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10 August 2019

entre perdas e ganhos: sigo resistindo!

No alto dos meus quarenta e tantos anos penso que já aprendi o que são perdas e o que são ganhos.
Ano passado eu me despedi de um primo querido, de dois tios amadíssimos, de uma amiga-irmã que jamais vou deixar de lamentar a sua ida tão absurda.
Também sofri e sofro pela partida da filha de outra amiga-irmã, como se minha sobrinha fosse. E penso que ainda é. E ainda sinto a saudade de todas essas perdas irreparáveis.
Mas mesmo diante de perdas tão duras e difíceis eu sei reconhecer os meus ganhos. E são muitos!

19 June 2019

teste

Faz tempo que deixei de consumir roupas e sapatos.
Confesso meu vicio. Eu já fui muito viciada, consumista, que entulhava a casa com novidades no vestuário. Bastava o inverno apontar na esquina, e lá ia eu, correndo pra ver o lançamento das botas, minha maior coleção.
Quando me dei conta de que já era adulta, passei a me deliciar com a montagem da casa dos meus sonhos.
Por isso minha surpresa hoje, quando percebi o quanto estou feliz e alheia aos modismos. Há bastante tempo que eu não me encantava com alguma peça numa vitrine. Eis que meus olhos cintilaram, com um coração em cada um, ao ver a calça listrada mais linda e mais minha cara que existe.
Eu estava calçando havaianas, de mochila, cara lavada, e adentrei a loja sem sequer prestar atenção em que loja eu estava entrando, afinal “eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome” e quase nunca presto atenção em marcas!
Pois bem, perguntei pra vendedora que me mediu de baixo pra cima, começando pelas unhas expostas e recém-pintadas de “nude”.
- quanto é essa calça?
- qual?
- essa aqui!
- ah... deixa eu ver...
(aposto que sabia de cor, mas queria me humilhar)
- 636.
- como?
- 636 reais.
- ah, tá.
Não preciso dizer que não comprei, né? Prefiro investir num tapete pro meu quarto. Durará mais invernos e aquecerá meus lindos pés!

#elaadoracausos

11 May 2019

cenas no shopping

Cena 1

“Quando você está sozinha comigo você é um saco, fica reclamando o tempo inteiro”.
A menina ouviu calada e seguiram de mãos dadas, shopping a dentro.
A única melhor parte do que acompanhei: não soltaram a mão uma da outra. ❤️

Cena 2

-filho, senta aqui.
- e meu almoço?
- seu pai foi comprar.
(menino com cara de tédio,ficou em silêncio)
- quer meu celular?
(menino continuou indiferente, enquanto a mãe colocava um joguinho no celular dela pra ele)
- toma.
(o menino começou a jogar e ela ficou ali, olhando pro chão, batendo os dedos na mesa...)

Cena 3

Choro de bebê é batata! Não tem quem não olha curioso e segue o olhar acompanhando de onde vem o som até chegar no pranto desesperado.
E eu ali, à toa, filmando....
A mãe estava super arrumada para o passeio no shopping. Ela vestia uma saia longa com estampa de um felino. Seria uma estampa de onça? Não faço ideia, mas percebi que tentava distrair sua filhinha, que devia ter uns 7, 8 meses.
A garota chorava muito e notei rapidamente que também usava uma roupinha encomendada, só que com estampa de outro felino, que também não consegui identificar qual era!
É que tem detalhes muito parecidos, inclusive nas cores, a exemplo de muitas pintas pretas mescladas com tons de amarelo ou laranja. A guria também tinha um laço em volta da cabeça.
Eu não posso comprovar mas é muita coincidência: toda criança que chora muito e tem algo amarrado na cabeça, bem... penso logo que deve ser esse enfeite feio, exagerado, que pode estar doendo, machucando, irritando. Deu vontade de levantar rápido, dizer “oi, com licença” e retirar aquele laço antes da mãe reagir.... quem não??

