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11 September 2017
daí que ganhei o dia num banheiro público
Daí você entra apressada no banheiro, com muita vontade de encontrá-lo limpo, com papel e avança em direção à cabine disponível. Como não tem nenhuma livre, recua e fica ali, se apertando e torcendo pra vagar logo e chegar a sua vez.
Nesse momento de alívio (quase) imediato, a porta se abre e dá de cara com um lindo sorriso, seguido de:
- professora Jusciney?
- oi querida, como você tá?
- eu tô bem...
- que bom...
Daí você sai do "box" e o sorriso continua ali, presente, entre uma pia e outra e aí você se dá conta de que aquela menina quer continuar o papo do reencontro. Então você lava as mãos e pergunta:
- como está a turma?
- ah professora, eu não sei... já fiz mestrado e já estou no doutorado.
- hein? como é que é? quando você foi minha aluna?
- eu fui sua aluna em 2011, em Ciências Sociais.
- mas faz muito tempo... e lembrou de mim? Desculpa, mas são muitos alunos, muitas turmas...
- é, eu imagino... mas sua aula é ótima.. a senhora é inesquecível.
- ah... que lindo... assim eu fico emocionada... e veio visitar a Ufal?
- pois é... acabei de me inscrever num concurso pra substituto no Instituto de Ciências Sociais...
- ah... que legal, você vai passar! E como se chama?
- Noélia.
- Noélia... me conta aí do seu doutorado... o que está pesquisando? onde está fazendo?
- ah... uma pesquisa sobre o pensamento desviante na igreja universal do reino de deus, na Universidade Federal de Campina Grande.
- uau... o que será que vem por ai?
- ruptura, professora....
Daí que abri o meu sorriso também, desejei sorte no concurso e na vida.
Daí que num meio de uma segunda meio chuvosa, me apareceu Noélia e seu sorriso encantante com efeito dominó. Com tanta miséria humana alardeada pelos 4 cantos, eu penso que ainda é possível (e necessário) se animar.
#elaadoracausos #serdocenteéomáximo
(fim)
12 August 2017
transmimento de pensação
A primeira vez que falei com ela foi na noite anterior à viagem que faríamos juntos no dia seguinte. Ela me deu boa noite, muito gentil e me pareceu um pouco apreensiva. Ela questionou se eu estaria no horário marcado. Confirmei que sim. Ela insistiu, desconfiada: vai mesmo?
22 June 2016
o doce da vida na academia
A mesa sobre #opressões, da qual fui convidada por Rafael Morais Adelson Silvestre Jr. CA Sebastião da Hora foi muito prazerosa. Estar entre estudantes-calouros(as) de Medicina, que acabaram de chegar na universidade, com toda a ansiedade pelo mundo a descobrir, por aqueles característicos brilhinhos nos pares de olhos, me fez entender um pouco mais sobre meu percurso como pesquisadora e como profissional da educação. A minha tese foi apresentada novamente, hoje! Para mim,significou mais do que o dia 12 de novembro de 2015. Porque já revisitei os escritos, já escrevi novos artigos sobre e estou disposta a continuar pesquisando mais. Quando terminei a apresentação, estava agitada, satisfeita, sentindo calor, com muita vontade de continuar ali, dialogando.
Minha vida acadêmica, definitivamente, não cabe (nem quero que caiba) no lattes. De todas as experiências que tenho vivido, as atividades de ensino e extensão, sem dúvida alguma me edificam como educadora e muito mais como ser humano. Pouco me importa se isso se transforma em ponto, se estou mais ou menos produtiva, se sou citada ou não. Aos moldes da "indústria" que nos exigem e nos estimulam a produzir mais e mais, sem ao menos refletir se o que estamos produzindo tem ressonância na vida prática,essas produções não me representam. Estou muito feliz de poder fazer parte de um coletivo de mulheres, homens, lgbts, que lutam pelo fim das opressões e por muito mais liberdade e autonomia, muito mais que servir à essa lógica capitalista, esquizofrênica, empresarial e neoliberal do nosso tempo. Obrigada aos que me fazer produzir ciência para intervir na realidade da qual faço e me sinto parte.
