Showing posts with label música. Show all posts
Showing posts with label música. Show all posts

9 April 2017

ainda vivem um luto

A história dos dois começou com doses de troca de olhares. Na correria do trabalho, chegou um momento em que ela precisava admitir que buscava encontrar aquele par de olhos que a fitava profunda e longamente, até mesmo quando estava mais distraída.
Foi um tempo de muitas demandas para ambos. De atropelos. De prazos. O ano estava frenético. Parecia que tudo era urgente. E o que se passava entre eles também se fazia urgente viverem à exaustão.

29 September 2015

"hoje me sufoca de saudade"

Saudade de um tempo que está no passado. Saudade de quem fomos juntos. Saudade dos nossos olhares. Saudade da nossa cumplicidade, lindamente construída, alheia às tragédias do cotidiano, dos horrores das guerras por território e por poder. Saudade do romance no ar. Saudade das surpresas que fazíamos um pro outro. Saudade das cartas prometidas. Saudade daqueles planos de viagens, que ainda faríamos juntos. Saudade das mensagens divertidas. Saudade dos nossos códigos. Saudade dos nossos melhores abraços. Saudade da gente na rede na varanda, resolvendo nosso barulho interno, em completo silêncio. Saudade das nossas músicas, compartilhadas pelo celular. Era um eterno e maravilhoso pingue-pongue. A bola caia, mas sempre voltava redonda, disponível. E o nosso sorriso também vinha junto. Saudade de saber sobre seu dia. Saudade de te contar o que me fez sorrir hoje ou da bobagem mais boba cometida. "Você que eu não conheço mais", me lembra uma triste canção de Roberto & Erasmo.

8 August 2015

não tenho mais dia dos pais (ou devaneios de uma saudosa)

Cadê painho que não volta? Essa viagem dele está demorando muito mais que as anteriores. Não desisto. Continuo à espera que ele chegue, naquele portão, da casa de número 80, de olho no fim da rua Marcelino Rosa, em Vitória da Conquista, Bahia, onde morávamos juntos e felizes: eu, meus manos, meus pais e minha avó Maria Costa. O tempo não vai conseguir apagá-lo da minha memória. Por isso escrevo.
------
Ser pai é também ser mãe. É, sem dúvida, assumir a paternidade no mesmo dia/segundo da maternidade. Não acredito nem acho bonitinho o tipo "pai machista", que após um dia inteiro de ausência, chega em casa, faz gracinha no berço, depois vai para o seu "merecido" banho, e, depois de estar alimentado, liga a televisão, "segura" o filho (só) por 15 minutos, para que a coitada da mãe tome o seu próprio banho, ou prepare a mamadeira seguinte. Não acredito nem acho bonitinho muito menos um "bom exemplo" aqueles pais que fazem uso da máxima (de muitos professores, inclusive): "quebre a cara e se vire". Ser pai é estar presente, é fazer-se presente, com respeito, com educação, com diálogo, com incentivo, e muito abraço. ‪#‎felizdiadosverdadeirospais‬
-----
Acho tudo lindo... me emociono com as histórias, com as fotos, me delicio com as homenagens aos pais dos meus amigos, especialmente daqueles que conheço/conheci e percebi o quanto são mesmo amados e cuidados. Queria mesmo saber porque a maioria só faz isso uma vez ao ano, ou duas, no aniversário... eu que perdi o meu aos 12 (por isso sempre o 12), não esqueço de me lembrar da importância dele em minha vida. Enfim... fica a dica.... risos... vamos aprender a valorizar em vida... depois, depois... só restará a saudade, ou talvez a tristeza de não ter aproveitado mais a cia dos nossos pais, dos nossos irmãos, dos nossos amigos... enfim, validar SEMPRE será preciso.
-----
"Sem essa de que estou sozinho, somos muito mais que isso..."
‪#‎vamosfazerumfilme‬ ‪#‎LegiãoUrbana‬ ‪#‎RenatoRusso‬
----
"Aceitar, né? Fazer o que?" ): Que lindo depoimento. Eu já gostava desse cara... agora gosto mais. Adoro gente simples, que é verdadeiro, que admite erros, que pede desculpas, que faz pensar, que faz sorrir, que faz chorar, que emociona.



