Showing posts with label outros autores. Show all posts
Showing posts with label outros autores. Show all posts

27 September 2015

ilumina aí

Para sêr grande, sê inteiro
nada teu exagera ou exclui 
sê todo em cada coisa
põe quanto és, 
no mínimo que fazes, 
assim, em cada lago, 
a lua toda brilha,
porque alta vive.

PESSOA, F. Odes de Ricardo Reis. Lisboa: Ática. 1946 (1994, p. 148).

8 August 2015

não tenho mais dia dos pais (ou devaneios de uma saudosa)

Cadê painho que não volta? Essa viagem dele está demorando muito mais que as anteriores. Não desisto. Continuo à espera que ele chegue, naquele portão, da casa de número 80, de olho no fim da rua Marcelino Rosa, em Vitória da Conquista, Bahia, onde morávamos juntos e felizes: eu, meus manos, meus pais e minha avó Maria Costa. O tempo não vai conseguir apagá-lo da minha memória. Por isso escrevo.
------
Ser pai é também ser mãe. É, sem dúvida, assumir a paternidade no mesmo dia/segundo da maternidade. Não acredito nem acho bonitinho o tipo "pai machista", que após um dia inteiro de ausência, chega em casa, faz gracinha no berço, depois vai para o seu "merecido" banho, e, depois de estar alimentado, liga a televisão, "segura" o filho (só) por 15 minutos, para que a coitada da mãe tome o seu próprio banho, ou prepare a mamadeira seguinte. Não acredito nem acho bonitinho muito menos um "bom exemplo" aqueles pais que fazem uso da máxima (de muitos professores, inclusive): "quebre a cara e se vire". Ser pai é estar presente, é fazer-se presente, com respeito, com educação, com diálogo, com incentivo, e muito abraço. ‪#‎felizdiadosverdadeirospais‬
-----
Acho tudo lindo... me emociono com as histórias, com as fotos, me delicio com as homenagens aos pais dos meus amigos, especialmente daqueles que conheço/conheci e percebi o quanto são mesmo amados e cuidados. Queria mesmo saber porque a maioria só faz isso uma vez ao ano, ou duas, no aniversário... eu que perdi o meu aos 12 (por isso sempre o 12), não esqueço de me lembrar da importância dele em minha vida. Enfim... fica a dica.... risos... vamos aprender a valorizar em vida... depois, depois... só restará a saudade, ou talvez a tristeza de não ter aproveitado mais a cia dos nossos pais, dos nossos irmãos, dos nossos amigos... enfim, validar SEMPRE será preciso.
-----
"Sem essa de que estou sozinho, somos muito mais que isso..."
‪#‎vamosfazerumfilme‬ ‪#‎LegiãoUrbana‬ ‪#‎RenatoRusso‬
----
"Aceitar, né? Fazer o que?" ): Que lindo depoimento. Eu já gostava desse cara... agora gosto mais. Adoro gente simples, que é verdadeiro, que admite erros, que pede desculpas, que faz pensar, que faz sorrir, que faz chorar, que emociona.



27 October 2014

#soumaisBrasil

Quem me conhece um pouquinho mais, já sabe que não suporto rótulos. É uma briga antiga. Não, não foi o nordeste quem levou Dilma Roussef à reeleição. Nem foi Minas Gerais. Foram 54.501.118 votos válidos, de norte a sul. Cada voto, cada motivo oculto ou não, eis que o PSDB e sua corja NÃO convenceram esses 54.501.118. Agora? O caminho é o mesmo de antes: enfrentamento ao Governo Federal, que não por acaso será o mesmo por mais 4 anos. Mesmo uma VÍRGULA. "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Todo o mundo é feito de mudanças." Estou em Portugal e Camões é bem oportuno. Pois.  



Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões Camões, in Sonetos.

18 October 2014

"...longe..."

Sete Cidades

Legião Urbana

Já me acostumei com a tua voz
Com teu rosto e teu olhar
Me partiram em dois
E procuro agora o que é minha metade

Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu

Meu coração é tão tosco e tão pobre
Não sabe ainda os caminhos do mundo

Quando não estás aqui
Tenho medo de mim mesmo
E sinto falta do teu corpo junto ao meu

Vem depressa pra mim
Que eu não sei esperar
Já fizemos promessas demais
E já me acostumei com a tua voz
Quando estou contigo estou em paz
Quando não estás aqui
Meu espírito se perde, voa longe...