4 September 2018

é tudo mentira nesse bilhete

A solução  é privatizar tudo!
Escolas, universidades, hospitais, estradas. Imaginem aí... museus sendo administrados por organizações sociais e empresas... querem queimar (ops) e acabar com todos os nossos bens públicos e o discurso que predomina e convence quem não lê a realidade com lentes críticas, também acredita e propaga a ideia que as instituições públicas não sabem fazer gestão dos seus recursos....  bom... a mídia golpista tem ajudado a consolidar a ideia, tão impregnada da intenção política de desqualificar gestores públicos... assim o estado deixa de arcar com suas obrigações e passa a ser cada vez mais mínimo... estado pequenino que vai trabalhar para isentar impostos e conceder vantagens para os ricos e abastados... 0,1% da população vai ficar feliz, porque 99,9% não terá nenhum direito social assegurado.
O ódio partidário tem a ver com a ideia de que a desigualdade social é natural e legítima: tem que continuar existindo assimetria sim.
Pobre e preto cursando medicina? Nem combina com jaleco branco.
Pobre e preto com iPhone? Roubado.
Pobre e preto circulando em shopping? É vandalismo na certa.
Pobre e preto andando de avião, comprando carro? Não pode, não deve.
Pobre e preto na mesma praia que aqueles que odeiam a galera da esquerda radical? Não podem. Precisam de ilhas. Precisam de muros altos e cercas elétricas.
O Brasil global que alguns querem não tem imigrante, não tem favelado sonhando com ascensão, porque sabe que tem que servir o patrão, a patroa.

23 March 2018

Meu Luan formou!





Demorei um pouco pra cumprir a promessa de escrever um textão narrando tudo que aconteceu nos três dias e noites de festa da formatura de Luan Costa Miranda Rayres, para os íntimos apenas o "meu Luan", apelido carinhoso como todos nós familiares o chamamos. 
Aí me dou conta de que "um apelido carinhoso é mais difícil de esquecer", como nos lembra a música mais tocada na balada do meu Luan, que nos embalou 24h por dia e abalou (literalmente) a estrutura da casa de praia da festança, em Stela Mares, situada num dos lugares mais lindos e paradisíacos do litoral de Salvador, da nossa Bahia.
Vamos às lembranças mais recentes:
O evento do núcleo #BatistaRayres começou bem antes de 17 de março de 2018. Foi planejado nos últimos seis meses e festejado nos últimos cinco anos, desde que o Meu Luan começou a faculdade de Engenharia Civil, lá atrás, nos idos 2013.
Antes de falar desse evento em si, é preciso registrar que a nossa família é rainha em realizar festas grandiosas. Nossa família é acostumada com grandes eventos que reúnem todos os núcleos, em um único espaço, com direito a presença de cachorro com nome de príncipe, o famoso Lord, e muita gente circulando: gente pequena, gente grande, que chega de carro, de avião, de carona, de ônibus. 
Momentos com participação de parente que chega de viagem pela manhã, ou à noite, ou de tardezinha, ou de madrugada, ou de surpresa, fazendo barulho, que diz que não vem, mas chega na hora H.
Festa com gente linda que faz (muita) comida o dia todo, gente que bebe mais do que deveria, que passa mal de ressaca, que dorme no chão, no sofá e até de gente que não dorme nunca. 
Voltemos no tempo. 
O formando e o pai do noivo, ops, do formando, choraram juntos, muitas vezes e claro que entendemos o motivo de tanta sensibilidade.
A mãe do noivo, ops, do formando, ficou tensa, chorou um bocado e entrou em desespero, com medo de que as coisas não saíssem como tanto sonhou e investiu. Ela parecia que ia mesmo casar seu filho único, tamanha a sua preocupação com os mínimos detalhes da cerimônia. Flores delicadas e iluminação diferenciada, decorando os espaços, buffet com garçons e mesas dispostas no jardim, bebidas e coquetéis servidos aos convidados, de um lado ao outro da casa, na beira da piscina. Um bolo com um edifício projetado, doces personalizados com os temas da engenharia. Comemos delícias em formato de tijolos e eram doces e macios, contrariando a ideia do concreto, da dureza, do cimento. Não se tratou de obra inacabada ou abandonada. Tudo foi feito com amor, alegria e muita emoção de ver Meu Luan formado e celebrando lindamente com seus muitos amigos e amigas.
Da emocionante missa numa igreja linda, na cidade baixa à colação de grau, tudo foi lindo de ver e viver. Do choro às gargalhadas. Do silêncio no altar aos muitos decibéis do DJ que tocou até o amanhceer, tudo na festa-casamento-formatura do Meu Luan foi incrível, surpreendente.
Eu vou torcer pra que todas as boas novas cheguem na vida desse novo engenheiro, para que possamos continuamente celebrar a lindeza de ser humano, de filho, de primo, de profissional que certamente se tornará.
Deu tudo muito certo. A festa-rave foi perfeita, primos. Meu Luan formou e agora é saudade desse tempo juntinhos e muita esperança num futuro que promete novas conquistas. 