Minha vida acadêmica, definitivamente, não cabe (nem quero que caiba) no lattes. De todas as experiências que tenho vivido, as atividades de ensino e extensão, sem dúvida alguma me edificam como educadora e muito mais como ser humano. Pouco me importa se isso se transforma em ponto, se estou mais ou menos produtiva, se sou citada ou não. Aos moldes da "indústria" que nos exigem e nos estimulam a produzir mais e mais, sem ao menos refletir se o que estamos produzindo tem ressonância na vida prática,essas produções não me representam. Estou muito feliz de poder fazer parte de um coletivo de mulheres, homens, lgbts, que lutam pelo fim das opressões e por muito mais liberdade e autonomia, muito mais que servir à essa lógica capitalista, esquizofrênica, empresarial e neoliberal do nosso tempo. Obrigada aos que me fazer produzir ciência para intervir na realidade da qual faço e me sinto parte.
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11 February 2016
bodas de madeira
um balanço: 5 anos de Universidade Federal de Alagoas. 5 anos residindo em Maceió. 5 anos aprendendo a viver longe dos meus. 5 anos comemorando conquistas, amigos, uma vida em coqueiros. Nada foi assim tão difícil, mas também nada veio de graça. Tudo foi e é bom de se viver: tosse, enxaqueca, tpm, inferno astral, e até essa triste ressaca do carnaval que (felizmente) já passou
3 August 2015
não era para estar aqui
Todo mundo deveria saber: a vida de um docente não é moleza. Os amigos, de outras profissões, se assustam quando falo da carga horária semanal de aulas, momento obrigatório para comparecer ao meu local de trabalho. Ironizam, dizem que a vida de professor com dedicação exclusiva (DE) é muito tranquila. Escuto perguntas assim: "quer dizer que só trabalha 12 horas durante a semana? Você não vai todo dia para o trabalho? Como assim, não odeia segunda-feira? Ah, vida boa, 45 dias de férias e mais os recessos? Nossa, você é que é feliz!!"
Óbvio que eu não ignoro essas falas.
Óbvio que eu não ignoro essas falas.
15 July 2015
sem boa noite
A chuva cessou. O movimento dos carros diminuiu. Os sons da madrugada praticamente desapareciam, anunciando que todos estavam dormindo. Nunca tinha pensado em quem não dorme, porque a rua não é lugar para dormir. O ritual de ir na geladeira, escolher entre um iogurte ou um copo de leite, tomar um banho morno, escovar os dentes, confirmar que a porta está trancada, apagar as luzes e, descansar as sandálias ao lado da cama, já convidativa, isso tudo não é uma linda realidade para todos.
22 April 2014
dos percalços
Fazer doutorado é estar em sobressalto sempre. Tem dia que acordo exausta. Tem dia que me animo. Tem dia que me estresso. Tem dia que me isolo. Tem dia que quero rua. Tem dia que invento faxina. Tem dia que fico horas lendo [ou inventando] receitas de suco verde. Tem dia que fujo pro cinema. Tem dia que fujo pro blog [ops]. Não adiantam muito as voltas que dou. Paro diante de mim e as perguntas me assombram: por que resolvi fazer essa viagem? Essa estrada que entrei me leva a algum lugar seguro? Será que tenho fôlego para sustentar essa subida? Sou eu mesma a protagonista disso tudo? Por que não termino logo com esse suplício?
7 March 2014
não foi um abandono
Estive envolvida com a vida lá fora. Com os dias de sol e de chuva. Já disse isso antes? Ah, desculpa. Está tudo tão misturado em mim que já nem sei distinguir passado do presente. Vivi tanta emoção nova, que não faço ideia do que fazer com as antigas, que idolatrava tanto. Foram tempos de recesso.
11 February 2014
tudo vai começar agora
3 anos radicada nas Alagoas. 3 anos atrás nomeada como servidora pública federal. 3 anos de muitos aprendizados e muitas conquistas profissionais. 3 anos de novos amigos e novos colegas. 3 anos de Universidade. 3 anos se passaram. E o estágio agora não será mais probatório. Acabou a fase de estágio.
Postagem originalmente publicada no mundinho azul, na mesma data.
