22 August 2017

meu blog aos 8 (não parece que foi ontem)

Quando lembro dessa mesma data, oitos anos atrás, após um longo dia de aulas de pós-graduação em Psicopedagogia, surge da memória todo o cenário à minha volta, quando resolvi criar um blog, esse que vos fala, o Foi assim:
Foi naquela noite, sentada num quarto de hotel, numa noite fria do típico inverninho da região sudoeste da Bahia, na cidade de Seabra, considerada a capital da Chapada Diamantina, que está situada a quase 600 km de Salvador, que publiquei a primeira postagem intitulada No interior, o meu interior
Eu procurava, na verdade, dar sentido às vivências daquela época e por isso me sinto até nostálgica ao lembrar desse período da minha vida. Tanta coisa aconteceu. Tanta coisa mudou em mim. Outro dia me dei conta da minha falta de leveza. Do quanto estou pesada. Do peso que é pensar tanto, fazer tanto, lembrar tanto, de tantas coisas que vivi ou que tenho que fazer, providenciar, responder, produzir ou prestar contas. 
É assim que vivo hoje: prestando contas. É um viver quase no automático, sem tempo para ser leve. Sem desejo de ser leve. Isso dói. 

12 August 2017

transmimento de pensação

A primeira vez que falei com ela foi na noite anterior à viagem que faríamos juntos no dia seguinte. Ela me deu boa noite, muito gentil e me pareceu um pouco apreensiva. Ela questionou se eu estaria no horário marcado. Confirmei que sim. Ela insistiu, desconfiada: vai mesmo?

7 May 2017

sou dela

Eu nasci da junção desses dois lindos. Nasci pra ser inquieta e questionadora como meu pai e tranquila como minha mãe. Passei a entender como funciono quando penso na força de cada um para a construção de mim mesma. Da natureza forte de um e da natureza forte do outro. 
Minha mãe não é apenas uma mãe. Passou a acumular as funções de pai e mãe faz muito tempo. Passou a ter voz e vez entre nós lá nos anos 80, quando nosso velho partiu. E hoje, ao completar 7.6, fico só pensando o quanto ela abdicou dos próprios sonhos em nome de nós, filhos, seres carentes de pai e desejantes de tantas coisas.
De lá pra cá ela conseguiu ser colo, ser escuta, ser presença, sempre, independentemente onde estejamos. Passou a ser caixeira viajante, exatamente como ele era. Passou a fazer conta (ela tem caderninhos), como ele fazia. Passou a pensar em como sobreviver melhor, para tornar nossos sonhos mais possíveis. Então passou a ser muito mais importante pra gente. Fica comigo um tempo, depois com mana Dilma mais tempo, depois com os meninos e com a mana Lila. Sabemos bem qual é a missão dela entre nós: espalhar amor e paz. Mainha, a senhora é linda. 

Enquanto escrevo choro por tudo: por estar longe, por não acompanhar as marcas do tempo em sua história, por suas tristezas, por suas angústias, por não poder te dar um abraço no dia de hoje e sentir seu cheiro que me acalma e me faz tão feliz. 
Te amo muito, muito mais que seu vatapá delicioso!! ❤️🌺❤️ #soudela #mainhafazaniversáriohoje #fbf❤️❤️ #dasmaioressaudades

22 April 2017

tem uma mentira aí


1) a capoeira sempre foi um sonho. Sou baiana mas não tenho jinga. Parecia uma robocop na roda;
2) a natação é pura hipnose. Amo de paixão, principalmente boiar;
3) Odeio academia. Aquela coisa de 1, 2, 3... step by step nunca vai me representar;
4) as caminhadas me fazem feliz. Volto saltitante toda vez que crio coragem;
5) nunca fiz balé. Acho lindo, mas inacessível. Um luxo para poucos.
6) aprendi a dança da manivela no carnaval da Bahia.
7) eu já caí da bicicleta, sentei no chão e chorei, em plena luz do dia, na orla de Maceió.
8) nunca tive um par de patins. Isso doeu na infância.
9) já saltei de paraquedas no aeroporto de Vitória da Conquista.
10) na escola, morria de medo de jogar baleado e receber uma bolada. Era alvo fácil das meninas mais corajosas e perversas.

