Na minha família tem torcida organizada e fã-clube desse “quase” ex-jogador que é multimilionário. O “menino” Ney deveria ser multicampeão, mas angariou muito mais dinheiro que premiações.
Não devemos transformar divergências em brigas. Mas isso não significa separar futebol e política, porque a política atravessa o esporte e a nossa vida. Eu sou a prova viva do quanto já sofri com a minha própria forma de pensar e expor o que penso.
Mas, independentemente de eu ser de esquerda, penso que, apesar das polêmicas, quando misturamos futebol e política, o debate sempre será necessário.
Messi, por sua vez, é unanimidade quando o assunto é competência no que faz! Ele de fato é um multicampeão! Se ficou muito mais rico com o futebol, eu não sei, mas, dentro de campo, cumpre muito bem o seu papel e não deixa nem o time nem a torcida frustrados.
A questão é simples, mas complexa: a política não está, e nunca estará, à margem do gramado. E nem das nossas vidas. A política está em tudo.
Conversando com um pesquisador e colega cabo-verdiano, ouvi dele a afirmação de que 'Argentina, EUA e Israel foram os únicos que não reconheceram a escravidão como a mais desastrosa tragédia humana'. Se isso for mesmo verdade, torna-se mais difícil compreender o enfrentamento do racismo por meio de políticas públicas nesses países.
Ou seja, se um Estado é negacionista, e não reconhece o racismo, por tabela, escolhe politicamente não enfrentá-lo. Isso implica, dentre muitos desdobramentos e repercussões, influenciar como cada cidadão age, como cada um se posiciona, inclusive os jogadores que, pela enorme visibilidade que têm, poderiam estimular o combate ao preconceito, à xenofobia e à discriminação racial. A omissão também tem lado. A neutralidade também.
Do mesmo modo, quem se omite ou se diz neutro ou diz “não gostar de politica”… estão do mesmo lado! E esse lado definitivamente nunca vai ser o da esquerda.
Minha torcida hoje, apesar de reconhecer o talento de Messi, não vai pra ele, nem para a Argentina. Eu tenho um lado, o único lado. E é o da justiça social.
No comments:
Post a Comment