4 July 2026

8 e o infinito

Não era pra escrever hoje. Já tinha prometido pra mim mesma que iria esquecer essa data fatídica. Mas eu não consigo esquecer o dia 4 de julho, porque foi o dia que perdi a esperança de te reencontrar em vida. 
8 anos passaram rápido. Pra muitos. Pra mim passaram devagar. A dor que sinto é lenta. Parece não ter a menor pressa de ir embora. 
A saudade, por sua vez, cresce ligeira, como se soubesse que eu tento seguir em frente como a maioria das pessoas faz. Mas nunca fui assim. 
Eu te deixei ir? Você sabe, amiga, que nunca tive intenção de te prender. “O amor só dura em liberdade” como musicou Raul Seixas. E acredito nesse verso e na potência que é deixar ir o amor e perceber ele voltar com mais força ainda.
Eu não estudei o espiritismo. Ainda não, mas pretendo. As cartas que te escrevo são um alento pra esse coração que só se acalma quando sente que você está me lendo. Aliás, você era a amiga que lia meus pensamentos. Como não haveria de me ler na concretude das palavras?
São 8 anos tentando esse diálogo. Mas a sua voz não chega até a mim. Eu não consegui guardar seus áudios. Tive medo de enlouquecer. Não consegui preservar nossas conversas pelo WhatsApp. Vez ou outra vejo alguma memória com imagens e conversas aleatórias no Facebook, que você tanto gostava de alimentar. E às vezes também odiava. Ana sendo Ana. 
Se 8 simboliza o infinito, estou aqui tentando decifrar se você já é infinito. Ou se o meu amor por você já virou infinitude. Ou as duas coisas.
A planta que você me deu continua viva e alimentada. Está na entrada da minha casa. E sempre olho pra ela antes de entrar ou antes de sair. Você é infinitamente inesquecível, amiga e irmã. Não me esquece. Me mande um “oi Juju” nos sonhos. 


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