23 March 2018

Meu Luan formou!





Demorei um pouco pra cumprir a promessa de escrever um textão narrando tudo que aconteceu nos três dias e noites de festa da formatura de Luan Costa Miranda Rayres, para os íntimos apenas o "meu Luan", apelido carinhoso como todos nós familiares o chamamos. 
Aí me dou conta de que "um apelido carinhoso é mais difícil de esquecer", como nos lembra a música mais tocada na balada do meu Luan, que nos embalou 24h por dia e abalou (literalmente) a estrutura da casa de praia da festança, em Stela Mares, situada num dos lugares mais lindos e paradisíacos do litoral de Salvador, da nossa Bahia.
Vamos às lembranças mais recentes:
O evento do núcleo #BatistaRayres começou bem antes de 17 de março de 2018. Foi planejado nos últimos seis meses e festejado nos últimos cinco anos, desde que o Meu Luan começou a faculdade de Engenharia Civil, lá atrás, nos idos 2013.
Antes de falar desse evento em si, é preciso registrar que a nossa família é rainha em realizar festas grandiosas. Nossa família é acostumada com grandes eventos que reúnem todos os núcleos, em um único espaço, com direito a presença de cachorro com nome de príncipe, o famoso Lord, e muita gente circulando: gente pequena, gente grande, que chega de carro, de avião, de carona, de ônibus. 
Momentos com participação de parente que chega de viagem pela manhã, ou à noite, ou de tardezinha, ou de madrugada, ou de surpresa, fazendo barulho, que diz que não vem, mas chega na hora H.
Festa com gente linda que faz (muita) comida o dia todo, gente que bebe mais do que deveria, que passa mal de ressaca, que dorme no chão, no sofá e até de gente que não dorme nunca. 
Voltemos no tempo. 
O formando e o pai do noivo, ops, do formando, choraram juntos, muitas vezes e claro que entendemos o motivo de tanta sensibilidade.
A mãe do noivo, ops, do formando, ficou tensa, chorou um bocado e entrou em desespero, com medo de que as coisas não saíssem como tanto sonhou e investiu. Ela parecia que ia mesmo casar seu filho único, tamanha a sua preocupação com os mínimos detalhes da cerimônia. Flores delicadas e iluminação diferenciada, decorando os espaços, buffet com garçons e mesas dispostas no jardim, bebidas e coquetéis servidos aos convidados, de um lado ao outro da casa, na beira da piscina. Um bolo com um edifício projetado, doces personalizados com os temas da engenharia. Comemos delícias em formato de tijolos e eram doces e macios, contrariando a ideia do concreto, da dureza, do cimento. Não se tratou de obra inacabada ou abandonada. Tudo foi feito com amor, alegria e muita emoção de ver Meu Luan formado e celebrando lindamente com seus muitos amigos e amigas.
Da emocionante missa numa igreja linda, na cidade baixa à colação de grau, tudo foi lindo de ver e viver. Do choro às gargalhadas. Do silêncio no altar aos muitos decibéis do DJ que tocou até o amanhceer, tudo na festa-casamento-formatura do Meu Luan foi incrível, surpreendente.
Eu vou torcer pra que todas as boas novas cheguem na vida desse novo engenheiro, para que possamos continuamente celebrar a lindeza de ser humano, de filho, de primo, de profissional que certamente se tornará.
Deu tudo muito certo. A festa-rave foi perfeita, primos. Meu Luan formou e agora é saudade desse tempo juntinhos e muita esperança num futuro que promete novas conquistas. 




Amo vocês.

