21 March 2026
19 March 2026
sobre o perdão no depois
Um mês que completei 56 voltas. Um mês insano, de muito trabalho, reflexões e muitas cobranças. Eu sou muito exigente comigo mesma e minha maior punição é sempre me culpar por todas as decisões equivocadas que costumo tomar.
O mês de março das águas turvas, que mesclam verão e outono, que mistura tudo em nós. Mês dos piscianos, dos que navegam pela sensibilidade e também nos convida a sermos mais observadores e cautelosos. Março do dia internacional da mulher, do aniversário de dois manos, do mês que marcou minha escolha, lá atrás em 2024, para voltar a seguir sozinha, pra desistir dessa história de juntar escova de dentes e projetos a dois.
Eu tentei muito e até me abri pra uma nova chance. 56? Quantas tentativas foram nesses 15 anos? Quantas vezes abri meu coração, minha porta, minha alma? Quantas quedas e recaídas ainda me disponho a viver?
Não busco mais respostas muito menos justificativas para as minhas escolhas insensatas. Eu sei que errar é humano e sou humana, portanto, posso sim errar, me enganar, ou ser manipulada por quem me conhece até às avessas.
Eu me perdoo! Eu sou de carne e osso e afeto. Sangro até o sangue estancar. Não me incomodo de ter que recomeçar do zero, um dia após o outro. Mas não queria nesse novo ciclo, seguir com mágoa, com tristeza ou com ressentimentos.
Queria olhar pra trás e sorrir. Mas não consigo ainda. Sorrir é (me) pedir demais. Fui muito machucada e posso sim me perdoar, sei que vou conseguir, mas não vou perdoar quem desejou atravessar o meu caminho de novo só pra me ver sofrer (de novo).
Que eu consiga superar esse reencontro que poderia ser só uma fantasia, que poderia ter ficado só na imaginação. Poderia não ter acontecido de verdade. Poderia ter me poupado do depois. Mas o depois aconteceu. E agora, nesse mesmo mês de sempre, me despeço outra vez. Eu não vou repetir tortura. Que eu consiga eliminar esse pesadelo que foi reviver o caos em mim. Eu mereço esse novo livramento. É o que desejo, no seu dia, São José.
5 March 2026
o azar é a saudade
de quem já teve muita sorte? Será que podemos chamar de sorte? Será que sentir saudade de quem não sente também, é algo que devemos nutrir? Como faz pra se estancar uma saudade? Como faz pra gente parar de sentir qualquer sentimento que independe de nossa vontade? Engolimos o choro? Freamos a libido? Bloqueamos o celular e também o frio na barriga? Será que é possível viver sob sofreguidão até o sentimento adormecer? E seremos então dormentes, doentes, ao invés de simplesmente apaixonados e ávidos por beijos!?
19 February 2026
ela escreve para ela
E o dia dela chegou! Ela que faz textões para os seus afetos. Que aprendeu a validar os amores com um grande amor que partiu cedo demais desse mundo, a sua amiga-irmã Ana.
O dia 19 de fevereiro é sempre esperado para essa aquariana que não se cala diante da dor ou da alegria. Se está em luto, escreve. Se está feliz, também escreve.
Jusciney Carvalho Santana é a filha mais nova de seu Waldemar e Dona Nalva. Tem 6 irmãos muito amados. Lila, Dilma (siamesa), Suca, Deca, Mô e Poeira. Ela não teve filho nenhum, assim quis o destino, mas tem blog, publicou livros, e tem muitos sobrinhos e sobrinhos-netos apaixonantes.
Ela tem muitos apelidos. De Juci a Jujuba Verde. Tem nome social também 😂😂😂 Juliana, quando não tinha coragem de falar seu nome verdadeiro. Bobagens que com o tempo perderam sentido, afinal, nome que sai no diário oficial como concursada federal e na capa de um livro, não pode ser rejeitado nem feio. Essa briga com o pai dela no cartório foi superada.
Essa menina-mulher-professora-blogueira-pesquisadora é apaixonada pela sua familia, por caruru e por viajar.
Quem quiser conquistar essa aquariana com ascendente em aquário precisa ser presença. Ela não suporta gente ausente, indiferente, nem invejosa.
