É, minha tia Lola, afeto é uma palavra que realmente me afeta. E de tanto me afetar “roubei” sua mensagem do dia, lá no nosso grupo de família e agora, ela chegou até aqui. E sabe-se lá onde mais vai alcançar.
E queria falar mais do que já está dito. Queria falar da importância da gente dizer tudo o que se quer dizer para quem nos afeta, sem entrelinhas ou medos, porque afinal, toda carta de amor (não) é ridícula, se é mesmo verdadeira.
Há quem se engane só com palavras bonitas. Mas quando amadurecemos, também aprendemos a diferenciar o que se diz do que se faz. Reconhecemos as manipulações.
Mas não é bom dormir com a garganta presa, com coisas não ditas atravessando nosso corpo, nossa mente. Não é bom anoitecer querendo dizer mais e ainda assim escolher o silêncio.
Afeto é sinônimo de liberdade. Pra mim onde há sentimento há que se ter espaço para falar sobre, nunca para a indiferença.
Não, não vamos mais guardar afeto dentro do peito. Vamos exibir no nosso olhar, na nossa fala, ou na nossa escrita e, sobretudo, no nosso jeito de agir. Sem meias palavras ou meias intenções. Sem cerimônias. Tudo dito e muito bem exibido. Tudo feito para durar o instante daquele beijo que bem que poderia prolongar.
Vamos encabeçar uma nova campanha: nenhum sinal sequer de afeto guardado. Vamos expulsar de uma vez por todas. Seja para chorar ou rir. Ou as duas coisas. E abraçar se assim o lado de lá acolher o nosso afeto.
E caso contrário, ora, ora, você é livre e já se livrou da dor do desafeto, pois, afinal, aprender a gostar de alguém é desaprender a querer estar sempre só.

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