Aos 12 anos eu tinha muito mais imaginação que hoje.
Eu fantasiava que a minha vida seria sempre cercada da família, dos meus irmãos e meus pais.
Eis que a história roubou esse sonho e aos 12 perdi o convívio com meu pai, que partiu sem nem dizer tchau.
Verdade que eu não quis e nem iria querer uma despedida. Mas essa falta do seu olhar sobre mim me faz questionar qual o sentido para muitas coisas que nos acontecem e nos assombram, aquelas coisas terríveis que machucam, que causam dores, sofrimento, angústia e tristeza nesse mundo às avessas.
Então 12 sempre vai ser isso: uma justa homenagem aos 12 anos que convivemos, meu pai.
E me tornei doutora há 4 anos atrás, no dia 12 de novembro de 2015.
Na minha imaginação bem menor que a de antes, juro que senti você presente, no ar, nos sorrisos, naquele auditório cheio de gente que gosta de mim. O senhor estava ali, para me dar força e me fazer concluir uma etapa tão importante na minha trajetória profissional.
De lá pra cá tudo mudou! De lá pra cá eu já perdi a esperança e a recuperei tantas vezes.
Qual o sentido dessa vida sem você, sem minha mãe e meus manos por perto? Sigo sem resposta.
Só me conforta saber que sigo honrando seu nome e lutando pelo que acredito!
Obrigada por ter ensinado uma menina de 12 anos a seguir de cabeça erguida e continuar a viver, mesmo longe de tanta gente que ama, mesmo sem receber seus abraços e suas broncas. Como fazem falta! Eu acho que preciso de limite.
❤️
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12 November 2019
5 March 2019
antes e depois do glitter
Sabe a diferença do carnaval de rua para o carnaval das elites e das redes sociais?
O povo aqui não é robotizado, não copia e cola manchetes que sequer checam a veracidade.
O povo com samba, frevo, maracatu, axé ou qualquer ritmo no pé, denuncia as fake news e a onda de corrupção.
Denuncia o fanatismo político.
Denuncia a farsa do rombo na previdência.
Denuncia o laranjal do PSL.
Denuncia a impunidade.
Denuncia o racismo.
Denuncia a homofobia.
Denuncia o machismo.
Denuncia o machismo.
Denuncia o golpe parlamentar que estamos vivendo.
Denuncia a mídia, cúmplice dos mal feitores.
O povo nas ruas grita e exige escuta até de quem não quer ouvir.
O povo insiste em dizer o que incomoda, sem medo de ser feliz.
Isso é desobediência civil.
Isso é o que sobrou da nossa frágil democracia.
Isso é o bom combate.
Isso é resistência.
Isso é #MarielleFranco, mais viva que nunca.
Isso é parte do legado #Lula, mais livre e mais gigante que antes.
O nome disso é liberdade de expressão.
É descontentamento.
É também alívio.
E é alegria, porque nos estimula a expulsar a opressão que vivemos, usando nossos corpos e nossas vozes como formas de protestos. Nada de armas nas ruas!
Bom estar presenciando isso porque eu estou e faço parte dessa luta nas ruas neste carnaval!
Parabéns às escolas de samba Mangueira e Paraíso da Tuiuti e aos brasileiros e as brasileiras, de norte a sul desse país, que aproveitaram essa festa POPULAR para exigir o compromisso histórico com a verdade, nua, crua e lindamente fantasiada. ❤️
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9 February 2019
culpados não existem?
Na nossa vida privada, assim como na vida pública, a morte está sempre a espreita. É bem verdade que é a única certeza: todos iremos morrer, mais cedo ou mais tarde.
4 September 2018
é tudo mentira nesse bilhete
A solução é privatizar tudo!
Escolas, universidades, hospitais, estradas. Imaginem aí... museus sendo administrados por organizações sociais e empresas... querem queimar (ops) e acabar com todos os nossos bens públicos e o discurso que predomina e convence quem não lê a realidade com lentes críticas, também acredita e propaga a ideia que as instituições públicas não sabem fazer gestão dos seus recursos.... bom... a mídia golpista tem ajudado a consolidar a ideia, tão impregnada da intenção política de desqualificar gestores públicos... assim o estado deixa de arcar com suas obrigações e passa a ser cada vez mais mínimo... estado pequenino que vai trabalhar para isentar impostos e conceder vantagens para os ricos e abastados... 0,1% da população vai ficar feliz, porque 99,9% não terá nenhum direito social assegurado.
O ódio partidário tem a ver com a ideia de que a desigualdade social é natural e legítima: tem que continuar existindo assimetria sim.
Pobre e preto cursando medicina? Nem combina com jaleco branco.
