31 August 2026

exatamente assim


Eu poderia ter escrito isso e ia ficar feliz de assinar, mas não fui eu! Está tudo bem e isso não me impede de propagar essa ideia tão incrível, e ao mesmo tempo, tão óbvia… porque é importante a gente aprender a reconhecer o nosso valor e saber quando é a hora de desistir de quem não o reconhece ao escancarar a sua indiferença. 
Esse momento importa muito mas importa mais ainda o depois, e também aprender a (re)dimensionar o lugar de todas as pessoas na nossa vida - amigos, amores, familiares, colegas - de cada um que escolhe ou não continuar construindo pontes, caminhando ao nosso lado. 
Quem me prioriza? Quem eu priorizo? Saber quem priorizar é tudo num mundo com relações tão fluídas e descartáveis! Ser prioridade pra alguém é lindo… quando isso acontece, e se é recíproco é muito bom, mas ser prioridade pra si mesmo… isso não tem preço!! 
E navegar rios, atravessar oceanos, marés, vulcões ou brisas,, estradas… é também tarefa necessária, até o reencontro com a nossa alma, com a nossa essência. O resto é só o resto, quando a gente se reencontra (finalmente) com quem nos tornamos depois do caos.

22 August 2026

17 anos depois…

Há 17 anos atrás eu já gestava você, em pequenos ensaios de textos que eu ousava escrever. O primeiro publicado foi feito exatamente no dia em que “pari” o blog, para que eu pudesse ter um espaço onde guardar novos textos.

De lá para cá, são anos de muitos diálogos, alguns vácuos, mas nunca de abandono ou desamor. Aliás, a minha escrita tem sido muito terapêutica e me salva de mim mesma em muitos momentos tensos e angustiantes.

Eu gosto muito de escrever na primeira pessoa. É isso que me dá liberdade para trazer, a partir do meu lugar, como sinto e penso as coisas, sem me preocupar tanto com o julgamento alheio.

O exercício da escrita tem me levado muito longe! Isso não quer dizer, no entanto, que esteja me afastando dos meus valores ou dos meus objetivos. Pelo contrário. Sinto-me mais livre e independente, porque a escrita me assegura a possibilidade de materializar meus sentimentos com liberdade e autonomia.

São 17 anos reinventando modos de me expressar, com escritos que nascem sem cerimônia ou planejamento. Simplesmente fluem, com naturalidade, sem artificialismos. O foiassim continua sendo o meu canal de conexão, aquele que me move a repensar minhas experiências. As memórias que acumulo nessa jornada são fruto do meu desejo de expor o que sinto, como sinto, sem a pressão de prazos, sem a cobrança de ninguém.

Seu aniversário hoje não vai ter festa nem roupa nova. Esta semana foi marcada por despedidas muito difíceis de processar. A mamãe aqui está mexida. E deixemos para outro momento a escrita sobre essas dores recentes. Vou ficar mais quietinha, por ora. Mas não poderia deixar de reafirmar o meu compromisso contigo e comigo.

Amo você, meu bloguito!

Parabéns por me ensinar tanto. Por me impulsionar a escrever mais e melhor. Por me fazer conquistar leitores que me motivam a continuar investindo nessa tarefa deliciosa de escrever.

Um dia você vai virar livro.

E o presente é sempre você, com o link ativado, atravessando os anos.

Que venham muitos mais.

Quero te ver adulto, cheio de escritos autorais ainda mais incríveis, verdadeiros e inspiradores! Em tempos de IA, é muito bom ser sua mãe. 

Viva sempre 22 de agosto de 2009! Parabéns, filho!

11 August 2026

o afeto nos liberta


É, minha tia Lola, afeto é uma palavra que realmente me afeta. E de tanto me afetar “roubei” sua mensagem do dia, lá no nosso grupo de família e agora, ela chegou até aqui. E sabe-se lá onde mais vai alcançar. 

E queria falar mais do que já está dito. Queria falar da importância da gente dizer tudo o que se quer dizer para quem nos afeta, sem entrelinhas ou medos, e já sabemos que toda carta de amor (não) é ridícula, se é mesmo verdadeira.

Há quem se engane só com palavras bonitas. Mas quando amadurecemos, também aprendemos a diferenciar o que se diz do que se faz. Reconhecemos as manipulações. 

Mas não é bom dormir com a garganta presa, com coisas não ditas atravessando nosso corpo, nossa mente. Não é bom anoitecer querendo dizer mais e ainda assim escolher o silêncio.

Afeto é sinônimo de liberdade. Pra mim onde há sentimento há que se ter espaço para falar sobre, nunca para a indiferença. 