20 May 2013

♥...mudaram as estações, nada mudou...♥

Claro que já fiz posts demais dedicados ao legado de Renato, o Russo, e sua Legião, tão urbana e querida. Já ouvi suas canções em momentos diversos, ao longo dos anos. Já chorei e copiei versos em geladeiras, em espelhos, em cartas, torpedos, anotações avulsas de qualquer ordem. Sou o tipo de fã incondicional. 
Tanto faz que um novo filme ou documentário retrate bem ou mal, assim ou assado.

4 May 2013

"como se a polícia andasse atrás de mim"

Estou com uma dificuldade quase irreversível para me concentrar no que devo. Fujo dos prazos, dos artigos para ler e avaliar, da tese ainda adormecida. Fujo consciente e passo a acompanhar seriados, novelas, filmes recém-lançados. Não por acaso, a maior das fugas desemboca aqui. É na escrita que me apego em tempos intragáveis. Nesses dias, é que não consigo produzir como deveria. Parece praga não sei de quem ou porque.

18 March 2013

como as folhas que caem...

Um vendaval de novidades e vertigens. Ao que parece à primeira vista, tudo muito fácil de ser transformado. Quando penso em me acostumar com um certo dado, outros surgem, ignorando a minha pressa de entender os processos. Sabe tempestade que deixa tudo fora do lugar? Não foi assim. Tem sido assim no meu mundo.
De todas as mudanças que me afetaram nos últimos tempos, a mais dura, ou a mais forte, sem dúvida alguma, foi descobrir que nada é para sempre. Ou que tudo é provisório. Antes eu pensava que somente os textos eram provisórios. Que nada... tudo é provisório! Não conseguimos segurar nada. A areia escorre pelos dedos. A água pelo ralo. As ideias pelo vento. As folhas pelo chão.
Adoro pensar a partir de metáforas. E amo inventar analogias para as coisas que sinto. Pareço pretensiosa, eu sei. Mas costumo brincar com as palavras, para além dos seus sentidos restritos. A da vez é a comparação da mudança do tempo com a das vontades. Explico.

9 March 2013

"qui nem jiló"

Do que são feitas as saudades? Para mim são de tantos tipos, são tantas! Tão variadas, que me perco tentando entendê-las. Pior. Me destruo tentando aceitar as ausências. Especialmente hoje, numa noite de sábado qualquer, e cansada de tanto trabalho, me pergunto para que tanto sacrifício, por que viver longe, assim? Como manter-se emocionalmente estável, com tamanhas lacunas??

1 February 2013

janeiros vencidos

Já passaram dias, inteiros. 
Janeiros, calendário que nunca chega ao fim. 
Início sim, é só recomeçar. 

A vida segue à revelia do que sinto. Lá fora imagino o trânsito como sempre, caótico, o mar, suas ondas e as pedras pelo caminho. Os coqueiros, com seus lindos balanços nas folhagens. As pessoas fazendo coisas e coisas, entre diálogos e brigas. Muita gente trabalhando no sol forte; outras confinadas em salas com ar gelado; alguns preparando fantasias carnavalescas e tensos com os prazos de entregas. A televisão brasileira, mesmo desligada aqui em casa, ainda esmiuçando mais do mesmo, sobre a tragédia lastimável em Santa Maria. E como será que está sendo viver, depois de tudo? Penso nos traumas dos que sobreviveram [e nem sei se são sortudos], e em todas as famílias envolvidas. Tento imaginar suas angústias, suas dores e suas saudades. Não consigo. É demasiadamente pesado. Sofro mais. Tento focar em outros pensamentos.

28 January 2013

recados poéticos


Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a ideia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de ideia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia.
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar.
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo.
Álbum V [1990]

1 January 2013

"...acalma a minha pressa..."


Da
qui desse momento

Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.