26 August 2014

os pecados dos [péssimos] turistas

Quem convive bastante comigo sabe que não gosto de ser turista em lugar nenhum. Prefiro ser uma viajante! Viajar em temperos, culturas, sabores diversos. Glória Kalil, em seu livro "Viajante Chic" considera uma petulância um forasteiro comportar-se como íntimo em um novo lugar. Eu discordo um pouco, pois adoro perambular com simplicidade, sem guias e mapas na mão. Ademais, eu não suporto tantas regras e roteiros concebidos por quem não me conhece de verdade.  
Por falar em dicas [não regras] eu parei de pesquisar sobre literatura de viagem. Mas como estou à beira do precipício, esse aqui, indicado por Paula Simões, foi um excelente achado.
As dicas abaixo podem ser consultadas diretamente no Matraqueando!

OS SETE PECADOS CAPITAIS DO TURISTA


19 July 2014

+1 eternizado na escrita

Não, ele não é nem nunca foi uma referência para mim. Não em termos acadêmicos. Nunca o citei em nenhum trabalho científico. Mas lá atrás, quando comecei a me envolver verdadeiramente com o mundo da educação, lancei mão das suas analogias, em uma reunião com os pais de alunos que tivemos, em um colégio de rede privada em Salvador. Isso faz é tempo. Caminhando para segunda década. Era um dia especial. Queríamos, eu e Cátia Verônica, abordar a relação da família com a escola. E lançamos mão das ideias dele. Acreditávamos e acreditamos que a família é parceira da escola, nunca contrária. A família deve ser sim, o outro lado da bola do frescobol. Mais leveza e prazer que contemplar partidas sem fins, impossível descrever. Se os pais soubessem valorizar a escola dos filhos, não haveria problema na bola que cai ou volta redonda. Nenhuma partida de tênis seria iniciada. Não haveria competição. Só por esse aprendizado, o meu prazer em ter te lido algum dia e por ainda fazer sentido o que li.
‪#‎leia‬ ‪#‎dicaquente‬



3 September 2013

+ uma romântica por aí

Lá estava ela, sozinha, às duas da manhã, esperando, esperando... andou mais um pouco, e, muito desolada, decidiu ir embora. Mas quando se virou, percebeu que já não estava mais sozinha. Lá estava ele, com uma expressão que mesclava preocupação e aborrecimento. Ela, assustada, permaneceu estática, com o coração aos pulos. Conversaram pouco, mas decidiram muito.

- Aí está você! Saiba que eu estou te esperando, no lugar indicado, na entrada principal, há muito mais de meia hora!
- Mas a entrada principal é aqui!
- Não, aqui é a saída principal!
- depende de como se vê...
Ele suspirou. Ela lhe sorriu, comovida com a sensação de proteção que emanava dele.
- Me diz, o que você tem?
- Ah, estou girando nesse carrossel há muitos anos. E decidi que eu quero parar. Não quer ficar parado comigo?
- Você me pediu, para vir te encontrar no meio de um parque, de madrugada, para ficar parado com você?
Ela o fitou demoradamente. Ele não respondeu verbalmente. Apenas a envolveu num abraço. Ficaram então, assim, juntos e parados.

[ou sobre como percebi o cenário e a narrativa, a partir de um diálogo fofo, num episódio qualquer de Sex and the City]

26 August 2013

mais alma que corpo

Onde quer que eu vá, com quem quer que eu vá, possa eu ver a mim mesmo como menos que os outros, e do fundo de meu coração, possa eu considerá-los, supremamente preciosos.
Dalai Lama

De férias, com um controle remoto na mão e vários canais à disposição. Os dias passam lentos. Ou rápidos demais. Logo escurece. Mais tarde sinto mais frio. Amanheço querendo adormecer mais. Penso no que está à minha volta. Lembro [com saudade] da minha mãe e dos meus manos, tão distantes. Não consigo me separar da minha realidade. Tenho compromissos assumidos, com prazo de validade para o fim do mês. 
Ouço Cold Play tocar Fix you, insistentemente. Talvez querendo chamar a minha atenção. Talvez. Decido decifrar a letra e me deparo com a tradução do título que diz "consertar você".

6 June 2013

das tiradas dele

Apresento-lhes um amigo querido. Paulistano cheio de sotaque, do signo de escorpião, colega de trabalho, parceiro incansável e divertido para estar junto em brindes, almoços, baladinhas, jantares e caminhadas, aqui mesmo, na orla dessa cidade que habitamos. Cle, sem você a vida nem existe mais. Te amo!


Põe a mãe na consciência!
Hoje estou só a capa do Batman!
Queria ser pobre um dia na vida, porque ser pobre todo dia é cansativo...
Tá vendo só... é porque você não é amiga da Maria do Carmo...
Você não é a Baratinha Verde?
Ou come ou some!
Eu? Ah, estou aqui, caminhando e cantando e seguindo a canção...
Isso é pior que encoxar a mãe no tanque!
Minha Nossa Senhora do Vagão Queimado!
Pior que bater na mãe por falta de mistura!
A fila anda e a catraca gira!
Só o Senhor na causa!
Esse povo fala mais que a mulher do Yakult!
Estou esperando o motorista dos Bulhões...
É legalzinho mas é cheio de conversa!
Casa da salada, qual o pepino?
É o que temos, a Deus agradecemos! 