Não, não vamos mais guardar afeto dentro do peito. Vamos exibir no nosso olhar, na nossa fala, ou na nossa escrita e, sobretudo, no nosso jeito de agir. Sem meias palavras ou meias intenções. Sem cerimônias. Tudo dito e muito bem exibido. Tudo feito para durar o instante daquele beijo que bem que poderia prolongar. 

Vamos encabeçar uma nova campanha: nenhum sinal sequer de afeto guardado. Vamos expulsar de uma vez por todas. Seja para chorar ou rir. Ou as duas coisas. E abraçar se assim o lado de lá acolher o nosso afeto. 

E caso contrário, ora, ora, você é livre e já se livrou da dor do desafeto, pois, afinal, aprender a gostar de alguém é desaprender a querer estar sempre só. 

6 August 2026

vamos tomar um café?

Um convite para um café, num encontro a dois, após os 50 anos, não é o mesmo que aos 20, aos 30 ou aos 40. Se eu pudesse voltar no tempo, sequer me lembraria como eram as minhas emoções sendo eu bem mais jovem, dona de sonhos turvos e um futuro às escuras.
Agora tudo é muito mais sério. Ou ao menos parece que é. Qualquer decisão de sair de casa, abandonar o sofá e deixar o controle remoto de lado merece tempo para pesar os prós e os contras. A escolha da roupa é outro capítulo à parte. 
Engraçado que com o passar dos anos, o nervosismo ainda insiste. Deveria ter sumido? É assim que descobrimos os sinais de uma nova paixão? Esse frio na barriga não me deixa respirar direito. 
Procuro esquecer o "logo mais" e tento prestar atenção na rotina, nos afazeres em dias normais, sem "date" na agenda. Essa palavrinha é moderna. Não fazia parte do meu repertório. E preciso destacar: nem de longe é comum ser convidada para sair com alguém que pode vir a ser algo mais que um amigo... e percebo, com um certo desagrado, que parece ter saído de moda desejar uma nova relação, um namoro, algo assumido, mas ainda não sei se isso tem a ver com uma tendência. Tomara que não. 
Um romance para começar precisa mesmo de uma espécie de ritual do primeiro encontro, que é aquele momento em que duas pessoas escolhem estar uma com a outra, seja para se conhecerem melhor ou para descobrirem se ali há mesmo liga, uma faísca, cumplicidade, um desejo mútuo.
Entre curtidas, emojis e likes, parece que novos casais já não se formam com tanta facilidade. Ou se escondem, ou se repelem, ou se distanciam, ou se isolam, ou desaparecem para sempre na vida um do outro. 
Me parece que entre os solteiros (ou recém-separados) ninguém quer se ferir de novo ou magoar o outro. É uma situação estranha, beirando o artificial, já que a espontaneidade tem sumido das interações.
Estar disponível, em tempos como esses, é quase um perigo. Talvez seja mais interessante fingir desinteresse. Ou tanto faz? 
Eu fico intrigada com determinadas posturas. Eu sempre fui intensa e decidida. Sempre soube reconhecer o que queria, quando queria. Nunca fui de fazer jogos. Quando sinto, sinto. De todo modo, a cautela agora, aos 50 mais, parece que é o mais adequado. Não tem receita, na verdade. 
O convite para o café me soou como uma espécie de resgate de algo que aprovei no passado e que pode ser muito bom de ser vivido depois do fim de uma ressaca muito demorada. 
Não faço ideia do que vem depois. Talvez nada. Talvez muito. Mas espero que o café venha quente e inebriante. Há momentos que nos aquecem e nos fazem acreditar em novos enredos. Ou, quem sabe, em recomeços.

1 August 2026

quase 24 horas depois

Fiquei pensando no que é possível pensar em 24h. E se é possível a gente se lembrar de tudo o que pensa, de quem ou do quê. 

Se alguém importante, que nos afeta, faz aniversário, seria possível dizer, em 24h, quantas vezes nos lembramos  dela ou da sua data? O que pensamos em lhes dizer? Como seria a mensagem do parabéns? 

E sobre o esforço que precisamos fazer para esquecer que aquela pessoa faz aniversário naquelas 24h que demoram a passar? Como não cair na tentação de mandar uma mensagem? Quando decidimos não mandar, o que realmente significa essa escolha?

Eu fiz vários ensaios. Pensando no meu aniversário e em quem não me deu parabéns. E fiquei pensando no seu dia. Nessas 24h que demoram a passar.

