15 July 2023

os novelos da (minha) vida

De ontem pra hoje chorei mais do que a previsão de chuva no nordeste brasileiro, e olha que julho é um mês tipicamente inundado. Meus olhos inundaram. Era minha alma desaguando. Quando a gente se depara com uma verdade que a gente não quer acreditar, as águas desembocam nos olhos. Tudo desaba em nós. Eu não imaginava esse capítulo a uma altura dessas... a gente cresce acreditando que vai fazer as melhores escolhas. Investe tempo, dedica sua vida ao outro, deixa os amigos e até a família em segundo plano. Esse talvez tenha sido um de tantos erros cometidos quando passei a acreditar que o amor é real, não é ficção, não fica só na telona. Mas olha... quebrei a cara. Quebrei meus recordes. Desafiei minha intuição e esqueci de ficar atenta. Eram tantas declarações, de um amor que não nasceu com o pedido do namoro. Dizia ter nascido antes. Muito antes. E eu acreditei porque queria acreditar em reencontro com final feliz. Caí feito um patinho no conto de fadas em pleno mundo pós-pandemia. Não que a pandemia tenha culpa (também) nisso, mas não posso deixar de lembrar que tudo começou na pandemia, quando passamos a conviver na mesma cidade, muito perto um do outro, a ponto de desejarmos ficar grudados, num mesmo metro quadrado, dividindo a bancada na cozinha, a pia do banheiro, contas, colchão de solteiro no tapete da sala, sonhos, planos, tristezas e muitas, muitas alegrias. Sim, tivemos de tudo nesse liquidificador. Um mix de sentimentos, de emoções, de descobertas, de uma paixão que virou amor pra vida toda. Cantamos um pro outro: "antes da gente dar nome já era pra sempre". Acreditei nesse verso. Romantizar o amor nunca é bom, dizem os sábios. Devemos ter cautela e deixar a chuva chover nem sempre é pra todo mundo. Pra mim não foi. Me molhei. Estou inundada de solidão. Nunca me senti tão só e tão vazia, como se as lágrimas que derramo ajudassem a compreender todo esse novelo. Eu não vou desistir de mim. Não vou passar a achar que todo mundo mente, que finge, que trai. Eu não sou esse tipo de ser humano. Não finjo que estou numa relação. Se entrei de cabeça, aos 52 do segundo tempo, é porque realmente acreditei ser possível viver uma história de amor como nos tantos filmes que assisto e suspiro. A vida não é um filme. Eu não sou uma personagem de cinema. Sou de carne, osso, cheia de defeitos, mas não suporto ser ludibriada. Não tolero deslealdade. Não sou dessas. Esse nó foi desatado. E fim.

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