Pobre e preto com iPhone? Roubado.
Pobre e preto circulando em shopping? É vandalismo na certa.
Pobre e preto andando de avião, comprando carro? Não pode, não deve.
Pobre e preto na mesma praia que aqueles que odeiam a galera da esquerda radical? Não podem. Precisam de ilhas. Precisam de muros altos e cercas elétricas.
O Brasil global que alguns querem não tem imigrante, não tem favelado sonhando com ascensão, porque sabe que tem que servir o patrão, a patroa.
Escolas, universidades, hospitais, estradas. Imaginem aí... museus sendo administrados por organizações sociais e empresas... querem queimar (ops) e acabar com todos os nossos bens públicos e o discurso que predomina e convence quem não lê a realidade com lentes críticas, também acredita e propaga a ideia que as instituições públicas não sabem fazer gestão dos seus recursos.... bom... a mídia golpista tem ajudado a consolidar a ideia, tão impregnada da intenção política de desqualificar gestores públicos... assim o estado deixa de arcar com suas obrigações e passa a ser cada vez mais mínimo... estado pequenino que vai trabalhar para isentar impostos e conceder vantagens para os ricos e abastados... 0,1% da população vai ficar feliz, porque 99,9% não terá nenhum direito social assegurado.
O ódio partidário tem a ver com a ideia de que a desigualdade social é natural e legítima: tem que continuar existindo assimetria sim.
Pobre e preto cursando medicina? Nem combina com jaleco branco.
Pobre e preto com iPhone? Roubado.
Pobre e preto circulando em shopping? É vandalismo na certa.
Pobre e preto andando de avião, comprando carro? Não pode, não deve.
Pobre e preto na mesma praia que aqueles que odeiam a galera da esquerda radical? Não podem. Precisam de ilhas. Precisam de muros altos e cercas elétricas.
O Brasil global que alguns querem não tem imigrante, não tem favelado sonhando com ascensão, porque sabe que tem que servir o patrão, a patroa.
5 July 2018
a saudade já é eterna
- Alô?
- Alô, o que amiga? Tu não tá vendo aí que sou eu? Pra que serve o identificador de chamadas?
- Oh Juju... eu sou da geração baby boom, anos 60...
- Sim, amiga, mas tu é das TICs... identificador de chamadas já existe... não seja contraditória...
- Mas é um hábito antigo... é tocar o telefone e digo "alô".
- Oh senhor...
- Mas diga aí, minha irmã.. o que você manda? Tá por onde?
...
...
Era assim que nos falávamos TODOS OS DIAS. Anamelea com suas idiossincrasias. Anamelea sendo Anamelea. Anamelea do signo de aquário e de ascendente em Peixes. Anamelea, a brasileira mais francesa, com descendência portuguesa e seu sotaque paulistano, com sua voz lindamente forte, quase uma locutora de rádio.
Eu vou me lembrar sempre disso, toda vez que alguém atender uma ligação minha no celular e me disser "alô".
Eu vou me lembrar dos nossos ricos diálogos, da nossa cumplicidade.
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1 July 2018
heróis não existem
Argentina e Uruguai foram os primeiros países que conheci fora do meu. França, o primeiro da Europa que ousei chegar. Portugal, lugar que escolhi pra estudar. Passei pelos 4 com muita humildade, respeito e curiosidade pelas suas culturas e povos. Não acredito em heróis e por isso não faço chacota dos seus jogadores. O futebol é um esporte que emana a paixão das crianças, dos jovens, dos mais velhos também. Ser brasileira em outras terras sempre me causou essa impressão. O fervor pelas ruas em dias de jogos é muito lindo. Como baiana que sou, amo as torcidas do BAVI e não compreendo um time por um único jogador bom de bola. Time é time. Cada jogo é um jogo. Não creio que Messi e Cristiano Ronaldo deixaram de ser melhores jogadores apenas por uma única partida!! Só não são a bola da vez, nesta copa. A mídia não sabe lidar com esse fato. É preciso criar uma cultura de ídolo? Não. Não precisa. Os torcedores continuarão amando o futebol, seus países e seus times.
28 June 2018
semear milho, colher canjica: por que não?
O mês de junho, melhor do ano depois de fevereiro, trouxe muita coisa boa, mais milho na comida (risos), mais milhas geradas nos ares e nas estradas, mais desejo de viver na simplicidade, sem querer nem mais nem menos, sempre em paz, torcendo por menos dor, mais saúde, mais torcida a favor que contra.
o mês dos santos prediletos me faz surpresa todo ano. O mês de Antônio, João e de Pedro (amanhã), gera milagre pra quem tem fé, pra quem acredita que o mundo pode ser menos hostil e que podemos confiar mais uns nos outros.
