19 March 2026

sobre o perdão no depois

Um mês que completei 56 voltas. Um mês insano, de muito trabalho, reflexões e muitas cobranças. Eu sou muito exigente comigo mesma e minha maior punição é sempre me culpar por todas as decisões equivocadas que costumo tomar. 

O mês de março das águas turvas, que mesclam verão e outono, que mistura tudo em nós. Mês dos piscianos, dos que navegam pela sensibilidade e também nos convida a sermos mais observadores e cautelosos. Março do dia internacional da mulher, do aniversário de dois manos, do mês que marcou minha escolha, lá atrás em 2024, para voltar a seguir sozinha, pra desistir dessa história de juntar escova de dentes e projetos a dois. 

Eu tentei muito e até me abri pra uma nova chance. 56? Quantas tentativas foram nesses 15 anos? Quantas vezes abri meu coração, minha porta, minha alma? Quantas quedas e recaídas ainda me disponho a viver? 

Não busco mais respostas muito menos justificativas para as minhas escolhas insensatas. Eu sei que errar é humano e sou humana, portanto, posso sim errar, me enganar, ou ser manipulada por quem me conhece até às avessas. 

Eu me perdoo! Eu sou de carne e osso e afeto. Sangro até o sangue estancar. Não me incomodo de ter que recomeçar do zero, um dia após o outro. Mas não queria nesse novo ciclo, seguir com mágoa, com tristeza ou com ressentimentos. 

Queria olhar pra trás e sorrir. Mas não consigo ainda. Sorrir é (me) pedir demais. Fui muito machucada e posso sim me perdoar, sei que vou conseguir, mas não vou perdoar quem desejou atravessar o meu caminho de novo só pra me ver sofrer (de novo). 

Que eu consiga superar esse reencontro que poderia ser só uma fantasia, que poderia ter ficado só na imaginação. Poderia não ter acontecido de verdade. Poderia ter me poupado do depois. Mas o depois aconteceu. E agora, nesse mesmo mês de sempre, me despeço outra vez. Eu não vou repetir tortura. Que eu consiga eliminar esse pesadelo que foi reviver o caos em mim. Eu mereço esse novo livramento. É o que desejo, no seu dia, São José. 

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