Quem vai virar o jogo

E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.

Às vezes é um instante

A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

A lógica do vento

O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.

9 October 2012

eu falo por mim*

Amar a si próprio é esse movimento: não se resignar, não se conformar com o que foi feito, não mergulhar na repetição desanimada dos dias: olhar cada lembrança de frente e ver se ainda queima. Olhar cada palavra de frente e ver se ainda queima. Olhar cada atitude de frente e ver se ainda queima. 
E incendiar a nossa vida na vida do outro.

Ele começou falando de uma tal caixinha de fósforos... lendo [só] esse trecho acima, dá pra imaginar que na crônica dele, caberia um final como esse? Pois é, foi assim: que adorei me surpreender, mais uma vez, ao ler as deduções nada óbvias desse autor, que hoje escreve em forma de desabafos, por sofrer com a separação e saudade da companhia da sua amada. 
Como ele, também fico remoendo as coisas ditas, as coisas feitas, as emoções vividas. E sofro com a falta, com o silêncio do outro lado. Com o telefone que emudeceu.

23 July 2012

Tudo passa

Eu, você 
e todos os encontros casuais
Os ais e os hão de ser
E todos os casais também
Olha, acho até que quem achou que nunca ia
Esse ia se espantar de ver que o ódio e o amor
E até eu vou pra ver no que vai dar
A massa,  a moça
E até esse pra sempre
Tudo passa
 Marcelo Camelo               


Eu vivo os meus dias como num cinema? Com cenas memoráveis, de arrancar suspiros e viagens no tempo? Ah, quem dera... ultimamente minha vida está para o cinema como a pscicopedagogia para a fábrica de carros: dois mundos muito distantes, incompatíveis.
Não, não estou me queixando, muito menos com problemas de estima. Sabe o tempero que falta em comida de hospital ou de dietas sem carboidrato? Não me sinto energizada, só isso. Ou tudo isso. Mas passa. Cada vez mais tenho tido a certeza de que tudo passa, como nos ensina a canção pequena-grandiosa de Marcelo Camelo.
O tempo passa meio insosso, como se estivesse em greve, também. Me parece que não quer provocar, sendo rápido, intenso, caloroso, sabe? Dias nublados, com pancadas de chuva, vento frio, silenciosos.
É assim que vou parar na cozinha e invento ou reinvento receitas, depois troco os móveis de lugar, ao mesmo tempo coloco roupa na máquina, escrevo, leio notícias populares. Quero dar agilidade, quero instigar pressa, quero fazer de conta que tudo passa freneticamente, como nas imagens televisivas das novelas.
E que tudo passa, eu já entendi. A greve vai passar, o inverno vai passar, esses dias indiferentes e indigestos vão passar. Ah, a primavera [logo] vai chegar. Que venha a temporada de flores.

2 February 2012

Eu, por ele.

Minha vida é andar

Por esse país

Pra ver se um dia

Descanso feliz

Guardando as recordações 

Das terras por onde passei 

Andando pelos sertões 

E dos amigos que lá deixei. 

Chuva e sol 

Poeira e carvão

Longe de casa 

Sigo o roteiro 

Mais uma estação 

E a saudade no coração 

Minha vida é andar... 

Mar e terra 

Inverno e verão 

Mostra o sorriso 

Mostra a alegria 

Mas eu mesmo não 

E a alegria no coração 

Minha vida é andar... 

A vida do viajante

 Luiz Gonzaga

16 April 2011

"Pode chorar, pode chorar..."