Muitas lágrimas secaram. Outras insistem. A luta não cessa.
Torcendo muito pela recuperação de minha amiga querida. Torcendo muito por todos os meus afetos. É que quando perdemos presenças lindas em nossos dias, devemos insistir por vida plena e feliz para os que estão vivos e presentes.
o mês dos santos prediletos me faz surpresa todo ano. O mês de Antônio, João e de Pedro (amanhã), gera milagre pra quem tem fé, pra quem acredita que o mundo pode ser menos hostil e que podemos confiar mais uns nos outros.
Muitas lágrimas secaram. Outras insistem. A luta não cessa.
Torcendo muito pela recuperação de minha amiga querida. Torcendo muito por todos os meus afetos. É que quando perdemos presenças lindas em nossos dias, devemos insistir por vida plena e feliz para os que estão vivos e presentes.
6 February 2018
7 anos não são 7 dias
Hoje completo 7 anos que passei a residir nas Alagoas.
Me lembro bem que cheguei em Maceió de ônibus, após 16h de viagem e também de muito choro da família na despedida, lá mesmo onde a noite esfria, em Vitória da Conquista.
Cheguei com malas, caixas e muitas expectativas sobre a nova morada, o novo trabalho, os novos amigos, os novos sonhos.
Lá em 2011 eu tinha menos ousadia que hoje. Mas me sobrava romantismo. Ah, tá. Sigo romântica. Mas bem menos, com certeza.
Foram 7 anos bem vividos, com muitas conquistas pelo caminho: doutorado, um sanduíche em Portugal, viagens fantásticas, turmas lindas na Pedagogia e nas licenciaturas, amigos que eu ganhei.
Que eu possa continuar firme nas minhas lutas diárias.
Que eu possa sonhar muito ainda.
Que independente de onde eu esteja, que eu valorize as minhas memórias.
Que eu sempre comemore a minha história.
Isso é legitimar o que se vive.
É assim que acredito ser possível reunir trabalho e alegria.
Alagoas dos coqueiros mais altos e lindos.
Alagoas da minha amada Ufal, que mais do que nunca precisa concretizar uma Outra Ufal.
Me lembro bem que cheguei em Maceió de ônibus, após 16h de viagem e também de muito choro da família na despedida, lá mesmo onde a noite esfria, em Vitória da Conquista.
Cheguei com malas, caixas e muitas expectativas sobre a nova morada, o novo trabalho, os novos amigos, os novos sonhos.
Lá em 2011 eu tinha menos ousadia que hoje. Mas me sobrava romantismo. Ah, tá. Sigo romântica. Mas bem menos, com certeza.
Foram 7 anos bem vividos, com muitas conquistas pelo caminho: doutorado, um sanduíche em Portugal, viagens fantásticas, turmas lindas na Pedagogia e nas licenciaturas, amigos que eu ganhei.
Que eu possa continuar firme nas minhas lutas diárias.
Que eu possa sonhar muito ainda.
Que independente de onde eu esteja, que eu valorize as minhas memórias.
Que eu sempre comemore a minha história.
Isso é legitimar o que se vive.
É assim que acredito ser possível reunir trabalho e alegria.
Alagoas dos coqueiros mais altos e lindos.
Alagoas da minha amada Ufal, que mais do que nunca precisa concretizar uma Outra Ufal.
22 January 2018
o que é do homem o bicho não come
Essa é uma expressão que ela sempre teve dificuldade de entender, por não acreditar muito em destino. Pra dizer francamente, apesar de gostar da astrologia, de tarô, búzios, linhas da mão e toda a sorte de energia para explicar a subjetividade no mundo material, essa mulher é cética demais. Argumenta, por exemplo, que entre gostar e acreditar tem-se uma distância gigantesca.
Conjectura que se aquário é oposto complementar de leão e se libra é par perfeito de aquário... isso serve mais pra justificar escolhas (ou a falta delas) do que qualquer outra coisa. Não, ela não acredita em nada disso. Duvida completamente que o universo conspira só porque é lua cheia ou porque um arco-íris apareceu do nada, justamente quando estava buscando um sinal dos céus.
Lembra que não é possível interpretar o cosmos, ainda mais sendo leiga de pai, mãe e todos os seus antepassados, num assunto complexo como esse.
Pensando como ela, penso que quando estamos envolvidos, apaixonados tudo ganha dimensões inexplicáveis apenas pela razão. Tem que adicionar música, poesia, sentidos outros.
