“Juju, eu sou da geração baby boom”.
Dizia ela, toda orgulhosa.
“Eu digo “alǒ” quando alguém me liga, mesmo sabendo quem está do outro lado. É que eu sou das antigas, minha irmã.”
“Ok, Ana. Mas tenta se ligar que estamos em 2017!!”
E por falar em hábitos, ela amava o toque que escolheu para o celular, que por sinal era bem irritante… imagina você estar num café ou num salão de beleza, e uma música do kid abelha tocar insistentemente, até a dona do aparelho encontrar o telefone dentro da bolsa que está longe do seu alcance?
São dois momentos marcantes, memoráveis: ela me dizer alô ao me atender e Paula Toller ressurgir de cinco em cinco minutos, quebrando o silêncio entre nós e mais um monte de gente à nossa volta.
Ana não gostava muito de mensagens instantâneas. Ela aprendeu a fazer áudios, só que longos… a voz dela, nossa, que voz surreal! Eu já disse aqui antes que eu não suportei guardar as mensagens dela, nem as escritas e muito menos as faladas.
Mas a música de kid abelha continua muito viva. E vou ao show da turnê da banda e sei que não vou segurar as lágrimas.
Vou repetir o refrão e vou cantar pra você, com toda a minha saudade e ar dos meus pulmões. Vou lembrar da gente discutindo bobagens, ou rindo de bobagens, da gente chorando ou se abraçando e pedindo desculpas uma pra outra.
Vou ficar tentando, a vida toda (isso eu aposto), guardar pedaços de você pra sempre nessas coisas tão simples e humanas que vivenciamos juntas. Você é a minha irmãzinha que partiu desse mundo, cedo demais, sem minha permissão.
Só queria que você tivesse a certeza de que você continuará sendo a modelo mais perfeita de toda a geração baby boom. Quanto a mim, eu queria muito ouvir e reclamar do toque do seu celular e atender o seu “alô” curioso “na rua, na chuva e na fazenda...”
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