17 August 2016

há vaias e vaias: o que é ser cordial no Brasil?

"Onde foi parar o homem cordial?" Uma boa pergunta que cabe diferentes análises. Será que tivemos bons modelos europeus de cordialidade nos idos 1500? Como trataram índios habitantes nas terras tupiniquins? Como trataram os africanos submetidos ao regime da escravidão? Aprendemos a ser cordiais, verdadeiramente? Aprendemos o que é XENOFOBIA? Construímos muros entre pessoas, gêneros, raças, nações? Construímos preconceitos horríveis? Aprendemos a hostilizar? Essas deveriam ser as perguntas em uma manchete. Cordial como? Desde quando? Pra quem?? Pode ser seletiva? Cabe aqui, não cabe acolá? Quando vaiam e xingam em alto e bom som, aos gritos, numa via PÚBLICA, uma mulher de "VACA", "PUTA", por ela defender a DEMOCRACIA, num país que a está perdendo, a cordialidade reside em que, em quem??? Vaiar é um gesto agressivo e muito simbólico sim, e não de hostilidade apenas, mas, de certo modo, também de um patriotismo equivocado. Muita gente não sabe respeitar ou ser cordial com certos brasileiros e certas brasileiras, imagine se serão com quem vem de fora?? Outra prova de não-cordialidade à brasileira: nosso país está hoje governado por um vice-presidente usurpador, que conquistou o lugar por puro golpismo e traição a quem a ele se aliançou. Merece vaias? No meu entendimento, merece sim. Muita gente o rejeita e ele bem sabe os motivos. Do contrário não TEMERia aparecer em locais públicos. Ele sequer aparece para defender-se. Vai nos dizer o que? Não consegue. Agora um atleta de outra nacionalidade ser vaiado por uma torcida? Faça-me o favor, isso já é uma marca das arenas da vida e do mundo. Isso não é espírito olímpico, é completamente abominável!!! Concordo. Não fomos cordiais com Leticias. Não fomos cordiais com franceses. Não somos cordiais com negros, negras, idosos, idosas, e com a comunidade LGBT. Precisamos aprender a ser cordiais com todos os seres humanos, animais, com a nossa natureza. A empresa que poluiu rios e mares não foi nada cordial. A boa educação vem de berço? Não, mas pode e deve ser construída cotidianamente. Finalmente, FORA TEMER!
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Observação importante: esta postagem é uma "resposta-pergunta" ao jornalista Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, que publicou a matéria: As vaias ao francês Lavillenie mostram que a cultura do ódio triunfou entre nós.

há vaias e vaias: o que é ser cordial no Brasil?

"Onde foi parar o homem cordial?" Uma boa pergunta que cabe diferentes análises. Será que tivemos bons modelos europeus de cordialidade nos idos 1500? Como trataram índios habitantes nas terras tupiniquins? Como trataram os africanos submetidos ao regime da escravidão? Aprendemos a ser cordiais, verdadeiramente? Aprendemos o que é XENOFOBIA? Construímos muros entre pessoas, gêneros, raças, nações? Construímos preconceitos horríveis? Aprendemos a hostilizar? Essas deveriam ser as perguntas em uma manchete. Cordial como? Desde quando? Pra quem?? Pode ser seletiva? Cabe aqui, não cabe acolá? Quando vaiam e xingam em alto e bom som, aos gritos, (numa via PÚBLICA) uma mulher de "VACA", "PUTA", por ela defender a DEMOCRACIA, num país que a está perdendo, a cordialidade reside em que, em quem??? Vaiar é um gesto agressivo e muito simbólico sim, e não de hostilidade apenas, mas, de certo modo, também de um patriotismo equivocado. Muita gente não sabe respeitar ou ser cordial com certos brasileiros e certas brasileiras, imagine se serão com quem vem de fora?? Outra prova de não-cordialidade à brasileira: nosso país está hoje governado por um vice-presidente usurpador, que conquistou o lugar por puro golpismo e traição a quem a ele se aliançou. Merece vaias? No meu entendimento, merece sim. Muita gente o rejeita e ele bem sabe os motivos. Do contrário não TEMERia aparecer em locais públicos. Ele sequer aparece para defender-se. Vai nos dizer o que? Não consegue. Agora um atleta de outra nacionalidade ser vaiado por uma torcida? Faça-me o favor, isso já é uma marca das arenas da vida e do mundo. Isso não é espírito olímpico, é completamente abominável!!! Concordo. Não fomos cordiais com Leticias. Não fomos cordiais com franceses. Não somos cordiais com negros, negras, idosos, idosas, e com a comunidade LGBT. Precisamos aprender a ser cordiais com todos os seres humanos, animais, com a nossa natureza. A empresa que poluiu rios e mares não foi nada cordial. A boa educação vem de berço? Não, mas pode e deve ser construída cotidianamente. Finalmente, FORA TEMER!