Amo vocês.

Prima Juba do Núcleo Santana

22 January 2018

o que é do homem o bicho não come

Essa é uma expressão que ela sempre teve dificuldade de entender, por não acreditar muito em destino. Pra dizer francamente, apesar de gostar da astrologia, de tarô, búzios, linhas da mão e toda a sorte de energia para explicar a subjetividade no mundo material, essa mulher é cética demais. Argumenta, por exemplo, que entre gostar e acreditar tem-se uma distância gigantesca.
Conjectura que se aquário é oposto complementar de leão e se libra é par perfeito de aquário... isso serve mais pra justificar escolhas (ou a falta delas) do que qualquer outra coisa. Não, ela não acredita em nada disso. Duvida completamente que o universo conspira só porque é lua cheia ou porque um arco-íris apareceu do nada, justamente quando estava buscando um sinal dos céus.
Lembra que não é possível interpretar o cosmos, ainda mais sendo leiga de pai, mãe e todos os seus antepassados, num assunto complexo como esse.
Pensando como ela, penso que quando estamos envolvidos, apaixonados tudo ganha dimensões inexplicáveis apenas pela razão. Tem que adicionar música, poesia, sentidos outros.
Eis que essa pessoa tão incrédula, que tem certeza que papai noel não existe, mas sempre liga o pisca-pisca em todo natal, decidiu que quer passar a crer que "o que é do homem o bicho não come". Isso dá um alívio, sabe? Deve ser o máximo quem confia nisso e simplesmente vive tranquilo, sem expectativas, sem ansiedades. Sabe que em algum momento aquele "estalo" vai acontecer e por isso pode viver com essa leveza, sabendo que o melhor vai chegar em sua vida, que o amor vai enfim, pousar em seus dias, e assim vai desaparecer desgosto, desilusão, desencontro, dissabor, distância e o tal ceticismo que até gosta de alimentar entre os amigos cheios de fé e escapulários.
Ela quer acreditar nisso. Veementemente. E está de dedos cruzados, já sorrindo para o mundo inteiro, pela magia dessas palavras que (agora) soam tão verdadeiras.

31 October 2017

a vida é um piscar e dói mais do que deveria.