O dia já se fez noite. Fiquei imaginando quem te deu parabéns à zero hora. Se você estava dormindo e foi acordado com “eu te amo, parabéns, meu amor”.  

Se já estava acordado e comemorando a dois, com brindes e projetos de futuro partilhados. Ou se estava dormindo desde cedo e preferiu se esquecer do dia seguinte. Se continua fugindo da sua data. Ou se passou a comemorar, mas só agora, que estamos longe e isso passou a fazer sentido. 

Fico imaginando como foi seu dia. Se lamentou não receber a minha mensagem. Se está achando que sou vingativa. Ou  se ficou brabo consigo mesmo por ter fechado a porta com a chave por dentro e agora não consegue mais abrir e nem consegue mais me ver.

Fico aqui tentando interpretar os sinais desastrosos que o universo me manda - que você me manda- e aí me pego repetindo ciclos, escrevendo mais do mesmo, reinventando uma história que já chegou ao fim tantas vezes e ainda assim, eu sigo sem aceitar esse fim.

Qualquer que seja o fim, eu o reprovo. Acho sempre que poderia ser diferente, que o final nem precisaria existir. Que a felicidade sim, deveria destrancar sonhos, acalmar meu coração, que ainda bate descompassado. Que fosse capaz de iluminar os nossos olhos, um par de frente pro outro. 

Não é uma carta de despedida. Não é uma mensagem de feliz aniversário. É só um desabafo meu, de mim pra mim mesma. Eu estou muito segura que essa minha escrita é a estratégia mais saudável que consigo enxergar, nesse momento, em meio aos destroços pelo caminho.

Eu não posso mais te dizer “eu te amo, feliz aniversário, meu amor”, não posso me declarar para você, sendo você a pessoa que me olhou nos olhos e nada me disse. Aliás, disse que eu poderia fechar a porta, E eu te obedeci. 

29 July 2026

“ou numa casinha de sapê”

“Juju, eu sou da geração baby boom”. 

Dizia ela, toda orgulhosa. 

“Eu digo “alǒ” quando alguém me liga, mesmo sabendo quem está do outro lado. É que eu sou das antigas, minha irmã.”

“Ok, Ana. Mas tenta se ligar que estamos em 2017!!”

E por falar em hábitos, ela amava o toque que escolheu para o celular, que por sinal era bem irritante… imagina você estar num café ou num salão de beleza, e uma música do kid abelha tocar insistentemente, até a dona do aparelho encontrar o telefone dentro da bolsa que está longe do seu alcance?

São dois momentos marcantes, memoráveis: ela me dizer alô ao me atender e Paula Toller ressurgir de cinco em cinco minutos, quebrando o silêncio entre nós e mais um monte de gente à nossa volta.

Ana não gostava muito de mensagens instantâneas. Ela aprendeu a fazer áudios, só que longos… a voz dela, nossa, que voz surreal! Eu já disse aqui antes que eu não suportei guardar as mensagens dela, nem as escritas e muito menos as faladas.

Mas a música de kid abelha continua muito viva. E vou ao show da turnê da banda e sei que não vou segurar as lágrimas. 

Vou repetir o refrão e vou cantar pra você, com toda a minha saudade e ar dos meus pulmões. Vou lembrar da gente discutindo bobagens, ou rindo de bobagens, da gente chorando ou se abraçando e pedindo desculpas uma pra outra.

Vou ficar tentando, a vida toda (isso eu aposto), guardar pedaços de você pra sempre nessas coisas tão simples e humanas que vivenciamos juntas. Você é a minha irmãzinha que partiu desse mundo, cedo demais, sem minha permissão. 

Só queria que você tivesse a certeza de que você continuará sendo a modelo mais perfeita de toda a geração baby boom. Quanto a mim, eu queria muito ouvir e reclamar do toque do seu celular e atender o seu “alô” curioso “na rua, na chuva e na fazenda...”

28 July 2026

29 de julho: lua cheia

Quis te prender no meu afeto

Não deu nada certo

Quis insistir em nós 


Mantivemos os nós 


Quis guardar pra sempre o seu desejo por mim, ao me cheirar no pescoço


E senti a dor dessa lembrança linda até no osso


Te supliquei por mais uma chance 


E lá se foi nosso romance 


Quis te reconhecer no olhar 


E não reencontrei o caminho para o mar 


Meu choro continua, mesmo com uma lua linda pra contemplar


Amanhã a lua será noite de lua cheia e hei de suspirar


O meu corpo ainda clama pelo seu


 Nem sei mais como sufocar 


tanta saudade desse amor que já foi meu