24 September 2021

o que é o amor pra você?

Essa é uma pergunta simples para um tema complexo. Eu amo a ideia de amar alguém e também ser amada na mesma medida, com a mesma verdade, com a mesma vontade de dar certo e de insistir, enquanto há desejo de ambos os lados.

Sempre afirmei categoricamente "eu te amo" para meus pais, manos e manas, meus sobrinhos e para amigos que fui conquistando por aí.

Não creio ser possível viver sem afeto, sem saber se é amado por quem se ama. Eu que tenho plantas, únicos seres vivos que habitam meu canto, além de mim, penso que ao conversar com elas e dizer que "mamãe está aqui e vai te dar atenção", estou dizendo que as amo muito e sem elas a minha vida perde beleza. Uma planta morrendo é sinal de abandono, de maus tratos. Não é assim que ficamos quando estamos sem a atenção e o cuidado daqueles que dedicamos atenção e cuidado? E por acaso oferecemos atenção e cuidado a quem somos indiferentes? E o que torna alguém diferente, especial senão o amor?

Ah, mas amar é simples assim? Não! Amar exige acolher o outro em suas demandas, em suas particularidades. Ama-se alguém não porque é perfeita ou cabe em nossos sonhos. Ama-se incondicionalmente, sem sequer conseguir explicar, apenas sentindo o amor.

"O amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer..."

Essa é uma citação bíblica que Renato Russo musicou. Eu amo essa canção porque ela traduz em grande parte o que não conseguimos expressar em simples palavras. Precisamos do cinema, da poesia, da música, da literatura para interpretarmos as muitas formas de amor que existem. Precisamos nos doar para que o amor chegue até os nossos corações incrédulos. Amar é colorir os dias, mesmo que em alguns momentos estejam cinzentos. Amar há de ser (sempre) melhor do que não amar.

22 August 2021

sou de leão e já tenho 12!

 




Com essa postagem somarei 593 publicações, além de 12 rascunhos, de textos que provavelmente continuarão sendo só visíveis para mim. De 22 de agosto de 2009 para 22 de agosto de 2021, eu posso dizer que a minha escrita mudou muito. Eu li muita coisa, eu vivenciei muitas histórias, eu chorei mais do que devia, me aventurei em viagens inesquecíveis e estou nos dois últimos meses de agosto, mês do bloguito leonino, vivendo A pandemia e o trabalho remoto, que me forçam a escrever e a ler mais. 
Claro que o post de hoje é de comemoração, mas é muito mais de reflexão, como sempre o faço. Tudo o que escrevo tem relação direta com o que penso e reflito sobre o que sinto. Pensar, sentir, escrever. É dessa junção que nascem o meu desejo de blogar, lembrando que blogar não é uma ação inferior ao ato de escrever. 
No meu entendimento tudo é escrita e merece nosso respeito. Os blogueiros são diversos. Tem blog de tudo o quanto é tipo, dos bons aos ruins. Não perco tempo em busca de qualificar qual o status do meu. Importa para mim manter essa liberdade de poder despejar em forma de caracteres o que desejo verbalizar na escrita. São meus desabafos momentâneos que se eternizam aqui nesse espaço cibernético pouco acessado mas de um valor imensurável para essa mamãe, que baba pelo seu primogênito. Sim, mô blog é o primeiro espaço que criei na internet. Em 2011, quando cheguei na UFAL nasceu o segundo: Aprendizados Virtuais demandado para ampliar o diálogo com minhas turmas de estágio em gestão escolar. 
E em 2015 nasceu minha filha, a Negra Maria Tese, transformada em livro em 2017. Então foi assim: escrever e blogar fazem parte de minha existência como mulher, como professora e como pesquisadora. Tá tudo amalgamado. Não sei me separar de uma tela em branco. Quando me vejo, estou teclando, estou usando minha arma para semear sentimentos distintos. Ora afeto, ora indignação.
Meus 12 anos produzindo textos nesse blog me permitem dizer que a minha escrita tem vida própria. Adolesceu. E eu quero sair dessa fase de transição e amadurecer a ponto de transformar minhas cartas, meus diários de bordos e meus devaneios em pontes para o futuro, de quem quero me tornar daqui em diante.
Que a vida me permita continuar sendo autora dos meus projetos, das minhas ideias, dos meus sonhos. E que a leveza e a sinceridade que espero encontrar pelo caminho façam morada em minhas novas produções textuais. Que continuem sendo o que efetivamente me acalma em momentos tão pesados como esses! Então... um viva por toda a resistência desse meu menino mais que especial!

