Vivemos tempos muito estranhos, hostis, frios, tristes! A pandemia se arrasta por tempo indeterminado mas que segue determinando o andar dos novos dias. A gente lamenta mas se acostuma com o uso da máscara, com o isolamento em nossos submundos, com o fechamento do comércio, das praias, com a distância física de pessoas que adoramos abraçar, ter perto, rir ou chorar junto.
Nesses momentos de profunda desesperança com uma mudança radical deste cotidiano que desprezamos, mas que nos é imposto, fica sempre a sensação de que tudo poderia ser diferente, bastasse que a crise sanitária fosse tratada seriamente por nossos representantes políticos.
Dizem para não politizarmos. Para nós nos unirmos. Ok, a união faz a força, mas como seria juntar quem leva a sério com quem critica quem leva a sério? Como seria valorizar a ciência, as pesquisas se temos quem prefere o kit cloroquina?
Eu não vejo como é possível a junção de forças antagônicas. Não imagino que isso poderia acontecer rapidamente, que fosse capaz de frear a contaminação e as mortes pelo novo coronavírus.
Estamos naufragados num mar sem peixes ou salva-vidas. Não temos como ensinar a nadar nem a pescar. Também não dispomos de meios para suprirmos a fome nem a dor. Estamos presos, Isolados, numa ilha deserta mas cercada de milícias. Estamos perdidos. Estamos indivíduos. Não somos um povo.
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