28 January 2013

recados poéticos


Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a ideia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de ideia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia.
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar.
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo.
Álbum V [1990]

1 January 2013

"...acalma a minha pressa..."


Da
qui desse momento

Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.

Quem vai virar o jogo

E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.

Às vezes é um instante

A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

A lógica do vento

O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.

6 December 2012

"viajar sempre esteve no meu DNA"


"Atravessar fronteiras era um desejo meu desde menina, incluindo as fronteiras mentais, não apenas as geográficas. Conhecer, descobrir, avançar, aprender: verbos que de certa forma me definem, todos relacionados com o exercício da liberdade. (...)"

Indico!

28 November 2012

Eu poderia ter escrito isso...


Quase invejo quem tem tempo a perder: sinal de que é alguém irritantemente jovem, que ainda não se deu conta da ligeireza da vida. Já os veteranos não podem se dar ao luxo de acordar tarde, e, no caso, “acordar tarde” não significa dormir até o meio-dia: significa dormir no ponto, comer mosca. Não dá. Depois de uma certa idade, é preciso ser mais atento e pró-ativo.

7 November 2012

meio visceral

Quem ama, ama mais na última noite. 
Embriaga-se de amor. 
E se pudesse
sugava até o ar que o outro respira,
para manter-se amorosamente bêbado.

Também achou bonitinho o que escrevi acima? Ai, acho que estou cambaleando, com náuseas, de ressaca, depois que li "a primeira noite de quem ama", do querido Carpinejar

25 October 2012

sobre o fim

Quisera ser claro de tal forma que ao dizer ROSA
Todos soubessem o que pensar. 
Mais: 
Quisera ser claro de tal forma que ao dizer JÁ
Todos soubessem o que fazer.
Poética, Geir Campos*

Preciso desabafar. Estou esgotada mentalmente. São tantas demandas e tão pouco tempo que estou no escuro tateando e apontando com o dedo para decidir o que fazer em primeiro, em segundo, em terceiro plano. Na verdade não deveria ser assim. Mas está sendo assim: desgastante, enfadonho, prolongado.
Não quero que o fim do mundo chegue. Nem que o natal chegue. Muito menos quero que o ano novo chegue antes do dia 31 de dezembro, como sempre acontece.
Quero apenas o fim do semestre letivo 2012.1.

9 October 2012

eu falo por mim*

Amar a si próprio é esse movimento: não se resignar, não se conformar com o que foi feito, não mergulhar na repetição desanimada dos dias: olhar cada lembrança de frente e ver se ainda queima. Olhar cada palavra de frente e ver se ainda queima. Olhar cada atitude de frente e ver se ainda queima. 
E incendiar a nossa vida na vida do outro.

Ele começou falando de uma tal caixinha de fósforos... lendo [só] esse trecho acima, dá pra imaginar que na crônica dele, caberia um final como esse? Pois é, foi assim: que adorei me surpreender, mais uma vez, ao ler as deduções nada óbvias desse autor, que hoje escreve em forma de desabafos, por sofrer com a separação e saudade da companhia da sua amada. 
Como ele, também fico remoendo as coisas ditas, as coisas feitas, as emoções vividas. E sofro com a falta, com o silêncio do outro lado. Com o telefone que emudeceu.

30 September 2012

definitivamente, NÃO.

Paty Michele escreveu essa semana sobre o assunto. Fui tocada, indireta e, por fim, profundamente. Deve ter sido pelo enredo seguinte. Ou consequente. Depois de um debate maravilhoso sobre plágio e direitos autorias, com colegas queridos, agora estou eu aqui, também indignada, considerando um absurdo que o mundo seja melhor e dê [mais] certo para os espertos de plantão. Frustrada que louros sejam dados e venham a público, justamente para uns e outros, que dão nó em pingo d´água, para conseguirem o que tanto desejam. Esta expressão, eu sei, algum dia vai cair como uma luva numa nova crônica de Marcelo Pirajá Sguassábia. Ainda assim, insisto. Não posso acreditar que o mundo real seja tão cruel. Respirando mais, digo: tudo bem. Se for isso mesmo, paciência. Durmo como uma pluma, mesmo com quilos a mais. Quando deito em meu travesseiro predileto, rezo para sonhar com um romance daqueles de endoidecer, conto carneirinhos, checo o celular pela milésima vez, desligo a luz, a televisão, e em seguida durmo em segundos, feito um anjo. Sigo assim, sem passar por cima de ninguém para conquistar coisas e afetos. Enfrento processos de forma tensa, desesperada, mas distanciada dos que burlam as regras ou fazem de tudo para sair bem na foto, na fita, sei lá onde. Desabafo de domingo é sempre assim: uma viagem bobinha. Nada sério, muito menos importante. Talvez se transforme em um post de Ariana Magalhães, do tipo meu nome é ESPANTO.

