1 November 2016

sobre o dia do FICO

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades".
"Verdade que uma escolha sempre implica numa renúncia".
"Não dá para fazer uma omelete sem quebrar uns ovos"".
"Uma renúncia nem sempre é prejudicial ou nos fará infelizes".
"O mais legal do fim de um ciclo é saber que vem outro, logo em seguida".

Parecem bem simples esses pensamentos. Mas carregam grandes significados e sentidos. Dependem do tempo para cada um de nós.
Para mim, significam muito.
Para mim, decididamente, viver na corda bamba, na dúvida, não deve ser coisa boa nem para librianXs. (risos)
Enfim, que os novos rumos e deliciosas novidades cheguem (com vontade) em meus dias.
A partir de hoje, viverei numa "Outra Maceió".
Aos meus sonhos, que não envelhecem jamais, sigo com o meu desejo de continuar sonhando em ser feliz.
E quero construir a minha felicidade aqui mesmo, nessa terra ESCOLHIDA, cheia de encantos e sofrimentos, dos quais me sinto responsável e por isso estou obstinada em querer contribuir para romper muros, desfazer nós e (quem sabe) construir outras pontes.

23 October 2016

"eu chovo"

Ando pensando sobre meu presente. Das coisas que me desagradam; das coisas que me fazem bem; das energias que ando sentindo à minha volta; das boas e das más energias. Sempre fui muito cética com essa coisa de "tem que ficar em silêncio" e que o "segredo do sucesso é ficar de boca fechada". Sempre fui muito exposta. Não acredito que mudarei aos 46 do segundo tempo. Se uma das minhas marcas é a exposição na escrita, mais do que na fala, é na escrita que vou materializar o que penso, doa a mim, doa a quem doer.
Esses últimos meses estão sendo muito difíceis. O semestre mais longo na universidade. O estresse mais pesado na feitura dos trabalhos. O cansaço mais intenso todas as noites em que me deito. E o que dizer da tpm? Nossa, parece que o tempo passa e cada mês vem mais forte e imperativa.
Estou rodeada de afazeres, de prazos, de demandas a cumprir. Não sobra muito tempo que nem esses domingos chuvosos, para chover. Hoje é um presente sim. Um dia em que posso chover.
Descobri esse verbo numa canção de Adriana Calcanhotto. A primeira da seleção que fiz e que ainda vou aprender a tocar no violão. Esse é um sonho bom. Que nutro, faça chuva ou faça sol.
Tenho estado arisca, silenciosa, intransigente, intolerante, radical. Há coisas que já resolvi na cabeça. Não tem jeito de voltar atrás. Desisti de seguir alguns (ditos) amigos. Seguir na palavra estrita: estar perto, socorrer, festejar, querer estar perto, querer socorrer, querer festejar. Sigo mais só que acompanhada. Sigo o meu caminho, com muitas incertezas. Se fico mais, se fico menos. Se arrisco mudar, se desisto. Sigo carente, desejando viver um novo amor, porque acredito que amar pode dar certo, mesmo tendo tido frustrações tão fresquinhas, que vez ou outra me atrapalham o sono. Sigo tensa, mas sabendo que não posso contrariar minha intuição que agora me diz que preciso silenciar mesmo, ainda que seja por um tempo. E me despeço daquilo que não acredito ser bom viver. É como se estivesse diante de uma grande encruzilhada. Como se estivesse tentando encontrar a direção, mesmo que não seja 31 de dezembro, ainda. O passado ficou lá atrás. Daqui de onde me enxergo, só quero construir pontes com gentes desinteressadas, de olhares e desejos cúmplices, que me aceitem, me respeitem, que não me invejem. Não quero, não preciso, não sou obrigada.

12 October 2016

pra ser adulto tem que se (re)pensar a infância

É fácil pensar na infância como aquela fase linda da vida onde tudo é paz, fantasia, alegria. Nós adultos precisamos fazer com que o universo infantil seja realmente mágico e seguro para TODAS as crianças, ricas ou pobres. Isso requer investimento em saúde, educação, esporte, cultura, lazer, habitação. Isso exige um Estado que cumpra o seu dever constitucional de prover tudo isso. Isso exige escolas de qualidade. Isso exige parques públicos, museus, brinquedotecas. Isso exige hospitais de qualidade. Isso exige bibliotecas públicas abertas também aos sábados, domingos e feriados.  E com profissionais para estimularem o ambiente de leitura. Isso exige políticas afirmativas para incluir negros, pobres e deficientes em todos  os espaços de aprendizagens e convivências. Comemorar o dia da criança com presentes e guloseimas é certeza de que é muito bom. Mas precisamos comemorar a infância  permanentemente. É necessário percebermos que muitas e muitas crianças não sabem sequer o significado de "ser criança", pois lhes foram roubados esse direito; ou foram escravizadas e trabalham todos os dias. Comemorar, então, requer respeito à diversidade. E requer amor pela humanidade. Hoje eu prefiro dedicar este dia às crianças mortas por falta de hospital: às crianças rejeitadas, mortas e violentadas por seus pais biológicos ou pelos adultos que delas não cuidam. Hoje é preciso pensar nas famílias destruídas e nas crianças perdidas no Haiti.

