Eu aprendi com Anamelea a demonstrar tudo o que sentia, ao vivo, na lata, dizendo para a pessoa que me importa o que eu estava sentindo.
Muitas vezes ainda uso a escrita pra me expressar, mas Ana tinha essa qualidade de dizer olhando nos olhos. E fazia isso sem ensaiar. Ela foi a pessoa mais espontânea que conheci. Parecia criança, mesmo sendo mulher feita, com filho, títulos, morando fora.
Ela também era sensível demais. Se machucava com muito pouco. Vivia se frustrando e se decepcionando com as pessoas, com os colegas. A relação mais verdadeira e amorosa era sempre com seus alunos. Ela os tratava como filhos.
Eu demorei a entender como ela funcionava. Eu reclamava muito com ela. Achava que ela era muito reclamona, inclusive. E também achava que ela era implicante, mimada, infantil, materialista.
Eu fui dura com Ana muitas vezes. E pedia perdão e baixava o tom mas era pedagógico educar a minha amiga para brigar por justiça social, pra saber viver em uma sociedade tão desigual como a nossa. Ainda mais nas Alagoas. Mas nunca brigamos por pensarmos diferente. Ela estava na minha defesa. Esteve na construção da minha tese. E me respeitava muito, como eu a respeitava.
Ela não viveu os tempos duros com Bolsonaro, pandemia. Teria sofrido muito e talvez até chegaríamos ao consenso que o mundo piorou muito e nós nos tornamos seres muito mais individualistas que antes, exatamente quando deveríamos estar mais unidos e empáticos.
Essa carta de hoje é uma tentativa de lembrar pra mim mesma o quanto ela era importante e gigante pra mim. Porque eu aprendi muito com ela! Aprendi sobre amizade, sobre família, sobre amor, sobre tristeza, sobre depressão, sobre o que é ser parceira de verdade.
Eu não perdi só uma amiga. Eu perdi a alegria de ter uma irmã de coração, que me emocionava muito com todo o seu afeto por mim.
Eu não perdi você, amiga! Eu ganhei na verdade. E hoje é o seu dia de nascimento, que eu queria ter o prazer de te abraçar ou ligar logo cedinho, pra ouvir sua voz grave e seu “bom dia, Juju”. Você é inesquecível, um ser humano raro, e muito especial! Viva a aquariana mais contraditória e pisciana que eu já conheci! Viva 16 de fevereiro, dia de Ana❤️ #cartasparaana