O mais legal de escrever sobre ela é que ela sabe tudo de mim. Quem sou, de onde venho e pra onde vou.
Hoje é o dia da Tia Ju. Da Juju da Anamelea. O dia da Ju da Dona Nalva que está longe, lá no Acre mas se mantém dentro dela 24h, ininterruptamente. Hoje é o dia dessa carnavalesca que teve a sorte de ser baiana, morar fora da Bahia, do Brasil, e retornar para as suas origens, no tempo certo, no tempo que Deus permitiu.
Que ela viva do jeito que quiser, com sua liberdade e sua vida todinha em volta de quereres e coqueiros! “E ainda que não pareça, a vida te quer bem”.
16 February 2026
dia da mAna
Eu aprendi com Anamelea a demonstrar tudo o que sentia, ao vivo, na lata, dizendo para a pessoa que me importa o que eu estava sentindo.
Muitas vezes ainda uso a escrita pra me expressar, mas Ana tinha essa qualidade de dizer olhando nos olhos. E fazia isso sem ensaiar. Ela foi a pessoa mais espontânea que conheci. Parecia criança, mesmo sendo mulher feita, com filho, títulos, morando fora.
Ela também era sensível demais. Se machucava com muito pouco. Vivia se frustrando e se decepcionando com as pessoas, com os colegas. A relação mais verdadeira e amorosa era sempre com seus alunos. Ela os tratava como filhos.
Eu demorei a entender como ela funcionava. Eu reclamava muito com ela. Achava que ela era muito reclamona, inclusive. E também achava que ela era implicante, mimada, infantil, materialista.
Eu fui dura com Ana muitas vezes. E pedia perdão e baixava o tom mas era pedagógico educar a minha amiga para brigar por justiça social, pra saber viver em uma sociedade tão desigual como a nossa. Ainda mais nas Alagoas. Mas nunca brigamos por pensarmos diferente. Ela estava na minha defesa. Esteve na construção da minha tese. E me respeitava muito, como eu a respeitava.
Ela não viveu os tempos duros com Bolsonaro, pandemia. Teria sofrido muito e talvez até chegaríamos ao consenso que o mundo piorou muito e nós nos tornamos seres muito mais individualistas que antes, exatamente quando deveríamos estar mais unidos e empáticos.
Essa carta de hoje é uma tentativa de lembrar pra mim mesma o quanto ela era importante e gigante pra mim. Porque eu aprendi muito com ela! Aprendi sobre amizade, sobre família, sobre amor, sobre tristeza, sobre depressão, sobre o que é ser parceira de verdade.
Eu não perdi só uma amiga. Eu perdi a alegria de ter uma irmã de coração, que me emocionava muito com todo o seu afeto por mim.
Eu não perdi você, amiga! Eu ganhei na verdade. E hoje é o seu dia de nascimento, que eu queria ter o prazer de te abraçar ou ligar logo cedinho, pra ouvir sua voz grave e seu “bom dia, Juju”. Você é inesquecível, um ser humano raro, e muito especial! Viva a aquariana mais contraditória e pisciana que eu já conheci! Viva 16 de fevereiro, dia de Ana❤️ #cartasparaana
25 January 2026
mas eu não te esqueço
Ana costumava me ligar cedinho para o "bom dia, juju" e em seguida me dizia que precisava me contar as "fortes emoções" que estava sentindo [da noite anterior para as seis da matina], sendo que nos falávamos o tempo todo, então no mínimo eu sabia que a narrativa por vir, carregava em si doses de exagero. Mas eram sempre fortes emoções pra ela. Eu sempre dizia que ela exagerava, ela ria de mim, eu ria dela, ríamos juntas de nossos diálogos aleatórios e cheios de respeito e amor.
Todo janeiro fico mais mexida. Sim, tem o meu inferno astral. Antes eram os nossos. Era muito comum que ficássemos mais dramáticas, mais reflexivas e mais atentas a quaisquer mudanças. Culpávamos os astros por uma simples porta que fecha rápido, com a chave dentro, por qualquer desatino.