Prima Juba do Núcleo Santana

6 February 2018

7 anos não são 7 dias

Hoje completo 7 anos que passei a residir nas Alagoas.
Me lembro bem que cheguei em Maceió de ônibus, após 16h de viagem e também de muito choro da família na despedida, lá mesmo onde a noite esfria, em Vitória da Conquista.
Cheguei com malas, caixas e muitas expectativas sobre a nova morada, o novo trabalho, os novos amigos, os novos sonhos.
Lá em 2011 eu tinha menos ousadia que hoje. Mas me sobrava romantismo. Ah, tá. Sigo romântica. Mas bem menos, com certeza.
Foram 7 anos bem vividos, com muitas conquistas pelo caminho: doutorado, um sanduíche em Portugal, viagens fantásticas, turmas lindas na Pedagogia e nas licenciaturas, amigos que eu ganhei.
Que eu possa continuar firme nas minhas lutas diárias.
Que eu possa sonhar muito ainda.
Que independente de onde eu esteja, que eu valorize as minhas memórias.
Que eu sempre comemore a minha história.
Isso é legitimar o que se vive.
É assim que acredito ser possível reunir trabalho e alegria.
Alagoas dos coqueiros mais altos e lindos.
Alagoas da minha amada Ufal, que mais do que nunca precisa concretizar uma Outra Ufal.

22 January 2018

o que é do homem o bicho não come

Essa é uma expressão que ela sempre teve dificuldade de entender, por não acreditar muito em destino. Pra dizer francamente, apesar de gostar da astrologia, de tarô, búzios, linhas da mão e toda a sorte de energia para explicar a subjetividade no mundo material, essa mulher é cética demais. Argumenta, por exemplo, que entre gostar e acreditar tem-se uma distância gigantesca.
Conjectura que se aquário é oposto complementar de leão e se libra é par perfeito de aquário... isso serve mais pra justificar escolhas (ou a falta delas) do que qualquer outra coisa. Não, ela não acredita em nada disso. Duvida completamente que o universo conspira só porque é lua cheia ou porque um arco-íris apareceu do nada, justamente quando estava buscando um sinal dos céus.
Lembra que não é possível interpretar o cosmos, ainda mais sendo leiga de pai, mãe e todos os seus antepassados, num assunto complexo como esse.
Pensando como ela, penso que quando estamos envolvidos, apaixonados tudo ganha dimensões inexplicáveis apenas pela razão. Tem que adicionar música, poesia, sentidos outros.
Eis que essa pessoa tão incrédula, que tem certeza que papai noel não existe, mas sempre liga o pisca-pisca em todo natal, decidiu que quer passar a crer que "o que é do homem o bicho não come". Isso dá um alívio, sabe? Deve ser o máximo quem confia nisso e simplesmente vive tranquilo, sem expectativas, sem ansiedades. Sabe que em algum momento aquele "estalo" vai acontecer e por isso pode viver com essa leveza, sabendo que o melhor vai chegar em sua vida, que o amor vai enfim, pousar em seus dias, e assim vai desaparecer desgosto, desilusão, desencontro, dissabor, distância e o tal ceticismo que até gosta de alimentar entre os amigos cheios de fé e escapulários.
Ela quer acreditar nisso. Veementemente. E está de dedos cruzados, já sorrindo para o mundo inteiro, pela magia dessas palavras que (agora) soam tão verdadeiras.

14 December 2017

Catorze do doze

Meu pai foi o primeiro negro que (re)conheci.
O primeiro negro que vi na pele dele, literalmente, o quanto o mundo exclui, intimida e diminui quem não é do universo branco.
Ele nasceu na década de 20, num tempo em que ser preto e bem sucedido era ainda mais exceção que em 2017.
Hoje meu painho faria 93 anos.
Eu queria muito que seu Waldemar de Carvalho Santana estivesse vivo, sorridente, brincalhão e sisudo, ao mesmo tempo.
Eu queria muito que amanhã ele recebesse das minhas mãos, um exemplar do meu livro e me desse um senhor abraço.
Eu queria que ele me visse assim, do jeito que sou: pedagoga, professora, blogueira, escritora e, o principal, muito indignada com essa realidade racista, machista, homofóbica e misógina, em  pleno século 21.
Comemoro somente as datas de nascimento daqueles que eu amo e o tempo em vida que juntos trilhamos juntos, antes da partida. Foram só 12 anos.
Eu tenho 12 bons motivos, 12 meses, todos os anos, para agradecer pelos aprendizados, por ter aprendido que a minha luta nesse mundo, é pelo coletivo que ele (e eu) fazemos parte. É também por ele que sigo inspirada e desejante.

