Showing posts with label causosdefamília. Show all posts
Showing posts with label causosdefamília. Show all posts

19 June 2019

teste

Faz tempo que deixei de consumir roupas e sapatos.
Confesso meu vicio. Eu já fui muito viciada, consumista, que entulhava a casa com novidades no vestuário. Bastava o inverno apontar na esquina, e lá ia eu, correndo pra ver o lançamento das botas, minha maior coleção.
Quando me dei conta de que já era adulta, passei a me deliciar com a montagem da casa dos meus sonhos.
Por isso minha surpresa hoje, quando percebi o quanto estou feliz e alheia aos modismos. Há bastante tempo que eu não me encantava com alguma peça numa vitrine. Eis que meus olhos cintilaram, com um coração em cada um, ao ver a calça listrada mais linda e mais minha cara que existe.
Eu estava calçando havaianas, de mochila, cara lavada, e adentrei a loja sem sequer prestar atenção em que loja eu estava entrando, afinal “eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome” e quase nunca presto atenção em marcas!
Pois bem, perguntei pra vendedora que me mediu de baixo pra cima, começando pelas unhas expostas e recém-pintadas de “nude”.
- quanto é essa calça?
- qual?
- essa aqui!
- ah... deixa eu ver...
(aposto que sabia de cor, mas queria me humilhar)
- 636.
- como?
- 636 reais.
- ah, tá.
Não preciso dizer que não comprei, né? Prefiro investir num tapete pro meu quarto. Durará mais invernos e aquecerá meus lindos pés!

#elaadoracausos

11 May 2019

cenas no shopping

Cena 1

“Quando você está sozinha comigo você é um saco, fica reclamando o tempo inteiro”.
A menina ouviu calada e seguiram de mãos dadas, shopping a dentro.
A única melhor parte do que acompanhei: não soltaram a mão uma da outra. ❤️

Cena 2

-filho, senta aqui.
- e meu almoço?
- seu pai foi comprar.
(menino com cara de tédio,ficou em silêncio)
- quer meu celular?
(menino continuou indiferente, enquanto a mãe colocava um joguinho no celular dela pra ele)
- toma.
(o menino começou a jogar e ela ficou ali, olhando pro chão, batendo os dedos na mesa...)

Cena 3

Choro de bebê é batata! Não tem quem não olha curioso e segue o olhar acompanhando de onde vem o som até chegar no pranto desesperado.
E eu ali, à toa, filmando....
A mãe estava super arrumada para o passeio no shopping. Ela vestia uma saia longa com estampa de um felino. Seria uma estampa de onça? Não faço ideia, mas percebi que tentava distrair sua filhinha, que devia ter uns 7, 8 meses.
A garota chorava muito e notei rapidamente que também usava uma roupinha encomendada, só que com estampa de outro felino, que também não consegui identificar qual era!
É que tem detalhes muito parecidos, inclusive nas cores, a exemplo de muitas pintas pretas mescladas com tons de amarelo ou laranja. A guria também tinha um laço em volta da cabeça.
Eu não posso comprovar mas é muita coincidência: toda criança que chora muito e tem algo amarrado na cabeça, bem... penso logo que deve ser esse enfeite feio, exagerado, que pode estar doendo, machucando, irritando. Deu vontade de levantar rápido, dizer “oi, com licença” e retirar aquele laço antes da mãe reagir.... quem não??

9 October 2015

a criança já era

Não, não consigo mais postar fotos da minha infância. O momento da adulta (que pretendo me tornar) exige de mim tal adequação. Tive momentos lindos de vida em família até os 12 e meio, mais ou menos. Me lembro que desde cedo eu tive liberdade irrestrita para ir e vir, sair e viajar com os amigos. Talvez a minha sorte é ter aprendido a fazer uso com sentido, desse "estar livre pelo mundo". Mas adolescer foi muito custoso, sem ter meu pai por perto. A morte é ridícula e invasiva na vida da gente. Poderia ser diferente. Não faço ideia de como. Assim, penso que amadurecer é tão difícil quanto necessário. De fato fui uma criança muito feliz. Mas fazia muita careta e também chorava muito. Nada mudei. Nem numa coisa nem em outra. Hoje o dia começou de madrugada, vendo um reencontro muito lindo no aeroporto: casal de enamorados se reencontram, após um ano, trocam alianças e juras de amor, aos pares de olhos curiosos naquele saguão. Hoje teve a defesa do meu amigo, outro momento lindo. Consegui definir quando será a minha, para logo mais. Tudo lindo. O dia foi longo, mas também triste. Minha mãe tomou uma queda, num piso escorregadio. Tava escuro e ela não percebeu que estava molhado. Felizmente não foi nada sério e ela está cercada de cuidado pelos nossos. Mas não quero acreditar que seja a primeira queda de outras tantas. Sinto muito por não poder estar ao lado dela, fazendo parte dos seus dias, dores, sustos e das pequenas e simples alegrias do cotidiano. A velhice bate à nossa porta e é impositiva. Eu não me lembro mais da voz do meu velho. Nem do cheiro, ou do seu olhar. Não há o que comemorar sabendo que a memória falha, com mais frequência. Nada mais de querer ver foto daquele tempo.  

26 July 2015

bença, vó?