Hoje, minha viagem são as músicas.
Acordei cedo. Enquanto fazia faxina e arrumava meu armário, ouvi dois dvds prediletos, Jorge Aragão e Paula Toller. Gosto de samba, de música pop, de tudo o que remete a romance; gosto de chorar quando uma canção me remete a coisas que vivi, ou gostaria de ter vivido. Choro porque viajo na emoção de quem canta; adoro ficar afetada com música, pela música. E quando penso que os meus ouvidos já se acostumaram com todas elas, me vem as lágrimas... com essa, foi assim:


10 December 2010

No sertão, com Nós4

Primeiro, um quase susto:
- Lá vem Melina, esquisitona, vestida de preto!
- Ela é linda, tia!
- Lindo é Fred...nossa, adoro os ternos dele...pena que é gay, na vida real!
- Né não Jucy... Essa menina inventa é coisa...
(pausa para gargalhadas entre as três...)
- Mãe, que horas são? Gente, faltam 20 minutos! Cadê o táxi que eu marquei? Chama o elevador, Cacau!
-Ok, Tia..calma, dá tempo...sempre dá!
-Aham...Seu Bráulio, o senhor já está aqui no prédio?
- Sim, estou aqui, te aguardando.
-Ok, estou no elevador. Mãe, obrigada por tudo, Cau, estuda mais...fui!
(...)
Depois, uma boa surpresa:
- Seu Bráulio, boa noite! Esqueci o horário...estava assistindo a novela Passione!
- Ok, temos 20 minutos...
- Ah...temos muito tempo! Nossa, quem está no DVD? Que sambinha gostoso...
- Uma banda de Recife, chamada "Nós 4".
- Onde o senhor comprou?
- Eu ganhei de um cliente.
- Oh...eu queria um...adorei...
- Pera que vou te mostrar as faixas...
- Nossa, me lembrou Jorge Ben Jor...
- Ah...escuta essa então...
(...)
-Chegamos!
-Obrigada! Deixa a cópia do DVD lá na faculdade, ok?
- Certo deixo sim...boa viagem!
O encontro musical com Seu Bráulio foi perfeito. Como cheguei mais cedo, procurei me acomodar pela rodoviária. Me sentei perto de três senhores que conversavam sobre as frotas das companhias de ônibus. Obviamente, me meti na conversa.
- Olha gente, esses novos modelos são mais confortáveis. A NH precisa renovar...
- Já temos uma linha de novos carros, senhora.
- O meu, de hoje, pra Bom Jesus da Lapa, é novo?
- Não. Olha ele ali...está chegando!
-Ok, bem acabadinho...estou indo então.
- Deixa que eu ajudo a levar sua bagagem.
Enquanto andava, sendo escoltada, estranhei como tudo estava bom demais.
Tinha eu, que estragar com a paz de tudo? Não foi bem assim.
Terceiro, a confusão.
Enquanto o motorista se ocupava em conferir as passagens, resolvi, sem anunciar, comprar uma bebida achocolatada. Bem infantil, eu sei, mas me alimenta e me dá sono. Já experimentei diversas vezes e realmente tem este resultado. Mas calculei o tempo errado. Enquanto discutia a qualidade dos achocolatados e suas marcas, com um vendedor da lanchonete, o meu ônibus partiu, com minha mala. Com o velho travesseiro em mãos, a bebida na outra, gritei, em vão, para o ônibus parar de se deslocar para longe. Em fração de segundos, fui até a agência, consegui sensibilizar o atendente e ligamos para o motorista.
-Seu Leonardo?
- Sim, pois não.
- É o motorista que está conduzindo o ônibus que vai pra Bom Jesus da Lapa/ Santa Maria?
- Sim, sou eu.
- É que sou uma passageira sua, que ficou aqui. Fui comprar um lanche e quando voltei, o ônibus já tinha partido. Está aonde, nesse momento? Posso ir de táxi até aí?
- Pode sim. Eu aguardo. Estou em frente ao Motel DR.
- Ok, não saia daí. Vou pedir ao taxista pra me levar, agora!
Corri, nervosa, sem saber como explicar para o taxista que iria para um motel sozinha, e com um travesseiro e um achocolatado nas mãos.
Claro que nem todas as pessoas são detalhistas e observadoras. Ou maldosas. Ele sequer olhou pra mim. Sabia aonde ficava o dito cujo motel, e partiu com pressa. Riu comigo, da própria confusão que eu me meti.
(...)
Por último, mais um milagre.
Das viagens para esse lugar, aonde o vento não chega, porque aqui, definitivamente não venta, só pude concluir que o que não me faz sofrer, vira relato. E não é que, de novo, Bom Jesus da Lapa me fez compreender a fé dos Romeiros?
Agora, uma boa música.
Escutem o quarteto. Aposto quem em breve, assistirei um show deles, em Maceió ou em Recife (:
---------