8 August 2021

nova carta para meu paiinho

Diferente dos anos anteriores, hoje eu não estou triste com a ausência do meu pai para comemorar este dia tão especial. Ao longo da minha vida, desde os 12 anos, que vivo buscando respostas aos problemas do mundo e também os que invento em minha cabeça e sinto muito a falta dele, todos os dias, por não podermos sentar e conversar e abraçar e olhar nos olhos.

Mas essa saudade permanente não me traz mais tristezas. Aprendi a lidar com essa falta que continua sendo o que me move. Meu pai é em grande parte o que me move. Assim como a minha mãe, viva, linda e cheia de personalidade. Ele, através dela, vive muito perto de nós. A gente lembra dele sempre. Nas feições dos meus manos que envelhecem e ganham os ares de Senhor Waldemar de Carvalho Santana. Lembramos dele nos sorrisos dos nossos pequenos.

Nosso jardim da infância cresce e ganha cores e lindezas que nosso velho segue de longe sorrindo com o olhar, como fazia lindamente. E te vejo tocando violão, sério, compenetrado, com a unha do polegar direito maior que as outras. Te amo pai. Você é parte de nós e daqui até a eternidade honraremos seu nome. O Núcleo Santana é forte como Carvalho. ❤

21 July 2021

A de amizade


"Amigo é como um (bom) vizinho quando Deus está distraído"

Esse provérbio africano, com modificação minha entre parênteses, diz muito sobre o que acredito ser uma amizade verdadeira, leal.
Durante nossa infância e, especialmente na juventude, começamos a criar laços de amizade que nos conduzem a idade adulta com muito mais amor, prazer e alegria, mundo a fora.
Ontem recebi e troquei muitas mensagens que simbolizam a importância dos amigos em nossas experiências para além das famílias que fazemos parte.
E hoje, ao acordar, me deparei com essa citação num livro que tenho demorado em me desapegar, *um defeito de cor* de Ana Maria Gonçalves. O livro foi um presente de uma grande amiga, a amiga mais leonina que tenho até aqui.
Me vejo cercada de grandes referências de amizades que fui construindo ao longo dos meus dias. Encontrei novos amigos quando cheguei em Maceió para morar. Foram anos de muitas novidades, mudanças, desconstruções.
Quanta saudade sinto das amigas Ana e Telminha, que já não estão curtindo novas luas comigo. Éramos chegadas. Combinávamos almocinhos adoráveis, contávamos nossos planos, desaguávamos em nossas dores, apreensões. Sentir medo ou angústia, claro que fazem parte de todo percurso longe do ninho. E lá estavam elas, acolhedoras, cuidadoras, amigas presentes.
Eu ganhei amigos novos e agradeço por suportarem meus revezes. Eu perdi duas amigas pra morte. Eu também perdi uma amiga por causa de política. Perdi esses vínculos e não os aceito com tranquilidade. Talvez nunca vá aceitá-los, embora respeite os desígnios de Deus sobre essas tragédias. Perder um afeto é sempre trágico.
Importa somente celebrar quem se mantém perto por vontade e por escolha. Eu carrego em mim todos os sonhos de antes, os sonhos de agora e os que ainda nem sei quais são. E quero sempre ter amigos nesse caminho tortuoso, com sorrisos e lágrimas. Sem máscaras.

4 July 2021

três anos e mais saudades

“O luto expõe novas camadas em mim, raspando escamas dos meus olhos”. 

No livro “notas sobre o luto” Chamamanda Adichie narra instantes de sua dor, numa escrita simples, com cenas vividas em família que a fazem recordar do seu velho, que partiu abruptamente em 2020. Eu chorei em vários trechos pois me fizeram lembrar do meu luto, me levaram a refletir sobre sua partida. Você, minha amiga-irmã, que era presença em todos os meus momentos na vida longe do ninho.

Para muitos, morar longe da família e das raizes parece ser mais fácil e, em alguns casos até melhor ou muito necessário. Para nós duas nunca foi fácil e a gente se equilibrava uma na outra, nos momentos mais duros e críticos. 

