2 April 2026

faxina geral

Desde o dia 31 de março comecei a escrever compulsivamente. Melhor escrever do que comer chocolate, em tempos de Páscoa! Eu tenho compulsão por limpeza, por palavras, por expulsar lixo tóxico da casa e da mente. 

Isso não é novidade. Quem aqui chega encontra rios que deságuam meus desabafos. Eu treino melhor quando a casa está limpa. Não trabalho no computador se tiver louça suja na pia. Não deixo de retirar meus fios de cabelo do banheiro que somente eu uso. Em tese não deveria ter nojo mas vamos combinar, é sujeira que sai de mim mas continua sendo sujeira. 

Com a casa eu vou no automático. Quando vejo já estou com a pá numa mão, a vassoura na outra. Isso não me desgasta, pelo contrário, me alivia. Sou neurótica, eu sei. Culpem minha mãe que me estimulou desde cedo a cuidar da casa. Culpem a pandemia também, que nos revelou a importância da higiene. Culpem os meus pensamentos tortos. Ok, podem me culpar por eu ser uma esponja, que absorvo tudo com facilidade e por isso necessito esvaziar  tantas vezes.

A casa limpa é uma solução. Mas é sempre provisória. Todo dia eu faço a varredura toda de novo. Não tenho paz antes das nove. E aí vem o fazer laboral, para além do técnico. Os pensamentos não são tão fáceis de serem organizados como o lixo na lixeira. Basta lacrar o saco, jogar na lixeira externa e parece que tudo está em ordem, dentro de casa. 

Ah quem me dera se bastasse uma ação tão simples pra limpar as tantas nuvenzinhas que vão se acumulando aqui e acolá, como se tivessem permissão minha para se instalarem dentro de mim. O problema é muito mais complexo quando vem de dentro da gente. 

Eu hoje fiz mais textões. Expulsei um monte de tranqueira que precisei expurgar. E agora respiro aliviada. Parece até que consigo sorrir pra mim mesma. Sinto que estou mais leve. E não há sentimento melhor do que paz dentro e fora. E assim é. Só porque resolvi escrever. 

1 April 2026

abril se abriu

Eis que o novo mês chegou! Eu amo essa lógica do ciclo do calendário, que marca (novos) recomeços, mês a mês.

E amo que exista um mês que nem abril, que se abre já no nome. Eu fico encantada com essa facilidade que abril tem de nos encantar.

E como abril se abre, quero me abrir também. Quero ser que nem abril. Quero ser forte para superar março, os medos, os desafios de um ano que já está no quarto tempo. Tempo de 12. 

Quero ser que nem abril. Lidar com a novidade do que vem por aí, do que está no ar, mas folhas de outono ou de primavera, dependendo do local de referência nesse globo que é redondo. Quero ser redonda e circular, nunca estagnar. 

Quero ser prosperidade. Quero ser hoje e quero ser amanhã. O ontem se foi. O depois chegou. E depois a gente vê o que faz. 

Que abril se abra mesmo. Que cada abertura seja um novo momento de se ser mais quem se é. Sem travas. Está tudo bem. E o que viver, já vem bem.

19 March 2026

sobre o perdão no depois

Um mês que completei 56 voltas. Um mês insano, de muito trabalho, reflexões e muitas cobranças. Eu sou muito exigente comigo mesma e minha maior punição é sempre me culpar por todas as decisões equivocadas que costumo tomar. 

O mês de março das águas turvas, que mesclam verão e outono, que mistura tudo em nós. Mês dos piscianos, dos que navegam pela sensibilidade e também nos convida a sermos mais observadores e cautelosos. Março do dia internacional da mulher, do aniversário de dois manos, do mês que marcou minha escolha, lá atrás em 2024, para voltar a seguir sozinha, pra desistir dessa história de juntar escova de dentes e projetos a dois. 

Eu tentei muito e até me abri pra uma nova chance. 56? Quantas tentativas foram nesses 15 anos? Quantas vezes abri meu coração, minha porta, minha alma? Quantas quedas e recaídas ainda me disponho a viver? 

Não busco mais respostas muito menos justificativas para as minhas escolhas insensatas. Eu sei que errar é humano e sou humana, portanto, posso sim errar, me enganar, ou ser manipulada por quem me conhece até às avessas. 

Eu me perdoo! Eu sou de carne e osso e afeto. Sangro até o sangue estancar. Não me incomodo de ter que recomeçar do zero, um dia após o outro. Mas não queria nesse novo ciclo, seguir com mágoa, com tristeza ou com ressentimentos. 

Queria olhar pra trás e sorrir. Mas não consigo ainda. Sorrir é (me) pedir demais. Fui muito machucada e posso sim me perdoar, sei que vou conseguir, mas não vou perdoar quem desejou atravessar o meu caminho de novo só pra me ver sofrer (de novo). 

Que eu consiga superar esse reencontro que poderia ser só uma fantasia, que poderia ter ficado só na imaginação. Poderia não ter acontecido de verdade. Poderia ter me poupado do depois. Mas o depois aconteceu. E agora, nesse mesmo mês de sempre, me despeço outra vez. Eu não vou repetir tortura. Que eu consiga eliminar esse pesadelo que foi reviver o caos em mim. Eu mereço esse novo livramento. É o que desejo, no seu dia, São José. 

