20 April 2026

ao escolher amar a gente perde?

Com tanto feriado em 2026, meu estoque de frases impactantes tem crescido muito. É que cada série, filme ou livro que leio, tem me ajudado a colecionar novas reflexões.

Na relação amorosa mais densa e dolorida que já vivi, eu já havia aprendido que “só o amor não basta”. É preciso que funcione. E funcionar é um troço que parece tecnicamente simples de acontecer quando duas pessoas se amam e também insistem em apostar na história. Mas não é simples, não é fácil, e posso concluir que no “meu” caso foi também impossível de rolar.

Nas relações de amizade ou até mesmo laborais, essa coisa de não funcionar direito também limita a sobrevivência. Você pode gostar do que faz mas o contexto geral não funciona. Você pode amar um amigo mas a vida em volta não funciona. E a gente muda de trabalho porque está incomodado e também pode se afastar daquela amizade, porque não teve jeito. Era o melhor a se fazer. Por um, pelo outro, ou por ambos.

Outro dia eu li que “talvez você também seja um livramento para alguém”. Já pensou que loucura isso? Você se livra do que entende que lhe faz mal e ao mesmo tempo o outro lado também entende que se livrou de você. Foi importante pensar sobre isso. Verdade que nenhuma história tem só um lado, ou uma versão. Podem ter outros lados, muitas versões. Depende de quem a viveu, como interpretou o que viveu e como agora se sente estando livre daquele surto a 2.

Mas daí a dizer que você, ao escolher amar, você também perde, me forçou a incluir uma interrogação, ao final. É que eu ainda duvido da certeza dessa afirmação. Não consigo (ainda) aceitar que só o amor não basta, ou que a gente perde quando ama. Eu apelo para a canção que Renato Russo lindamente nos ensina que “é só o amor, é só o amor, que conhece o que é verdade, o amor é bom, não quer o mal, não sente inveja ou se envaidece”. 

Como um sentimento tão podereso, genuinamente honesto como o amor, poderia te fazer perder algo? Como isso é possível? A gente não deveria abrir mão do amor, nunca, mesmo quando parece não funcionar. Eu queria poder consertar o (descom)passo, alinhar expectativas e os ponteiros e seguir acreditando que quando a gente ama, a gente só ganha. Quando a gente ama, a gente cuida, a gente investe na fé por tempos melhores e de paz, nunca por fins ou tristezas. 

Minha porção romântica está por um fio, mas ainda teima, nem sei como. 

Que os feriados continuem prolongando esse desejo em mim. Que eu não desista de amar e insistir. Que eu encontre um jeito de fazer a roda girar, que tudo funcione bem e que o mundo seja um lugar de encontros e diálogos, de longas pontes, não de muros altos. 

No comments:

Post a Comment