Eis que essa pessoa tão incrédula, que tem certeza que papai noel não existe, mas sempre liga o pisca-pisca em todo natal, decidiu que quer passar a crer que "o que é do homem o bicho não come". Isso dá um alívio, sabe? Deve ser o máximo quem confia nisso e simplesmente vive tranquilo, sem expectativas, sem ansiedades. Sabe que em algum momento aquele "estalo" vai acontecer e por isso pode viver com essa leveza, sabendo que o melhor vai chegar em sua vida, que o amor vai enfim, pousar em seus dias, e assim vai desaparecer desgosto, desilusão, desencontro, dissabor, distância e o tal ceticismo que até gosta de alimentar entre os amigos cheios de fé e escapulários.
Ela quer acreditar nisso. Veementemente. E está de dedos cruzados, já sorrindo para o mundo inteiro, pela magia dessas palavras que (agora) soam tão verdadeiras.
Conjectura que se aquário é oposto complementar de leão e se libra é par perfeito de aquário... isso serve mais pra justificar escolhas (ou a falta delas) do que qualquer outra coisa. Não, ela não acredita em nada disso. Duvida completamente que o universo conspira só porque é lua cheia ou porque um arco-íris apareceu do nada, justamente quando estava buscando um sinal dos céus.
Lembra que não é possível interpretar o cosmos, ainda mais sendo leiga de pai, mãe e todos os seus antepassados, num assunto complexo como esse.
Pensando como ela, penso que quando estamos envolvidos, apaixonados tudo ganha dimensões inexplicáveis apenas pela razão. Tem que adicionar música, poesia, sentidos outros.
Eis que essa pessoa tão incrédula, que tem certeza que papai noel não existe, mas sempre liga o pisca-pisca em todo natal, decidiu que quer passar a crer que "o que é do homem o bicho não come". Isso dá um alívio, sabe? Deve ser o máximo quem confia nisso e simplesmente vive tranquilo, sem expectativas, sem ansiedades. Sabe que em algum momento aquele "estalo" vai acontecer e por isso pode viver com essa leveza, sabendo que o melhor vai chegar em sua vida, que o amor vai enfim, pousar em seus dias, e assim vai desaparecer desgosto, desilusão, desencontro, dissabor, distância e o tal ceticismo que até gosta de alimentar entre os amigos cheios de fé e escapulários.
Ela quer acreditar nisso. Veementemente. E está de dedos cruzados, já sorrindo para o mundo inteiro, pela magia dessas palavras que (agora) soam tão verdadeiras.
14 December 2017
Catorze do doze
Meu pai foi o primeiro negro que (re)conheci.
O primeiro negro que vi na pele dele, literalmente, o quanto o mundo exclui, intimida e diminui quem não é do universo branco.
Ele nasceu na década de 20, num tempo em que ser preto e bem sucedido era ainda mais exceção que em 2017.
Hoje meu painho faria 93 anos.
Eu queria muito que seu Waldemar de Carvalho Santana estivesse vivo, sorridente, brincalhão e sisudo, ao mesmo tempo.
Eu queria muito que amanhã ele recebesse das minhas mãos, um exemplar do meu livro e me desse um senhor abraço.
Eu queria que ele me visse assim, do jeito que sou: pedagoga, professora, blogueira, escritora e, o principal, muito indignada com essa realidade racista, machista, homofóbica e misógina, em pleno século 21.
Comemoro somente as datas de nascimento daqueles que eu amo e o tempo em vida que juntos trilhamos juntos, antes da partida. Foram só 12 anos.
Eu tenho 12 bons motivos, 12 meses, todos os anos, para agradecer pelos aprendizados, por ter aprendido que a minha luta nesse mundo, é pelo coletivo que ele (e eu) fazemos parte. É também por ele que sigo inspirada e desejante.
O primeiro negro que vi na pele dele, literalmente, o quanto o mundo exclui, intimida e diminui quem não é do universo branco.
Ele nasceu na década de 20, num tempo em que ser preto e bem sucedido era ainda mais exceção que em 2017.
Hoje meu painho faria 93 anos.
Eu queria muito que seu Waldemar de Carvalho Santana estivesse vivo, sorridente, brincalhão e sisudo, ao mesmo tempo.
Eu queria muito que amanhã ele recebesse das minhas mãos, um exemplar do meu livro e me desse um senhor abraço.
Eu queria que ele me visse assim, do jeito que sou: pedagoga, professora, blogueira, escritora e, o principal, muito indignada com essa realidade racista, machista, homofóbica e misógina, em pleno século 21.
Comemoro somente as datas de nascimento daqueles que eu amo e o tempo em vida que juntos trilhamos juntos, antes da partida. Foram só 12 anos.