Ontem dois irmãos morreram afogados.
Alisson, 20 anos. Andrei, 16 anos.
Estavam desaparecidos e a família desesperada com o sumiço.
Allison era um jovem estudante de Biologia da Ufal, Campus Arapiraca, que seguia seu sonho de tornar-se pesquisador de insetos. Eis que decidiu trilhar sozinho e levou o irmão junto, certamente como apoiador da aventura pela ciência a céu aberto.
Fico pensando na dor da mãe que antes estava desesperada e, na primeira das seguintes segunda-feiras, dormiu sem receber em casa os seus filhos da volta de um passeio de domingo.
Hoje tivemos outra morte no trânsito.
Foram quase 2h num engarrafamento na via expressa e o que eu sabia é que tinha havido um acidente grave.
Junto com o corpo do jovem estendido no chão, a pista sangrava. Quem chorou por ele? Quem o aguardava? Será que estudava? Será que tinha filho? Será que, assim como eu, estava atrasado para o trabalho? Será no quê ou em quem pensava no momento da batida?
Eu, impaciente, só pensava em mim e no MEU compromisso. Eu só não imaginava que veria a cara da morte, assim, no asfalto, e pior, que eu passaria (de novo) com pressa, sem parar, agradecendo por ter o meu caminho liberado.
Partiram 3 que eu soube, em dois dias.
Eu tenho plena convicção que eu não deveria ser tão egoísta ou considerar natural a morte de ninguém.
Eu não deveria seguir como se nada tivesse acontecido.

10 October 2017

devaneios numa terça

Eu tenho o maior desejo de comemorar a vida, ao ganhar uma foto com o nascer do sol, num dia que começa com notícia triste. 
Eu fico toda loba quando me mandam a imagem de uma lua cheia, transbordando pelo mar, naquelas noites mais solitárias.
Eu sigo toda tia babona quando baixa um novo videozinho do meu sobrinho, justamente quando tudo parece perder sentido.
Eu fico toda emocionada quando sou lembrada por gente querida, e até por simples colegas, com matérias, artigos, teses, livros que tratam de relações étnico-raciais, ensino superior, políticas educacionais.
Eu me desmancho inteirinha quando recebo poesia ou um "passando pra te mandar um beijinho grande".
Eu sou uma sortuda. Já ganhei algumas canções lindas. Recebi uma, por telefone, de um certo alguém que não conheci e incorporou Hebert Viana e me perguntou cantando "quais são as coisas e as coisas pra te prender?". Não respondi e a paixão seguiu platonicamente linda.
Ah... eu já ouvi (só pra mim) a versão de "Lambada de serpente". Isso nunca vai ter preço.
De fato eu enlouqueço quando um mimo virtual me faz sorrir pra uma tela fria, mas tão quente.
#devaneiosnumaterça

3 October 2017

como é que ainda tem jornalista que nos diz "boa noite"?

No fim da tarde, após um mundo de assuntos finalizados, ela respirou fundo e pensou alto, como sempre faz pela casa inteirinha só dela (e só pra ela):
- chega de trabalhar, agora vou ver como é a tal da nova novela!
Lembrou que isso de falar sozinha está virando parte da rotina e é preocupante.
- bobagem, quem nunca?
Riu de si mesma, se ajeitou no sofá, esticou as pernas, agradeceu pelo clima de outono que insiste na primavera e ligou a televisão.
Estava passando a tal da nova novela de época, com cenas de machismo, de racismo explícito, e com aquela (velha) história repetitiva de pai que não aceita namoro de filha que aparece grávida e ordena que vá pro convento.
- Mais do mesmo, minha gente... custa inovar?
Enquanto pensava sobre isso, seus olhos pesaram e adormeceu antes do jornal das oito que tanto queria assistir. Acordou sobressaltada, achando que estava atrasada para um compromisso. Desistiu de levantar e continuou cochilando. O compromisso era ali mesmo, entre uma almofada e outra.
Vai ver a programação estava ruim e o sono venceu. Vai ver o cansaço era grande e o sono venceu. Vai ver era pra se desligar mesmo e esquecer essas coisas todas ruins que povoam as redes sociais, os nossos ouvidos e os nossos olhares indignados: um falso presidente que insiste que governa, um reitor que se suicidou, outro que exonerou, mais terrorista tocando o terror na cidade dos que casam à meia-noite e separam pela manhã, quando a ressaca denuncia.
É fato que dormir muitas vezes se confunde com fuga, para além do cansaço. Sonhar com um mundo melhor enquanto se dorme nem sempre funciona. A TV ligada lembra que a vida aqui do lado de fora continua um assombro e é isso que faz essa moça despertar e voltar renovada para a luta, ainda que seja para desabafar.
Escrever também é uma forma de resistir.