5 March 2026

o azar é a saudade

de quem já teve muita sorte? Será que podemos chamar de sorte? Será que sentir saudade de quem não sente também, é algo que devemos nutrir? Como faz pra se estancar uma saudade? Como faz pra gente parar de sentir qualquer sentimento que independe de nossa vontade? Engolimos o choro? Freamos a libido? Bloqueamos o celular e também o frio na barriga? Será que é possível viver sob sofreguidão até o sentimento adormecer? E seremos então dormentes, doentes, ao invés de simplesmente apaixonados e ávidos por beijos!? 

19 February 2026

ela escreve para ela

E o dia dela chegou! Ela que faz textões para os seus afetos. Que aprendeu a validar os amores com um grande amor que partiu cedo demais desse mundo, a sua amiga-irmã Ana. 

O dia 19 de fevereiro é sempre esperado para essa aquariana que não se cala diante da dor ou da alegria. Se está em luto, escreve. Se está feliz, também escreve. 

Jusciney Carvalho Santana é a filha mais nova de seu Waldemar e Dona Nalva. Tem 6 irmãos muito amados. Lila, Dilma (siamesa), Suca, Deca, Mô e Poeira. Ela não teve filho nenhum, assim quis o destino, mas tem blog, publicou livros, e tem muitos sobrinhos e sobrinhos-netos apaixonantes. 

Ela tem muitos apelidos. De Juci a Jujuba Verde. Tem nome social também 😂😂😂 Juliana, quando não tinha coragem de falar seu nome verdadeiro. Bobagens que com o tempo perderam sentido, afinal, nome que sai no diário oficial como concursada federal e na capa de um livro, não pode ser rejeitado nem feio. Essa briga com o pai dela no cartório foi superada.

Essa menina-mulher-professora-blogueira-pesquisadora é apaixonada pela sua familia, por caruru e por viajar.

Quem quiser conquistar essa aquariana com ascendente em aquário precisa ser presença. Ela não suporta gente ausente, indiferente, nem invejosa. 

O mais legal de escrever sobre ela é que ela sabe tudo de mim. Quem sou, de onde venho e pra onde vou.

Hoje é o dia da Tia Ju. Da Juju da Anamelea. O dia da Ju da Dona Nalva que está longe, lá no Acre mas se mantém dentro dela 24h, ininterruptamente. Hoje é o dia dessa carnavalesca que teve a sorte de ser baiana, morar fora da Bahia, do Brasil, e retornar para as suas origens, no tempo certo, no tempo que Deus permitiu. 

Que ela viva do jeito que quiser, com sua liberdade e sua vida todinha em volta de quereres e coqueiros! “E meu recado pra ela é que passe a acreditar “que ainda que não pareça, a vida te quer bem”. 


16 February 2026

dia da mAna

Eu aprendi com Anamelea a demonstrar tudo o que sentia, ao vivo, na lata, dizendo para a pessoa que me importa o que eu estava sentindo. 

Muitas vezes ainda uso a escrita pra me expressar, mas Ana tinha essa qualidade de dizer olhando nos olhos. E fazia isso sem ensaiar. Ela foi a pessoa mais espontânea que conheci. Parecia criança, mesmo sendo mulher feita, com filho, títulos, morando fora. 

Ela também era sensível demais. Se machucava com muito pouco. Vivia se frustrando e se decepcionando com as pessoas, com os colegas. A relação mais verdadeira e amorosa era sempre com seus alunos. Ela os tratava como filhos. 

Eu demorei a entender como ela funcionava. Eu reclamava muito com ela. Achava que ela era muito reclamona, inclusive. E também achava que ela era implicante, mimada, infantil, materialista. 

Eu fui dura com Ana muitas vezes. E pedia perdão e baixava o tom mas era pedagógico educar a minha amiga para  brigar por justiça social, pra saber viver em uma sociedade tão desigual como a nossa. Ainda mais nas Alagoas. Mas nunca brigamos por pensarmos diferente. Ela estava na minha defesa. Esteve na construção da minha tese. E me respeitava muito, como eu a respeitava. 

Ela não viveu os tempos duros com Bolsonaro, pandemia. Teria sofrido muito e talvez até chegaríamos ao consenso que o mundo piorou muito e nós nos tornamos seres muito mais individualistas que antes, exatamente quando deveríamos estar mais unidos e empáticos. 

Essa carta de hoje é uma tentativa de lembrar pra mim mesma o quanto ela era importante e gigante pra mim. Porque eu aprendi muito com ela! Aprendi sobre amizade, sobre família, sobre amor, sobre tristeza, sobre depressão, sobre o que é ser parceira de verdade. 

Eu não perdi só uma amiga. Eu perdi a alegria de ter uma irmã de coração, que me emocionava muito com todo o seu afeto por mim. 

Eu não perdi você, amiga! Eu ganhei na verdade. E hoje é o seu dia de nascimento, que eu queria ter o prazer de te abraçar ou ligar logo cedinho, pra ouvir sua voz grave e seu “bom dia, Juju”. Você é inesquecível, um ser humano raro, e muito especial! Viva a aquariana mais contraditória e pisciana que eu já conheci! Viva 16 de fevereiro, dia de Ana❤️ #cartasparaana