Eu tenho 12 bons motivos, 12 meses, todos os anos, para agradecer pelos aprendizados, por ter aprendido que a minha luta nesse mundo, é pelo coletivo que ele (e eu) fazemos parte. É também por ele que sigo inspirada e desejante.
31 October 2017
a vida é um piscar e dói mais do que deveria.
Ontem dois irmãos morreram afogados.
Alisson, 20 anos. Andrei, 16 anos.
Estavam desaparecidos e a família desesperada com o sumiço.
Allison era um jovem estudante de Biologia da Ufal, Campus Arapiraca, que seguia seu sonho de tornar-se pesquisador de insetos. Eis que decidiu trilhar sozinho e levou o irmão junto, certamente como apoiador da aventura pela ciência a céu aberto.
Fico pensando na dor da mãe que antes estava desesperada e, na primeira das seguintes segunda-feiras, dormiu sem receber em casa os seus filhos da volta de um passeio de domingo.
Hoje tivemos outra morte no trânsito.
Foram quase 2h num engarrafamento na via expressa e o que eu sabia é que tinha havido um acidente grave.
Junto com o corpo do jovem estendido no chão, a pista sangrava. Quem chorou por ele? Quem o aguardava? Será que estudava? Será que tinha filho? Será que, assim como eu, estava atrasado para o trabalho? Será no quê ou em quem pensava no momento da batida?
Eu, impaciente, só pensava em mim e no MEU compromisso. Eu só não imaginava que veria a cara da morte, assim, no asfalto, e pior, que eu passaria (de novo) com pressa, sem parar, agradecendo por ter o meu caminho liberado.
Partiram 3 que eu soube, em dois dias.
Eu tenho plena convicção que eu não deveria ser tão egoísta ou considerar natural a morte de ninguém.
Eu não deveria seguir como se nada tivesse acontecido.
Alisson, 20 anos. Andrei, 16 anos.
Estavam desaparecidos e a família desesperada com o sumiço.
Allison era um jovem estudante de Biologia da Ufal, Campus Arapiraca, que seguia seu sonho de tornar-se pesquisador de insetos. Eis que decidiu trilhar sozinho e levou o irmão junto, certamente como apoiador da aventura pela ciência a céu aberto.
Fico pensando na dor da mãe que antes estava desesperada e, na primeira das seguintes segunda-feiras, dormiu sem receber em casa os seus filhos da volta de um passeio de domingo.
Hoje tivemos outra morte no trânsito.
Foram quase 2h num engarrafamento na via expressa e o que eu sabia é que tinha havido um acidente grave.
Junto com o corpo do jovem estendido no chão, a pista sangrava. Quem chorou por ele? Quem o aguardava? Será que estudava? Será que tinha filho? Será que, assim como eu, estava atrasado para o trabalho? Será no quê ou em quem pensava no momento da batida?
Eu, impaciente, só pensava em mim e no MEU compromisso. Eu só não imaginava que veria a cara da morte, assim, no asfalto, e pior, que eu passaria (de novo) com pressa, sem parar, agradecendo por ter o meu caminho liberado.
Partiram 3 que eu soube, em dois dias.
Eu tenho plena convicção que eu não deveria ser tão egoísta ou considerar natural a morte de ninguém.
Eu não deveria seguir como se nada tivesse acontecido.
3 October 2017
como é que ainda tem jornalista que nos diz "boa noite"?
No fim da tarde, após um mundo de assuntos finalizados, ela respirou fundo e pensou alto, como sempre faz pela casa inteirinha só dela (e só pra ela):
- chega de trabalhar, agora vou ver como é a tal da nova novela!
Lembrou que isso de falar sozinha está virando parte da rotina e é preocupante.
- bobagem, quem nunca?
Riu de si mesma, se ajeitou no sofá, esticou as pernas, agradeceu pelo clima de outono que insiste na primavera e ligou a televisão.
Estava passando a tal da nova novela de época, com cenas de machismo, de racismo explícito, e com aquela (velha) história repetitiva de pai que não aceita namoro de filha que aparece grávida e ordena que vá pro convento.
- Mais do mesmo, minha gente... custa inovar?
Enquanto pensava sobre isso, seus olhos pesaram e adormeceu antes do jornal das oito que tanto queria assistir. Acordou sobressaltada, achando que estava atrasada para um compromisso. Desistiu de levantar e continuou cochilando. O compromisso era ali mesmo, entre uma almofada e outra.
Vai ver a programação estava ruim e o sono venceu. Vai ver o cansaço era grande e o sono venceu. Vai ver era pra se desligar mesmo e esquecer essas coisas todas ruins que povoam as redes sociais, os nossos ouvidos e os nossos olhares indignados: um falso presidente que insiste que governa, um reitor que se suicidou, outro que exonerou, mais terrorista tocando o terror na cidade dos que casam à meia-noite e separam pela manhã, quando a ressaca denuncia.
