a procura instiga
o toque acalma, excita, empolga, enlouquece
o beijo demorado alonga o afeto
o sussurro altera o lugar dos pelos
os corpos amolecem, enrijecem
o pensamento só se repete - que vontade é essa que não passa?
que desejo é esse que só cresce?
por que tudo pulsa, tudo insiste?
corpos em movimentos
tramas de teias a sós
construímos nós
são nós ou nos tornamos nós?
Showing posts with label microcontos. Show all posts
Showing posts with label microcontos. Show all posts
22 January 2019
27 October 2014
saudade sem fim
Briga entre irmãos significava [ter que] abraçar depois. Meu pai sempre nos obrigava a cumprir esse ritual. E no caso de choro, bem, era preciso chorar bem longe dele [gritava alto: VAI CHORAR NO MATO!]. Minha mãe e minha avó eram suas cúmplices. Ficavam quietinhas e não se envolviam. Fato é que a gente o obedecia: chorava no mato e logo depois já nos abraçávamos combinando novas brigas. Sempre com um sorriso de canto de boca, de alívio pela trégua do dia. #seuWaldemar #amomeusirmãos
10 March 2014
enquanto isso no cenário mundial...
Todos de cabeças baixas, parecendo que estão mesmo cabisbaixos, tristonhos, melancólicos. Pode ser nada disso. Ou estão concentrados em algum trabalho, imersos num diálogo sério ou simplesmente passando o tempo; ou estão namorando [sendo seduzidos ou seduzindo], ou apenas se divertindo em joguinhos e vídeos engraçados, tão risonhos que ficam. Fazem caretas, abrem abas, fecham janelas, clicam aqui, ali....
Fato é que restaurantes e [mais especialmente] aeroportos são os melhores lugares para percebermos o quanto as pessoas não mais se conversam e não se olham mais nos olhos. Os olhos [agora] estão plugados. Vivem enfeitiçados nos pequenos telefones de mão. #nós #asredes #osnós #ainternet
Fato é que restaurantes e [mais especialmente] aeroportos são os melhores lugares para percebermos o quanto as pessoas não mais se conversam e não se olham mais nos olhos. Os olhos [agora] estão plugados. Vivem enfeitiçados nos pequenos telefones de mão. #nós #asredes #osnós #ainternet
Publicado originalmente no mundinho azul na mesma data.
3 September 2013
+ uma romântica por aí
Lá estava ela, sozinha, às duas da manhã, esperando, esperando... andou mais um pouco, e, muito desolada, decidiu ir embora. Mas quando se virou, percebeu que já não estava mais sozinha. Lá estava ele, com uma expressão que mesclava preocupação e aborrecimento. Ela, assustada, permaneceu estática, com o coração aos pulos. Conversaram pouco, mas decidiram muito.
- Aí está você! Saiba que eu estou te esperando, no lugar indicado, na entrada principal, há muito mais de meia hora!
- Mas a entrada principal é aqui!
- Não, aqui é a saída principal!
- depende de como se vê...
Ele suspirou. Ela lhe sorriu, comovida com a sensação de proteção que emanava dele.
Ele suspirou. Ela lhe sorriu, comovida com a sensação de proteção que emanava dele.
- Me diz, o que você tem?
- Ah, estou girando nesse carrossel há muitos anos. E decidi que eu quero parar. Não quer ficar parado comigo?
- Você me pediu, para vir te encontrar no meio de um parque, de madrugada, para ficar parado com você?
Ela o fitou demoradamente. Ele não respondeu verbalmente. Apenas a envolveu num abraço. Ficaram então, assim, juntos e parados.
[ou sobre como percebi o cenário e a narrativa, a partir de um diálogo fofo, num episódio qualquer de Sex and the City]
27 June 2013
enquanto isso na varanda...