29 October 2010

Eu vou, iôiô

Quando eu penso na Bahia
Nem sei que dor que me dá
Me dá, me dá, me dá ioiô
Me dá, me dá, me dá iáiá
Se eu pudesse qualquer dia
Eu ia de novo pra lá
Não vá, não vá, não vá, iaiá
Eu vou, eu vou, se vou, iôiô
Eu deixei lá na Bahia
Um amor tão bom, tão bom, ioiô
Meu Deus, que amor
Que desse amor só quem sabia
Era a Virgem Maria
Nasceu cresceu, viveu e lá ficou
E quem sabe se esse amor
Que ficou lá na Bahia, ô
Já se acabou
E se assim for
Eu sei de alguém
Que lhe quer muito bem
Quem é
Sou eu
Eu, quem?
O seu ioiô 

------------
Não preciso de contextualizações, com uma música dessas. Sei, disso. Mas o vídeo abaixo, me ajuda a materializar ainda mais a minha grande paixão, que daqui, suspiro...
Amanhã, eu chego lá em Salvador, a minha Bahia.
Letra: Ary Barroso. Título: "Quando eu penso na Bahia", curta um pouco de bossa no ar, com imagens lindas, na voz dele: Caetano Veloso.
----------

31 August 2010

"Depois do inverno, a vida em cores..."

O mês de agosto ainda persiste. Mas sorrateiro, calmamente, com o sol tímido, com as folhagens pelo chão, lá vem ela, com força, imponente e impositiva, a nossa temporada das flores. O mês chega assim, colorido, perfumado, com mais alegria no ar.
Preciso viajar, então. Meus dias cinzentos estão indo embora. Oba! Agora é hora de comemorar. Leoni, por favor, chama depressa Setembro!

22 August 2010

Edição especial de aniversário

Nesta data querida, o meu discurso, prometo, será resumido em poucas linhas, já que tecer fios longos de caracteres se transformou em prática rotineira, por aqui.
-----------
Sugestionada por tantos outros blogueiros e visitantes, quero agradecer a cada um deles. 

***Aos meus seguidores, amigos, colegas, passageiros frequentes ou esporádicos. Agradeço por todos os comentários, carregados de significados e carinhos. Muito gratificante perceber que um simples blog é capaz de estimular a comunicacão em rede e o diálogo entre pessoas que estão fisicamente distantes. 

Como leitora, preciso salientar o quanto cada experïência com as tessituras de outros blogueiros se reverte em novos aprendizados. Um ano alimentada por trocas diversas com layouts, imagens, vídeos, ideias, sentimentos. Reabastecimento diário e vital pra mim.

*Obrigada pelos momentos de subjetividade e o mundo literário da leonina e amiga leal, Giselly Moraes.
*Ai, como eu queria postar um 'cartun', com a temática "viagem", ao menos um. Mas não tenho essa habilidade do cartunista e designer Marcelo Mendonça. Na falta, corro pra ele...
*Muitos risos e estímulo ao lado esquerdo do cérebro, com tantas viagens criativas, crônicas, 'causos' e contos...como o fazem o Marcelo Pirajá Sguassábia, o Eduardo Resende e o Duda Rangel. Também, pudera...são competentes comunicólogos, ora bolas.Um, publicitário. Os outros dois, jornalistas. Fico encantada com os três!!
*A cada novo post, sou lançada num mundo fascinante, tudo por conta das viagens sobre nomes, fixação antropológica e fantástica de Ariana Magalhães. Bom demais!
*De verdade. Como eu gostaria de participar mais de perto, dos impactos positivos a partir das mudanças pessoais, relatadas por lá, da vida de uma amiga extraordinária, Paty Michele. Cada capítulo, mais mistérios...
*Viajo literalmente no pensamento masculino e suas muitas percepções e lógicas sobre amor, sexo, ciúmes, amizade, trivialidades. Todo dia uma novidade no twitter, crônicas fantásticas no blog. Maravilhas de Fabrício Carpinejar.
*E nesse universo de viajantes, cheguei até ao Diário de Angola. Narrativa com postagens das experiências de um brasileiro que atualmente está residindo em Luanda. Além dos relatos, me deleito com seu olhar sobre todas as novidades por lá.