Estou sem o cheiro de minha avó Maria Costa faz muito tempo. É muito pior esse mundo sem ela. Era um mistura de paz, alegria, brabeza, colo, aprendizados, esperança, ironia, bençãos. Cada dia ao lado dela era comemorado com beijos, abraços e sorrisos em volta da mesa do café. Me emociono com as demonstrações de afetos. A lagrimazinha teimosa, pela falta dela, me acompanhará hoje, como sempre faz quando (re)bate essa saudade, que só cresce. Sorte dos que ainda tem avó, avô, bisavó, bisavô pra abraçar, pra proteger e pra cuidar.

16 March 2015

um dos meus pais

Eu não me canso de repetir isso. É que ele nos deixou cedo demais. Eu tinha 12. Ele tinha 18. Em meio à nossa vida toda bagunçada, com a ausência do nosso velho, foi ele quem tomou a frente da difícil tarefa de continuar provendo tudo em casa: do pão ao leite, da verba para pagar as despesas às nossas fardas. Estávamos todos muito bem acostumados a confiar no talento do nosso querido homem da casa, para gerar renda e alegrias em volta da mesa. O mundo despencou sobre nossas vidas. Minha mãe perdeu o marido, nós perdemos o nosso pai, o mundo perdeu um ser humano especial. E assim seguimos nós. A mulherada toda de Seu Waldemar, incluindo a nossa vó Maria [que morava conosco], sob uma "nova direção". O meu mano Val, que amanhã completa 50 anos, teve que distanciar-se da escola e se entregou de corpo e alma ao mundo rural. A sorte é que ele amava cavalos. A nossa sorte é que ele realmente amava tudo o que nos foi herdado. Junto com meu Tio Di, deram continuidade ao trabalho que meu pai iniciou. De pai pra filho. Meu mano aniversariante sustentou bem a nova missão. Cuidou da gente e dos manos mais novos com todo o amor e responsabilidade que tinha, tão jovem.
E ele cresceu e se apaixonou pela Vaquejada, depois por sua amada e única namorada. Com ela se casou, teve três filhos lindos. Das coisas que me lembro, do passado, não me vem à mente nada que não seja uma linda convivência familiar. O meu pai, bom em matemática, foi muito esperto: preparou os três filhos para serem unidos e apaixonados por terra, gado, cerveja e futebol. Mais que isso, preparou os três para se tornarem nossos pais. Cada um ao seu modo, eles realmente continuam cumprindo essa função da paternidade. Nossa mãe é a filha mais querida. Babam por ela.
Eu amaria ter uma varinha mágica, meu mano cinquentão, para chegar até você, não através de palavras. Queria só te abraçar e te agradecer por ter conseguido o feito de cuidar da gente, como o nosso pai teria feito. Queria te dizer, também, que eu te amo muito e que você precisa viver para sempre. Com esse seu jeito despachado, briguento e divertido. Com esse olhar durão e com esse coração mole. Parabéns, Leu. Continua a tocar sua boiada e sua terra e sua madeira. O dia melhor é sempre o que está por vir. Estaremos te esperando sempre, em volta da mesa, com um bobó ou uma lasanha ou um bacalhau com o vatapá, ou aquela bela feijoada que você adora. Queria cantar parabéns, te dar um abraço e dizer que sou sua filha, sim, e com muito orgulho.

27 October 2014

saudade sem fim

Briga entre irmãos significava [ter que] abraçar depois. Meu pai sempre nos obrigava a cumprir esse ritual. E no caso de choro, bem, era preciso chorar bem longe dele [gritava alto: VAI CHORAR NO MATO!]. Minha mãe e minha avó eram suas cúmplices. Ficavam quietinhas e não se envolviam. Fato é que a gente o obedecia: chorava no mato e logo depois já nos abraçávamos combinando novas brigas. Sempre com um sorriso de canto de boca, de alívio pela trégua do dia. ‪#‎seuWaldemar‬ ‪#‎amomeusirmãos‬

16 September 2014

Oh, senhor!

Precisava escrever sobre esse causo. Minha família e os causos. Lá vai mais um:

29 August 2012

[Para] uma menina-mulher, sonhadora e viajante

Não sei como os amigos blogueiros se inspiram para escrever. Se o título nasce antes ou depois da postagem. Se precisam de um "estalo" ou de algum elemento diferente, que esteja perto do ambiente aonde está o computador. Se escrevem e postam dias depois. Se revisam imediatamente ou se publicam logo, para garantir a sensação gostosa de um novo escrito. Se precisam de música tocando, de barriga cheia, de vinho, de chuva lá fora, ou sol brilhando.
Eu confesso que sou uma mistura disso tudo aí, mas publico imediatamente após escrever. Depois volto, reviso, capricho, passo glitter. Mas o que mais me motiva a escrever, sem dúvida, é o quanto estou afetada pelo objeto ou sujeito da minha escrita.
Pode ser derivado de uma experiência vivenciada num aeroporto, num ônibus, numa estrada, numa curva, ou parada, numa conexão forçada, que não temos o que fazer, senão esperar, esperar.
Pode ser num contexto outro, apenas por viajar nas memórias da minha vida em família. Sim, este é o caso da inspiração de hoje. Escrevo agora, por amor a alguém, que me pediu um texto de presente! Então, lá vai...