5 December 2013
+ um dia de reflexão
Entre os aniversariantes do dia, a cidade que habito completou 198 anos. Conheço a capital alagoana há pouco mais de três anos, quando aqui cheguei para o concurso da UFAL. De lá pra cá, eu venho me deliciando com suas lindas paisagens, de encher os olhos e o coração de esperança por dias melhores.
Dos coqueiros mais suntuosos e altos e o mar azul piscina [ou verde piscina?], Maceió é uma delícia de se viver. Pena que haja tanta exclusão, tanta miséria humana, e tão pouco cuidado com a população, carente de ótimos tratos.
O efeito photoshop da orla só não engana quem mora aqui. É preciso adentrar duas ou três ruas após, para conhecer Maceió e seus horrores.
Torço para que políticas pensadas para juventude, especialmente, e para população negra, mais especialmente ainda, sejam urgentemente postas em prática. Faço parte do grupo que luta por melhorias, que sabe o que é bonito, mas reconhece o que é feio e [por isso] não tolera tantas desigualdades.
Dos coqueiros mais suntuosos e altos e o mar azul piscina [ou verde piscina?], Maceió é uma delícia de se viver. Pena que haja tanta exclusão, tanta miséria humana, e tão pouco cuidado com a população, carente de ótimos tratos.
O efeito photoshop da orla só não engana quem mora aqui. É preciso adentrar duas ou três ruas após, para conhecer Maceió e seus horrores.
Torço para que políticas pensadas para juventude, especialmente, e para população negra, mais especialmente ainda, sejam urgentemente postas em prática. Faço parte do grupo que luta por melhorias, que sabe o que é bonito, mas reconhece o que é feio e [por isso] não tolera tantas desigualdades.
Publicado originalmente no mundinho azul em 05 de dezembro de 2013
28 October 2013
"não tem ninguém ao lado"
Poderia ter me concentrado no prato à minha frente. Ou meditar a partir das marteladas da construção, de uma nova área, naquele mesmo restaurante. Também poderia tentar ouvir o jornal de meio-dia. Poderia ter apreciado mais o bacalhau e suas postas, em meio às cebolas e batatas cozidas. Poderia apenas me concentrar em meus pensamentos, que não me abandonam nem nos horários das refeições. Mas não, lá estava eu, prestando atenção em cores, não aquelas de Almodóvar, nem as de Frida Kahlo, como musicou lindamente Adriana Calcanhotto. Eu não fiz nada disso.
4 October 2013
livre pra voar
Era uma manhã de sol. A orla, como sempre, linda, colorida, com seus coqueiros altos e baixos, com suas amendoeiras, e o mar, tomando conta de tudo, completamente sedutor, com seus tons verdes e azuis. Para quem nunca esteve em terras alagoanas, bom que imagine que o mar daqui lembra uma piscina infinita, recheada de ondas fininhas. Uma belezura sem fim.
Do lado oposto, na avenida principal, um ir e vir de bicicletas, carros, motos, transportes urbanos; todos, num mesmo ritmo frenético, governados pelos sinais de trânsito. E eu?
Do lado oposto, na avenida principal, um ir e vir de bicicletas, carros, motos, transportes urbanos; todos, num mesmo ritmo frenético, governados pelos sinais de trânsito. E eu?
27 June 2013
enquanto isso na varanda...
Me jogo na rede. Fecho os olhos. Tento pensar em nada. Ligo o notebook no colo. Escrevo. Fico quieta ou caducando com muitas coisas, com os olhos e dedos no teclado, remexendo aqui e ali. Me delicio com a chuva fina a cair. Ou com o sol que chega de repente. Rego as plantas; converso com cada uma, coisas simples como: "bom dia, está lindona hoje!". Comemoro o fato de saber cuidar de cada serzinho vivo e verde nesse metro quadrado. É o lugar mais meu da casa, fora da minha cama. É lá que me envolvo em leituras e correções de provas. Vez ou outra levanto olhar e abro um sorriso ao entender um presente: fitar um novo arco-íris que surge, em meio aos prédios e árvores vizinhas. Escuto [alheia] o vai e vem dos carros, com suas buzinas e seus apressados motoristas ou passageiros. Vejo cenas gritantes ou muito amenas: colisões entre carros, pessoas se desentendendo ou simplesmente ciclistas confiantes e sorridentes. Observo crianças saltitantes, indo para a escola, com suas mochilas e suas lancheiras carregadas de heróis e suas cores cintilantes. Faço e atendo ligações. Desperto curiosidades com os segredos e resenhas contadas às gargalhadas. Lembro de quem está longe. E com quem gostaria de dividir esse mesmo espaço, que acalma e embala. Coloco para inundar minha alma o especial noiteluzidia, de Maria Betânia, pela milésima vez. Suspiro. Chega a noite. Tento em vão esquecer dos compromissos e prazos. Faço muitas caretas. Contemplo a vida acontecer, lá fora e aqui, dentro de mim. Me despeço. Foi e é assim: todo dia eu me despeço de quem eu fui na véspera.