Me jogo na rede. Fecho os olhos. Tento pensar em nada. Ligo o notebook no colo. Escrevo. Fico quieta ou caducando com muitas coisas, com os olhos e dedos no teclado, remexendo aqui e ali. Me delicio com a chuva fina a cair. Ou com o sol que chega de repente. Rego as plantas; converso com cada uma, coisas simples como: "bom dia, está lindona hoje!". Comemoro o fato de saber cuidar de cada serzinho vivo e verde nesse metro quadrado. É o lugar mais meu da casa, fora da minha cama. É lá que me envolvo em leituras e correções de provas. Vez ou outra levanto olhar e abro um sorriso ao entender um presente: fitar um novo arco-íris que surge, em meio aos prédios e árvores vizinhas. Escuto [alheia] o vai e vem dos carros, com suas buzinas e seus apressados motoristas ou passageiros. Vejo cenas gritantes ou muito amenas: colisões entre carros, pessoas se desentendendo ou simplesmente ciclistas confiantes e sorridentes. Observo crianças saltitantes, indo para a escola, com suas mochilas e suas lancheiras carregadas de heróis e suas cores cintilantes. Faço e atendo ligações. Desperto curiosidades com os segredos e resenhas contadas às gargalhadas. Lembro de quem está longe. E com quem gostaria de dividir esse mesmo espaço, que acalma e embala. Coloco para inundar minha alma o especial noiteluzidia, de Maria Betânia, pela milésima vez. Suspiro. Chega a noite. Tento em vão esquecer dos compromissos e prazos. Faço muitas caretas. Contemplo a vida acontecer, lá fora e aqui, dentro de mim. Me despeço. Foi e é assim: todo dia eu me despeço de quem eu fui na véspera.
19 October 2012
Não estou ao seu lado...*
Estou de olhos fechados. Eu e minhas viagens. Sempre embarcando em sonhos. Não sei aonde estou. O pensamento voa tão longe e tão alto que não consigo visualizar terras, mares, casas e prédios, muito menos aquelas "maquetes", pequeninas e minúsculas, que conseguimos visualizar, quando sentados olhamos para baixo, pela janela de um avião. Daqui de onde estou, não consigo ver vida circulando. Sinto apenas os meus pés fora do chão. O coração, sombrio, também não sente o que é real. Talvez esteja tão frio, que sequer sinto o pulsar costumeiro. Não estou ofegante. Dos devaneios que faço, ou dos que aqui registro, resta apenas a certeza que estou indo, indo, indo.... me pergunto se é para longe de mim. Fujo para longe de mim? Daí vem ELE e me responde de imediato, e lindamente que, "aonde quer que eu vá, levo você no olhar..."*.
*Título e trecho DELE: Aonde quer que eu vá- Herbert Viana
14 August 2012
Ou do que são feitos os nós
Agenda cheia. Resenhas para avaliar e devolver. Caneta na mão, para riscar menos um trabalho da lista. Comemoro e em seguida faço conta de cabeça, na tentativa de saber quantas ainda me restam para corrigir. Enlouqueço em segundos. Percebo tristemente o tempo avançar. "Quando se vê, já são seis horas"*. Caixa de mensagem cheia. Facebook aberto. Televisão ligada. Chuva fininha e fria lá fora. Silêncio pesado, mesmo com a televisão ligada. Ouço vozes, mesmo com o silêncio pesado. Vozes minhas, que me azucrinam o juízo. Vozes dos amigos, que estão todos longe. Vozes de quem me escreve. Vozes de quem me cobra coisas. E vem uma simples mensagem e muda o rumo do dia seguinte. Me parece maldição. Ou sorte. Ou solidão. Do nada, e de repente, sou chamada de anjo. Me disse ele, como se me dissesse um simples boa noite: "anjo, amanhã estarei aí". Não, não preciso saber nem sonhar mais. Mesmo sendo eu, o anjo, ele quem está com a seta apontada em minha direção. E mesmo sem querer me atingir o coração, confesso que já me sinto mortinha da silva. Rôxa de saudade. Pensava nele, enquanto ouvia Paulinho Moska também me atingir: "eu ando num labirinto, e você numa estrada em linha reta." Foi assim: ouvi essa canção e entendi perfeitamente o que somos nós.
