13 April 2026

assumindo o que (também) sou

No último 06 de abril eu comprei, na Livraria da Travessa, dois livros de crônicas indicados por uma amiga leitora, muito viciada em bons escritos. Eu apenas obedeci. Comprei sem nem folhear. Ela disse que ambos se pareciam comigo, com meu estilo de escrita. Eu que apelidei minhas crônicas de "quase uma crônica", me sinto muito mais cronista que antes. Acho até que essa de agora terá outro marcador no blog. Vou adicionar "minhascrônicas". Pronto, resolvido.

Já no dia 08 de abril eu pude participar de um bate-papo com Martha Medeiros, no projeto Ideias - Clube de Leituras do Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio, e na conversa com ela, me fez ter mais certeza que sou de fato uma escritora e cronista. Não vou mais fazer de conta. Vou me assumir. Eu que já me declarei blogueira, com muito orgulho, também vou me declarar cronista. Mas quem pode me validar além de mim? E eu preciso de validação? Pra que? Pra quem? Quero ganhar dinheiro, fama, prêmios? Quero ser citada? Quero virar influencer? Claro que não! Esse blog existe e resiste desde que entendi que precisava de um espaço meu, sem regras, sem padrões, sem julgamentos. E é tão bom escrever com liberdade!

Ouvindo Martha Medeiros o assunto sobre hierarquia na literatura apareceu. Ela nos contou o que pensa sobre as críticas que recebe... imagine... Martha Medeiros, que tem trocentos livros, edições e reedições de muitos deles... quem sou eu pra me preocupar com isso? Não preciso. Não cabe em mim esse dilema existencial. Não cabe nela e não deveria caber em ninguém. A sociedade midiática faz o que bem entende, não há respeito, não há descanso.

Lembrando aqui que logo que ingressei na UFAL participei de um concurso para publicação de livro de literatura. Lá fui eu com minha ousadia... reuni alguns textos desse blog e submeti. Não posso dizer que não ganhei nada, se fui corajosa e peitei as regras do jogo, naquele edital da faculdade de letras, tão inusitado para uma professora recém-chegada na faculdade de educação. Foi divertido. Fiquei na expectativa, aguardando o resultado e depois, nem me lembro mais o que senti. Só sei que naquela época, em 2011 ou 2012, não recordo ao certo, eu já sabia que eu tinha muito interesse e vocação para a escrita.

Hoje revisitei muitos textos meus publicados aqui, nesses 16 anos de estrada. E me emocionei com algumas coisas que tão corajosamente eu me dispus a escrever. Martha Medeiros agora vai ficar contente. Tudo o que ela comentou sobre os seus muitos processos de escrita também me pegaram de um jeito que só agora me dou conta do quão afetada eu fiquei, só por ouvir ela trazer sensações que eu também sinto. Me senti cúmplice. Me senti identificada. Total empatia entre duas mulheres que escrevem a partir de si mesmas, se desnudam e não sentem vergonha de ficarem nuas, com os holofotes sobre seus pensamentos.

Eu também sempre uso o marcador "devaneios" para marcar sobre o que se trata. E confesso que eu amo quando percebo que o que eu queria dizer, já está materializado na (minha) escrita. É bom que saia de mim e deite em outro lugar. Me alivia a alma. 

Martha Medeiros, Maria Ribeiro e Artur da Távola, minha gratidão por ter lido vocês, com crônicas que me fizeram rir ou marejar os olhos, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Agora que sei quem eu sou, só posso dizer que vou dormir mais feliz pois, afinal, hoje eu me tornei uma cronista e isso me fez bem demais. Paula Simões, você realmente me conhece! O próximo café quem pagará sou eu.

Livros referenciados:

Feliz por nada/ Martha Medeiros

Caminhos Abertos/ Artur da Távola

Não sei se é bom, mas é teu/ Maria Ribeiro


2 April 2026

faxina geral

Desde o dia 31 de março comecei a escrever compulsivamente. Melhor escrever do que comer chocolate, em tempos de Páscoa! Eu tenho compulsão por limpeza, por palavras, por expulsar lixo tóxico da casa e da mente. 