É fato que dormir muitas vezes se confunde com fuga, para além do cansaço. Sonhar com um mundo melhor enquanto se dorme nem sempre funciona. A TV ligada lembra que a vida aqui do lado de fora continua um assombro e é isso que faz essa moça despertar e voltar renovada para a luta, ainda que seja para desabafar.
Escrever também é uma forma de resistir.
- chega de trabalhar, agora vou ver como é a tal da nova novela!
Lembrou que isso de falar sozinha está virando parte da rotina e é preocupante.
- bobagem, quem nunca?
Riu de si mesma, se ajeitou no sofá, esticou as pernas, agradeceu pelo clima de outono que insiste na primavera e ligou a televisão.
Estava passando a tal da nova novela de época, com cenas de machismo, de racismo explícito, e com aquela (velha) história repetitiva de pai que não aceita namoro de filha que aparece grávida e ordena que vá pro convento.
- Mais do mesmo, minha gente... custa inovar?
Enquanto pensava sobre isso, seus olhos pesaram e adormeceu antes do jornal das oito que tanto queria assistir. Acordou sobressaltada, achando que estava atrasada para um compromisso. Desistiu de levantar e continuou cochilando. O compromisso era ali mesmo, entre uma almofada e outra.
Vai ver a programação estava ruim e o sono venceu. Vai ver o cansaço era grande e o sono venceu. Vai ver era pra se desligar mesmo e esquecer essas coisas todas ruins que povoam as redes sociais, os nossos ouvidos e os nossos olhares indignados: um falso presidente que insiste que governa, um reitor que se suicidou, outro que exonerou, mais terrorista tocando o terror na cidade dos que casam à meia-noite e separam pela manhã, quando a ressaca denuncia.
É fato que dormir muitas vezes se confunde com fuga, para além do cansaço. Sonhar com um mundo melhor enquanto se dorme nem sempre funciona. A TV ligada lembra que a vida aqui do lado de fora continua um assombro e é isso que faz essa moça despertar e voltar renovada para a luta, ainda que seja para desabafar.
Escrever também é uma forma de resistir.
11 September 2017
daí que ganhei o dia num banheiro público
Daí você entra apressada no banheiro, com muita vontade de encontrá-lo limpo, com papel e avança em direção à cabine disponível. Como não tem nenhuma livre, recua e fica ali, se apertando e torcendo pra vagar logo e chegar a sua vez.
Nesse momento de alívio (quase) imediato, a porta se abre e dá de cara com um lindo sorriso, seguido de:
- professora Jusciney?
- oi querida, como você tá?
- eu tô bem...
- que bom...
Daí você sai do "box" e o sorriso continua ali, presente, entre uma pia e outra e aí você se dá conta de que aquela menina quer continuar o papo do reencontro. Então você lava as mãos e pergunta:
- como está a turma?
- ah professora, eu não sei... já fiz mestrado e já estou no doutorado.
- hein? como é que é? quando você foi minha aluna?
- eu fui sua aluna em 2011, em Ciências Sociais.
- mas faz muito tempo... e lembrou de mim? Desculpa, mas são muitos alunos, muitas turmas...
- é, eu imagino... mas sua aula é ótima.. a senhora é inesquecível.
- ah... que lindo... assim eu fico emocionada... e veio visitar a Ufal?
- pois é... acabei de me inscrever num concurso pra substituto no Instituto de Ciências Sociais...
- ah... que legal, você vai passar! E como se chama?
- Noélia.
- Noélia... me conta aí do seu doutorado... o que está pesquisando? onde está fazendo?
- ah... uma pesquisa sobre o pensamento desviante na igreja universal do reino de deus, na Universidade Federal de Campina Grande.
- uau... o que será que vem por ai?
- ruptura, professora....
Daí que abri o meu sorriso também, desejei sorte no concurso e na vida.
Daí que num meio de uma segunda meio chuvosa, me apareceu Noélia e seu sorriso encantante com efeito dominó. Com tanta miséria humana alardeada pelos 4 cantos, eu penso que ainda é possível (e necessário) se animar.
#elaadoracausos #serdocenteéomáximo
(fim)
1 November 2016
sobre o dia do FICO
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades".
"Verdade que uma escolha sempre implica numa renúncia".
"Não dá para fazer uma omelete sem quebrar uns ovos"".
"Uma renúncia nem sempre é prejudicial ou nos fará infelizes".
"O mais legal do fim de um ciclo é saber que vem outro, logo em seguida".
"Verdade que uma escolha sempre implica numa renúncia".