6 June 2013
das tiradas dele
Apresento-lhes um amigo querido. Paulistano cheio de sotaque, do signo de escorpião, colega de trabalho, parceiro incansável e divertido para estar junto em brindes, almoços, baladinhas, jantares e caminhadas, aqui mesmo, na orla dessa cidade que habitamos. Cle, sem você a vida nem existe mais. Te amo!
Põe a mãe na consciência!
Hoje estou só a capa do Batman!
Queria ser pobre um dia na vida, porque ser pobre todo dia é cansativo...
Tá vendo só... é porque você não é amiga da Maria do Carmo...
Você não é a Baratinha Verde?
Ou come ou some!
Eu? Ah, estou aqui, caminhando e cantando e seguindo a canção...
Isso é pior que encoxar a mãe no tanque!
Minha Nossa Senhora do Vagão Queimado!
Pior que bater na mãe por falta de mistura!
A fila anda e a catraca gira!
Só o Senhor na causa!
Esse povo fala mais que a mulher do Yakult!
Estou esperando o motorista dos Bulhões...
É legalzinho mas é cheio de conversa!
Casa da salada, qual o pepino?
É o que temos, a Deus agradecemos!
Hoje estou só a capa do Batman!
Queria ser pobre um dia na vida, porque ser pobre todo dia é cansativo...
Tá vendo só... é porque você não é amiga da Maria do Carmo...
Você não é a Baratinha Verde?
Ou come ou some!
Eu? Ah, estou aqui, caminhando e cantando e seguindo a canção...
Isso é pior que encoxar a mãe no tanque!
Minha Nossa Senhora do Vagão Queimado!
Pior que bater na mãe por falta de mistura!
A fila anda e a catraca gira!
Só o Senhor na causa!
Esse povo fala mais que a mulher do Yakult!
Estou esperando o motorista dos Bulhões...
É legalzinho mas é cheio de conversa!
Casa da salada, qual o pepino?
É o que temos, a Deus agradecemos!
5 March 2013
e se fosse um gato?
Ai, adoção é coisa para gente nobre, desprovida de preconceitos e rótulos. Quem dera ser nobre por um dia. Quem dera eu me livrasse de ranços. Quem dera ser menos vaidosa, menos reclamona e menos carente. Mas eu sou assim mesmo: vaidosa, reclamona e carente. E cheia de ranços. Como livrar-se de tudo isso? Terapia conserta? E se eu aprendesse a cuidar de plantas e animais? Será que me transformaria num serzinho menos egoísta? Talvez sim, talvez não.
17 February 2013
mais do mesmo [parte 2]
Já não estou, obviamente, mas hoje acordei com um mau humor tão grande que achei que a aula ia ser horrível, o trajeto para chegar idem. O sono era intenso. O corpo pedia mais aconchego gostoso. O alarme disparou e não teve outro jeito. O dever quando chama, na verdade ordena. Não posso com isso. Meu trabalho é sagrado. E não fosse ontem o aniversário de uma grande amiga, presente em meus dias como o café que tomo religiosamente, não teria ido dormir tão tarde e talvez o dia tivesse começado melhor.
O negócio foi tão sério que pensei comigo: das cinco às onze e meia serão as piores horas de mais um domingo ensolarado que não poderei dormir até mais tarde ou curtir uma praia.
E me surpreendi como as coisas [felizmente] funcionam às avessas da minha intuição equivocada.
O negócio foi tão sério que pensei comigo: das cinco às onze e meia serão as piores horas de mais um domingo ensolarado que não poderei dormir até mais tarde ou curtir uma praia.