Isso não é novidade. Quem aqui chega encontra rios que deságuam meus desabafos. Eu treino melhor quando a casa está limpa. Não trabalho no computador se tiver louça suja na pia. Não deixo de retirar meus fios de cabelo do banheiro que somente eu uso. Em tese não deveria ter nojo mas vamos combinar, é sujeira que sai de mim mas continua sendo sujeira. 

Com a casa eu vou no automático. Quando vejo já estou com a pá numa mão, a vassoura na outra. Isso não me desgasta, pelo contrário, me alivia. Sou neurótica, eu sei. Culpem minha mãe que me estimulou desde cedo a cuidar da casa. Culpem a pandemia também, que nos revelou a importância da higiene. Culpem os meus pensamentos tortos. Ok, podem me culpar por eu ser uma esponja, que absorvo tudo com facilidade e por isso necessito esvaziar  tantas vezes.

A casa limpa é uma solução. Mas é sempre provisória. Todo dia eu faço a varredura toda de novo. Não tenho paz antes das nove. E aí vem o fazer laboral, para além do técnico. Os pensamentos não são tão fáceis de serem organizados como o lixo na lixeira. Basta lacrar o saco, jogar na lixeira externa e parece que tudo está em ordem, dentro de casa. 

Ah quem me dera se bastasse uma ação tão simples pra limpar as tantas nuvenzinhas que vão se acumulando aqui e acolá, como se tivessem permissão minha para se instalarem dentro de mim. O problema é muito mais complexo quando vem de dentro da gente. 

Eu hoje fiz mais textões. Expulsei um monte de tranqueira que precisei expurgar. E agora respiro aliviada. Parece até que consigo sorrir pra mim mesma. Sinto que estou mais leve. E não há sentimento melhor do que paz dentro e fora. E assim é. Só porque resolvi escrever. 

1 April 2026

abril se abriu

Eis que o novo mês chegou! Eu amo essa lógica do ciclo do calendário, que marca (novos) recomeços, mês a mês.

E amo que exista um mês que nem abril, que se abre já no nome. Eu fico encantada com essa facilidade que abril tem de nos encantar.

E como abril se abre, quero me abrir também. Quero ser que nem abril. Quero ser forte para superar março, os medos, os desafios de um ano que já está no quarto tempo. Tempo de 12. 

Quero ser que nem abril. Lidar com a novidade do que vem por aí, do que está no ar, mas folhas de outono ou de primavera, dependendo do local de referência nesse globo que é redondo. Quero ser redonda e circular, nunca estagnar. 

Quero ser prosperidade. Quero ser hoje e quero ser amanhã. O ontem se foi. O depois chegou. E depois a gente vê o que faz. 

Que abril se abra mesmo. Que cada abertura seja um novo momento de se ser mais quem se é. Sem travas. Está tudo bem. E o que viver, já vem bem.

19 March 2026

sobre o perdão no depois

Um mês que completei 56 voltas. Um mês insano, de muito trabalho, reflexões e muitas cobranças. Eu sou muito exigente comigo mesma e minha maior punição é sempre me culpar por todas as decisões equivocadas que costumo tomar. 

O mês de março das águas turvas, que mesclam verão e outono, que mistura tudo em nós. Mês dos piscianos, dos que navegam pela sensibilidade e também nos convida a sermos mais observadores e cautelosos. Março do dia internacional da mulher, do aniversário de dois manos, do mês que marcou minha escolha, lá atrás em 2024, para voltar a seguir sozinha, pra desistir dessa história de juntar escova de dentes e projetos a dois. 

Eu tentei muito e até me abri pra uma nova chance. 56? Quantas tentativas foram nesses 15 anos? Quantas vezes abri meu coração, minha porta, minha alma? Quantas quedas e recaídas ainda me disponho a viver? 