22 August 2017

meu blog aos 8 (não parece que foi ontem)

Quando lembro dessa mesma data, oitos anos atrás, após um longo dia de aulas de pós-graduação em Psicopedagogia, surge da memória todo o cenário à minha volta, quando resolvi criar um blog, esse que vos fala, o Foi assim:
Foi naquela noite, sentada num quarto de hotel, numa noite fria do típico inverninho da região sudoeste da Bahia, na cidade de Seabra, considerada a capital da Chapada Diamantina, que está situada a quase 600 km de Salvador, que publiquei a primeira postagem intitulada No interior, o meu interior
Eu procurava, na verdade, dar sentido às vivências daquela época e por isso me sinto até nostálgica ao lembrar desse período da minha vida. Tanta coisa aconteceu. Tanta coisa mudou em mim. Outro dia me dei conta da minha falta de leveza. Do quanto estou pesada. Do peso que é pensar tanto, fazer tanto, lembrar tanto, de tantas coisas que vivi ou que tenho que fazer, providenciar, responder, produzir ou prestar contas. 
É assim que vivo hoje: prestando contas. É um viver quase no automático, sem tempo para ser leve. Sem desejo de ser leve. Isso dói. 

12 August 2017

transmimento de pensação

A primeira vez que falei com ela foi na noite anterior à viagem que faríamos juntos no dia seguinte. Ela me deu boa noite, muito gentil e me pareceu um pouco apreensiva. Ela questionou se eu estaria no horário marcado. Confirmei que sim. Ela insistiu, desconfiada: vai mesmo?

21 April 2017

a baleia azul já não é a mesma

Com a rotina engolindo, algumas vezes demoro para querer me envolver ou compreender algumas questões repetidamente postas nas mídias.
O caso da baleia azul, por exemplo, eu não conseguia sequer associá-lo a coisas ruins. Eu simplesmente não parava para ler nada a respeito. Quando via escrito "baleia azul" relacionava imediatamente com infância, filmes, beleza, mar, imensidão, natureza, vida.
Mas nada como mais um feriado num mesmo mês, para nos forçar a dar uma pausa nas questões do trabalho. Parece um "domingo" a mais, né? Então hoje aproveitei o dia de folga, e li algumas matérias, assisti vídeos, procurei entender o universo desta "baleia azul".
Que triste mundo é esse, com tanta gente sofrendo e sendo seduzida por jogos mortais??
Sobre esse jogo, cujo nome é realmente atrativo e estimula justamente as nossas melhores lembranças e conhecimentos prévios, infelizmente descobri que não é bem sobre vida e sobre beleza que ele trata. Embora seja jogo, também não é uma brincadeira e não é divertido. É sobre tudo o que é ruim: morbidez, violência, intimidação, isolamento, repressão, dor, silêncio, depressão, perda, tristeza, morte.
Pais e adultos que cuidam de crianças ou adolescentes que já fazem uso de dispositivos móveis como celular, ipads, tablets e notebooks... atentem-se. Passem mais tempo com seus filhos. Cuidem das suas relações. Dediquem atenção. Doem amor. Escutem mais e melhor. E claro, vigiem o sono, os interesses, as companhias, os (des)afetos. Observem tudo. Sejam próximos. Abracem mais. Levem a sério qualquer sinal de depressão. É doença. Não é frescura. Não é mimimi de "aborrecentes", expressão tão casual e que muitos de nós a usamos, sempre de modo generalizado e tão irresponsável, né? 