*O tempo/Mário Quintana
20 February 2012
O carnaval é mais baiano
Ruas. Músicas. Trios. Arrepios. Ritmos. Adrenalinas. Lama. Latas. Cores. Luzes. Camarotes. Cordas. Alegrias. Cheiros. Alfazemas. Churrascos. Trânsito. Engarrafamentos. Buzinas. Entradas. Saídas. Goladas. Emergências. Caixas. Gastos. Têtêrêrêtêtês. Tantinhos. Sim, sim, sim. Não, não, não. Circulou, circulou, circulou. Beijos. Puxões. Pisões. Empurrões. Quilômetros. Foliões. Corredores. Acessos. Bloqueios. Fantasias. Abadás. Pulseiras. Olhares. Colares. Energias. Milhares. Fardados. Nus. Saltos. Rasteiras. Bandas. Cabeleiras. Circuitos. Blocos. Sombras. Cercas. Apertos. Abraços. Batuques. Calores. Multidão. Barulhos. Turistas. Amigos. Estranhos. Cumplicidades. Nós. Liberdade.
26 July 2011
Com sono e sonhando
Viagem que começou hoje, por volta da 1h da madrugada. Roteiro doido por mim inventado. Tour no trio nordestino: Salvador, Aracaju, Maceió. Cá estou. Abro os olhos. Me acostumo com a claridade. Afasto a cortina e me deparo com ele. Sonolenta, penso: o mar daqui é mesmo imponente. Bom passear os olhos por sua extensão, ao acordar. Nova viagem, desta vez pelos bairros da cidade. Ruas, siglas, setas, signos. Tudo me é familiar, já. Última parada. Retiro as malas. Dou bronca em mim. Muito peso. Costas leves pra tanto peso. Mais táxi, mais gastos. Isso parece não ter fim. Chego em meu lar. Solitário e silencioso como nunca o vi antes. Reconheço os cheiros. A rotina precisa de espaço. Desfaço as malas. Reclamo comigo por ser tão exagerada. Guardo cada coisa em seu canto. Reclamo de novo pelas multas de excesso de bagagem. Admiro a mala nova. Lamento a falta de cuidados das companhias aéreas com bagagens alheias. Faço café. Ligo a televisão. Não suporto mais a loira e o seu lourojosé. Desligo. Escrevo no sofá. Penso nas emoções que eu vivi. Lembro de Roberto Carlos. Essa palavra é dele, por direito. Escuto A-Ha, há tempos atrás, uma das bandas mais ouvidas por mim e meus amigos de mais de duas décadas. Lembro do show deles que fui. Coloco as peças de roupas sujas na máquina. O sol é convidativo. Penso em tomá-lo até às 10 da manhã. Já passou das dez. Desisto do sol. Sento, levanto, vasculho, organizo, deito, teclo, bocejo, adormeço em mim.
27 February 2011
Conversas de domingo
![]() |
- Mas então você trocou o vôo?
- Ai, nem me fale...já fiz trocas demais, a passagem ficou bem mais cara...
- Pois é... você, como boa viajante que é, precisa ser mais descolada, sabe?
- Sim, eu mando mal, eu sei... vou chegar no Galeão...pelo Santos Dumont sairia mais em conta, mas não consegui...
- Tem que gastar menos, aprender a andar de metrô, de ônibus, tem que aprender a ser uma mochileira...
- Não, isso não combina comigo... gosto de andar de táxi, gosto de conforto, não me incomodo de gastar mais... mas tenho que mudar, sim...
- Então tá! Descansa aí, pra sambar bastante aqui com a gente!
-------
- O seu anjo da guarda te protege, mas sofre com você!
Risos
- Deve sofrer mesmo. Mas me ajuda sempre... num só mês bati o carro e paguei a franquia, mudei de estado, perdi e recuperei uma caixa da mudança, comprei uma passagem aérea muito mais em conta e depois tive que pagar multa por alterá-la, isso umas três vezes...
- Além de te guardar, seu anjo custa caro, prima!
Risos
- Verdade, o pior é que é verdade...mas eu tenho risco zero de sofrer de stress, segundo a avaliação cardiológica!
- Putz, se eu passasse por metade dessas coisas, já estaria morta...você dá muito trabalho pro seu anjo!!
Mais risos...
-------
- Conta... como é esse camarote?
- Não prestei atenção em tudo e minha net pifou agora à noite... é sempre assim...
- Mas você prestou atenção em que?
- Na estrutura...
- Hein?
- É, no que vai ter lá...