E me surpreendi como as coisas [felizmente] funcionam às avessas da minha intuição equivocada.
21 January 2013
ou acolá...
Desde o final de dezembro que ando com o pé no acelerador. O carro acumulando marcas de asfalto e estradas de terra. Eu, sem nenhum concreto, com a cabeça [sempre] nas alturas. Outro dia, conversando com uma amiga, ela me disse que eu era uma perfeita materialização da menina ALICE, aquela mesma, do país das maravilhas. Claro que fui convencida a concordar com a comparação.
1 September 2012
"Depois do inverno, a vida em flores..."
Que mágico seria se, ao iniciarmos um novo mês, também pudéssemos eliminar [ou enterrar] todos os dissabores de antes. Que maravilhoso seria que o frio antecedesse o calor, sempre. Ou o contrário. Dependendo da perspectiva de quem fala ou vive uma situação, há calor no frio, ou vice-versa.
Tenho passado por tantas mudanças, dentro de mesmas estações, que hoje estou receosa, ou melhor, desconfiada, de que há temporadas e temporadas, bem divididas no tempo e no espaço. Começo a duvidar de que dias e horas seguem, necessariamente, alguma lógica.
O mês de agosto, por exemplo, foi muito atípico.
Tenho passado por tantas mudanças, dentro de mesmas estações, que hoje estou receosa, ou melhor, desconfiada, de que há temporadas e temporadas, bem divididas no tempo e no espaço. Começo a duvidar de que dias e horas seguem, necessariamente, alguma lógica.
O mês de agosto, por exemplo, foi muito atípico.
14 August 2012
Ou do que são feitos os nós
Agenda cheia. Resenhas para avaliar e devolver. Caneta na mão, para riscar menos um trabalho da lista. Comemoro e em seguida faço conta de cabeça, na tentativa de saber quantas ainda me restam para corrigir. Enlouqueço em segundos. Percebo tristemente o tempo avançar. "Quando se vê, já são seis horas"*. Caixa de mensagem cheia. Facebook aberto. Televisão ligada. Chuva fininha e fria lá fora. Silêncio pesado, mesmo com a televisão ligada. Ouço vozes, mesmo com o silêncio pesado. Vozes minhas, que me azucrinam o juízo. Vozes dos amigos, que estão todos longe. Vozes de quem me escreve. Vozes de quem me cobra coisas. E vem uma simples mensagem e muda o rumo do dia seguinte. Me parece maldição. Ou sorte. Ou solidão. Do nada, e de repente, sou chamada de anjo. Me disse ele, como se me dissesse um simples boa noite: "anjo, amanhã estarei aí". Não, não preciso saber nem sonhar mais. Mesmo sendo eu, o anjo, ele quem está com a seta apontada em minha direção. E mesmo sem querer me atingir o coração, confesso que já me sinto mortinha da silva. Rôxa de saudade. Pensava nele, enquanto ouvia Paulinho Moska também me atingir: "eu ando num labirinto, e você numa estrada em linha reta." Foi assim: ouvi essa canção e entendi perfeitamente o que somos nós.
*O tempo/Mário Quintana
7 August 2012
A cura tem nome
Estou insatisfeita com meu cabelo. Com meu desempenho. Com a qualidade do meu sono. Com minha alimentação. Com as horas perdidas. Com o tempo mal gasto. Com o tempo lá fora. Com esse frio desconcertante, desse inverno que demora em passar. Com a greve que se arrasta e tem culpados nítidos para isso. Com a falta de novos bilhetes eletrônicos. Sinto falta da pressa em fechar malas. Do táxi lá embaixo, me aguardando. Da fila do check in. Da apreensão com o peso da bagagem. Do alarme me dizendo para retirar o relógio. Da sala de embarque e seu café expresso com pão de queijo. Tudo caro e muito saboroso. Sem falar nas descobertas, aventuras e prazeres dos dias fora da rotina. Dos abraços e sorrisos encontrados. Do aperto no coração nas partidas. De novo, pensei em cortar as madeixas. Sem novas viagens na agenda, fico assim: perdida, aturdida, atrapalhada, insensata. O diagnóstico fechou. Essa abstinência consome meus neurônios. Sou movida a itinerários e roteiros. Preciso viajar. Socorro!
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