27 June 2026

o presente e a presença

As datas de aniversário são pra mim sagradas. As minhas e de todas as pessoas que eu amo. O dia que a gente nasce é importante porque de fato marca o início de uma vida em sociedade, de uma vida que começa a existir em diferentes espaços e dimensões, em todas as instituições que faremos parte, para além da família. 

Sempre digo que a escola é esse lugar de pertencimento, que extravasamos o sentido de nossa existência. Depois, ou em paralelo, as casas dos amigos, as igrejas, os clubes, os shoppings, a universidade, para quem consegue chegar até ela, e por fim, as trocas e tantos meios de aprender nos locais de trabalho. 

Outro dia conversando com uma amiga muito querida, com quem tive e tenho a oportunidade de aprender, falávamos sobre o papel da educação no combate a todas as formas de opressão, incluindo a maior delas, do meu ponto de vista, que é o racismo que opera, em todas as vezes, de forma sempre perversa e desumana. 

Não era pra tratar do tema do racismo. Vou recomeçar. Tentarei, mas não sei se terei êxito, porque a minha mente não tem caixinhas, onde separo os assuntos. Se pararmos pra pensar, mesmo, tá tudo junto e misturado. E sei que prometi separar, mas preciso destacar sobre o racismo, apenas nesse último parágrafo que vai ficar longo, já adianto. É que o racismo é um fenômeno social que guia todas as nossas formas de nos relacionarmos enquanto sujeitos. Não é possível mais ignorarmos isso e nem o fato de que, independente se formal ou informal, educar para diversidade e para o antirracismo, são sim as nossas grandes responsabilidades enquanto humanos. Caberia aí um artigo, que eu poderia desmembrar como penso, quais são os meus argumentos para defender essas ideias. Mas prometi e vou voltar pro início. 

Os aniversários são datas sagradas, únicas, especiais. Até para aqueles que dizem que não gostam do dia em que nasceram. Talvez  essa impressão possa derivar de algum trauma, alguma situação hostil, algo que lembra um desconforto, uma memória infeliz. Só lamento e sempre vou querer encher a pessoa que não gosta do seu dia, de mensagens lindas, de textões, de palavras amorosas, de torcida pela paz, pelo sucesso, pela alegria.

Estar vivo deveria ser a condição para exercitarmos nosso bem viver, mas é claro que nem sempre dá pra gente sorrir. Muitas vezes o choro vem antes do nosso desejo anterior. E tá tudo bem. Mas eu queria só falar de como é bom ganhar presente de aniversário. Não o presente físico em si. O presente simbólico de ser lembrado, de receber uma ligação inesperada, mensagens cheias de afeto, votos, mimos, carinhos virtuais e abraços. Ah... como é bom receber abraço. Se vier acompanhado de beijo, aí o presente já vira um combo.

E tem aqueles presentes materiais que a gente ama, né? Ana não gostava de dar presente aleatório. É sobre isso, é sobre ela que quero falar. Eu ganhei dela um guarda-chuva. Primeiro ela achou um absurdo o presente de aniversário ser um guarda-chuva. Depois entendeu que eu daria muito valor e talvez ela já soubesse que eu levaria esse guarda-chuva comigo, em qualquer viagem, para qualquer chuva, fininha ou com pingos grossos. E ela caprichou. Escolheu um guarda-chuva lindo, reforçado, com duas camadas. Uma preta por fora e a outra com estampa animal print (tão Anamelea). Eu simplesmente amei esse meu presente. Morro de medo de perder e sempre confiro se está bem guardado no banco de trás do carro. É quase um amuleto. É a presença dela, mesmo não existindo mais fisicamente. 

Hoje eu senti necessidade de usar o guarda-chuva, que abrigou a mim e a minha mãe. Um guarda-chuva para 2. Eis que da matéria virou símbolo. Símbolo de amor, de afeto, de irmandade, de lealdade. De valorizar quem amamos. Em vida, a minha amiga Ana me amou de verdade. E eu sou eternamente grata por ter sido amada, com tanta generosidade. E por ter ganhado dela um guarda-chuva que me acolhe até da saudade.


3 comments:

  1. ❤️‍🩹🌹

    ReplyDelete
  2. Verdade Ju! Celebrar e ser celebrado é o maior presente! 🙏🏼✨❤️

    ReplyDelete