10 August 2016

e hoje um pássaro me atacou

Dizem que é sorte. Não faço ideia se sim ou se não. Embora adore e brinque saber de signos, sou cética. E hoje um pássaro, alçando voo, me acertou a testa. Fiquei com sua marca de unha cravada na minha pele. E hoje um pássaro me atacou. Não fiquei com raiva dele. Vai ver ele estava com raiva de mim. Também não sei porque. Vai ver considerou que eu estava invadindo o seu habitat. Vai ver ele tem razão. A vida e a natureza. E hoje um passarinho me deu uma espécie de "cascudo" na cabeça. Vai ver era pra me alertar: "acorda, não seja tão centrada em você. O mundo precisa de menos gente individualista".

saudade do meu espelho

Eu queria muito ter meu pai vivo. Pra falar da vida, discutir política, pra ele me contar como sofre sendo negro num país racista que nem o nosso. Meu pai faleceu quando eu tinha apenas 12 anos. Não discutimos nada. Não nos abraçamos tanto. Não apresentei nenhum namorado. Não dançamos. Não fiz nada que uma filha apaixonada gosta de fazer ao lado do seu pai. Eu queria fazer café, bolo, lasanha, pra ele. Queria ouvir todos os seus causos; também poder lhe contar as minhas histórias. Eu queria ter ouvido conselhos. Queria que ele me dissesse palavras de conforto. Que me desse bronca (mais, né?). Queria aprender a gostar de números e finanças, como ele gostava. Queria ter tido o prazer de conversar com ele ao celular, pelo WhatsApp. Trocar fotos e afagos. Queria seu colo. Ainda quero aprender a tocar violão, lindamente, como ele tocava. 

1 August 2016

missão cumprida: 1 ano depois

Hoje é uma data marcante em minha vida profissional. 1 ano em que estive afastada da UFAL e que foi cumprido com muito trabalho e ética. O meu afastamento, 100% financiado por mim, permitiu não somente desenvolver uma pesquisa intercalada do doutorado, numa universidade fora do país, como também oportunizou conhecer muita coisa boa, provar sabores, visitar lugares lindos e também conviver com outras gentes. Foi muito aprendizado! Se não fosse a minha ousadia, não teria chegado na esquina. Nasci na roça, fui educada para viver com simplicidade. E embora tenha alcançado muito capital cultural, mantenho a simplicidade como princípio maior em meus dias, independentemente de ter viajado tanto. Foram 7 países incríveis visitados, a melhor impressão do mundo para os turistas e a pior das impressões para os imigrantes. Do lado de cá do Atlântico, também acumulamos muitos problemas, sim. Do racismo ao fascismo. Mas o Brasil, especialmente no Nordeste, continua sendo o meu lugar de pertencimento, de alegria e paz. Há que lutarmos muito para que muito mais gente possa ter oportunidades como a minha. O que desejo viver, também desejo que todXs possam viver. O meu quintal está florido. Quero o mundo todo arborizado! Basta de privilégios para uma minoria. Vamos pensar grande! Vamos brigar por conquistas sociais e coletivas. Vamos brigar pelo fim das opressões! Educação é dever do Estado. Tem que ser pública, laica, democrática, gratuita.

28 July 2016

enquanto chove...

Na rua onde moro também habitam alguns moradores de rua. Esteja chovendo ou não, todas as noites, antes de dormir, dedico um tempo em silêncio, pensando sobre isso, ainda que de modo distanciado. Tenho consciência dos meus privilégios, sim, mas isso não me impede de procurar por eles/elas, pelas crianças que crescem e brincam, resistindo às condições adversas, desfavoráveis e perigos presentes no "nosso" entorno.
Claro que gostaria de não vê-los mais ali, sem teto, naquele chão frio, sujo, impróprio para menores, maiores, jovens ou idosos/as. Gostaria de saber que receberam (por direito) dos poderes públicos,um endereço fixo, uma casa de verdade, e não de improviso, para que pudessem residir e desfrutar de um lar, com a mesma dignidade que eu ou qualquer outro ser humano deve ter.
Em dias chuvosos como esse, aproveito para agradecer e também esperançar.
Agradeço pelo aconchego do meu lar, pelo meu trabalho, por todas as minhas conquistas, pela comida que nunca falta e sobretudo pela possibilidade de estar sempre indignada frente à essa realidade, que é gritante e salta aos meus/nossos olhos.
Os moradores da minha rua não são e nem estão invisíveis. Ao menos para mim, nunca estarão. Espero que eu consiga continuar esperançando que essa dureza e crueldade sejam solucionadas pelo Estado que, no meu entendimento, tem o dever de cuidar e proteger a sua população vulnerável.

22 June 2016

o doce da vida na academia

A mesa sobre ‪#‎opressões‬, da qual fui convidada por Rafael Morais Adelson Silvestre Jr. CA Sebastião da Hora foi muito prazerosa. Estar entre estudantes-calouros(as) de Medicina, que acabaram de chegar na universidade, com toda a ansiedade pelo mundo a descobrir, por aqueles característicos brilhinhos nos pares de olhos, me fez entender um pouco mais sobre meu percurso como pesquisadora e como profissional da educação. A minha tese foi apresentada novamente, hoje! Para mim,significou mais do que o dia 12 de novembro de 2015. Porque já revisitei os escritos, já escrevi novos artigos sobre e estou disposta a continuar pesquisando mais. Quando terminei a apresentação, estava agitada, satisfeita, sentindo calor, com muita vontade de continuar ali, dialogando.
Minha vida acadêmica, definitivamente, não cabe (nem quero que caiba) no lattes. De todas as experiências que tenho vivido, as atividades de ensino e extensão, sem dúvida alguma me edificam como educadora e muito mais como ser humano. Pouco me importa se isso se transforma em ponto, se estou mais ou menos produtiva, se sou citada ou não. Aos moldes da "indústria" que nos exigem e nos estimulam a produzir mais e mais, sem ao menos refletir se o que estamos produzindo tem ressonância na vida prática,essas produções não me representam. Estou muito feliz de poder fazer parte de um coletivo de mulheres, homens, lgbts, que lutam pelo fim das opressões e por muito mais liberdade e autonomia, muito mais que servir à essa lógica capitalista, esquizofrênica, empresarial e neoliberal do nosso tempo. Obrigada aos que me fazer produzir ciência para intervir na realidade da qual faço e me sinto parte.