Hoje eu queria tentar me lembrar de todas as cenas, todos os contextos, numa espécie de túnel do tempo, só pra matar essa saudade de sua presença em mim. Sei que não adiantaria, mesmo se isso fosse possível. Matar saudade é tarefa sem futuro. Sempre haverá mais acumulada. Como o lixo que produzimos. Não adianta esvaziar a lixeira pois dali a pouco terá sempre lixo a retirar. A nossa alma também precisa de limpeza.
O nosso coração faz festa quando vivemos momentos felizes. E é importante entender que são e serão sempre momentos. Não há garantia de prazer eterno, riso eterno, estado de felicidade eterno. Tá tudo certo e realmente não há nada que podemos fazer sobre isso.
Mas hoje lamentei que a vida nos dê tantos altos e baixos em curtos espaços de tempo. Um dia você ganha um abraço apertado, no outro não recebe um "oi, dormiu bem?". Num piscar de olhos você se vê ali, na sua cozinha, preparando um lanchinho e a casa tá em movimento, cheia de vida, de risos e, do nada, aquele vazio ensurdecedor. Parece brincadeira de mau gosto. Você dá o pirulito e depois puxa rápido da boca da criança e some no vento.
E aí acordei hoje, reflexiva sobre esse caldeirão desenfreado que me encontro e fiquei quietinha ouvindo o barulhinho bom da chuva lá fora. Me lembrei (de novo) que estou na chuva, sem capa, sem proteção, sem guarita para "esperar o tempo secar". Ai, Ana... eu queria te ligar e você me ouviria contar que vivi fortes emoções nesses últimos dias de inferno astral. Culpo os astros? Culpo quem? A mim mesma? Ouço "Clareou" sem parar, esperando seguir os conselhos de que "a vida é pra quem sabe viver/ procure aprender a arte/ pra quando apanhar não se abater/ ganhar e perder faz parte".. parece tão fácil!
Como eu queria de novo e sempre ouvir seu "bom dia, juju". Como seria bom escutar sua voz grave que aos poucos está sumindo da minha memória. Como faz falta sua amizade, amiga! Você não faz ideia do quão importante foi ter você aqui entre nós. Você que me lê, me perdoa por ter zombado de suas fortes emoções, aquariana. Eu sigo sem você, amiga, a vida continua, os dias seguem, mas eu não te esqueço.
3 October 2025
oi, sumida!
É, estou muito sumida né, filho?
Fico aqui entretida com o trabalho, com as obrigações, com a vida fora das telas e descubro o quão relapsa tenho sido contigo, mesmo tendo me declarado no seu aniversário!
Sim, já estamos em outubro, na esquina para o Natal, para o ano novo. Logo vou montar minha árvore cheia de pisca-piscas, a mesma que me traz tantas lembranças boas e também aquelas que insisto em deixar na gaveta.
De qualquer modo eu sigo. Sigo com minha fé em dias melhores, sigo atenta aos meus instintos, sigo obstinada em não repetir os mesmos erros, sigo esperançosa por novos acontecimentos que me arrebatem.
O caminho está tranquilo. Alguns dias mais, outros médios. Olho sempre para o copo meio-cheio. Os vazios não me incomodam como antes. Acho que amadureci. Estou naquela fase que não é qualquer música que me deixa melancólica, nem qualquer saída que me atrai. O cinema tem me visto muito pouco. As séries turcas me animam a fazer pipoca e é tão bom ficar feliz com a minha própria companhia! Como eu amo sentir o ar mais leve, sem aquela apreensão que me sugava até eu ficar sem respirar direito.
Tenho dormido mais. Desisti dos treinos muito cedinho. Não gosto de sair da cama antes das 7h. Não gosto de correria, não gosto de pressão.
A sua mãe não sumiu, não. Ela te deu asas e ganhou as novas asas dela. Deixa ela ser, do jeito que ela quiser. Deixa ela ser livre de verdade. O tempo da prisão passou mas ela ainda precisa sentir-se segura para não sentir mais medo de voar. Deixa ela simplesmente ser ela. Do jeitinho dela. Com saudade das luzes de Natal e com uma curiosidade grande pelo que vem a seguir. Ali, na próxima curva.