Fica aqui a minha indignação e profunda tristeza.
Embora eu não tenha filho, tenho sobrinhos para amar e cuidar, e como professora convivo com estudantes muito jovens. Sempre torço para que só coisa boa aconteça em suas vidas e que o melhor estará reservado para todos eles, no futuro

... mas, que futuro teremos do jeito que o mundo anda??? Não sabemos.

13 April 2017

historinha de uma tarde chuvosa


- você já viveu uma história de amor?
- já.
- foi um conto de fadas?
- foi sim, e lindo!
- teve príncipe?
- um lindo cavalheiro muito gentil.
- montava um cavalo branco?
- acho que ele nunca montou num cavalo, de nenhuma cor.
- então tinha um carro super cheio de cilindros?
- ele nem sabia dirigir.
- ele entendia e respeitava o seu jeito de ser?
- sim, mesmo falando língua diferente da minha.
- acabou como todo bom conto de fadas?
- não.
- por que acabou?
- acabou porque acabou.
- do que mais sente falta?
- do olhar dele sobre mim.
- como faz pra resolver isso?
- não faz.
- o que mudaria, se pudesse mudar?
- nada, não mudaria nada.
- então foi um final feliz?
- não.
- como foi o final?
- infeliz.
- quer dizer algo mais?
- eu sinto mais falta de "nós" do que dele.

FIM

9 October 2016

sobre separações e divórcios

eu nunca dividi espaço com um namorado. Nunca me casei. Quis a vida que esse tipo de contrato não fizesse parte dos meus dias. Pode ser que ainda aconteça. Mas sou reticente mesmo. Desconfiada. Desconfio que há outras formas possíveis e interessantes de nós nos relacionarmos, sem dividir o mesmo teto, o mesmo banheiro, um mesmo endereço. Mas não sou contra uniões, desde que sejam estáveis e tragam vida feliz aos pares. Não gosto de triângulos. Não sou da matemática. Vai ver é isso. Se há um a mais, ou a menos, penso que é mesmo melhor que cada um siga só, do seu jeito, sem ferir, humilhar, enganar, mentir. Definitivamente, viver uma vida dupla não é uma boa. Não, mesmo. No entanto, o divórcio nos convoca a repensar o que foi aquela relação. Sobre o que poderia ter sido, o que pode ainda ser. Sem nunca ter me casado, acredito que se houve ali uma aliança feita, seja num altar ou apenas entre dois sujeitos comprometidos em seguir juntinhos até... enfim, fico triste. Fico muito triste. Não desejo ver ninguém infeliz, incompleto, sofrendo. Na verdade as famílias também sofrem separações. Mas não deveriam divorciar-se. Vamos torcer para que todos e todas que optem por esse corte mais radical, sobrevivam às suas dores e recuperem o sorriso natural de ambos. Na torcida. 😢

10 August 2016

e hoje um pássaro me atacou

Dizem que é sorte. Não faço ideia se sim ou se não. Embora adore e brinque saber de signos, sou cética. E hoje um pássaro, alçando voo, me acertou a testa. Fiquei com sua marca de unha cravada na minha pele. E hoje um pássaro me atacou. Não fiquei com raiva dele. Vai ver ele estava com raiva de mim. Também não sei porque. Vai ver considerou que eu estava invadindo o seu habitat. Vai ver ele tem razão. A vida e a natureza. E hoje um passarinho me deu uma espécie de "cascudo" na cabeça. Vai ver era pra me alertar: "acorda, não seja tão centrada em você. O mundo precisa de menos gente individualista".