Eu tentei ser pra você uma mesma ponte que unia passado, presente e os desejos de amanhãs cercados dos nossos afetos, exatamente como senti que se tornou pra mim, numa cumplicidade rara de ser encontrada entre duas mulheres tão diferentes. 

Esse dia 4 de julho marca três anos, com pandemia e tudo no caminho, sem contar com seus abraços, suas emoções, seus pensamentos e suas falas inusitadas. Vai ser sempre um lamento maior esse dia que você nos deixou.

O mundo ficou absolutamente menor, menos encantante.

Nutro uma saudade imensa da sua sensibilidade, de ter você bem perto para contar, nesse mundo tão caótico e estranho. 

Espero que esteja muito bem e que continue me desculpando pelo meu choro muitas vezes descontrolado, quando busco te encontrar em monólogos ou escritos que nem esse. 

Te amo pra sempre! Obrigada pela amizade e por todo o seu amor. 

31 May 2021

Para Juliana Amaral

Juliana Amaral


Mesmo sem te conhecer, eu preciso enaltecer suas palavras! Você tem todos os motivos desse mundo para estar indignada e triste, como brasileira e como irmã do nosso querido e amado Paulo Gustavo. Esse presidente precisa parar! Precisamos interromper que mais e mais pessoas sejam assassinadas de forma planejada e intencional, primeiro incentivando tratamento precoce e ineficaz, segundo por não usar máscara e estimular aglomerações, sendo o chefe de um Estado, o gestor público que é, e, mais grave ainda, recusando a compra de vacinas que já estavam disponíveis em 2020, atrasando deliberadamente com o cronograma de imunização. Ele é um genocida assumido! Parabéns por sua expressão. Sinto muito pela sua dor e pela dor de todos os familiares e por todas as vítimas desse vírus tão cruel e letal. #forabolsonarogenocida #ᴠᴀᴄɪɴᴀᴘᴀʀᴀᴛᴏᴅᴏs #cpidacovid


15 May 2021

vacinar: direito de todos!

Estou muito molinha para escrever. O dia foi intenso! Após uma noite com pesadelo na madrugada, que resultou num “galo” na testa, dirigi por 7 horas ininterruptas, com muita chuva no meio do caminho, para chegar em Maceió por volta do meio-dia, seguido de um banho rápido para, finalmente, encarar a fila de vacinação, por estarmos inseridos no grupo prioritário de profissionais da educação superior. Um privilégio! 

Confesso que me senti até constrangida de ser vacinada antes de outros grupos que me parecem ser prioridade! Os que estão enfrentando transporte público e muito mais expostos que nós, servidores públicos federais, que podemos nos isolar e continuarmos no exaustivo trabalho remoto, até que toda a população brasileira esteja vacinada. 

Mesmo constrangida, sendo um direito, não poderia deixar de me vacinar. Por minha mãe, por minha família, por mim mesma. 

Quero viver muito mais, com saúde e sem medo e mesmo que a máscara e o álcool gel não desapareçam dos meus próximos meses, eu sou 100% a favor da vacina contra a COVID, e 100% em defesa do SUS e do trabalho valoroso dos profissionais de saúde, dessas equipes que assumiram essa tarefa de imunizar, e mesmo com o cansaço evidente sustentam o desejo de colaborar! 

Só quem chega perto percebe os olhos sorridentes de quem nos recebe para vacinar. Ou as lágrimas que derramam quando alguém agradece e enaltece o trabalho lindo que estão realizando desde sempre na saúde pública no nosso país.

E o dia D da vacina contra esse vírus maldito chegou pra gente, para professores e professoras que atuam em Maceió! Catei dois amigos e fomos juntos! Enfrentamos quase cinco horas de filas, mas seguimos sorridentes e emocionados! Eu fechei meus olhos, agradeci, lamentei muito pelos que não tiveram ainda essa oportunidade, pensei em meus alunos e suas famílias e também em colegas que partiram por causa da ausência do imunizante, que sim, poderia ter chegado muito antes, se essa política de vacinação estivesse sido priorizada por este desgoverno. Que as mortes cessem e a chegada de novos lotes de vacina permitam que não somente grupos prioritários sejam atendidos! Chega de desigualdade! Chega de desumanidade. Chega de Bolsonaro! 

#ᴠᴀᴄɪɴᴀᴘᴀʀᴀᴛᴏᴅᴏs #ufal #vivaosus #vivaaciência