Djavanear, 50 anos depois. Eu tenho 56, o que significa que desde que nasci ele já fazia da música o seu país. Eu cresci ouvindo Djavan. Não por escolha própria, mas porque a minha irmã escolheu amá-lo, antes de mim, que também passei a amá-lo. Decidi amar Djavan por ela, depois pela sua canção.
“Gosto de filha, música de preto”. E foi assim que Djavan musicou a sua arte em Linha do Equador. Caetano também o fez, quando declarou o seu amor pela música de Gilberto Gil. Eu poderia citar só o Seu Jorge. Ou só Vander Lee. Poderia citar Steve Wonder. Não poderia deixar de citar Carlinhos Brown ou Cláudio Zoli. Nem John Legend, Bruno Mars, Baby Face e Barry White. E poderia citar todas elas: Whitney Huston, Beyoncé, Iza, Luciana Melo, Rhianna, Tracy Chapman. Meu nome é Gal.
Vejam que as referências de música e potência de mulheres pretas e de homens pretos são muitas, felizmente. E todos esses pretos incríveis e talentosos estão na minha playlist, que tem muita “música de preto”.
Enquanto escrevo, Djavan me devora. E ontem fui à sua turnê que passou por Salvador. Ele que é alagoano e apaixonado pelo seu estado, disse que se sente baiano também. A sua travessia vai terminar em Maceió. Vai rodar o Brasil em diversas capitais mas vai desaguar seu oceano nas águas da sua nascença.
Eu ainda nem levantei de ontem. Dormi e acordei com a voz de Djavan, me dissecando por dentro. Revivi tantas fases da minha vida. Me lembrei quando compramos um carro chamado “Parati”, não lembro o ano. Mas a concessionária deu de “brinde” um LP (leia-se élepê), um disco de vinil de Djavan. A capa era rosa. Ou lilás. E óbvio que foi dado pra sua dona, a minha irmã siamesa, que de tanto amar Djavan, tatuou Outono em sua pele.
Eis que tive o privilégio de assistir ao show de 50 anos de sua presença na música brasileira, num mês outonal, com folhas caindo e chuva brincando pelo ar. Minha mana também vai se extasiar, no dia 13 de junho, em Curitiba, também no outono.
E eu queria encerrar esse texto pensando que o amor quase dói. Quase. Quando a gente ama a gente sofre de amor, mas esquece que sofre. Amar é mesmo um sofrimento delicioso. E, ao mesmo tempo, “amar é um deserto e seus temores… vida que vai na cela dessas dores”. E não sabe voltar.
Que bom que a gente aprende a amar para além do amor por outro alguém. Que bom que a gente aprende, até com desamores, a viver por nós, com nosso autocuidado que deve ser nutrido a partir do nosso amor-próprio. Mas que bom (também) que Djavan nos ensina e nos emociona tanto com a sua poesia. O seu legado é ancestral e a sua música de preto é pra sempre.
Ohhh meu Deus!!!
ReplyDeleteQue lindo, mana!
Chorando, aqui.
Verdade, vc nasceu , ele já entoava e compunha as suas letras e melodias . Autoral é ele!!
Acho q essa sintonia tbm, associo à
Excelência de violonista que ele e. Penso em Painho e Deca, tocando, sempre!
Amei o texto.
Ele é isso mesmo. Inspiração pra os nosso dias frios… e noites quentes.
Feliz por vc ter ido. Sentida por nao estar ao seu lado. Mas foi um momento de vcs dois. Kkk
Beijinhos . Amei o textão pra “nós”!
Pra o amor. Pra música de preto!!
Linda é vc, nossa escritora!
Oh… ele não tocou “flor do medo” mas eu o perdoei… amar quase dói 🤣🤣🤣🤣
ReplyDeleteOh mana, teria sido muito mais emocionante com você ao lado!! Mas você estava sim, como está sempre!! Te amo, Bolis!
Que lindo prima! Djavan é tudo isso e muito mais!! Eu também fui completamente "devorada" pela poesia e pela musicalidade desse artista sensacional. E que sorte a nossa de poder "djavanear" em um momento tão importante da carreira dele! "Quer saber? Quando é assim, deixa vir do coração"❤️
ReplyDeleteSim!! Foi muito maravilhoso, apesar dos embates da volta pra casa 🤣🤣🤣
DeleteTexto muito bacana, prima! Djavan é pura poesia. Irei aqui no show extra em Sp em dezembro. Beijo! Véu
ReplyDeleteOh prima, que bom que vai ter essa experiência maravilhosa! A gente faz parte dele!! 🩷
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