"Não dá para fazer uma omelete sem quebrar uns ovos"".
"Uma renúncia nem sempre é prejudicial ou nos fará infelizes".
"O mais legal do fim de um ciclo é saber que vem outro, logo em seguida".
Parecem bem simples esses pensamentos. Mas carregam grandes significados e sentidos. Dependem do tempo para cada um de nós.
Para mim, significam muito.
Para mim, decididamente, viver na corda bamba, na dúvida, não deve ser coisa boa nem para librianXs. (risos)
Enfim, que os novos rumos e deliciosas novidades cheguem (com vontade) em meus dias.
A partir de hoje, viverei numa "Outra Maceió".
Aos meus sonhos, que não envelhecem jamais, sigo com o meu desejo de continuar sonhando em ser feliz.
E quero construir a minha felicidade aqui mesmo, nessa terra ESCOLHIDA, cheia de encantos e sofrimentos, dos quais me sinto responsável e por isso estou obstinada em querer contribuir para romper muros, desfazer nós e (quem sabe) construir outras pontes.
23 October 2016
"eu chovo"
Ando pensando sobre meu presente. Das coisas que me desagradam; das coisas que me fazem bem; das energias que ando sentindo à minha volta; das boas e das más energias. Sempre fui muito cética com essa coisa de "tem que ficar em silêncio" e que o "segredo do sucesso é ficar de boca fechada". Sempre fui muito exposta. Não acredito que mudarei aos 46 do segundo tempo. Se uma das minhas marcas é a exposição na escrita, mais do que na fala, é na escrita que vou materializar o que penso, doa a mim, doa a quem doer.
Esses últimos meses estão sendo muito difíceis. O semestre mais longo na universidade. O estresse mais pesado na feitura dos trabalhos. O cansaço mais intenso todas as noites em que me deito. E o que dizer da tpm? Nossa, parece que o tempo passa e cada mês vem mais forte e imperativa.
Estou rodeada de afazeres, de prazos, de demandas a cumprir. Não sobra muito tempo que nem esses domingos chuvosos, para chover. Hoje é um presente sim. Um dia em que posso chover.
Descobri esse verbo numa canção de Adriana Calcanhotto. A primeira da seleção que fiz e que ainda vou aprender a tocar no violão. Esse é um sonho bom. Que nutro, faça chuva ou faça sol.
Tenho estado arisca, silenciosa, intransigente, intolerante, radical. Há coisas que já resolvi na cabeça. Não tem jeito de voltar atrás. Desisti de seguir alguns (ditos) amigos. Seguir na palavra estrita: estar perto, socorrer, festejar, querer estar perto, querer socorrer, querer festejar. Sigo mais só que acompanhada. Sigo o meu caminho, com muitas incertezas. Se fico mais, se fico menos. Se arrisco mudar, se desisto. Sigo carente, desejando viver um novo amor, porque acredito que amar pode dar certo, mesmo tendo tido frustrações tão fresquinhas, que vez ou outra me atrapalham o sono. Sigo tensa, mas sabendo que não posso contrariar minha intuição que agora me diz que preciso silenciar mesmo, ainda que seja por um tempo. E me despeço daquilo que não acredito ser bom viver. É como se estivesse diante de uma grande encruzilhada. Como se estivesse tentando encontrar a direção, mesmo que não seja 31 de dezembro, ainda. O passado ficou lá atrás. Daqui de onde me enxergo, só quero construir pontes com gentes desinteressadas, de olhares e desejos cúmplices, que me aceitem, me respeitem, que não me invejem. Não quero, não preciso, não sou obrigada.
