No último 06 de abril eu comprei, na Livraria da Travessa, dois livros de crônicas indicados por uma amiga leitora, muito viciada em bons escritos. Eu apenas obedeci. Comprei sem nem folhear. Ela disse que ambos se pareciam comigo, com meu estilo de escrita. Eu que apelidei minhas crônicas de "quase uma crônica", me sinto muito mais cronista que antes. Acho até que essa de agora terá outro marcador no blog. Vou adicionar "minhascrônicas". Pronto, resolvido.
Já no dia 08 de abril eu pude participar de um bate-papo com Martha Medeiros, no projeto Ideias - Clube de Leituras do Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio, e na conversa com ela, me fez ter mais certeza que sou de fato uma escritora e cronista. Não vou mais fazer de conta. Vou me assumir. Eu que já me declarei blogueira, com muito orgulho, também vou me declarar cronista. Mas quem pode me validar além de mim? E eu preciso de validação? Pra que? Pra quem? Quero ganhar dinheiro, fama, prêmios? Quero ser citada? Quero virar influencer? Claro que não! Esse blog existe e resiste desde que entendi que precisava de um espaço meu, sem regras, sem padrões, sem julgamentos. E é tão bom escrever com liberdade!
Ouvindo Martha Medeiros o assunto sobre hierarquia na literatura apareceu. Ela nos contou o que pensa sobre as críticas que recebe... imagine... Martha Medeiros, que tem trocentos livros, edições e reedições de muitos deles... quem sou eu pra me preocupar com isso? Não preciso. Não cabe em mim esse dilema existencial. Não cabe nela e não deveria caber em ninguém. A sociedade midiática faz o que bem entende, não há respeito, não há descanso.
Lembrando aqui que logo que ingressei na UFAL participei de um concurso para publicação de livro de literatura. Lá fui eu com minha ousadia... reuni alguns textos desse blog e submeti. Não posso dizer que não ganhei nada, se fui corajosa e peitei as regras do jogo, naquele edital da faculdade de letras, tão inusitado para uma professora recém-chegada na faculdade de educação. Foi divertido. Fiquei na expectativa, aguardando o resultado e depois, nem me lembro mais o que senti. Só sei que naquela época, em 2011 ou 2012, não recordo ao certo, eu já sabia que eu tinha muito interesse e vocação para a escrita.
Hoje revisitei muitos textos meus publicados aqui, nesses 16 anos de estrada. E me emocionei com algumas coisas que tão corajosamente eu me dispus a escrever. Martha Medeiros agora vai ficar contente. Tudo o que ela comentou sobre os seus muitos processos de escrita também me pegaram de um jeito que só agora me dou conta do quão afetada eu fiquei, só por ouvir ela trazer sensações que eu também sinto. Me senti cúmplice. Me senti identificada. Total empatia entre duas mulheres que escrevem a partir de si mesmas, se desnudam e não sentem vergonha de ficarem nuas, com os holofotes sobre seus pensamentos.
Eu também sempre uso o marcador "devaneios" para marcar sobre o que se trata. E confesso que eu amo quando percebo que o que eu queria dizer, já está materializado na (minha) escrita. É bom que saia de mim e deite em outro lugar. Me alivia a alma.
Martha Medeiros, Maria Ribeiro e Artur da Távola, minha gratidão por ter lido vocês, com crônicas que me fizeram rir ou marejar os olhos, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Agora que sei quem eu sou, só posso dizer que vou dormir mais feliz pois, afinal, hoje eu me tornei uma cronista e isso me fez bem demais. Paula Simões, você realmente me conhece! O próximo café quem pagará sou eu.
Livros referenciados:
Feliz por nada/ Martha Medeiros
Caminhos Abertos/ Artur da Távola
Não sei se é bom, mas é teu/ Maria Ribeiro