25 September 2012

Ela fala sobre nós

Os dias que eu me vejo só
são dias que eu me encontro mais
e mesmo assim eu sei tão bem
existe alguém pra me libertar.
Condicional, Los Hermanos

Escrever sobre meus devaneios parecem fazer mais sentido quando estou em minha companhia apenas. Gosto de ser só, de estar só, na maior parte do tempo. Para ir ao cinema, caminhar na orla, ler, perambular em lojas e supermercados, blogar, estudar, cuidar do meu canto, da limpeza, dos armários. É tudo bem terapêutico. Enquanto me ocupo, aparo arestas. Gostar de estar sozinha para ouvir minhas músicas, experimentar novas receitas na cozinha, pesquisar na internet, assistir novelas, seriados, ou ver um filminho gostoso, em dia de chuva forte. Gosto, na mesma medida, de comer junto, ver televisão junto, dormir junto, acordar junto, e ter mesa cheia, com gente falante, inquieta, que grita, que ri, ou que pede silêncio para [não] fazer oração nenhuma, apenas para comungarem de um mesmo tempo, num mesmo espaço físico. O silêncio, muitas vezes, é carregado de sentidos, significados e cumplicidades. E as viagens? Ah, não existiriam meus diários de bordos se eu não estivesse literalmente sozinha observando cenas, cenários, pessoas, lugares, o sol se pondo, o trânsito acontecendo, as mudanças no formato das luas e as danças dos coqueiros.
Martha Medeiros, em sua coluna no Jornal Zero Hora, escreveu uma crônica trazendo essa reflexão: de como é bom [e vital] aprender a ser só, e a viajar sozinho. E, obviamente, me encontrei em tudo.
E foi assim: que viajei nas ideias dessa escritora-viajante, que me parece fazer uma análise sensata sobre as relações humanas, nesse mundo contemporâneo. Segue abaixo, um trecho muito bacana:

24 September 2012

Tal pai, tal filho


Ficaram traços da família, perdidos nos jeitos dos corpos. 
    Bastante para sugerir que um corpo é cheio de surpresas*.  
Hoje é o dia dele. Mas a festa, sem dúvida alguma, é nossa. Há 44 anos exatos ele nasceu e com ele, um ser humano altruísta, que sempre consegue um jeito de manter todos por perto, de preferência em volta de uma mesa com muita comida e algazarra.
Entre os meninos, é o meu irmão do meio. E embora tenha ficado "espremido" dividindo a atenção dos pais, concluo que isso não é relevante pois soube conquistar seu espaço na família, e entre nós, de forma especial e intensa. Hoje esse post é para ele.

13 September 2012

Estradas, mares e corais

"Viajar é um ato de desaparecimento, escreveu certa vez Paul Theroux, um dos escritores mais bem-sucedidos na arte de narrar suas andanças pelo mundo. É uma frase ambígua, pois parece verdadeira apenas do ponto de vista de quem fica. O viajante realmente desaparece pra nós – aliás, desaparecia, pois nestes tempos cibernéticos ninguém mais consegue manter-se inalcançável. Já para aquele que parte, viajar não é um ato de desaparecimento. Ao contrário, é quando ele finalmente aparece para si mesmo."

Um autor dentro de outro. Agora, dois autores dentro de mim. Quando me ler, dois autores dentro de nós. Não é mesmo fantástico viajar pela leitura? Confesso que amei essa citação daí de cima. É exatamente assim que concebo uma boa viagem: quando me encontro, e melhor ainda, quando desapareço até para mim, tamanha a força de ser sugada pela experiência do novo lugar, da nova cultura, dos novos sabores, do povo que ali reside- com seus sotaques, rotinas, crenças, jeitos e trejeitos.
Concordo que o aparato tecnológico com direito à gps, whatsapp, facebook e câmeras, aplicativos ativados nos celulares, nos intimidam a nos mantermos "conectados". É como se para viajar, precisássemos também ser monitorados. Amigos e familiares cobram pelo "check in", pelo envio das imagens mais recentes. Talvez para acompanhar. Talvez por saudade. Talvez por segurança. E nós? Ah, talvez por vaidade. Ou tudo junto. Penso ainda que essa é uma realidade virtualizada que parece fazer parte do grande boom cibernético do século XXI.