9 October 2016
sobre separações e divórcios
eu nunca dividi espaço com um namorado. Nunca me casei. Quis a vida que esse tipo de contrato não fizesse parte dos meus dias. Pode ser que ainda aconteça. Mas sou reticente mesmo. Desconfiada. Desconfio que há outras formas possíveis e interessantes de nós nos relacionarmos, sem dividir o mesmo teto, o mesmo banheiro, um mesmo endereço. Mas não sou contra uniões, desde que sejam estáveis e tragam vida feliz aos pares. Não gosto de triângulos. Não sou da matemática. Vai ver é isso. Se há um a mais, ou a menos, penso que é mesmo melhor que cada um siga só, do seu jeito, sem ferir, humilhar, enganar, mentir. Definitivamente, viver uma vida dupla não é uma boa. Não, mesmo. No entanto, o divórcio nos convoca a repensar o que foi aquela relação. Sobre o que poderia ter sido, o que pode ainda ser. Sem nunca ter me casado, acredito que se houve ali uma aliança feita, seja num altar ou apenas entre dois sujeitos comprometidos em seguir juntinhos até... enfim, fico triste. Fico muito triste. Não desejo ver ninguém infeliz, incompleto, sofrendo. Na verdade as famílias também sofrem separações. Mas não deveriam divorciar-se. Vamos torcer para que todos e todas que optem por esse corte mais radical, sobrevivam às suas dores e recuperem o sorriso natural de ambos. Na torcida. 😢
10 August 2016
e hoje um pássaro me atacou
Dizem que é sorte. Não faço ideia se sim ou se não. Embora adore e brinque saber de signos, sou cética. E hoje um pássaro, alçando voo, me acertou a testa. Fiquei com sua marca de unha cravada na minha pele. E hoje um pássaro me atacou. Não fiquei com raiva dele. Vai ver ele estava com raiva de mim. Também não sei porque. Vai ver considerou que eu estava invadindo o seu habitat. Vai ver ele tem razão. A vida e a natureza. E hoje um passarinho me deu uma espécie de "cascudo" na cabeça. Vai ver era pra me alertar: "acorda, não seja tão centrada em você. O mundo precisa de menos gente individualista".
22 June 2016
o doce da vida na academia
A mesa sobre #opressões, da qual fui convidada por Rafael Morais Adelson Silvestre Jr. CA Sebastião da Hora foi muito prazerosa. Estar entre estudantes-calouros(as) de Medicina, que acabaram de chegar na universidade, com toda a ansiedade pelo mundo a descobrir, por aqueles característicos brilhinhos nos pares de olhos, me fez entender um pouco mais sobre meu percurso como pesquisadora e como profissional da educação. A minha tese foi apresentada novamente, hoje! Para mim,significou mais do que o dia 12 de novembro de 2015. Porque já revisitei os escritos, já escrevi novos artigos sobre e estou disposta a continuar pesquisando mais. Quando terminei a apresentação, estava agitada, satisfeita, sentindo calor, com muita vontade de continuar ali, dialogando.
Minha vida acadêmica, definitivamente, não cabe (nem quero que caiba) no lattes. De todas as experiências que tenho vivido, as atividades de ensino e extensão, sem dúvida alguma me edificam como educadora e muito mais como ser humano. Pouco me importa se isso se transforma em ponto, se estou mais ou menos produtiva, se sou citada ou não. Aos moldes da "indústria" que nos exigem e nos estimulam a produzir mais e mais, sem ao menos refletir se o que estamos produzindo tem ressonância na vida prática,essas produções não me representam. Estou muito feliz de poder fazer parte de um coletivo de mulheres, homens, lgbts, que lutam pelo fim das opressões e por muito mais liberdade e autonomia, muito mais que servir à essa lógica capitalista, esquizofrênica, empresarial e neoliberal do nosso tempo. Obrigada aos que me fazer produzir ciência para intervir na realidade da qual faço e me sinto parte.
Minha vida acadêmica, definitivamente, não cabe (nem quero que caiba) no lattes. De todas as experiências que tenho vivido, as atividades de ensino e extensão, sem dúvida alguma me edificam como educadora e muito mais como ser humano. Pouco me importa se isso se transforma em ponto, se estou mais ou menos produtiva, se sou citada ou não. Aos moldes da "indústria" que nos exigem e nos estimulam a produzir mais e mais, sem ao menos refletir se o que estamos produzindo tem ressonância na vida prática,essas produções não me representam. Estou muito feliz de poder fazer parte de um coletivo de mulheres, homens, lgbts, que lutam pelo fim das opressões e por muito mais liberdade e autonomia, muito mais que servir à essa lógica capitalista, esquizofrênica, empresarial e neoliberal do nosso tempo. Obrigada aos que me fazer produzir ciência para intervir na realidade da qual faço e me sinto parte.
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14 April 2016
Nada de nada
Nada justifica a indiferença. Nada justifica o ódio. Nada justifica a ira. Nada justifica a inveja. Nada justifica a ganância. Nada justifica a vaidade. Nada justifica a prepotência. Nada justifica se sentir superior ou melhor que alguém. Nada justifica a intolerância. Nada justifica o preconceito. Nada justifica a apatia de tantos. Nada justifica a guerra. Nem o poder, nem o dinheiro, nenhum cargo, nenhuma hierarquia, nenhuma relação. Estou compreendendo que muros estão sendo criados, no imaginário e nos espaços físicos também. Não imagino que um país possa se desenvolver desconsiderando a ética e a democracia como princípios da sociabilidade. A barbárie que estamos vivendo é mesmo aterrorizante.
23 November 2015
dos dias mais sensíveis
E quando a gente chora com o que a gente escreve?
As palavras pulsam em formas de lágrimas.
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