21 April 2017

a baleia azul já não é a mesma

Com a rotina engolindo, algumas vezes demoro para querer me envolver ou compreender algumas questões repetidamente postas nas mídias.
O caso da baleia azul, por exemplo, eu não conseguia sequer associá-lo a coisas ruins. Eu simplesmente não parava para ler nada a respeito. Quando via escrito "baleia azul" relacionava imediatamente com infância, filmes, beleza, mar, imensidão, natureza, vida.
Mas nada como mais um feriado num mesmo mês, para nos forçar a dar uma pausa nas questões do trabalho. Parece um "domingo" a mais, né? Então hoje aproveitei o dia de folga, e li algumas matérias, assisti vídeos, procurei entender o universo desta "baleia azul".
Que triste mundo é esse, com tanta gente sofrendo e sendo seduzida por jogos mortais??
Sobre esse jogo, cujo nome é realmente atrativo e estimula justamente as nossas melhores lembranças e conhecimentos prévios, infelizmente descobri que não é bem sobre vida e sobre beleza que ele trata. Embora seja jogo, também não é uma brincadeira e não é divertido. É sobre tudo o que é ruim: morbidez, violência, intimidação, isolamento, repressão, dor, silêncio, depressão, perda, tristeza, morte.
Pais e adultos que cuidam de crianças ou adolescentes que já fazem uso de dispositivos móveis como celular, ipads, tablets e notebooks... atentem-se. Passem mais tempo com seus filhos. Cuidem das suas relações. Dediquem atenção. Doem amor. Escutem mais e melhor. E claro, vigiem o sono, os interesses, as companhias, os (des)afetos. Observem tudo. Sejam próximos. Abracem mais. Levem a sério qualquer sinal de depressão. É doença. Não é frescura. Não é mimimi de "aborrecentes", expressão tão casual e que muitos de nós a usamos, sempre de modo generalizado e tão irresponsável, né? 

Fica aqui a minha indignação e profunda tristeza.
Embora eu não tenha filho, tenho sobrinhos para amar e cuidar, e como professora convivo com estudantes muito jovens. Sempre torço para que só coisa boa aconteça em suas vidas e que o melhor estará reservado para todos eles, no futuro

... mas, que futuro teremos do jeito que o mundo anda??? Não sabemos.

20 April 2017

9 verdades e 1 mentira sobre mim


1) meu apelido na escola era "formiga atômica", e em casa "Jucinha".
2) meu nome é indefinido quanto ao gênero. Já recebi telefonemas e mensagens me chamando de "PrezadO Professor", "Boa tarde, senhor"!! 😡
3) dos apelidos atuais, Ju é o codinome e Juba é o mais fofo.
4) ser rotulada como uma doce jujuba verde foi hilário;
5) já fui apelidada de "Dengo", por um leonino querido 😍
6) eu nunca disse, em clima de paquera, que o meu nome era Juliana.
7) já tive uma loja de acessórios e moda feminina, em Vitória da Conquista (é a Suíça baiana) e se chamava La Belle Ju 😄;
8) O orkut e o facebook me forçaram a aceitar meu nome;
9) adoro ser chamada de Professora Doutora Jusciney Carvalho Santana. 🎈
10) tive um namorado que me apelidou de "Juice". 😍

13 April 2017

historinha de uma tarde chuvosa


- você já viveu uma história de amor?
- já.
- foi um conto de fadas?
- foi sim, e lindo!
- teve príncipe?
- um lindo cavalheiro muito gentil.
- montava um cavalo branco?
- acho que ele nunca montou num cavalo, de nenhuma cor.
- então tinha um carro super cheio de cilindros?
- ele nem sabia dirigir.
- ele entendia e respeitava o seu jeito de ser?
- sim, mesmo falando língua diferente da minha.
- acabou como todo bom conto de fadas?
- não.
- por que acabou?
- acabou porque acabou.
- do que mais sente falta?
- do olhar dele sobre mim.
- como faz pra resolver isso?
- não faz.
- o que mudaria, se pudesse mudar?
- nada, não mudaria nada.
- então foi um final feliz?
- não.
- como foi o final?
- infeliz.
- quer dizer algo mais?
- eu sinto mais falta de "nós" do que dele.

FIM