Fiquei pensando no que é possível pensar em 24h. E se é possível a gente se lembrar de tudo o que pensa, de quem ou do quê.
Se alguém importante, que nos afeta, faz aniversário, seria possível dizer, em 24h, quantas vezes nos lembramos dela ou da sua data? O que pensamos em lhes dizer? Como seria a mensagem do parabéns?
E sobre o esforço que precisamos fazer para esquecer que aquela pessoa faz aniversário naquelas 24h que demoram a passar? Como não cair na tentação de mandar uma mensagem? Quando decidimos não mandar, o que realmente significa essa escolha?
Eu fiz vários ensaios. Pensando no meu aniversário e em quem não me deu parabéns. E fiquei pensando no seu dia. Nessas 24h que demoram a passar.
O dia já se fez noite. Fiquei imaginando quem te deu parabéns à zero hora. Se você estava dormindo e foi acordado com “eu te amo, parabéns, meu amor”.
Se já estava acordado e comemorando a dois, com brindes e projetos de futuro partilhados. Ou se estava dormindo desde cedo e preferiu se esquecer do dia seguinte. Se continua fugindo da sua data. Ou se passou a comemorar, mas só agora, que estamos longe e isso passou a fazer sentido.
Fico imaginando como foi seu dia. Se lamentou não receber a minha mensagem. Se está achando que sou vingativa. Ou se ficou brabo consigo mesmo por ter fechado a porta com a chave por dentro e agora não consegue mais abrir e nem consegue mais me ver.
Fico aqui tentando interpretar os sinais desastrosos que o universo me manda - que você me manda- e aí me pego repetindo ciclos, escrevendo mais do mesmo, reinventando uma história que já chegou ao fim tantas vezes e ainda assim, eu sigo sem aceitar esse fim.
Qualquer que seja o fim, eu o reprovo. Acho sempre que poderia ser diferente, que o final nem precisaria existir. Que a felicidade sim, deveria destrancar sonhos, acalmar meu coração, que ainda bate descompassado. Que fosse capaz de iluminar os nossos olhos, um par de frente pro outro.
Não é uma carta de despedida. Não é uma mensagem de feliz aniversário. É só um desabafo meu, de mim pra mim mesma. Eu estou muito segura que essa minha escrita é a estratégia mais saudável que consigo enxergar, nesse momento, em meio aos destroços pelo caminho.
Eu não posso mais te dizer “eu te amo, feliz aniversário, meu amor”, não posso me declarar para você, sendo você a pessoa que me olhou nos olhos e nada me disse. Aliás, disse que eu poderia fechar a porta, E eu te obedeci.
No comments:
Post a Comment