Já como blogueira, penso que cada texto, oral ou escrito, pode ser definido como sendo uma extensão provisória de mim. Por isso, viva a liberdade na escrita! E quanto a vida privada? Ah, ela existe, sim. Mas só quando não estou de frente para essa tela, e os meus dedinhos ficam sem tecer, tecer, tecer...

De verdade, obrigada a todos! 
-----------
Pedido de desculpas. Prometi bolo com cobertura de glacê branco e acabei escrevendo muito...sinto muito, mas nada de bolo confeitado. Muito açúcar faz muito mal. Meu presente é doce, também. Um vídeo capturado da internet, com uma das canções mais lindas de todos os tempos, Fogo, do Capital Inicial. Foi escolhida porque ontem, véspera do aniversário do Foi assim, estive em companhia de Dinho Ouro Preto. Um show maravilhoso, no Festival de Inverno. Essa é a música que toca o meu coração. Viajar em sua melodia faz bem, para essa alminha romântica...

16 August 2010

Beatles, para sempre.

Provoquei por email, e deu certo. Nem de longe imaginava que  meu querido e pequeno blog fosse ganhar um texto tão interessante. Estilo textual fazendo analogia com o saudoso 'long play', disco de vinil, com seus dois lados...
Agora entendo mais Cazuza. Entendo que toda mãe- de gente, de planta, de animal, de blog, de livro- "todas elas são felizes". E eu? Sou uma mãe blogueira muito boba. Dessas que acreditam que o seu filho é o mais incrível, mais lindo, mais talentoso....
E para aumentar minha corujice, Marcelo, publicitário famoso, cheio de premiações e criativo por demais, e que tem um blog divertidíssimo, o Consoantes Reticentes, também presenteou o Foi assim:. Me autorizou a (re) postagem de uma crônica maravilhosa, que ele mesmo resenhou dizendo ser 'uma viagem, fictícia, à mais famosa faixa de pedestres do mundo'. Revelou também que, anos mais tarde à criação deste texto, em 2008, esteve lá, na terra dos Beatles.
Chega de rodeios, apreciem e se possível, aumentem o volume com essa música de fundo, que amo de paixão 'all you need is love'!!
----------------
Consoantes Reticentes
20 Junho, 2010

ABBEY ROAD
(Texto publicado em 2005)

LADO 1
- Vou começar bem fácil, depois a gente vai esquentando.
- Manda.
- Faixa dois do Let it Be?
- Diga Pony.
- Quantas músicas tem o Álbum Branco?
- Trinta.
- Qual o fotógrafo da capa do Rubber Soul?
- Robert Freeman.
- Quem era a Martha, da música Martha My Dear?
- A cadela do Paul McCartney.
- Quem inspirou Something?
- Pattie Boyd.
- O que Tia Mimi disse para John Lennon, quando ele comprou a primeira guitarra?
- "Você nunca vai ganhar a vida com isso".

Não tinha jeito, ele sabia tudo. Era capaz de dizer nome completo e endereço dos avós da Barbara Bach, mulher do Ringo.

Gabava-se de conhecer e catalogar, num caderninho surrado com o selo da Apple na capa, todas as mensagens cifradas e alusões a drogas do Revolver e do Sargeant Peppers. As bem manjadas e as que ele, sozinho, jurava ter descoberto. Sabia também que Paul estava vivo, e bem vivo. Ele mesmo o tinha visto num show em 1990 no Maracanã. Ainda assim conhecia 72 pistas que indicavam o contrário.