9 October 2015

a criança já era

Não, não consigo mais postar fotos da minha infância. O momento da adulta (que pretendo me tornar) exige de mim tal adequação. Tive momentos lindos de vida em família até os 12 e meio, mais ou menos. Me lembro que desde cedo eu tive liberdade irrestrita para ir e vir, sair e viajar com os amigos. Talvez a minha sorte é ter aprendido a fazer uso com sentido, desse "estar livre pelo mundo". Mas adolescer foi muito custoso, sem ter meu pai por perto. A morte é ridícula e invasiva na vida da gente. Poderia ser diferente. Não faço ideia de como. Assim, penso que amadurecer é tão difícil quanto necessário. De fato fui uma criança muito feliz. Mas fazia muita careta e também chorava muito. Nada mudei. Nem numa coisa nem em outra. Hoje o dia começou de madrugada, vendo um reencontro muito lindo no aeroporto: casal de enamorados se reencontram, após um ano, trocam alianças e juras de amor, aos pares de olhos curiosos naquele saguão. Hoje teve a defesa do meu amigo, outro momento lindo. Consegui definir quando será a minha, para logo mais. Tudo lindo. O dia foi longo, mas também triste. Minha mãe tomou uma queda, num piso escorregadio. Tava escuro e ela não percebeu que estava molhado. Felizmente não foi nada sério e ela está cercada de cuidado pelos nossos. Mas não quero acreditar que seja a primeira queda de outras tantas. Sinto muito por não poder estar ao lado dela, fazendo parte dos seus dias, dores, sustos e das pequenas e simples alegrias do cotidiano. A velhice bate à nossa porta e é impositiva. Eu não me lembro mais da voz do meu velho. Nem do cheiro, ou do seu olhar. Não há o que comemorar sabendo que a memória falha, com mais frequência. Nada mais de querer ver foto daquele tempo.  

29 September 2015

"hoje me sufoca de saudade"

Saudade de um tempo que está no passado. Saudade de quem fomos juntos. Saudade dos nossos olhares. Saudade da nossa cumplicidade, lindamente construída, alheia às tragédias do cotidiano, dos horrores das guerras por território e por poder. Saudade do romance no ar. Saudade das surpresas que fazíamos um pro outro. Saudade das cartas prometidas. Saudade daqueles planos de viagens, que ainda faríamos juntos. Saudade das mensagens divertidas. Saudade dos nossos códigos. Saudade dos nossos melhores abraços. Saudade da gente na rede na varanda, resolvendo nosso barulho interno, em completo silêncio. Saudade das nossas músicas, compartilhadas pelo celular. Era um eterno e maravilhoso pingue-pongue. A bola caia, mas sempre voltava redonda, disponível. E o nosso sorriso também vinha junto. Saudade de saber sobre seu dia. Saudade de te contar o que me fez sorrir hoje ou da bobagem mais boba cometida. "Você que eu não conheço mais", me lembra uma triste canção de Roberto & Erasmo.

27 September 2015

sou mais dendê

Hoje eu sou mais dendê que doutoranda faminta para concluir a tese. Hoje eu sou mais caruru que uma doutoranda gulosa pela reta final. Hoje eu sou mais vatapá que uma doutoranda que cheira a felicidade desse término. Hoje eu sou mais camarão seco que uma doutoranda que enlouquece só de ouvir falar em ABNT. Hoje é o dia que mais se parece comigo no ano. Uma chuva de pipoca pra comemorar! Hoje é o dia deles, São Cosme e São Damião, que amam festejar a alegria com doces e guloseimas, lá na nossa Bahia. #receitadeDonaCanô #testadapormim #minhafamíliaprovou

12 March 2015

ela ama contar causos

Ela odeia chegar atrasada para qualquer compromisso que assuma. Geralmente sai de casa mais cedo e sempre comemora quando consegue encontrar o endereço, seguindo dicas virtuais ou dos amigos. Mas

8 November 2014

"você não sabe o que é farinha boa..."

Era uma vez uma pessoa muito apaixonada por beiju, assim, escrito com U ao final e sem acento tônico. O beiju tem outros nomes. Pode ser chamado de tapioca também. É feito de aimpim. O aimpim tem outros nomes também. Pode ser chamado de mandioca, ou de macaxeira, que não por acaso, é o apelido dessa pessoa, entre os amigos dela em Maceió.