- Sim, mas dá direito a bebida free? E comida também?
- Sim, "all inclusive"!
- Ah, bom...melhorou...
- Mas como que a gente vai pegar a camisa, se a gente vai chegar já na hora de ir pro camarote??
- Ué...temos que ver isso no site...
- Ok. Amanhã você vai trabalhar cedinho?
- Não, só à tarde...
- Ai, que delícia....
- É um problema, acordo cedão e fico sem saber o que fazer...
- Sério? Ah, vai malhar, Juba!
- Tá bom, tá bom...amanhã é segunda...
23 January 2011
"Num bar, todo mundo é igual..."
![]() |
| "...meu caso é mais um, é banal..." |
- Estou solteiro...
- Solteiro, no Rio de Janeiro?
- É, solteiro no Rio de Janeiro...
- Mas, e essa agenda aí, de A a Z, não há ninguém, que possa matar a saudade?
- Não..zero.
- Nossa, tadinho...
- Vou chatear meu amigo Chico...veja só...
(ligou pro Chico, que definitivamente estava chateado com a insistência do amigo bêbado)
- Chico? Você quer ou não quer que eu vá pra sua casa?
(claro que não queria).
- Mas Chico, a noite é uma criança...
- Diga que a noite é um feto...
(Chico, muito irritado, nem quis mais papo...)
- Não aguento mais levar sermão do Chico...
- Ihh, então Chico é sua paixão?
- Não...é só meu amigo...
- Nossa, me conta, tem crise no mundo dos gays, também?
- Sim, não há homens decentes...
- Nossa, tia, estamos ferradas! Pensei que somente as mulheres sofriam nesse mundo...
- Mas eu tô mal...bebi muito...me ajudem a decidir: não sei se vou em casa, pego o Radar e venho pra cá, e depois levo o Radar pra casa... e volto de novo...ou fico aqui...o que vocês acham?
- O que? Quem é Radar?
- É o cachorrinho dele, tia..eu conheço o Radar...ele precisa descer..vá buscá-lo!
- É, ele precisa descer...e eu preciso ir ao banheiro...
- Já sei...está apertado...diga aí, o número 1 ou o número 2?
- Ah...o número 5!
(risos)
- Número 5? Como é isso?
- Ah, não dá...é muito sinistro....
(mais risos)
.......
As três, na 10ª Sessão da Terapia Grupal
-Não entendi...vocês vão querer dois espetinhos, um de carne e outro de frango?
- Isso..
- Eu acho que deviam ser três.
- Não... é muito...
(a garçonete bem tranquila, anotava..)
- Tá decidido, querida...traga somente dois...tá bom demais!
(...)
-Mas eu não acredito...você já está apaixonada?
- Sim, estou! Me apaixono por tudo: por um homem, por um lugar, por uma comida, por uma música, por um olhar...
- Caraca, você é muito ingênua! Não pode acreditar em tudo, assim...eu não acredito mais!
- Ah, mas minha intuição nunca me deixou na mão...
- ah, tá bom...foi só o telefone tocar e você ficou aérea...típico do seu signo...a Lagoa Rodrigo de Freitas, que você tanto ama, nem tinha mais graça!
- Isso não é verdade...aí é que ela ficou mais bonita...
- Poxa, amiga, vou te dar um corte...
- Por que, amiga?
- Nossa, você é muito pessimista, cara...
- E você? Tem medo até da sua sombra!
- Amiga, você tem que namorar um dançarino!
- Mas os dançarinos são gays... não quero saber de namorado.
- Mas namorar é tão bom...
- Vamos pedir mais um chopp?
(...)
30 November 2010
As três despedidas
![]() |
| nós e os nós |
------------
Todas as vezes que nos despedíamos, ele me dava um beijo na testa, e um 'tchau Juba', que me desmanchava. Na última vez, foi a pior de todas. Ele se despediu e eu lhe disse ADEUS. Claro que não era pra valer. Mas ele me olhou com raiva. E eu desviei o olhar. Ele sabia da mentira. Me ligou e comentou sobre o blefe. Adeus, existe?
