seja num altar ou apenas entre dois sujeitos comprometidos em seguir juntinhos até... enfim, fico triste. Fico muito triste. Não desejo ver ninguém infeliz, incompleto, sofrendo. Na verdade as famílias também sofrem separações. Mas não deveriam divorciar-se. Vamos torcer para que todos e todas que optem por esse corte mais radical, sobrevivam às suas dores e recuperem o sorriso natural de ambos. Na torcida. 😢

2 September 2016

perderam eles

Recentemente fui avaliada de forma equivocada, num processo seletivo. 
Questionaram e concluíram as avaliadoras que eu não atuava, não estava alinhada e não tinha produção acadêmica sobre gestão e política educacional, por ser eu psicopedagoga e também pesquisar sobre questões étnico-raciais. 
Ora, se tivessem tido o cuidado e a devida atenção com minhas comprovações do currículo; tivessem lido apenas o resumo de um dos meus artigos e, ainda, saíssem dos seus quadrados, que disciplinam saberes, chegariam a conclusão de que o conhecimento é circular. 
E eu? Sou redonda. 
Perderam a oportunidade de serem justas. 

30 August 2016

nossa primeira crise dos 7 anos

Primeiramente... foi tanta coisa pra fazer, em tão pouco tempo, que esqueci de comemorar o  seu aniversário, filho, no último dia 22 de agosto. Uma certa madrinha ficou de preparar uma nova roupagem, pra sua festa de 7 anos! Dizem ser bodas de lã! Haja novelo... haja narrativa!!! Bloguito, mamãe anda sumida mesmo. Não é falta de assunto ou de desejo. Amo escrever e meu único alento, em tempos tão duros e feios, ainda é desabafar e despejar na escrita sobre o que me afeta. Se puder me perdoar, me dá um tempo que vou caprichar na próxima produção textual!! E finalmente, para sempre, FORA TEMER! Resistiremos. O nosso presente: Tu (também) não vai ficar no poder.

17 August 2016

há vaias e vaias: o que é ser cordial no Brasil?

"Onde foi parar o homem cordial?" Uma boa pergunta que cabe diferentes análises. Será que tivemos bons modelos europeus de cordialidade nos idos 1500? Como trataram índios habitantes nas terras tupiniquins? Como trataram os africanos submetidos ao regime da escravidão? Aprendemos a ser cordiais, verdadeiramente? Aprendemos o que é XENOFOBIA? Construímos muros entre pessoas, gêneros, raças, nações? Construímos preconceitos horríveis? Aprendemos a hostilizar? Essas deveriam ser as perguntas em uma manchete. Cordial como? Desde quando? Pra quem?? Pode ser seletiva? Cabe aqui, não cabe acolá? Quando vaiam e xingam em alto e bom som, aos gritos, numa via PÚBLICA, uma mulher de "VACA", "PUTA", por ela defender a DEMOCRACIA, num país que a está perdendo, a cordialidade reside em que, em quem??? Vaiar é um gesto agressivo e muito simbólico sim, e não de hostilidade apenas, mas, de certo modo, também de um patriotismo equivocado. Muita gente não sabe respeitar ou ser cordial com certos brasileiros e certas brasileiras, imagine se serão com quem vem de fora?? Outra prova de não-cordialidade à brasileira: nosso país está hoje governado por um vice-presidente usurpador, que conquistou o lugar por puro golpismo e traição a quem a ele se aliançou. Merece vaias? No meu entendimento, merece sim. Muita gente o rejeita e ele bem sabe os motivos. Do contrário não TEMERia aparecer em locais públicos. Ele sequer aparece para defender-se. Vai nos dizer o que? Não consegue. Agora um atleta de outra nacionalidade ser vaiado por uma torcida? Faça-me o favor, isso já é uma marca das arenas da vida e do mundo. Isso não é espírito olímpico, é completamente abominável!!! Concordo. Não fomos cordiais com Leticias. Não fomos cordiais com franceses. Não somos cordiais com negros, negras, idosos, idosas, e com a comunidade LGBT. Precisamos aprender a ser cordiais com todos os seres humanos, animais, com a nossa natureza. A empresa que poluiu rios e mares não foi nada cordial. A boa educação vem de berço? Não, mas pode e deve ser construída cotidianamente. Finalmente, FORA TEMER!
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Observação importante: esta postagem é uma "resposta-pergunta" ao jornalista Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, que publicou a matéria: As vaias ao francês Lavillenie mostram que a cultura do ódio triunfou entre nós.

1 August 2016

missão cumprida: 1 ano depois

Hoje é uma data marcante em minha vida profissional. 1 ano em que estive afastada da UFAL e que foi cumprido com muito trabalho e ética. O meu afastamento, 100% financiado por mim, permitiu não somente desenvolver uma pesquisa intercalada do doutorado, numa universidade fora do país, como também oportunizou conhecer muita coisa boa, provar sabores, visitar lugares lindos e também conviver com outras gentes. Foi muito aprendizado! Se não fosse a minha ousadia, não teria chegado na esquina. Nasci na roça, fui educada para viver com simplicidade. E embora tenha alcançado muito capital cultural, mantenho a simplicidade como princípio maior em meus dias, independentemente de ter viajado tanto. Foram 7 países incríveis visitados, a melhor impressão do mundo para os turistas e a pior das impressões para os imigrantes. Do lado de cá do Atlântico, também acumulamos muitos problemas, sim. Do racismo ao fascismo. Mas o Brasil, especialmente no Nordeste, continua sendo o meu lugar de pertencimento, de alegria e paz. Há que lutarmos muito para que muito mais gente possa ter oportunidades como a minha. O que desejo viver, também desejo que todXs possam viver. O meu quintal está florido. Quero o mundo todo arborizado! Basta de privilégios para uma minoria. Vamos pensar grande! Vamos brigar por conquistas sociais e coletivas. Vamos brigar pelo fim das opressões! Educação é dever do Estado. Tem que ser pública, laica, democrática, gratuita.

28 July 2016

enquanto chove...

Na rua onde moro também habitam alguns moradores de rua. Esteja chovendo ou não, todas as noites, antes de dormir, dedico um tempo em silêncio, pensando sobre isso, ainda que de modo distanciado. Tenho consciência dos meus privilégios, sim, mas isso não me impede de procurar por eles/elas, pelas crianças que crescem e brincam, resistindo às condições adversas, desfavoráveis e perigos presentes no "nosso" entorno.
Claro que gostaria de não vê-los mais ali, sem teto, naquele chão frio, sujo, impróprio para menores, maiores, jovens ou idosos/as. Gostaria de saber que receberam (por direito) dos poderes públicos,um endereço fixo, uma casa de verdade, e não de improviso, para que pudessem residir e desfrutar de um lar, com a mesma dignidade que eu ou qualquer outro ser humano deve ter.
Em dias chuvosos como esse, aproveito para agradecer e também esperançar.
Agradeço pelo aconchego do meu lar, pelo meu trabalho, por todas as minhas conquistas, pela comida que nunca falta e sobretudo pela possibilidade de estar sempre indignada frente à essa realidade, que é gritante e salta aos meus/nossos olhos.
Os moradores da minha rua não são e nem estão invisíveis. Ao menos para mim, nunca estarão. Espero que eu consiga continuar esperançando que essa dureza e crueldade sejam solucionadas pelo Estado que, no meu entendimento, tem o dever de cuidar e proteger a sua população vulnerável.