2 December 2017

hoje vou fazer uma sopa

Todo sábado me permito faxinar. A casa, as unhas, o carro empoeirado.
Todo sábado prolongo aquela horinha preguiçosa na cama e decido ali permanecer: sem pressa, sem correria, sem relógio apontando que o sol segue alto.
Minha rotina não é das piores. Cabe música, paradinhas pra responder mensagens, olhadela nos grupos, nas redes, tempo pra um café caprichado.
Não sei até quando terei energia para limpar a casa, os cantos e organizar armários. Não sei até quando a faxina seguirá sendo minha terapia. Mas tem funcionado. Ao fim do dia, como agora, parece que limpei todas as arestas. Parece também que fiz uma espécie de peeling na mente e esvaziei quilos de perguntassempropósitos, respostaspranemseioquê.
Claro que eu poderia contratar alguém pra fazer esse trabalho. Claro que posso me dar a esse luxo. Mas cuidar da minha casa é um luxo. Ora, se eu moro só e vivo na rua, por que não curtir esse momento a sós, eu e a minha bagunça? Quem mais deveria estar aqui, se sou eu quem provoco a sujeira? Não cabe ninguém. Não quero ninguém bisbilhotando minha lixeira, minhas compras, minhas esquisitices. Não pega bem alguém me ouvir conversar sozinha. Mais de uma mulher habita em mim. Eu pergunto e eu respondo. Não são monólogos. Ouso a dizer que são diálogos doidos, que não começam nem terminam.
Por isso, insisto em dizer que simplesmente não cabem estranhos no meu apartamento. Aqui só entra quem eu convido. Não cabe ninguém que vai mudar as coisas de lugar. Eu gosto de controlar, sim. Que mal há nisso se o que controlo me pertence? Problema seria se eu estivesse por aí, tirando as coisas dos outros do lugar. Ok, confesso. Faço isso na casa de minha mãe. Mas ela ama que eu esteja lá e fazendo tudo do meu jeito. Dona Nalva confia em mim. Ela sabe que faço tudo pra deixá-la confortável, com tudo fácil de apanhar.
Ao final da limpeza, além de fome, dá mesmo a sensação de que está tudo em ordem. Ao menos piso descalça e sinto que o caminho está livre e o ar mais leve. 
E além do estômago que pede atenção, o coração também anuncia que parece querer visita quando a casa está limpa. Mas chega dessa conversa fiada que não vai levar a lugar algum. Decidi que eu vou pra cozinha e, por ora, é melhor mesmo esquecer essa segunda parte.

31 October 2017

a vida é um piscar e dói mais do que deveria.

Ontem dois irmãos morreram afogados.
Alisson, 20 anos. Andrei, 16 anos.
Estavam desaparecidos e a família desesperada com o sumiço.
Allison era um jovem estudante de Biologia da Ufal, Campus Arapiraca, que seguia seu sonho de tornar-se pesquisador de insetos. Eis que decidiu trilhar sozinho e levou o irmão junto, certamente como apoiador da aventura pela ciência a céu aberto.
Fico pensando na dor da mãe que antes estava desesperada e, na primeira das seguintes segunda-feiras, dormiu sem receber em casa os seus filhos da volta de um passeio de domingo.
Hoje tivemos outra morte no trânsito.
Foram quase 2h num engarrafamento na via expressa e o que eu sabia é que tinha havido um acidente grave.
Junto com o corpo do jovem estendido no chão, a pista sangrava. Quem chorou por ele? Quem o aguardava? Será que estudava? Será que tinha filho? Será que, assim como eu, estava atrasado para o trabalho? Será no quê ou em quem pensava no momento da batida?
Eu, impaciente, só pensava em mim e no MEU compromisso. Eu só não imaginava que veria a cara da morte, assim, no asfalto, e pior, que eu passaria (de novo) com pressa, sem parar, agradecendo por ter o meu caminho liberado.
Partiram 3 que eu soube, em dois dias.
Eu tenho plena convicção que eu não deveria ser tão egoísta ou considerar natural a morte de ninguém.
Eu não deveria seguir como se nada tivesse acontecido.