E a copa já virou memória. Não tão boa quanto gostaríamos, sendo brasileiros e torcedores muito frustrados com o nosso país. O bom é que o sonho do hexa foi renovado por mais um ciclo... a realidade frustra, o sonho se reinventa.
Depois desse banho de água fria, o mês de julho segue meio insosso, sem entregar muitas novidades ou novas emoções. Manter o estado de alegria e expectativa sempre ativado nunca será fácil. Do nada, até quando um "mata-a-mata" acontece num estádio, nos damos conta que a euforia torna-se insustentável.
Após muitas torcidas contraditórias que nos deliciamos, no dia seguinte da ressaca, quando os jogos da copa finalmente acabaram, a nossa rotina voltou ao seu estado mais puro. Isso tem lá o seu valor. Eu amo quando retorno para minha rotina. Saber o que vai acontecer num dia traz essa paz, uma zona de conforto que nos protege até de novas frustrações. Quando algo inusitado nos acontece, a gente comemora. O inesperado sempre cai bem.
Ser surpreendido pelo acaso é bom demais. Mas não podemos contar com isso. Tem que vir de forma espontânea, quase natural, como se fosse um presente para nos fazer acreditar que existe magia no ar, mesmo quando o dia tem seu script prontinho desde às 6h.
Por outro lado, quando algo planejado não sai como o esperado, isso nos dá margem a um certo desânimo. E, nesses momentos, a gente até pensa em desistir daquilo que não fluiu. Mas como saber quando é esse limite? Como parar de sentir vontade de ver o universo contradizer as nossas próprias previsões? Aliás, quando parar de prescrever as coisas? Não faz o menor sentido já que não temos bula e nem receita de sucesso.
Se duvidar, até duvidamos da nossa capacidade de fazer a leitura correta do que nos aconteceu. Interpretamos pelo coração e a mente gira em círculos, insistindo em encontrar respostas para ser assim e não assado. A novidade nem sempre dá na praia. Muitas vezes ela nem vem.
O calor do momento pode parecer algo novo, mas vai ver é o mesmo sendo repetido. E aí pensamos sobre como dar um fim ao que já desandou faz tempo. Talvez seja justamente na rotina que percebemos aquilo que antes passava despercebido.
Reconhecer um padrão de comportamento que nos impele para idênticos desagrados, por sua vez, é um passo importante para nos libertar do que aprisiona naquelas ondas de estagnação e impotência. Não basta apenas aprender a dizer não. É preciso testar a nossa capacidade de responder diferente e nem precisa ser com um não. E como é maravilhoso voltar a ter o controle de nossas emoções, do que estamos dispostos a permitir que entre ou não em nossas vidas.
Falo da mornidão gostosa da rotina e me apego a isso para me refazer do tumulto que deixo adentrar os meus dias. O meu calor não é o oposto da frieza ao que me deparo num ambiente. O meu calor vai me manter aquecida, e, ao mesmo tempo, em alerta contra temperaturas radicalmente distantes da minha. O que vem de dentro afasta o que vem de fora, quando vem sem propósito.
É na rotina que priorizamos nosso autocuidado e o nosso amor-próprio. Esse trabalho acontece muito mais no silêncio, afinal, na maior parte do tempo, a nossa rotina sequer produz barulho.
Não paro de te admirar , você escreve porque sabe , e tem o Dom!!
ReplyDeleteMuito obrigada pelo carinho, pelas palavras... mas deixa o nome... fico sem saber como responder a um(a) remetente anônimo (a)! Abraço.
DeleteMuito bom, Jú!!! Silvinha
ReplyDeleteObrigada, Silvinha!!
DeleteA rotina, pode ser o lugar onde recuperamos o equilíbrio, reconhecemos padrões e cultivamos o autocuidado.👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 Paulo Teixeira
ReplyDeleteObrigada, meu amigo!
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