Não busco mais respostas muito menos justificativas para as minhas escolhas insensatas. Eu sei que errar é humano e sou humana, portanto, posso sim errar, me enganar, ou ser manipulada por quem me conhece até às avessas. 

Eu me perdoo! Eu sou de carne e osso e afeto. Sangro até o sangue estancar. Não me incomodo de ter que recomeçar do zero, um dia após o outro. Mas não queria nesse novo ciclo, seguir com mágoa, com tristeza ou com ressentimentos. 

Queria olhar pra trás e sorrir. Mas não consigo ainda. Sorrir é (me) pedir demais. Fui muito machucada e posso sim me perdoar, sei que vou conseguir, mas não vou perdoar quem desejou atravessar o meu caminho de novo só pra me ver sofrer (de novo). 

Que eu consiga superar esse reencontro que poderia ser só uma fantasia, que poderia ter ficado só na imaginação. Poderia não ter acontecido de verdade. Poderia ter me poupado do depois. Mas o depois aconteceu. E agora, nesse mesmo mês de sempre, me despeço outra vez. Eu não vou repetir tortura. Que eu consiga eliminar esse pesadelo que foi reviver o caos em mim. Eu mereço esse novo livramento. É o que desejo, no seu dia, São José. 

5 March 2026

o azar é a saudade

de quem já teve muita sorte? Será que podemos chamar de sorte? Será que sentir saudade de quem não sente também, é algo que devemos nutrir? Como faz pra se estancar uma saudade? Como faz pra gente parar de sentir qualquer sentimento que independe de nossa vontade? Engolimos o choro? Freamos a libido? Bloqueamos o celular e também o frio na barriga? Será que é possível viver sob sofreguidão até o sentimento adormecer? E seremos então dormentes, doentes, ao invés de simplesmente apaixonados e ávidos por beijos!? 

19 February 2026

ela escreve para ela

E o dia dela chegou! Ela que faz textões para os seus afetos. Que aprendeu a validar os amores com um grande amor que partiu cedo demais desse mundo, a sua amiga-irmã Ana. 

O dia 19 de fevereiro é sempre esperado para essa aquariana que não se cala diante da dor ou da alegria. Se está em luto, escreve. Se está feliz, também escreve. 

Jusciney Carvalho Santana é a filha mais nova de seu Waldemar e Dona Nalva. Tem 6 irmãos muito amados. Lila, Dilma (siamesa), Suca, Deca, Mô e Poeira. Ela não teve filho nenhum, assim quis o destino, mas tem blog, publicou livros, e tem muitos sobrinhos e sobrinhos-netos apaixonantes. 

Ela tem muitos apelidos. De Juci a Jujuba Verde. Tem nome social também 😂😂😂 Juliana, quando não tinha coragem de falar seu nome verdadeiro. Bobagens que com o tempo perderam sentido, afinal, nome que sai no diário oficial como concursada federal e na capa de um livro, não pode ser rejeitado nem feio. Essa briga com o pai dela no cartório foi superada.

Essa menina-mulher-professora-blogueira-pesquisadora é apaixonada pela sua familia, por caruru e por viajar.

Quem quiser conquistar essa aquariana com ascendente em aquário precisa ser presença. Ela não suporta gente ausente, indiferente, nem invejosa. 

O mais legal de escrever sobre ela é que ela sabe tudo de mim. Quem sou, de onde venho e pra onde vou.

Hoje é o dia da Tia Ju. Da Juju da Anamelea. O dia da Ju da Dona Nalva que está longe, lá no Acre mas se mantém dentro dela 24h, ininterruptamente. Hoje é o dia dessa carnavalesca que teve a sorte de ser baiana, morar fora da Bahia, do Brasil, e retornar para as suas origens, no tempo certo, no tempo que Deus permitiu. 

Que ela viva do jeito que quiser, com sua liberdade e sua vida todinha em volta de quereres e coqueiros! “E meu recado pra ela é que passe a acreditar “que ainda que não pareça, a vida te quer bem”.