9 October 2016

sobre separações e divórcios

eu nunca dividi espaço com um namorado. Nunca me casei. Quis a vida que esse tipo de contrato não fizesse parte dos meus dias. Pode ser que ainda aconteça. Mas sou reticente mesmo. Desconfiada. Desconfio que há outras formas possíveis e interessantes de nós nos relacionarmos, sem dividir o mesmo teto, o mesmo banheiro, um mesmo endereço. Mas não sou contra uniões, desde que sejam estáveis e tragam vida feliz aos pares. Não gosto de triângulos. Não sou da matemática. Vai ver é isso. Se há um a mais, ou a menos, penso que é mesmo melhor que cada um siga só, do seu jeito, sem ferir, humilhar, enganar, mentir. Definitivamente, viver uma vida dupla não é uma boa. Não, mesmo. No entanto, o divórcio nos convoca a repensar o que foi aquela relação. Sobre o que poderia ter sido, o que pode ainda ser. Sem nunca ter me casado, acredito que se houve ali uma aliança feita, seja num altar ou apenas entre dois sujeitos comprometidos em seguir juntinhos até... enfim, fico triste. Fico muito triste. Não desejo ver ninguém infeliz, incompleto, sofrendo. Na verdade as famílias também sofrem separações. Mas não deveriam divorciar-se. Vamos torcer para que todos e todas que optem por esse corte mais radical, sobrevivam às suas dores e recuperem o sorriso natural de ambos. Na torcida. 😢

2 September 2016

perderam eles

Recentemente fui avaliada de forma equivocada, num processo seletivo. 
Questionaram e concluíram as avaliadoras que eu não atuava, não estava alinhada e não tinha produção acadêmica sobre gestão e política educacional, por ser eu psicopedagoga e também pesquisar sobre questões étnico-raciais. 
Ora, se tivessem tido o cuidado e a devida atenção com minhas comprovações do currículo; tivessem lido apenas o resumo de um dos meus artigos e, ainda, saíssem dos seus quadrados, que disciplinam saberes, chegariam a conclusão de que o conhecimento é circular. 
E eu? Sou redonda. 
Perderam a oportunidade de serem justas. 

30 August 2016

nossa primeira crise dos 7 anos

Primeiramente... foi tanta coisa pra fazer, em tão pouco tempo, que esqueci de comemorar o  seu aniversário, filho, no último dia 22 de agosto. Uma certa madrinha ficou de preparar uma nova roupagem, pra sua festa de 7 anos! Dizem ser bodas de lã! Haja novelo... haja narrativa!!! Bloguito, mamãe anda sumida mesmo. Não é falta de assunto ou de desejo. Amo escrever e meu único alento, em tempos tão duros e feios, ainda é desabafar e despejar na escrita sobre o que me afeta. Se puder me perdoar, me dá um tempo que vou caprichar na próxima produção textual!! E finalmente, para sempre, FORA TEMER! Resistiremos. O nosso presente: Tu (também) não vai ficar no poder.

17 August 2016

há vaias e vaias: o que é ser cordial no Brasil?

"Onde foi parar o homem cordial?" Uma boa pergunta que cabe diferentes análises. Será que tivemos bons modelos europeus de cordialidade nos idos 1500? Como trataram índios habitantes nas terras tupiniquins? Como trataram os africanos submetidos ao regime da escravidão? Aprendemos a ser cordiais, verdadeiramente? Aprendemos o que é XENOFOBIA? Construímos muros entre pessoas, gêneros, raças, nações? Construímos preconceitos horríveis? Aprendemos a hostilizar? Essas deveriam ser as perguntas em uma manchete. Cordial como? Desde quando? Pra quem?? Pode ser seletiva? Cabe aqui, não cabe acolá? Quando vaiam e xingam em alto e bom som, aos gritos, numa via PÚBLICA, uma mulher de "VACA", "PUTA", por ela defender a DEMOCRACIA, num país que a está perdendo, a cordialidade reside em que, em quem??? Vaiar é um gesto agressivo e muito simbólico sim, e não de hostilidade apenas, mas, de certo modo, também de um patriotismo equivocado. Muita gente não sabe respeitar ou ser cordial com certos brasileiros e certas brasileiras, imagine se serão com quem vem de fora?? Outra prova de não-cordialidade à brasileira: nosso país está hoje governado por um vice-presidente usurpador, que conquistou o lugar por puro golpismo e traição a quem a ele se aliançou. Merece vaias? No meu entendimento, merece sim. Muita gente o rejeita e ele bem sabe os motivos. Do contrário não TEMERia aparecer em locais públicos. Ele sequer aparece para defender-se. Vai nos dizer o que? Não consegue. Agora um atleta de outra nacionalidade ser vaiado por uma torcida? Faça-me o favor, isso já é uma marca das arenas da vida e do mundo. Isso não é espírito olímpico, é completamente abominável!!! Concordo. Não fomos cordiais com Leticias. Não fomos cordiais com franceses. Não somos cordiais com negros, negras, idosos, idosas, e com a comunidade LGBT. Precisamos aprender a ser cordiais com todos os seres humanos, animais, com a nossa natureza. A empresa que poluiu rios e mares não foi nada cordial. A boa educação vem de berço? Não, mas pode e deve ser construída cotidianamente. Finalmente, FORA TEMER!
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Observação importante: esta postagem é uma "resposta-pergunta" ao jornalista Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, que publicou a matéria: As vaias ao francês Lavillenie mostram que a cultura do ódio triunfou entre nós.