------------
O vôo, marcado para 6h30, exigia que eu me levantasse bem mais cedo. Então decidimos dormir bem mais tarde. Tive pena de acordá-lo. Na madrugada, nos despedimos. Quando levantei, busquei no escuro minhas peças de roupa espalhadas pelo quarto, pelo banheiro, e os sapatos pelo chão. Era proibido fazer barulho. Mas ele acordou e me enlaçou, ainda no escuro. O interfone tocou. Era o taxista marcado, me lembrando da realidade.
15 October 2010
As lembranças da bagagem
O ano: 1997
Estágio remunerado de um salário mínimo, com direito a vale- transporte.Eram em média, trinta crianças entre nove e dez anos. O sino tocou. Subimos juntos. Era verão, já. A sala de aula estava muito quente. Os meninos chegaram suados, da partida de futebol mais esperada, de todos os dias, no recreio. As meninas, como todas nessa idade, festejavam seus segredinhos, sobre seus amores platônicos, nos muitos bilhetes trocados. De pernas cruzadas, encostada no quadro branco, eu os contemplava, feliz da vida em poder fazer parte daquele universo tão deles, tão meu, tão nosso. Me sentia em casa.
O ano: 1998
Assumi o grupo mais velho da escola. Ciclo 4, ou quarta série do ensino fundamental. Uma turminha linda, carinhosa, realmente especial. Era o dia da votação. Escolha de um conto, para montagem de uma peça teatral. Sonhos de uma noite de verão ou Romeu e Julieta? Algazarra total nos pré-adolescentes de olhos ávidos por diversão, além da produção textual, razão de ser do projeto. E a maioria optou por sonhar, em plena luz do dia. E a diretora entrou, no meio da decisão. De repente o silêncio. Medo ou respeito? Até hoje, penso que ela não gosta(va) de identificar a alegria e o prazer, entre professores e alunos. Uma cumplicidade, sem igual. Me sentia parte deles.
O ano: 2005
13 horas de viagem. Um encontro rápido. 30 horas passam voando. Aulas de pós-graduação exigem muito. Dinamismo, inovação, criatividade, relevância, e, acima de tudo, estimular a motivação, o suficiente para optarem estar naquele espaço, e não no sol maravilhoso e convidativo, lá fora. Nada de pensar em descansar ou curtir o final de semana, longe dos livros e temas da Psicopedagogia. E o grupo me pediu pra retornar. A avaliação final, apontava que era ali, o início da minha carreira docente, no ensino superior. Me senti em férias permanentes.
O ano: 2010
Turma do segundo semestre de Direito. Alguns me acompanham escada acima. Enxergo, de longe, pelo corredor, outros tantos. Os mais assíduos, me esperam juntos, em frente à nossa sala. Sorriem ao me reencontrar. Toda quinta, em nosso encontro semanal, há espaço para trocas, controvérsias, leituras, trabalhos, análises. Nos divertimos, rimos, discutimos, combinamos coisas, prazos, tarefas, estudos, pesquisas. Foco em linguagens e produção de textos na área jurídica. Pedagoga que sou, estou ali, inteira, para eles. Me sinto um deles.
Estágio remunerado de um salário mínimo, com direito a vale- transporte.Eram em média, trinta crianças entre nove e dez anos. O sino tocou. Subimos juntos. Era verão, já. A sala de aula estava muito quente. Os meninos chegaram suados, da partida de futebol mais esperada, de todos os dias, no recreio. As meninas, como todas nessa idade, festejavam seus segredinhos, sobre seus amores platônicos, nos muitos bilhetes trocados. De pernas cruzadas, encostada no quadro branco, eu os contemplava, feliz da vida em poder fazer parte daquele universo tão deles, tão meu, tão nosso. Me sentia em casa.
O ano: 1998
Assumi o grupo mais velho da escola. Ciclo 4, ou quarta série do ensino fundamental. Uma turminha linda, carinhosa, realmente especial. Era o dia da votação. Escolha de um conto, para montagem de uma peça teatral. Sonhos de uma noite de verão ou Romeu e Julieta? Algazarra total nos pré-adolescentes de olhos ávidos por diversão, além da produção textual, razão de ser do projeto. E a maioria optou por sonhar, em plena luz do dia. E a diretora entrou, no meio da decisão. De repente o silêncio. Medo ou respeito? Até hoje, penso que ela não gosta(va) de identificar a alegria e o prazer, entre professores e alunos. Uma cumplicidade, sem igual. Me sentia parte deles.