Tal pai, tal filho. E o menino, de 8 anos, ia pelo mesmo caminho.

- Quanto é 64 dividido por 16?
- Four. Como os Beatles.
- A capital da Inglaterra?
- Londres, uma cidade que fica perto de Liverpool.
- Dê um exemplo de sujeito simples.
- George Harrison.
- E de sujeito composto?
- Lennon & McCartney.

Dos discos todos, o favorito era Abbey Road - o célebre álbum com os quatro na rua homônima, passando pela faixa de pedestres. Se além de tocar o seu Abbey Road falasse, teria muito o que contar. Idas e vindas, festinhas na garagem, quedas nas mãos de bebuns, mudanças de casa. No tempo da faculdade, foi com ele pra república. Fiel escudeiro, trilha sonora de bons momentos e maus bocados. Era com ele que espantava o sono nas vésperas de prova e embalava os sonhos nas vésperas dos encontros. Cheio de estalinhos, riscado no começo do "Come Together" e no fim do "Golden Slumbers", era sempre ele que encabeçava a pilha, com o papelão da capa já esfarelando. Uma marca de copo, em cima da cabeça do Ringo, formava uma espécie de auréola. Santo Ringo, que soube segurar a onda nas brigas e ameaças de separação. De tanto entrar e sair do prato da vitrola, o furo foi abrindo, laceando, ficando quase oval. Lá pelos anos 80, quando tinha aquele 3 em 1 da National, cansou de gravar suas músicas em fitas cassete para os amigos. Uma vez foi de empréstimo pra casa de uma paquera. Voltou com uma carta perfumada dentro. Almíscar.

O perfume durou pouco, a paquera menos ainda. Mas o velho Abbey continuou lá, igual aos Beatles - forever. Com o tempo, foi virando relíquia. Era a primeira prensagem brasileira, edição rara. Passou a guardá-lo no fundo do maleiro e comprou uma outra cópia mais recente. Em vinil, é claro.

LADO 2
Londres, 2004.

- Não é essa a rua, pai. A gente deve ter errado o caminho.
- Como não? Olha o mapa, é aqui mesmo. Abbey Road, aqui estamos nós!
Não queria dar o braço a torcer, mas a dúvida do menino era sua também.
Viu que o lendário fusca branco, placa 28 IF, estacionado à esquerda na foto da capa, não estava mais lá. Ele pensou alto:
- E nem poderia estar...
- Falou alguma coisa, pai?
- Nada não, filho.
Notou que faixa de segurança era igual a todas as que ele já tinha visto. Que quase nada restava daquele cenário mítico. A maçaneta da porta do estúdio, que a Rita Lee lambeu com adoração devota, provavelmente já tinha sido várias vezes trocada. Com a capa do bolachão nas mãos, ele comparava a foto com aquilo que via agora. As árvores certamente deviam ser outras, o trânsito era mais intenso. O céu também não era azul como naquele agosto de 35 anos atrás. Tirou os sapatos, para sentir a textura do asfalto e alcançar o estado de graça que tanto ansiava. Estava lá, exatamente onde eles estiveram. Em frente ao estúdio onde gravaram quase toda a sua obra, e nada de atingir o nirvana. O coração não disparou, ele não suou frio, as pernas não tremeram. Percebeu que perto da sua casa existiam ruas mais parecidas com a Abbey Road do que a própria Abbey Road. Por alguns minutos ficou ali, parado, como que esperando uma resposta ao próprio desencanto. E deu-se conta que Abbey Road era uma rua que ele mesmo havia pavimentado, ligando os Beatles às suas vísceras.
Entregou a câmera para o filho e pediu que ele clicasse no momento em que atravessasse a rua. Esperaram que alguns carros passassem e fez o mesmo com o menino. Mas bem rápido, porque um bando de turistas barulhentos, trazidos por um guia de sobretudo marrom, já tomava conta de toda a faixa.

© Direitos Reservados
By Marcelo Pirajá Sguassábia