O ano: 2005
13 horas de viagem. Um encontro rápido. 30 horas passam voando. Aulas de pós-graduação exigem muito. Dinamismo, inovação, criatividade, relevância, e, acima de tudo, estimular a motivação, o suficiente para optarem estar naquele espaço, e não no sol maravilhoso e convidativo, lá fora. Nada de pensar em descansar ou curtir o final de semana, longe dos livros e temas da Psicopedagogia. E o grupo me pediu pra retornar. A avaliação final, apontava que era ali, o início da minha carreira docente, no ensino superior. Me senti em férias permanentes.
O ano: 2010
Turma do segundo semestre de Direito. Alguns me acompanham escada acima. Enxergo, de longe, pelo corredor, outros tantos. Os mais assíduos, me esperam juntos, em frente à nossa sala. Sorriem ao me reencontrar. Toda quinta, em nosso encontro semanal, há espaço para trocas, controvérsias, leituras, trabalhos, análises. Nos divertimos, rimos, discutimos, combinamos coisas, prazos, tarefas, estudos, pesquisas. Foco em linguagens e produção de textos na área jurídica. Pedagoga que sou, estou ali, inteira, para eles. Me sinto um deles.
26 September 2010
Instantes mágicos
Encontro inusitado
Voos cancelados. Partidas com atrasos. Olhou em volta, desanimada, empurrou o carrinho, apinhado com sua bagagem e se dirigiu à imensa fila do check in. Ele era o penúltimo, daquela longa espera. Mais um dia de sorte, enfim!
--------
Quase um desencontro
Muito atrasada, correu todo o aeroporto e falou ofegante com um atendente da cia aérea. Ouviu um "Senhora, dirija-se àquele balcão, para que lhe informem se há algum vôo disponível para hoje". Era o dobro do valor, a nova a passagem. Fez contas de cabeça, desesperou, mas passou o cartão, afinal, alguém a esperava.
--------
Reencontro
Demora na esteira. Nada de avistar a mala, com uma fita rosa do senhor do bonfim. Ufa, lá vem ela. Saiu de lá, com pressa. Os olhos pareciam dois faróis, a procurar, procurar...Do lado de fora do desembarque, lá ele estava em pé, ansioso. Eram mais dois faróis à procurar, procurar...acharam um ao outro,e se fitaram longamente.
--------
Encontro às claras
Precisavam fugir dos colegas de trabalho. Marcaram na livraria do andar térreo. Ele apontou o livro na vitrine, que lhe lembrava a história deles: "O corpo fala". Sorriram juntos. Entre as prateleiras, aconteceu o beijo mais esperado...
Voos cancelados. Partidas com atrasos. Olhou em volta, desanimada, empurrou o carrinho, apinhado com sua bagagem e se dirigiu à imensa fila do check in. Ele era o penúltimo, daquela longa espera. Mais um dia de sorte, enfim!
--------
Quase um desencontro
Muito atrasada, correu todo o aeroporto e falou ofegante com um atendente da cia aérea. Ouviu um "Senhora, dirija-se àquele balcão, para que lhe informem se há algum vôo disponível para hoje". Era o dobro do valor, a nova a passagem. Fez contas de cabeça, desesperou, mas passou o cartão, afinal, alguém a esperava.
--------
Reencontro
Demora na esteira. Nada de avistar a mala, com uma fita rosa do senhor do bonfim. Ufa, lá vem ela. Saiu de lá, com pressa. Os olhos pareciam dois faróis, a procurar, procurar...Do lado de fora do desembarque, lá ele estava em pé, ansioso. Eram mais dois faróis à procurar, procurar...acharam um ao outro,e se fitaram longamente.
--------
Encontro às claras
Precisavam fugir dos colegas de trabalho. Marcaram na livraria do andar térreo. Ele apontou o livro na vitrine, que lhe lembrava a história deles: "O corpo fala". Sorriram juntos. Entre as prateleiras, aconteceu o beijo mais esperado...
Subscribe to:
Posts (Atom)


